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Passione, a novela favorita do meu pai

Por Marmota | 06/06/2010, 23h55

“Será que a véia vai dar o dinheiro pra esse malandro?”

Essa foi a última das reações do meu pai, diante do último capítulo de Passione. Por mais que a trama de Sílvio de Abreu, que substituiu a lenta e engatada Viver a Vida, esteja atravessando problemas no Ibope, ao menos em uma residência a história está fazendo algum sucesso.

Eu me arrisco a dizer, inclusive, que Passione é uma novela do gênero masculino. Por uma única razão: se o estereótipo da mulher consiste em uma fortaleza sem perder a ternura, a visão generalista do homem é a de um ser sacana, com desvio de valores mais acentuado. E é essa a impressão predominante, ao menos nestas primeiras semanas.

Senão, vejamos. Ao invés de Fernanda Montenegro e Cleyde Yáconis, que juntas somam quase duzentos anos de vida, os holofotes estão apontados para o casal Reynaldo Gianechinni e Mariana Ximenes, no papel de golpistas da zona leste. A bonitona, aliás, é neta de uma velha sebosa, que alicia uma jovem a qualquer fiscal da prefeitura que apareça no pedaço. Maitê Proença é a encarnação da sacanagem: a cada capítulo, ela encontra um moleque e lhe “passione” o rodo. Nem mesmo Tony Ramos, que era pra ser um italiano gente boa, escapa: sem muitas explicações, um mafioso de criativo nome Don Pepe aparece para tirar uma onda! Que badola!

Não é a primeira vez que o tema “Ibope” permeia uma discussão sobre uma telenovela. Esse, especificamente, é o caso de imaginar realmente uma fuga de telespectadores para outras informações. Difícil imaginar, no entanto, que Passione afugente seu público por excesso de ousadia: a discussão envolvendo valores é o pano de fundo para outras histórias, que mantém uma novela interessante: dramas familiares, romances, comédia e um mistério, que já sabemos quando será (por volta do centésimo capítulo), mas não sabemos qual.

Passione vai decolar, sem sombra de dúvidas. E meu pai não vai perder.

O que esse hindu tá cantando aí?*

Por Marmota | 02/07/2009, 11h25

O texto a seguir é da Claudia Lyra, que além de ser uma mãe louca por blog, também enlouquece diante de novelas. Principalmente quando a considera ruim. É o relato de uma telespectadora que, de repente, se viu diante da trama das oito, sem entender o que se passa. Are baba!

Olá, povo noveleiro! Meu nome é Claudia, tenho 40 anos e… não gosto de novela. E, como não gosto, não assisto. Não acompanho o desenrolar das tramas, não sei o nome das personagens, só fico sabendo por alto quem é o vilão e quem é a mocinha de cada folhetim e estou sempre por fora dos bordões. Pois é… sou daquelas que, na rodinha das amigas, fica boiando quando o assunto é o mundo encantado do Projac.

Aqui cabe um esclarecimento: a verdade é que quase não assisto televisão. O tempo que fico em casa à toa – pouco tempo, diga-se de passagem – gasto na internet ou com alguma leitura. E até bem poucos dias atrás não costumava espiar a TV nem com o rabo de olho, pois o computador ficava num outro cômodo da casa. Ficava. É que, por conta de problemas com a conexão, resolvi colocar o PC na sala, junto da televisão.

Daí que segunda e terça assisti a Caminho das Índias. Pedaços dos capítulos, pra ser mais exata. É claro que ainda não deu pra aprender o nome de todo mundo ou compreender a história com exatidão, mas já sei que tem um menino que é maluquinho e uma menina de cabelo ensebado que é apaixonadinha por ele. Aliás, tem um monte de maluquinhos na novela. Vi o casamento dos velhinhos. Percebi que o Marcio Garcia está no Rio de Janeiro e tem uma namorada magrelinha. Aliás, o Tony Ramos também está no Rio e, como esta é mesmo uma cidade bem pequena, ele se encontrou com Marcio Garcia no elevador de um prédio e começou a destratá-lo, chamando-o de dalit (é assim que se escreve isso?).

Enfim… Sei que vai parecer que sou uma chata, que tenho que entender que é tudo ficção, mas… posso perguntar? Que novela bizarra é essa, meu Deus?!?

Assistir a esses capítulos me deu tanta vergonha alheia que foi quase insurportável. Vergonha pela Laura Cardoso, por exemplo, que é uma atriz que considero sensacional, mas, caramba!, nas vezes que a vi na novela, misturando português com o que imagino ser expressões indianas, quis sair da sala correndo. Sem contar que tem tanto ator canastrão no elenco que dá até tristeza. Pra citar apenas os mais conhecidos: André Gonçalves, péssimo com sempre, com aquele bigodão tá pior ainda, mas a Glória Perez resolveu que ele tem que contracenar com o Alexandre Borges – eles são mendigos na novela? – e acabou de danar com tudo; Marcio Garcia está Marcio Garcia mesmo, este não tem salvação; já a Cleo Pires está se superando, horrível no papel de encrenqueira.

