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Porque nós adoramos novelas!

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Tititi

Por Luciana | 02/04/2010, 23h13

Na boa, não vejo a hora de Tempos Modernos acabar. Primeiro, porque a novela é mais perdida que Bang Bang, Negócio da China e Sonho Meu  juntas. Segundo, porque quando ela acabar vai começar o remake de Tititi!

Vi Tititi primeiro aos seis anos, em 1985, e depois no Vale a pena ver de novo, em 1988, aos nove anos. Como tenho uma memória de elefante, ainda lembro de alguns detalhes da trama de Cassiano Gabus Mendes pras 19h – adoro novelas de 19h!

Bem, quando soube do remake minha primeira reação foi contrária porque guardo boas recordações da novela e não queria que uma nova produção pudesse acabar com isso.

A escolha de Murilo Benício para o papel de Ariclenes/Victor Valentim veio aguçar ainda mais essa rejeição. Fiquei inconformada, não acho que ele se encaixe no papel. Já li que ele mesmo está apavorado em interpretar um costureiro espanhol… Mas minha mãe e o André acham que ele tem tudo pra fazer um ótimo trabalho, baseados nos cacoetes mil que o Benício já apresentou em Fera Ferida, Vira-Lata, Pé na Jaca… Enfim.

Já a escolha de Alexandre Borges pra fazer André Spina/Jacques Leclair pra mim foi perfeita – ainda mais quando soube que fará par com a Cláudia Raia, que ficou com a Jacqueline de Sandra Bréa. Os dois já provaram que funcionam muito bem como casal, vide Engraçadinha, As Filhas da Mãe, Belíssima

Lembrando com o André das velhinhas da trama – Yara Côrtes e Natália  Timberg – ficamos projetando quem poderia fazer os papéis de tia e mãe de André Spina, respectivamente. Ficamos em um nome só, o de Nicette Bruno e foi uma grata surpresa saber que ela ficará mesmo com o papel de Júlia! Já Cecília, a tia que faz vestidinhos de boneca e que Ari transforma em vestidos de alta costura, será interpretada pela não menos talentosa Regina Braga.

Alta costura essa que ficará pra trás no remake conduzido por Maria Adelaide Amaral. Ao invés da trama se passar em São Paulo, Belo Horizonte – e sua moda em ebulição no cenário nacional – servirá de palco pra novela.

As modas que Tititi lançou em 1985 não se restringiram apenas ao vestuário. A exemplo do perfume de Vereda Tropical, lançado um ano antes, o batom Boka Loka inventado por Victor Valentim pintou e bordou na boca das mulheres do Brasil inteiro. Lembro da minha mãe passando e meu pai fazendo de conta que a beijava só por causa do batom – porque era isso que falavam na novela: que ao passar o Boka Loka você atraía o desejo dos homens em te beijar! E eu acreditava piamente na encenação dos meus pais!

Tinha também as argolas usadas pela Gabriela de Myrian Rios. Elas tinham um lacinho colorido que mudava de acordo com a roupa que a personagem estava usando. Agora quem interpretará a Gabi será outra Rios: a Mariana, vinda de Malhação.

Além de Tititi, Maria Adelaide Amaral trabalhará com elementos de outras novelas de Cassiano Gabus Mendes. A trama principal de Plumas & Paetês será aproveitada e participações especiais como a de Rafaela, de Marília Pêra em Brega & Chique, e Mário Fofoca, de Luiz Gustavo (que foi o Ari da primeira Tititi), de Elas por Elas – que é uma novela que merece um remake até mais que Tititi, por ser mais antiga.

Pra encabeçar a história de Plumas & Paetês virá nada mais nada menos que a melhor: Christiane Torloni. Pela terceira vez, Torloni interpretará uma personagem de Eva Wilma em remakes. Por coincidência, ambas as novelas são as minhas preferidas de todos os tempos e tão bem sucedidas que por duas vezes foram exibidas no Vale a pena ver de novo: A Gata Comeu e A Viagem.

