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Porque nós adoramos novelas!

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De Som & Fúria

Por Luciana | 14/07/2009, 14h14

Tempos atrás, em outro blog, escrevi um post sobre os dois pesos, duas medidas que a Globo dá aos atores.

O Kadu Moliterno estava no ar em Bang Bang e tinha espancado a esposa dele que o denunciou na polícia – a Globo não fez absolutamente nada com ele.

Ao contrário do que fez com Felipe Camargo que, ao se envolver em constantes brigas e atrasos com a esposa Vera Fischer, na época da novela Pátria Minha, de Gilberto Braga, na qual ambos atuavam, teve o personagem morto em um incêndio junto com o personagem da ex-miss Brasil.

Acontece que anos depois, Felipe caiu no ostracismo global, enquanto Vera protagonizava novelas da oito: Laços de Família, O Clone

Agora Felipe Camargo está de volta em Som & Fúria, a série produzida pela O2 Filmes, de Fernando Meirelles, que é o melhor programa de 2009 da TV aberta.

Lembro de Felipe em Anos Dourados, na cena do baile… Lembro dele com a Isabela Garcia, em Roda de Fogo… Lembro do Édipo, de Mandala, lógico… Lembro do Adriano, de Sexo dos Anjos, também com a Isabela… Lembro do João, ex-presidiário de Despedida de Solteiro. Infelizmente mais não lembro. Felizmente, ele está de volta com Dante, que já é inesquecível pra mim.

Sobre Andréa Beltrão quero muito dizer que sempre a achei linda, charmosa mesmo. Gosto da Andréa desde Armação Ilimitada, passando por Mulheres de AreiaA viagem e Radical Chic. Acho terrível que ela aparece envelhecida e brega em A grande família. Acho lindo que ela também renasça, assim como Felipe, linda e charmosa como Ellen, em Som & Fúria.

Os vilões da vez são Regina Casé e Dan Stulbach. Já declarei meu amor pela Regina Casé aqui, em um texto sobre a Tina Pepper, de Cambalacho. E o Dan Stulbach… O Dan dá pra ver no Vale a pena ver de novo: é muito o Edgard, de Senhora do Destino e nada do Marcos, de Mulheres Apaixonadas. E a grande ironia desse papel dele em Som & Fúria é o amor do Dan pelo teatro e o descaso da personagem pelo mesmo!

Aí tem as duplas: a dupla da Brastemp, a dupla do Tangos & Tragédias… Tem o querido Gero Camilo, de Hoje é dia de Maria – a melhor coisa da TV em 2005, assim como Som & Fúria é a melhor de 2009.

Tem Pedro Paulo Rangel, que minha lembrança mais antiga vem de Vale Tudo, do Audálio, que todo mundo chamava de Poliana, porque era bom demais.

E tem Maria Flor e Daniel de Oliveira que eu conheço de… Malhação!

O personagem de Daniel, inclusive, foi ponto de partida pra uma das sempre louvadas campanhas de merchandising social de Malhação. Ele vivia o Marquinhos e em um determinado momento ficava paraplégico. Pro pessoal que desdenha de Malhação, taí…

Som & Fúria me deixa com aquele gostinho de quero mais… De pensar: ainda vou ter que esperar um dia pra ver o resto!

E isso é muito bom.

Quando o patinho feio vira cisne

Por Luciana | 24/06/2009, 11h11

Dia desses, vasculhando vídeos de novelas no Youtube, revi uma cena memorável que fez nascer a vontade de escrever um texto que falasse das grandes transformações de personagens de novela.

Não se trata de transformações em que os atores novinhos, ao passar 20, 30 anos, são substituídos por atores maduros, como aconteceu em O casarão, Renascer, Senhora do destino e tantas outras.

Na verdade, eu me refiro àqueles personagens “patinhos feios”, que um belo dia ganham um banho de loja, um dia de princesa, e se transformam em cisnes – tipo Betty, a feia, manja?

