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Porque nós adoramos novelas!

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Ângela Vieira

Por Luciana | 16/05/2009, 22h22

Revendo Senhora do Destino no Vale a pena ver de novo, lembrei do quanto gosto da atriz Ângela Vieira e do quanto acho que de vez em quando ela é mal aproveitada nas novelas.

Isso não vale para a novela em questão, Senhora do Destino. A Gisela rouba as cenas muitas das vezes. Acho que é porque faz um papel humano – nem boazinha nem ruinzona.

Gosto do figurino da personagem, do timing lindo que ela tem com o mordomo Alfred – aliás, toda mulher nessa vida merecia um Alfred! – da cumplicidade com o marido (mesmo ele sendo detestável) e das tiradinhas fúteis também.

O que acho interessante na Ângela Vieira é que ela transita bem entre os autores, não é da panelinha de nenhum. Talvez por isso não seja pegue as protagonistas…

A única protagonista da atriz foi Ava Maria, de Meu bem querer, novela que não foi lá esses espetáculos de trama nem audiência. Na verdade, a protagonista era Alessandra Negrini (loura!), mas Ângela fez mais bonito, de par com José Mayer.

Em Coração de estudante e Terra nostra, as personagens de Ângela, Esmeralda e Janete, causaram furor ao se envolver com personagens mais novos – Nélio e Josué, respectivamente.

Já em Por amor, a atriz vivia Virgínia e era irmã da segunda (e mais polêmica!) Helena vivida por Regina Duarte, e tinha um casamento e uma família aparentemente perfeitos… Até que o marido Rafael revelou que era bissexual.

As decepções – e não culpo Ângela por elas – ficam por conta de Kubanakan, Cobras & Lagartos e A favorita. Ângela Vieira rendia mais, muito mais do que Perla Perón, Celina e Arlete mostraram – inclusive rolou um afastamento da atriz da trama de Kubanakan por conta dessa falta de rendimento.

Celina foi daquelas personagens dispensáveis e Arlete eu esperava muito, muito mesmo da história, mas não rolou. Ela tinha um filho honesto com um político corrupto, mas o filho acabou se mostrando não tão honesto assim e o desenrolar da história foi meio curto, meio de afogadilho no fim da novela, desperdiçando o talento não só da atriz como de Milton Gonçalves, que fazia o político em questão.

Outra atriz desse naipe é a Totia Meireles, mas ela fica pra outro texto. ;)

A minha Helena

Por Marmota | 11/05/2009, 08h43

Em Viver a Vida, novela que tentará dar um toque de realidade ao horário das oito / nove após a verossímil Caminho das Índias, a atriz Taís Araújo irá subverter um histórico que parecia irreversível. Em 1952, Manoel Carlos teve contato pela primeira vez com o nome feminino mais forte, segundo sua concepção, ao adaptar o clássico de Machado de Assis. E desde Baila Comigo, em 1981, todas as histórias familiares do autor giram em torno de uma Helena.

Maneco nunca namorou ou se casou com uma Helena. Nenhuma de suas duas filhas ou três netas chama-se Helena. O gosto pelo nome veio da Helena de Tróia. A que se casou com Menelau mas fugiu com o rei Páris, culminando com uma guerra de sete anos; Páris morreu e Helena se envolveu com um cunhado; ela o entregou a Menelau, voltou a ficar com ele e viveu ao seu lado até o fim. A Helena de Tróia é como a de Manoel Carlos: comete erros e é até capaz de mentir, mas se levanta e vai até o fim em qualquer batalha, sem temer. Imperfeições que a tornam humanas.

Em Baila Comigo, Helena (Lílian Lemmertz) não contou ao filho Tony Ramos que ele tinha um irmão gêmeo, nem quem era o verdadeiro pai. O mesmo Tony que sequer desconfiava de Helena (Maitê Proença), grávida de seu personagem em Felicidade – e não do marido Herson Capri. Novamente, Tony Ramos vê sua esposa Helena (Christiane Torloni) questionar o casamento, especialmente após o reencontro com o “pegador” Zé Mayer em Mulheres Apaixonadas. Vera Fisher, a Helena de Laços de Família, entrega a filha Carolina Dieckman ao romance com o ex-namorado bonitão Gianechini, mas só diz a ela que seu pai é o “pegador” Zé Mayer quando precisa encontrar um doador de medula.

Mas a Helena de Manoel Carlos tem a cara de Regina Duarte, que a interpretou três vezes. Em História de Amor, a filha adolescente Carla Marins (que ficou grávida) era, na verdade, sua sobrinha! Ela voltou a enganar (e ficar com o “pegador” Zé Mayer) em Páginas da Vida, ao adulterar documentos para adotar uma criança com síndrome de down e livrá-la das garras da Lília Cabral. Mas a grande trapaça de Helena foi em Por Amor, quando trocou seu filho vivo pelo de sua filha, que havia morrido! Eu tenho medo de Regina Duarte.