Fora as participações já citadas, de Marília Pêra e Luiz Gustavo, algumas figurinhas da primeira versão da novela voltarão em outros papéis – como já aconteceu em outros remakes da vida. Infelizmente, Cássio Gabus Mendes não fará parte dessa lista, pois já está escalado para a novela de Gilberto Braga que ficará no lugar de Passione, no horário nobre – e novela das oito é novela das oito, difícil de recusar.

Mas Malu Mader, que antes era Walkíria e fazia par com Cássio, vai participar da novela. Ela fará Suzana, personagem de Marieta Severo, que era mãe de Luti (personagem de Cássio) e ex-mulher de Ari.

Luti e Wal eram o Romeu & Julieta moderninho sensação da novela. Filhos dos arquiinimigos Ari e André, eles até encenaram a cena do envenenamento dos amantes de Verona pra convencer os pais a deixarem que ficassem juntos.

O romance dos dois era embalado por Troca-troca, canção dos Fevers e uma das poucas músicas que lembro da trilha sonora da novela. Tititi, a música de abertura inesquecivelmente cantada pelo grupo Metrô e que tem que ser regravada pra tocar de novo nesse remake, e A vida é dura, dos Demônios da garoa com participação de Benito di Paula, que tocava todas as vezes que Ari aprontava das suas, completam a pequena lista que minha memória recorda.

E você, leitor, do que lembra?

Quando o patinho feio vira cisne

Por Luciana | 24/06/2009, 11h11

Dia desses, vasculhando vídeos de novelas no Youtube, revi uma cena memorável que fez nascer a vontade de escrever um texto que falasse das grandes transformações de personagens de novela.

Não se trata de transformações em que os atores novinhos, ao passar 20, 30 anos, são substituídos por atores maduros, como aconteceu em O casarão, Renascer, Senhora do destino e tantas outras.

Na verdade, eu me refiro àqueles personagens “patinhos feios”, que um belo dia ganham um banho de loja, um dia de princesa, e se transformam em cisnes – tipo Betty, a feia, manja?

A recordação mais antiga que tenho em relação a esse tipo de personagem é da Elisa, de Amor com amor se paga. Filha do avarento Nonô Correa, a transformação de Elisa veio depois que ela se casou e teve grana pra se vestir melhor, arrumar os cabelos, se maquiar.  Antes, era a própria Gata Borralheira.

Depois veio a Léo, de Vereda Tropical. Interpretada por Cristina Mullins, Maria Leopoldina mantinha uma paixão secreta por Marco, vivido por Paulo Betti. O problema é que além dele ser cego de amores pela Silvana, a Léo era gordinha e se vestia como um homem. Até o belo dia em que ela resolveu virar o jogo e começou a malhar sozinha e escondida. Mesmo assim, continuava a se vestir com roupas folgadas e visual desleixado. Até que apareceu linda, loura e magra na frente do Marco. Foi irresistível!

Em Livre para voar, Pardal se apaixona por uma operária da fábrica de cristais, sem saber que na verdade ela era a filha do dono da fábrica! Carla Camuratti deu vida à Bebel/Cristina e quando assumiu a verdadeira identidade foi uma mudança em tanto também…

Mas em Roque Santeiro a coisa mais linda era a Dona Lulu, de Cássia Kiss, querendo descobrir o mundo que o marido, Zé das Medalhas fingia não existir. Quanta diferença fizeram um batom e umas roupas novas em Dona Lulu… Sem contar o cabelo ao vento!

Em Tititi, a certinha Eduarda, ao se ver “traída” pelo namorado com a melhor amiga, vira punk! Uma visão meio distorcida dos punks, onde se vestir de preto, carregar na maquiagem e não tomar banho era lei…

Em Brega & Chique, a brega virou chique e a chique virou brega. Rosemere começou a ter aulas de etiqueta com Rafaela que, por sua vez, começou a vender quentinha pra fora.