A recordação mais antiga que tenho em relação a esse tipo de personagem é da Elisa, de Amor com amor se paga. Filha do avarento Nonô Correa, a transformação de Elisa veio depois que ela se casou e teve grana pra se vestir melhor, arrumar os cabelos, se maquiar.  Antes, era a própria Gata Borralheira.

Depois veio a Léo, de Vereda Tropical. Interpretada por Cristina Mullins, Maria Leopoldina mantinha uma paixão secreta por Marco, vivido por Paulo Betti. O problema é que além dele ser cego de amores pela Silvana, a Léo era gordinha e se vestia como um homem. Até o belo dia em que ela resolveu virar o jogo e começou a malhar sozinha e escondida. Mesmo assim, continuava a se vestir com roupas folgadas e visual desleixado. Até que apareceu linda, loura e magra na frente do Marco. Foi irresistível!

Em Livre para voar, Pardal se apaixona por uma operária da fábrica de cristais, sem saber que na verdade ela era a filha do dono da fábrica! Carla Camuratti deu vida à Bebel/Cristina e quando assumiu a verdadeira identidade foi uma mudança em tanto também…

Mas em Roque Santeiro a coisa mais linda era a Dona Lulu, de Cássia Kiss, querendo descobrir o mundo que o marido, Zé das Medalhas fingia não existir. Quanta diferença fizeram um batom e umas roupas novas em Dona Lulu… Sem contar o cabelo ao vento!

Em Tititi, a certinha Eduarda, ao se ver “traída” pelo namorado com a melhor amiga, vira punk! Uma visão meio distorcida dos punks, onde se vestir de preto, carregar na maquiagem e não tomar banho era lei…

Em Brega & Chique, a brega virou chique e a chique virou brega. Rosemere começou a ter aulas de etiqueta com Rafaela que, por sua vez, começou a vender quentinha pra fora.

A feirante Tancinha também foi uma que mudou muito. As roupas provocantes, o cabelo de juba de leão, o português incrivelmente errado, os modos estabanados foram todos trabalhados na escola de etiqueta Femina, em Sassaricando, tudo patrocinado pelo namorado publicitário Beto.

Já em Vale Tudo, a no início jeca Raquel com o passar de um ano voltou por cima, dona de um bufê, com roupas modernas e com cabelos tão esvoaçantes quanto os de Dona Lulu, só com a diferença do estilo cacheadão ao invés do liso puro da primeira.

Teve também o Sassá Mutema, de O Salvador da Pátria. Seria forçar a barra demais dizer que ele se transformou de patinho feio em cisne, mas que mudou, mudou. De bóia-fria virou político todo engravatado.

Cisne mesmo (eu diria príncipe!) quem virou foi o Doca, de Cássio Gabus Mendes, em Meu bem, meu mal. Dentro de um plano de vingança de Madame Mimi, Doca teve aulas de etiqueta, fez a barba, mudou o figurino e virou Eduardo Costabrava. Tudo pra conquistar a filha de Isadora Venturini, alvo de Mimi… Cássio Gabus em seu momento melhor (mentira, o momento melhor dele pra mim é Anos Rebeldes).

Em Lua cheia de amor, mais uma jeca – só que bem pior que a Raquel, de Vale Tudo -, Dona Genú. Marília Pêra interpretava a feirante que tinha aulas de boas maneiras para não envergonhar a filha perante aos pais do namorado. Inesquecível a frase de efeito que ela era treinada para dizer: “O Sol invade a sala”!

A Malu, de Viviane Pasmanter, só mudou mesmo no último capítulo de Mulheres de Areia, aparecendo toda de branco no meio do mato, diante de Alaor. Justo ela que passou a novela inteira vestida de preto, com os cabelos arrepiados e aquela maquiagem mais pesada que tudo…

Na divertida Quatro por Quatro, Tatiana era das mulheres vingativas a mais patinho feio. Usava óculos, gaguejava, andava com uns vestidões de maria-mijona. Até que ela conheceu o Bruno e decidiu dar um tapa no visual, deixando Cristiana Oliveira mostrar toda a beleza estrábica que lhe é peculiar.