A Letícia Sabatella está chatíssima. Normalmente a gente não tem que se empolgar com os vilões? Com ela acho que não rola. E ainda colocaram aquele careca albino – esse não vou googlear pra saber o nome, deu preguiça – pra fazer par nas maldades com ela. Ah, gente, me economiza, né? Esse careca é a inexpressão em forma humana!

Me pareceu, também, que na Índia a mulherada é bem à toa, né? Lá na casa da Eliane Giardini – adoro essa atriz, ela é lindíssima e super talentosa – tem um monte de mulher, mas ninguém faz nada além de intriga. Deus me livre! O Flavio Migliaccio é que descreveu bem o terror dessa situação: é preferível enfrentar uma briga de búfalos por espaço do que aturar um monte de mulher fofoqueira.

Pra não dizer que não gostei de nada, adorei os maluquinhos da clínica do Stênio Garcia aproveitando pra improvisar um casamento, já que o que estava programado furou. Ah… e gostei das roupas indianas, estão muito bonitas. Deixa ver se tem mais alguma coisa que gostei… hum… er… não, não… gostei de mais nada não.

*Em compensação, adorei a novela Com a minha nas Índias. A abertura é sensacional! (É, também não assistia Casseta e Planeta, tsc, tsc…).

Uma noveleira em São Paulo…

Por Luciana | 12/05/2009, 15h15

De volta!

Fui ali em São Paulo ser mais feliz e voltei… :)

Aí, como boa noveleira que se preza, passeei pra lá e pra cá lembrando de locações de novelas gravadas em São Paulo!

Nada muito difícil, afinal, a cantina C… que sabe!, por exemplo, remete de forma naturalíssima à Cantina La Tavola de Michele, da família da Bina, de Vereda Tropical. Não só pela decoração – cheia de ráfias, chapéus e panelas penduradas no teto, fotos de clientes famosos preenchendo todos os espaços das paredes, etc. – mas pelo climão.

Climão = uma família que recebe os clientes como quem recebe amigos + palmas, gargalhadas e bandejas jogadas animadamente no chão + música ternamente italiana.

Um adendo sobre a música: quando o trio de cantantes veio perguntar que música eu gostaria de ouvir, pedi Al di lá, a música-tema da srta. Ilka Tibiriçá com o seu Ataliba Timbó, de Fera Ferida. Essa música era tema do casal porque a Ilka era bibliotecária e vivia a sonhar com o filme Candelabro Italiano, onde a mocinha tem a mesma profissão que ela – e onde a música é Al di lá…

Já no Mercado Municipal – aquele onde o André levou a Júlia pra tomar café da manhã no primeiro capítulo de Belíssima – é dever quase cívico fazer fotinha na Barraca do Juca – a verdadeira barraca da novela A próxima vítima!

O Juca, de Tony Ramos, trabalhava todos os dias vendendo frutas no mercado e nas horas vagas ora suspirava pela Ana, de Suzana Vieira, ora namorava a Bonitona do Morumbi, de Natália do Vale…

Fui também a Campos do Jordão e essa é meio dificinha de lembrar, mas como eu sou fã…

Lembra, leitor, que, em Mulheres de Areia, quando a Ruth criou coragem e confessou ao Marcos que ela não era a Raquel e sim a irmã, ele disse a ela que já sabia, que já tinha percebido e que estava muito feliz porque desde o início tinha sido ela, Ruth, que ele tinha amado…

E logo em seguida a levou pra uma mini-lua-de-mel em… Campos do Jordão! Rá!

Lembro nitidamente, por exemplo, dos dois no teleférico de lá, mas não tive pique pra subir dessa vez.

E também teve uma ida linda ao belo parque do Ibirapuera.

Depois de caminhar pelo viveiro Manequinho Lopes, pela Oca, pelo pavilhão da Bienal, etc., etc., contemplei o lago – sem pedalinhos – do parque.

E lembrei de alguns casais que já foram namorar à beira dele…

Lembrei do Pascoal e da Vitória, de Belíssima – que até de noite iam pra lá! – e do casal dos meus cuidados de hoje, Dafne e Gabriel, que ao fazerem as pazes foram conversar no Ibirapuera, mas sem fazer Caras & Bocas

Por fim, uma constatação que eu preciso compartilhar – e no futuro, quem sabe, ampliar: Caras & Bocas é muito Silvio de Abreu. Quem é noveleiro sabe… ;)

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