A feirante Tancinha também foi uma que mudou muito. As roupas provocantes, o cabelo de juba de leão, o português incrivelmente errado, os modos estabanados foram todos trabalhados na escola de etiqueta Femina, em Sassaricando, tudo patrocinado pelo namorado publicitário Beto.

Já em Vale Tudo, a no início jeca Raquel com o passar de um ano voltou por cima, dona de um bufê, com roupas modernas e com cabelos tão esvoaçantes quanto os de Dona Lulu, só com a diferença do estilo cacheadão ao invés do liso puro da primeira.

Teve também o Sassá Mutema, de O Salvador da Pátria. Seria forçar a barra demais dizer que ele se transformou de patinho feio em cisne, mas que mudou, mudou. De bóia-fria virou político todo engravatado.

Cisne mesmo (eu diria príncipe!) quem virou foi o Doca, de Cássio Gabus Mendes, em Meu bem, meu mal. Dentro de um plano de vingança de Madame Mimi, Doca teve aulas de etiqueta, fez a barba, mudou o figurino e virou Eduardo Costabrava. Tudo pra conquistar a filha de Isadora Venturini, alvo de Mimi… Cássio Gabus em seu momento melhor (mentira, o momento melhor dele pra mim é Anos Rebeldes).

Em Lua cheia de amor, mais uma jeca – só que bem pior que a Raquel, de Vale Tudo -, Dona Genú. Marília Pêra interpretava a feirante que tinha aulas de boas maneiras para não envergonhar a filha perante aos pais do namorado. Inesquecível a frase de efeito que ela era treinada para dizer: “O Sol invade a sala”!

A Malu, de Viviane Pasmanter, só mudou mesmo no último capítulo de Mulheres de Areia, aparecendo toda de branco no meio do mato, diante de Alaor. Justo ela que passou a novela inteira vestida de preto, com os cabelos arrepiados e aquela maquiagem mais pesada que tudo…

Na divertida Quatro por Quatro, Tatiana era das mulheres vingativas a mais patinho feio. Usava óculos, gaguejava, andava com uns vestidões de maria-mijona. Até que ela conheceu o Bruno e decidiu dar um tapa no visual, deixando Cristiana Oliveira mostrar toda a beleza estrábica que lhe é peculiar.

Outra que foi discreta na mudança foi a bóia-fria e sem-terra Luana, que despertou o amor nada mais nada menos do que do Rei do Gado – só em novela mesmo. O chapelão para proteger do sol deu lugar aos cachos bem definidos de Patrícia Pillar, que começou a usar vestidinhos leves e de cores suaves.

Outra sem sal era a Dorothy, de A Indomada. Irmã da exuberante Scarlett, Dorothy era patinho feio total. Mais uma vez o amor foi o responsável pela transformação de uma personagem. Ao se apaixonar por Artêmio, Dorothy deixou a beleza de Flávia Alessandra vir à tona, sendo o primeiro papel de destaque da atriz.

Um adendo aqui: geralmente as transformações em novela são por conta da descoberta do amor ou da desilusão no amor…

Em Pecado Capital, a operária Lucinha viu a vida mudar de uma hora pra outra quando foi escolhida para estrelar uma campanha publicitária da empresa. Continuou bronca e barraqueira, mas os cabelos… Quanta diferença! Carolina Ferraz sempre fica mais linda de cabelo curto. Ela só não contava com a participação de Vera Fischer na reta final da novela e acabou perdendo o Salviano pra personagem da Vera. Difícil duelar com uma deusa…

Além de Malu, Viviane Pasmanter viu Maria João, de Uga Uga, também se tranformar quando Baldoque voltou. Da casca grossa mecânica, Maria passou a usar vestidinhos azuis, floridos, etc. e tal. E o mais engraçado é que assim como o Alaor, o Baldoque era vivido pelo Humberto Martins.