Outra que foi discreta na mudança foi a bóia-fria e sem-terra Luana, que despertou o amor nada mais nada menos do que do Rei do Gado – só em novela mesmo. O chapelão para proteger do sol deu lugar aos cachos bem definidos de Patrícia Pillar, que começou a usar vestidinhos leves e de cores suaves.

Outra sem sal era a Dorothy, de A Indomada. Irmã da exuberante Scarlett, Dorothy era patinho feio total. Mais uma vez o amor foi o responsável pela transformação de uma personagem. Ao se apaixonar por Artêmio, Dorothy deixou a beleza de Flávia Alessandra vir à tona, sendo o primeiro papel de destaque da atriz.

Um adendo aqui: geralmente as transformações em novela são por conta da descoberta do amor ou da desilusão no amor…

Em Pecado Capital, a operária Lucinha viu a vida mudar de uma hora pra outra quando foi escolhida para estrelar uma campanha publicitária da empresa. Continuou bronca e barraqueira, mas os cabelos… Quanta diferença! Carolina Ferraz sempre fica mais linda de cabelo curto. Ela só não contava com a participação de Vera Fischer na reta final da novela e acabou perdendo o Salviano pra personagem da Vera. Difícil duelar com uma deusa…

Além de Malu, Viviane Pasmanter viu Maria João, de Uga Uga, também se tranformar quando Baldoque voltou. Da casca grossa mecânica, Maria passou a usar vestidinhos azuis, floridos, etc. e tal. E o mais engraçado é que assim como o Alaor, o Baldoque era vivido pelo Humberto Martins.

Assim como a Tatiana, de Quatro por Quatro, a Dorothy, de A Indomada, a Léo, de Vereda Tropical e a Elisa, de Amor com amor se paga, a Ana Francisca, de Chocolate com Pimenta, também usava óculos – óculos são sempre usados como recurso para enfeiar alguém na TV; puro preconceito. Depois de anos fora da cidade-natal, Aninha volta linda, rica e ruiva querendo vingança, mas tudo acaba em torta na cara nessa novela, e ela é feliz pra sempre com o Danilo.

Já em América, a Sol atravessa o deserto até chegar aos Estados Unidos para trabalhar como garçonete e dançarina. A pele queimada de sol, a expressão eterna de sofredora e as roupas andrajosas ficam pra trás e Sol muda da água pro vinho, com direito a maquiagem cintilante e modelitos curtinhos, justinhos, brilhosinhos…

Tão brilhosinhos quanto os ternos do Foguinho, de Cobras & Lagartos. Ao se apossar de uma herança que não foi deixada para ele, a personagem interpretada por Lázaro Ramos virou o perfeito novo rich, comendo profiteroles às pampas e cheio das jóias e brilhos. Ostentação pura que ele justificava com o fato de já ter sido muito humilhado no tempo que era homem-sanduíche na Saara.

Em Paraíso Tropical quem pediu ajuda a uma professora de boas maneiras foi a Bebel, vivida por Camila Pitanga. As roupas, os penteados e a maquiagem melhoraram, mas o vocabulário foi difícil de mudar… Impagável a frase feita – a exemplo de My fair lady – que Bebel repetiu exaustivamente no casamento de Camila e Fred: “Que boa idéia esse casamento primaveril em pleno outono!”.

Vale citar também dois casos de cisnes que viraram patinhos feios! Me refiro a Maria do Carmo, de Rainha da Sucata, que amargou uma fase “sucateeeeeeeeira” no meio da novela; e a Bianca, de Caras & Bocas que em breve largará o ar de patricinha adorável para começar a trabalhar como garçonete do bar do pai – a TREVA!