E onde reside a tal subversão? Até agora, Helena sempre foi uma mulher madura, na faixa dos 40 ou 50 anos. Idade suficiente para acumular tantas experiências e dilemas provocados pelo amor. Desta vez, a Helena será uma jovem negra, linda, ex-modelo, fotógrafa, casada com um homem mais velho (adivinhem quem? Zé Mayer “pegador”, lógico!). Será uma mudança interessante, ainda que Taís Araújo permaneça questionando “o que estão fazendo com o nosso Leblon” enquanto toma café com a família.

Mas enfim. Todo esse preâmbulo para dizer que sou suspeito para falar sobre a força desse nome. Sei que a frase “minha vida poderia virar novela” é um clichê que só parece funcionar com Manoel Carlos, mas conheço a história de uma Helena repleta de reviravoltas do cotidiano.

A minha Helena vivia num pacato sítio no interior do Rio Grande do Sul, quando conheceu seu Zé Mayer num dos bailões de domingo, comuns no final dos anos 60. O rapaz era mesmo um sortudo: além de conhecer o amor de sua vida, era o único dos irmãos que tinha autorização dos pais para trabalhar e estudar na cidade.

Isso fez com que o casamento dessa Helena levasse alguns anos para se concretizar: seu futuro marido partiu para São Paulo, onde procurou emprego e estabilidade. Nesse período, enviava cartas apaixonadas para a querência velha na zona sul gaúcha. Junto com as palavras apaixonadas, enbrulhava um maço vazio de Minister. Era uma prova de amor a Helena: sempre que fumava, lembraria dela (claro que, nos dias de hoje, esse tipo de poesia seria vetado pelo Governador ou Ministro da Saúde).

Finalmente, casaram-se no velho sítio e, a bordo de uma Brasília, se mandaram para São Paulo. Passou por apuros financeiros cada vez que seu Zé Mayer era escalado para trabalhar em alguma cidade do interior. Seu primeiro filho, nascido numa dessas escalas, só fez seus problemas aumentarem: marinheira de primeira viagem, tinha dificuldades em lidar com febres, espirros e choradeiras constantes do pentelho.

Já estabelecido em um apartamento na capital, nosso coadjuvante Zé Mayer, que nunca esqueceu suas origens do sul, teve uma brilhante idéia: viajar com sua Helena grávida e o pimpolho para a cidade onde cresceu. Só para ver seu segundo filho nascer “com sangue gaúcho”, ao contrário do mais velho, praticamente um nômade cigano. Mais um percalço daqueles para a protagonista, que não precisava passar por isso apenas para dar à luz…

O tempo passou e Helena tornou-se uma dedicada rainha do lar, daquelas que trabalha mais do que os três homens da casa. Preocupa-se com o olhar nostálgico do marido, que ainda sonha em voltar à terra natal, mas também sabe, após trinta anos distante, que parentes podem se transformar em dor de cabeça. Ainda tem tempo de proteger seus dois filhos, galalaus maiores de idade mas que compartilham seu dia-a-dia.

Apesar de valorizá-la ao máximo o tempo todo, vez ou outra penso que a Helena de minha vida merece mais. Nada de presentes materiais ou simples abraços, mas algo como tempo extra pra cuidar de si mesma ou um resgate das sensações felizes da adolescência. É preciso um Dia das Mães, como o deste domingo, para que os personagens secundários da casa registrem um capítulo de 24 horas, repleto de agradecimentos a ela.

As sogras mais terríveis das novelas!

Por Luciana | 29/04/2009, 15h19

Como o dia da sogra foi ontem, vai aqui uma homenagem à sogra de todas as minhas vidas, mãe do homem de todas as minhas vidas. Nem de longe ela é megera como certas sogras de novelas…

A sogra da vez é a implicantíssima Laksmi, de Caminho das Índias. Como se não bastasse implicar com a nora Indira, a sogra interpretada por Laura Cardoso implica também com as mulheres dos netos, com os netos, com a bisneta e com a empregada. Are baba!

Outra sogra inesquecível é a Dona Guiomar, de A viagem. Também feita por Laura Cardoso, no início da novela era a melhor sogra do mundo pro Raul. Mas, infelizmente, Dona Guiomar passou a ser obsediada pelo espírito do Alexandre, que queria se vingar do irmão. Com isso, de sogra do ano ela passou a sogra das trevas, atazanando a vida do genro e incentivando a filha a brigar e até traí-lo…

Já a sogra das minhas mais longínquas recordações é a Dona Marcelina, de Roque Santeiro. Assim como a neta Tânia, ela também não via com bons olhos o “noivado” do genro Sinhozinho Malta com a Viúva Porcina.

Tem algumas sogras que são megeras, mas são divertidas. É o caso da Dona Gema, mãe do Bello, em Perigosas Peruas. Ela ensinava errado para a nora as receitas das comidas favoritas do filho! Mas quando ele quis trocar a Cidinha pela Leda, ela ficou do lado da nora “original”.