Assim como a Tatiana, de Quatro por Quatro, a Dorothy, de A Indomada, a Léo, de Vereda Tropical e a Elisa, de Amor com amor se paga, a Ana Francisca, de Chocolate com Pimenta, também usava óculos – óculos são sempre usados como recurso para enfeiar alguém na TV; puro preconceito. Depois de anos fora da cidade-natal, Aninha volta linda, rica e ruiva querendo vingança, mas tudo acaba em torta na cara nessa novela, e ela é feliz pra sempre com o Danilo.

Já em América, a Sol atravessa o deserto até chegar aos Estados Unidos para trabalhar como garçonete e dançarina. A pele queimada de sol, a expressão eterna de sofredora e as roupas andrajosas ficam pra trás e Sol muda da água pro vinho, com direito a maquiagem cintilante e modelitos curtinhos, justinhos, brilhosinhos…

Tão brilhosinhos quanto os ternos do Foguinho, de Cobras & Lagartos. Ao se apossar de uma herança que não foi deixada para ele, a personagem interpretada por Lázaro Ramos virou o perfeito novo rich, comendo profiteroles às pampas e cheio das jóias e brilhos. Ostentação pura que ele justificava com o fato de já ter sido muito humilhado no tempo que era homem-sanduíche na Saara.

Em Paraíso Tropical quem pediu ajuda a uma professora de boas maneiras foi a Bebel, vivida por Camila Pitanga. As roupas, os penteados e a maquiagem melhoraram, mas o vocabulário foi difícil de mudar… Impagável a frase feita – a exemplo de My fair lady – que Bebel repetiu exaustivamente no casamento de Camila e Fred: “Que boa idéia esse casamento primaveril em pleno outono!”.

Vale citar também dois casos de cisnes que viraram patinhos feios! Me refiro a Maria do Carmo, de Rainha da Sucata, que amargou uma fase “sucateeeeeeeeira” no meio da novela; e a Bianca, de Caras & Bocas que em breve largará o ar de patricinha adorável para começar a trabalhar como garçonete do bar do pai – a TREVA!

Finalmente, a transformação que motivou esse texto: a da personagem vivida por Yoná Magalhães em Tieta, Tonha.

Amiga de meninice de Tieta, Tonha casou cedo com Zé Esteves, se tornando madrasta da amiga. Maltratada toda a vida pelo marido avarento, Tonha ganhou de presente de Tieta uma viagem a São Paulo assim que ficou viúva do traste.

Eu não sei de você, mas eu acho essa cena demais. Só Aguinaldo Silva e a equipe dele pra escrever!

Uma noveleira em São Paulo…

Por Luciana | 12/05/2009, 15h15

De volta!

Fui ali em São Paulo ser mais feliz e voltei… :)

Aí, como boa noveleira que se preza, passeei pra lá e pra cá lembrando de locações de novelas gravadas em São Paulo!

Nada muito difícil, afinal, a cantina C… que sabe!, por exemplo, remete de forma naturalíssima à Cantina La Tavola de Michele, da família da Bina, de Vereda Tropical. Não só pela decoração – cheia de ráfias, chapéus e panelas penduradas no teto, fotos de clientes famosos preenchendo todos os espaços das paredes, etc. – mas pelo climão.

Climão = uma família que recebe os clientes como quem recebe amigos + palmas, gargalhadas e bandejas jogadas animadamente no chão + música ternamente italiana.

Um adendo sobre a música: quando o trio de cantantes veio perguntar que música eu gostaria de ouvir, pedi Al di lá, a música-tema da srta. Ilka Tibiriçá com o seu Ataliba Timbó, de Fera Ferida. Essa música era tema do casal porque a Ilka era bibliotecária e vivia a sonhar com o filme Candelabro Italiano, onde a mocinha tem a mesma profissão que ela – e onde a música é Al di lá…

Já no Mercado Municipal – aquele onde o André levou a Júlia pra tomar café da manhã no primeiro capítulo de Belíssima – é dever quase cívico fazer fotinha na Barraca do Juca – a verdadeira barraca da novela A próxima vítima!