Finalmente, a transformação que motivou esse texto: a da personagem vivida por Yoná Magalhães em Tieta, Tonha.

Amiga de meninice de Tieta, Tonha casou cedo com Zé Esteves, se tornando madrasta da amiga. Maltratada toda a vida pelo marido avarento, Tonha ganhou de presente de Tieta uma viagem a São Paulo assim que ficou viúva do traste.

Eu não sei de você, mas eu acho essa cena demais. Só Aguinaldo Silva e a equipe dele pra escrever!

O “nosso” Antônio Fagundes

Por Luciana | 30/03/2009, 16h16

Minha avó tinha um costume de falar das pessoas denominando-as de “teu”.

Por exemplo: Olha, fulana, o “teu” chegou – servia para dizer para a fulana que o filho ou marido ou namorado dela havia chegado.

Pois bem.

Quando minha avó ia passar uns tempos com a gente em Manaus – a gente: meus pais, meu irmão e eu – ela não dizia pra minha mãe que o “dela” havia chegado. Ela dizia: Ana, o “nosso” chegou.

O meu pai era o nosso, afinal, era um pouco de cada uma de nós – filho, marido, pai.

Em casa, nós tínhamos um quarto só de ver televisão. Minha avó ficava na rede, minha mãe na cadeira de balanço, e eu ou no sofá ou no carpete, brincando.

E minha avó tinha mania de dizer que ia escrever e mandar cartas para determinados atores que ela gostava muito – o Antônio Grassi era um desses.

O outro, também Antônio, era o Fagundes. Tanto minha avó quanto minha mãe eram loucas por ele.

Quando Antônio Fagundes fez o Osmar de Corpo a Corpo – aquela novela em que ele era casado com a Eloá de Débora Duarte, era pai do Ronaldo, de Selton Mello, e a música-tema era Papel-marchê -, ele foi convidado para fazer o comercial do fogão de seis bocas da Continental.

No comercial, ele aparecia todo vestido de cavaleiro, em uma armadura, e, entre sorrisos, vendia o tal fogão.

Minha mãe comprou o fogão.

Toda vez que aparecia o comercial, minha avó gritava: “Ana, vem ver o ‘nosso’”!

O “nosso” tinha virado o Antônio Fagundes!

Minha mãe conta – e eu vagamente me lembro – que eu também chamava as duas para verem o “nosso” quando ele aparecia na TV.

E ficou até hoje. Sempre que tem novela com o Antônio Fagundes, a gente comenta do “nosso”. E adoramos o Ivan, de Vale Tudo – meio frouxo, mas tudo bem -; o Zé Inocêncio, de Renascer; o Atílio, de Por Amor – oh, céus, o quanto odiamos aquela Helena que escondeu o filho dele! -; o professor gago Caio, de Rainha da Sucata – minha mãe detestava, na verdade -; e lóoooooogico, o Otávio Jordão da melhor novela do mundo A viagem!

Adoraria ver uma reprise de Dancin’ Days. Já vi algumas cenas pelo Youtube e sei que o Cacá que namorava a Júlia também mereceria estar no rol das minhas lembranças boas sobre o Antônio Fagundes.

Dia desses, li no blog do Aguinaldo Silva que ele está pensando numa novela em que o Fagundes será disputado por Suzana Vieira, Marília Gabriela e Renata Sorrah.

Contei pra minha mãe e ela disse que o “nosso” ia ficar cheio de mulher!

(Parece até o Zé Mayer… Rá!)

Além do “nosso”, aqui em casa rola um “o teu chegou”, quando meu irmão chega, por exemplo. E quando o André ficou meio adoentado, minha mãe me ligava e nem perguntava como eu estava, ia logo perguntando: “o teu melhorou?”. :P

Guloseimas das novelas

Por Luciana | 20/03/2009, 14h30

Prometi à Lu, do Guloseima, que faria um texto sobre os acepipes das novelas, afinal, assim como nós, as personagens também cozinham e comem…

Por questões literário-sentimentais, a primeira lembrança que me veio à cabeça foi a de Gabriela, cozinhando e encantando Nacib (e todos os clientes do Vesúvio) com os quitutes baianos: acarajé, vatapá, moqueca… Sem contar que ela própria, Gabriela, era feita de cravo e canela.