Outra engraçadíssima era a Dona Josefa, de O cravo e a rosa. Sogra de Cornélio – o nome já diz – a velhinha fazia o genro escovar a gatinha de estimação dela, mesmo ele sendo alérgico; dava cobertura para as armações dos filhos; e se o Cornélio ousasse timidamente reclamar de algo, ela fazia a maior cara de vítima! Até quando foi raptada Dona Josefa fez da vida dos sequestradores um inferno!

A Ofélia feita por Nicette Bruno em Alma Gêmea também era garantia de diversão! Apesar do genro Osvaldo ser apaixonadíssimo pela esposa, Divina, a sogra arranjava motivos e mais motivos para implicar com ele.

Outra que está atualmente no ar que nem a Laksmi é a Dona Flaviana, de Senhora do Destino. Mesmo com a filha já falecida, ela mora com o genro Giovanni Improtta e os netos. E é claaaaaaro que ela torra a paciência do Dr. Jeová, ironizando o jeito de falar e vestir assim como o namoro com a ninfa-bebê Daniele, que tem idade pra ser neta dele!

Em Por Amor, Branca tinha uma adoração pelo filho mais velho, Marcelo. Mesmo torcendo pela ex-namorada dele, Laura, Branca aceitou Eduarda, a escolhida do filho, pra não criar atritos com ele.

Mas assim, aceitou a Eduarda naquelas, né? Quando o Marcelo voltou da lua-de-mel com a esposa, Branca mandou encher o quarto dos dois de rosas… Mesmo a Eduarda sendo alérgica!

E teve também a Violetinha, de Três irmãs, que além de acusar pela morte do filho, abriu inquérito contra a nora. Como a nora em questão era uma das três irmãs mocinhas da novela, não pegou nada pra ela e no final a Violetinha acabou caindo penhasco abaixo!

Ai ai, as sogras…

O “nosso” Antônio Fagundes

Por Luciana | 30/03/2009, 16h16

Minha avó tinha um costume de falar das pessoas denominando-as de “teu”.

Por exemplo: Olha, fulana, o “teu” chegou – servia para dizer para a fulana que o filho ou marido ou namorado dela havia chegado.

Pois bem.

Quando minha avó ia passar uns tempos com a gente em Manaus – a gente: meus pais, meu irmão e eu – ela não dizia pra minha mãe que o “dela” havia chegado. Ela dizia: Ana, o “nosso” chegou.

O meu pai era o nosso, afinal, era um pouco de cada uma de nós – filho, marido, pai.

Em casa, nós tínhamos um quarto só de ver televisão. Minha avó ficava na rede, minha mãe na cadeira de balanço, e eu ou no sofá ou no carpete, brincando.

E minha avó tinha mania de dizer que ia escrever e mandar cartas para determinados atores que ela gostava muito – o Antônio Grassi era um desses.

O outro, também Antônio, era o Fagundes. Tanto minha avó quanto minha mãe eram loucas por ele.

Quando Antônio Fagundes fez o Osmar de Corpo a Corpo – aquela novela em que ele era casado com a Eloá de Débora Duarte, era pai do Ronaldo, de Selton Mello, e a música-tema era Papel-marchê -, ele foi convidado para fazer o comercial do fogão de seis bocas da Continental.

No comercial, ele aparecia todo vestido de cavaleiro, em uma armadura, e, entre sorrisos, vendia o tal fogão.

Minha mãe comprou o fogão.

Toda vez que aparecia o comercial, minha avó gritava: “Ana, vem ver o ‘nosso’”!

O “nosso” tinha virado o Antônio Fagundes!

Minha mãe conta – e eu vagamente me lembro – que eu também chamava as duas para verem o “nosso” quando ele aparecia na TV.

E ficou até hoje. Sempre que tem novela com o Antônio Fagundes, a gente comenta do “nosso”. E adoramos o Ivan, de Vale Tudo – meio frouxo, mas tudo bem -; o Zé Inocêncio, de Renascer; o Atílio, de Por Amor – oh, céus, o quanto odiamos aquela Helena que escondeu o filho dele! -; o professor gago Caio, de Rainha da Sucata – minha mãe detestava, na verdade -; e lóoooooogico, o Otávio Jordão da melhor novela do mundo A viagem!

Adoraria ver uma reprise de Dancin’ Days. Já vi algumas cenas pelo Youtube e sei que o Cacá que namorava a Júlia também mereceria estar no rol das minhas lembranças boas sobre o Antônio Fagundes.

Dia desses, li no blog do Aguinaldo Silva que ele está pensando numa novela em que o Fagundes será disputado por Suzana Vieira, Marília Gabriela e Renata Sorrah.

Contei pra minha mãe e ela disse que o “nosso” ia ficar cheio de mulher!

(Parece até o Zé Mayer… Rá!)

Além do “nosso”, aqui em casa rola um “o teu chegou”, quando meu irmão chega, por exemplo. E quando o André ficou meio adoentado, minha mãe me ligava e nem perguntava como eu estava, ia logo perguntando: “o teu melhorou?”. :P

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