O Juca, de Tony Ramos, trabalhava todos os dias vendendo frutas no mercado e nas horas vagas ora suspirava pela Ana, de Suzana Vieira, ora namorava a Bonitona do Morumbi, de Natália do Vale…

Fui também a Campos do Jordão e essa é meio dificinha de lembrar, mas como eu sou fã…

Lembra, leitor, que, em Mulheres de Areia, quando a Ruth criou coragem e confessou ao Marcos que ela não era a Raquel e sim a irmã, ele disse a ela que já sabia, que já tinha percebido e que estava muito feliz porque desde o início tinha sido ela, Ruth, que ele tinha amado…

E logo em seguida a levou pra uma mini-lua-de-mel em… Campos do Jordão! Rá!

Lembro nitidamente, por exemplo, dos dois no teleférico de lá, mas não tive pique pra subir dessa vez.

E também teve uma ida linda ao belo parque do Ibirapuera.

Depois de caminhar pelo viveiro Manequinho Lopes, pela Oca, pelo pavilhão da Bienal, etc., etc., contemplei o lago – sem pedalinhos – do parque.

E lembrei de alguns casais que já foram namorar à beira dele…

Lembrei do Pascoal e da Vitória, de Belíssima – que até de noite iam pra lá! – e do casal dos meus cuidados de hoje, Dafne e Gabriel, que ao fazerem as pazes foram conversar no Ibirapuera, mas sem fazer Caras & Bocas

Por fim, uma constatação que eu preciso compartilhar – e no futuro, quem sabe, ampliar: Caras & Bocas é muito Silvio de Abreu. Quem é noveleiro sabe… ;)

Triângulos amorosos inesquecíveis

Por Luciana | 27/04/2009, 10h10

Seja girando em torno da mocinha, seja girando em torno do mocinho, toda novela que se preze tem um triângulo amoroso.

Mas triângulo amoroso inesquecível é aquele em que o público fica realmente dividido – é quando o triângulo não é escaleno, não fica pendendo mais pra um lado. Triângulo amoroso perfeito é aquele em que a dúvida de com quem o fulano vai ficar divide até os últimos momentos os telespectadores.

O primeiro triângulo que me despertou isso, essa divisão de torcida, foi o protagonizado por Silvana – Luca – Verônica, em Vereda Tropical.

Apesar da Silvana ser a boazinha, fadada a ficar com o jogador de futebol Luca, a Verônica tinha uma coisa transgressora que chamava a minha atenção de criança. Ela batalhava pelo Luca, fazia coisas ruins, mas também era capaz de coisas bacanas – como depor a favor de Silvana, para que a moça ficasse com a guarda do filho.

O triângulo mais conhecido e adorado de todos os tempos veio logo depois de Vereda Tropical, mas não era de uma novela e, sim, de um seriado: Armação Ilimitada.

Lá, tínhamos a Dona Flor moderna, Zel, que “escolheu não escolher” e se tornou namorada tanto de Juba quanto de Lula. Era difícil mesmo escolher entre os dois, mas eu sempre fui mais da torcida do Lula, pelo jeito paternal dele com o Bacana.

A já citada Dona Flor também não virou novela, mas minissérie. E, assim como Zelda, sentia que precisa dos dois – Vadinho e Teodoro – para viver, porque eles afinal se completavam e a completavam.

Cidinha e Leda eram amigas de infância. Enquanto uma era mais esperta e a outra mais inteligente, faziam uma dupla imbatível.

Até que as duas se apaixonaram por Bello – Mário Gomes mais uma vez dividido entre uma loura e uma morena, como em Vereda Tropical.

Foi difícil torcer em Perigosas Peruas por uma ou por outra, porque apesar  de torcer pela dona de casa Cidinha, eu adorava a Leda por ser uma jornalista bem sucedida!

No final, prevaleceu o lance da família e o Bello ficou com a Cidinha. Pra Leda surgiu um sósia do Bello! Rá!

No remake de Mulheres de Areia, graças a interpretação de Glória Pires, confesso que torcia um pouco pela Raquel sim.