Quando uma novela conta com um bar, restaurante, lanchonete, padaria ou buffet, pode ter certeza que todos os personagens só irão até esse estabelecimento, como se ele fosse o único de toda São Paulo, de todo Rio de Janeiro; como se fosse, enfim, o point do momento.

E esses estabelecimentos são muitos: o buffet Marrom Glacê, de Madame Clô; a rede de cantinas da Mamma Vitória; a creperia Chez Silvie, de Vamp; o Pão Português, de Negócio da China; o restaurante grego Tebas, de Belíssima; o Monsieur Vatel, de Senhora do Destino; a cantina La Tavola de Michele, de Bina, em Vereda Tropical; o Castelo de São Jorge, de Duas Caras, o Bar da Dona Jura, em O Clone; o Frigideira, de Paraíso Tropical; o Pão com Linguiça, de A Favorita; a rede de padarias de Auxi e Alce, em Quatro por Quatro; o restaurante da livraria Dom Casmurro, de Laços de Família; a lanchonete Mingau, onde Virgínia foi trabalhar em Ciranda de Pedra; o bar Flor do Douro, de Sabor da Paixão; o restaurante de Vitório, em Alma Gêmea; a empresa de catering Paladar, de Raquel Acioli em Vale Tudo.

Muitos desses lugares tinham especialidades, como o famoso pastel da Dona Jura; o sanduíche natural que Raquel vendia pela praia de Vale Tudo; o bacalhau do Bernadinho do Castelo de São Jorge, que ficava na Portelinha; o bolinho de bacalhau do Flor do Douro; as saladinhas da Dom Casmurro; a galinha feita por Esmeralda, em Coração de Estudante

E o que dizer dos títulos de novela sugestivos como Pão pão, Beijo Beijo, Chocolate com Pimenta e Sabor da Paixão?

Mais sugestivos ainda eram os pratos afrodisíacos preparados pela bibliotecária Ilka Tibiriçá para o seu Ataliba Timbó com quem “só casando” ela iria ficar em Fera Ferida

Também teve muita gente que ganhou a vida em novela fazendo quentinha, como a ex-milionária Rafaela, de Brega & Chique; sendo garçom, como o conde de Parma fajuto, de A Gata Comeu; produzindo queijos como o Petruchio, de O Cravo e a Rosa; fazendo bolos e tortas como na Deli de Hilda, de Mulheres Apaixonadas ou como a Clarisse, de Sete Pecados; preparando tapioca na rua, como a Preta, de Da Cor do Pecado.

Outros, já com a vida ganha, só quiseram desfrutar de profiteroles, como o Foguinho, de Cobras & Lagartos; ficar sarados como os filhos da Mamuska, ao tomar a sopa fortificante que ela preparava; se deliciar com o leitão a pururuca de Dona Purezinha, de Desejo Proibido; e até mesmo, num clima divertidamente mórbido, beber sangue congelado, como os vampiros de Vamp.

Tem determinadas cenas envolvendo comidas que eu preciso lembrar aqui: a mais do que comentada cena do puro desperdício onde Paulo Autran e Fernanda Montenegro jogam o café da manhã inteiro um na cara do outro – depois o povo não entende os motivos do Paulo Autran ter raramente topado fazer TV; a italiana Leonora dando alcachofra no jantar dos patrões brasileiros e a surpresa que eles tiveram ao ver aquela “flor” para ser comida com as mãos, ali, dentro do prato deles; e a homenagem à Miriam Pires, que faleceu durante as gravações de Senhora do Destino, onde o livro A cozinha de Dona Clementina foi lançado.

