O capítulo de Caras & Bocas acabou há pouco e eu não resisti: liguei para o André para compartilhar.
- Ei, Caras & Bocas é a melhor novela do momento!
- Ah é, por quê?
- Cara, ela tem os melhores ganchos hoje. O capítulo acabou e eu pensei: “Puxa, vou ter que esperar até segunda!”.
- Nossa…
- É que ela tem uma coisa que eu adoro muito: casais que se amam e se odeiam, que passam a novela TODA brigando feito cão e gato.
- Ah, tipo a gente!
- É! Escreverei sobre isso e dedicarei o texto a você!
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Para o André.
***
“E sozinha eu te chamo
Bem baixinho eu reclamo
Que vontade de dizer
Te amo…”
Sim, adoro casais que se amam, mas brigam que é uma beleza. Quando não são os protagonistas, acabam roubando a cena.
Seja por machismo x feminismo, seja por implicância, seja por um equívoco, um mal-entendido, os casais brigam.
Jô e Fábio, de A gata comeu, são os primeiros da minha lista, não só por adorá-los, mas pela ordem cronológica mesmo.
A Jô era super acostumada a fazer e desfazer dos homens, já tinha tido oito noivos, até que conheceu o professor, que era adepto do “bateu, levou”. Eles se estapearam bastante até se entenderem…
A Val e o Luti, de Ti ti ti, não chegaram a se estapear, mas implicaram bastante um com o outro até começarem a namorar.
Um dos casos de coadjuvantes que chamaram pra si as atenções, os problemas pintaram mesmo pra eles quando descobriram que os pais, André e Ari, eram inimiguinhos de infância! Rolou até uma simulação de Romeu & Julieta pra que os pais permitissem o namoro deles…
Aí veio a vingativa Cláudia, de Fera Radical, fazer justiça com as próprias mãos com o assassino da família dela.
A Cláudia só não contava em se apaixonar pelo Fernando, um dos filhos do casal com o qual ela veio ajustar contas.
Os dois viviam em pé de guerra, até que resolveram virar sócios, morar juntos, mesmo não indo um com a cara do outro… Pra se apaixonarem foi só um pé!
Ainda lembro nitidamente do Fernando andando a cavalo com o filho deles e ela emparelhando com eles de moto, no fim da novela.
Coadjuvantes também eram a Malu e o Alaor, de Mulheres de Areia. Por esses eu torcia muito!
A Malu tinha uma birra enorme com o pai, que propôs adiantar a herança da moça se ela se casasse. Ela foi e casou com o Alaor, um peão da fazenda da prima!
A Malu fazia o gênero moderninha, mas era virgem. Se casou deixando bem claro que era um contrato apenas, um acordo e que nada rolaria entre ela e o marido.
Até que ela se apaixonou… Aí vieram mil artimanhas pra conquistar o Alaor, inclusive contando com a ajuda da irmã dele. Lembro que ele resistiu bastante, e só tomou uma atitude quando ela o chamou de bicha na cara dura! Rá!
Ah, depois vem Diná e Otávio, de A viagem. A Diná odiava o Otávio porque ele tinha sido decisivo na condenação do irmão dela, o Alexandre. O Otávio por sua vez a achava uma mulher maluca de pedra que até invadir o escritório dele invadiu!
Até que ele entendeu que a Diná era a mulher de todas as vidas dele e correu atrás do prejuízo, partindo pra melhor das conquistas de um homem por um mulher feitas em uma telenovela.
Assim como Dafne e Gabriel – o casal pivô desse texto – Catarina e Petruchio são criações de Walcyr Carrasco. Na verdade, são criações de Shakespeare, mas a adaptação para a São Paulo dos anos 20 é toda mérito do autor de O cravo e a rosa.
A feminista e o machão brigaram que brigaram até o diabo dizer chega. Catarina era a onça, Petruchio o grosseirão!
Aí, pra variar, ela se apaixonou – na maioria das vezes são as mulheres que se apaixonam e tentam seduzir… Entre mil intriguinhas e equívocos, o casal conseguiu se acertar e teve até gêmeos! A cena da primeira noite de amor de Catarina e Petruchio é das coisas mais delicadas que já vi até hoje na TV. A novela era tão adorada que chegou a se cogitar que virasse seriado!
E, agora, em meio a febre indiana, a novela que estou adorando é Caras & Bocas. Walcyr Carrasco se redime a cada dia que passa de Sete Pecados com a novela onde a filha adolescente faz de tudo pra unir o pai e a mãe, separados por – sempre eles! – mal-entendidos. Tudo bem, a filha faz isso porque não quer ficar pobre – e a mãe tem que casar pra ter direito a fortuna do avô – mas isso já é outra história…
Cansada de remakes e de novelas com homens frouxos, minha torcida agora é toda para Dafne e Gabriel, mesmo sabendo que eles ainda vão brigar muuuuito até ficarem juntos.
Mas é assim que tem mais sabor.