Ora, a Ruth era muito boazinha, leitor! Ao invés de desfazer toda a farsa que a irmã armou, ela aceitou passivamente que o Marcos se casasse com a Raquel!

Fora isso, a Raquel tinha charme e, além da Malu, era a única que peitava o Dr. Virgílio.

Outro remake famoso com triângulo amoroso igualmente famoso foi o de Pecado Capital.

Eu vinha da torcida por Milena e Nando, de Por Amor, e era natural que torcesse por Lucinha e Carlão, já que também eram interpretados por Carolina Ferraz e Eduardo Moscovis.

Mas quando o Salviano Lisboa de Francisco Cuoco declamou o Poema dos Olhos da Amada, de Vinicius de Moraes, olhando bem nos olhos da Lucinha, eu me rendi.

Pena que no final teve uma reviravolta louca e a Glória Perez meteu a Vera Fischer na jogada pra ficar com o Cuoco!

Outro triângulo em que a Carolina Ferraz se meteu foi em História de amor. Ela vivia a mimada Paulinha que disputava o Carlos com a Helena.

Apesar de lógico estar predestinado que a Helena ia se dar bem, a Paulinha era que nem a Verônica, de Vereda Tropical: capaz tanto de maldades quanto de bondades. Talvez por isso tenha se dado bem no final, mesmo que sem o Carlos…

Verônica e Paulinha eram personagens bem próximas da realidade, da humanidade. Não eram absolutamente boas nem absolutamente ruins. Tinham nuances. Não eram politicamente corretas e chatas como as mocinhas, por isso eu curtia as duas.

Assim como curtia a judia Camille, de Esperança. Era por ela que eu torcia pra o Toni ficar. Mas todo mundo começou a torcer pela tal de Maria, que o Walcyr Carrasco (ao assumir a novela no lugar do atual maior remakeiro da paróquia Benedito Ruy Barbosa) acabou transformando a Camille numa mini-vilã e a afastando de vez do mocinho!

Outro que se deixou levar pela vontade do público foi o Aguinaldo Silva, ao levar em conta uma enquete feita no site de Senhora do Destino pra decidir quem ficaria com Maria do Carmo: Dirceu ou Giovanni.

O segundo venceu e confirmou o que Aguinaldo sempre afirma: o melhor casal de novela é Suzana Vieira e José Wilker (pra mim, há controvérsias, mas enfim).

Assim como Maria do Carmo & Giovanni, outro casal que contrariou a máxima de que o amor do primeiro capítulo é o amor do fim da novela foi o Ed e a Sol, de América.

Sol amargou a novela inteira o amor desencontrado que sentia por Tião e vice-versa. Mas nessa eu SEMPRE torci pelo Ed, vivido pelo fofo Caco Ciocler (que é por sinal a única pessoa pra quem eu torço em Caminho das Índias – torço pelo Murilo dele e pela Silvia, de Débora Bloch)! Porque ele era inteligente, delicado, carinhoso e apaixonado pela Sol. Já o bronco do Tião…

E o mais recente desses triângulos todos foi Flora – Zé Bob – Donatela. Quando percebi que o Zé Bob estava apaixonado mesmo pela Donatela, foi fácil deduzir que ela era a mocinha, afinal, o mocinho não se apaixonaria pela bandida…

Mesmo com toda essa tradição de triângulos amorosos em novelas, minisséries e seriados, tem aqueles casos em que os personagens se veem envolvidos com até três pretendentes!

Era o caso de Quequé, da minissérie Rabo de Saia, as voltas com as três mulheres: Eleuzina, Santinha e Nicinha – em mais uma daquelas situações em que se “escolhe não escolher”; de Denizard, de O outro, divididaço entre Índia do Brasil, Laura e Glorinha da Abolição – ficando no final com a primeira; e de Ingrid, de Rainha da Sucata, a francesinha que ficou com “as três filhinhas” de Dona Armênia, Gerson, Gera e Gino!

Mais algum triangulinho?