Como o texto começa citando motivos literário-sentimentais, assim ele terminará: com a lembrança de Dona Flor e seus Dois Maridos – que não foi novela, foi minissérie, eu sei – e da escola de culinária dela, a Sabor & Arte, com a qual Vadinho fazia o trocadilho mais deliciosamente canalha que consigo lembrar agora: – Flor, quero saborear-te.

O Frango Nobre de Raquel Acioli

Por Marmota | 19/03/2009, 13h18

Quero aproveitar o lançamento do novo Guloseima, da Luciana Mastrorosa, para evocar a presença de outra cozinheira batalhadora e com personalidade forte e decidida. Talvez não tenha o mesmo talento de Clementina, governanta de Maria do Carmo e “Dona Milu” em Senhora do Destino, mas certamente superou mais desafios.

A propósito, infelizmente Miriam Pires não viu sua personagem quituteira lançar A Cozinha de Dona Clementina, livro de receitas lançado pela Editora Globo em parceria com a Cozinha Experimental Nestlé, com o selo do Caldo Maggi. Coincidentemente, a marca suíça também esteve associada à personagem que motivou esse texto. Raquel Acioli não lançou livro de culinária, mas passou por maus bocados em Vale Tudo.

Separada do marido há mais de dez anos, Raquel viu sua filha ordinária Maria de Fátima vender a casa, no interior do Paraná, e fugir com o dinheiro. Sem perspectivas, mudou-se para o Rio de Janeiro. Resumidamente, depois de alguns meses vendendo sanduíche natural na praia, inaugura a Paladar, rede de restaurantes que a torna uma mulher vitoriosa.

Durante a novela de Gilberto Braga, duas ações da Nestlé promoveram o caldo da Galinha Azul e chamaram a atenção do público. A maioria lembra apenas do “bolão da Odete Roitman”, onde quem acertava o autor dos três tiros na vilã (a Leila de Cássia Kiss, rá!) faturava prêmios.

A outra foi um concurso nacional de receitas, que acontecia paralelamente à trama. O vencedor entre os populares atribuiria sua criação à Raquel Acioli, que venceria a competição também na novela graças a iguaria, tornando-a ainda mais poderosa. O prato campeão foi batizada de Frango Nobre, cuja receita se espalhou em panfletos nos grandes supermercados – e certamente proliferou nas mesas brasileiras durante o segundo semestre de 1988.

Anote aí, Lu: você vai precisar de 1 frango (1,6kg) picado pelas juntas; 3 colheres de sopa de farinha de trigo; 2 colheres de sopa de manteiga; 1 colher de sopa de azeite; 4 cebolas cortadas em pedaços; 1 xícara de chá de conhaque; 3 xícaras de chá de água; 3 tabletes de caldo de galinha (se não tiver Maggi, pode ser Knorr); 2 xícaras e meia de chá de champignon fatiado; 1 lata de creme de leite; 1 gema; 1/2 colher de sopa de suco de limão.

Faça uma “milanesa” com o frango, passando os pedaços pela farinha. Aqueça metade da manteiga junto com o azeite em uma panela grande e alta, onde os frangos serão fritos em fogo forte. Vá juntando as cebolas e virando tudo até dourar (uns 10 minutos). Abafe a fritura, tampando a panela por cinco minutos. Pegue o conhaque e um palito de fósforo. Despeje o conhaque na fritura e, caso o frango não flambe sozinho, use o fósforo aceso. Quando a chama apagar, despeje a água fervente e o caldo de galinha para cozinhar. Enquanto isso, aqueça o restante da manteiga em outra panela e refogue os champignons. Quando o frango estiver macio e o molho estiver pela metade (uns 30 minutos), acrescente os champignons refogados e a mistura de creme de leite, gema e suco de limão. Você terá um prato que lembra strogonoff, mas muito mais saboroso.

Ah, sim: ao servir, repita o mantra da Raquel: sangue de Jesus tem poder.

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