O Rei das aberturas de novelas

Por Marmota | 14/04/2009, 16h08

Esses dias, a Luciana citou Roupa Nova, atribuindo a eles o título de “campeão em trilhas sonoras de novela”. Fiquei lembrando como, realmente, algumas bandas e artistas atingem destaque ainda maior quando fazem parte da trilha sonora de uma novela.

Mais do que isso, como lembra Nilson Xavier em seu “Almanaque da Telenovela Brasileira”: até os anos 60, os cantores não gostavam de ter suas músicas atreladas a essas produções. Havia preconceito, vejam vocês! Só a partir de O Cafona, em 1969, com o sucesso de vendas da trilha, as coisas começaram a mudar.

Nesses últimos 40 anos, outros artistas são marcados por seus trabalhos em novelas. Nilson Xavier contou: Caetano Veloso e Gal Costa já ultrapassaram as cinquenta músicas em trilhas sonoras. Além do Roupa Nova, Simone, Fafá de Belém, Maria Bethânia, Marina Lima, Rita Lee, Fábio Jr., Milton Nascimento , Djavan e Lulu Santos também são recorrentes.

Sem falar em Ana Carolina e Adriana Calcanhoto, que nos últimos anos repetiram o mesmo fenômeno de Guilherme Arantes nos anos 70 e 80, emplacando vários hits.

Seria insanidade contar quantas vezes cada artista aparece nos discos e CDs nacionais e derivados. Mas se contarmos apenas as aberturas de novelas, você saberia dizer quem é o intérprete que mais aparece?


Sempre que lembro de Ney Matogrosso, vem à memória esse… Mmmhhh… Ousado clipe do Fantástico.

Desde 1977, Ney Matogrosso apareceu cantando “Bandido Corazon” na abertura de Coquetel de Amor – novela metalinguística de Espelho Mágico, foram oito aberturas na voz de Ney Matogrosso. Uma a mais em relação a Rita Lee, com Gal Costa completando o pódio.

O auge da carreira do ex-líder do Secos e Molhados coincidiu com sua presença em cinco aberturas entre o final dos anos 70 e o começo dos 80. Mais: a música “Não Existe Pecado ao Sul do Equador” (Chico Buarque), de Pecado Rasgado (1978) é a mesma que aparece na abertura de Dona Anja, exibida pelo SBT em 1997. Com dois adendos: a mais nova tinha ritmo de mambo, além do verso “vamos fazer um pecado safado debaixo do meu cobertor”, evidentemente proibido pela censura na versão anterior.

Dessa fase, as duas que me recordo com maior facilidade são as de duas comédias das sete: Jogo da Vida (1981), onde cantava “Vida vida que mais te quero ainda / linda vida que mais te faço linda”, e Vereda Tropical (1984), cujo tema de abertura era cantado em espanhol.

A primeira versão de Paraíso, de 1982, também tinha Ney Matogrosso na abertura. Promessas Demais, em uma canção assinada por Moraes Moreira, Zeca Barreto e o poeta Paulo Leminski. Depois dessas, ele demorou algum tempo para voltar a uma abertura da Globo.

Foi em 2003, com Kubanacan – a propósito, por razões misteriosas, a música-tema escreve-se “Coubanakan”. A oitava vez foi em Negócio da China (2008), onde o cantor aparece no primeiro capítulo cantando “Lig-Lig-Lig-Lé” em Macau, enquanto o mocinho briga com meio mundo no cassino – cenas que se repetiram em toda a abertura.


Chinês come somente uma vez por mês!

Ah sim, voltando ao Roupa Nova: esta reportagem da Folha relembra que o grupo é recordista em temas de novelas entre os anos 80 e 90, repercutindo em sua aceitação popular. “Artista que diz que não faz trabalho direcionado para o público é mentiroso. Se não é para o público, vai fazer para quem? Então, é melhor nem gravar”, diz Ricardo Feghali, tecladista e vocalista da banda. O mesmo se aplica às novelas, não?

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