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Porque nós adoramos novelas!

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O Fantástico Mundo de Glória Perez

Por Marmota | 12/09/2009, 01h15

Glória Perez nos enfeitiçou por oito meses e, em pouco mais de uma hora, decidiu resolver tudo no último capítulo de Caminho das Índias. Ficou estranho, corrido. Segredos sem serem contados. Bahuan não disse uma palavra; Yvonne fugiu pela porta da frente do presídio; o Zeca não foi preso; a maldita da Surya se deu bem; e Raj ficou sem saber que tem um filho no Brasil. Are baba!

De qualquer forma, ainda que você não tenha se emocionado mais após o abraço de Opash em Shankar, acompanhar novelas pode ser divertido se estiver ao lado da pessoa certa. Como a Srta. Bianca: quem teve a chance de seguir seu Twitter durante o folhetim teve a chance de gargalhar quando, por exemplo, a Swat prendeu Mike em português: “o melhor é que tem polícia brasileira no exterior! É a Policia!”

Assim, ninguém melhor que a própria Srta. Bia para compartilhar conosco (obrigado!) suas impressões sobre essa estranha relação entre o Rio de Janeiro e o Rajastão, proporcionada pela autora acreana, discípula de Janete Clair e autora de outros grandes sucessos não menos discutíveis. Baguan queliê!

Caminho das Índias é uma novela que assisti do início ao fim. Sofri, chorei, dei risada, incorporei os bordões. E tenho certeza que tudo isso aconteceu porque também adorei O Clone. Adoro tudo que as pessoas detestam nas novelas de Glória Perez: a cafonice, os bordões, o surrealismo, a falta de preocupação com verossimilhança, fuso horário, distâncias continentais e situações absurdas. E nessa categoria O Clone e Caminho das Índias são obras gêmeas.

A primeira novela de Glória que acompanhei foi Barriga de Aluguel, não lembro se no “Vale a Pena ver de Novo”. Lembro especialmente da abertura, da Cláudia Abreu, da Cássia Kiss e da música “Feira de Acari”. Depois veio De Corpo e Alma, marcada muito mais pelo assassinato de Daniela Perez do que pela trama.

Em Explode Coração, Dara e o Cigano Igor já mostravam o que estava por vir, o multiculturalismo invadindo os pensamentos de Glória na história de uma cigana que se apaixona por um empresário por meio de uma sala de bate papo do UOL. Ela queria misturar culturas e fazer novelas amalucadas, cheias de núcleos e amores impossíveis.

Em 2001 veio O Clone. Giovanna Antonelli e Murilo Benício eram um casal bem sem graça, mas havia um enredo sobre clonagem por trás e uma série de personagens que soltavam bordões aos quatro ventos. Dona Jura com “Não é brinquedo não”. Os árabes que bradavam que todos iam “arder no mármore do inferno”. Depois veio América, novela que não vi quase nenhum capítulo por não gostar do tema rodeio e por descobrir que o boi Bandido atuava melhor que Murilo Benício e Deborah Secco juntos…

Acredito que, em Caminho das Índias, ela conseguiu todos os elementos que faltavam. Apesar de Márcio Garcia ser muito ruim, ele virou coadjuvante assim que Rodrigo Lombardi apareceu como Raj. Juliana Paes sofreu muito como toda mocinha de novela que se preze, mas apesar disso não me incomodei tanto ao ponto de achá-la chata – talvez pelo drama da mãe que quer proteger seu filho. Fiquei sensibilizada. Yvone e Surya foram vilãs convincentes, mas poucas vezes roubaram as cenas (a não ser quando contracenavam com Vera Fischer ou Maitê Proença). Tony Ramos, o novo rei da comédia brasileira, foi ótimo como Opash, assim como a maioria dos atores do núcleo indiano, especialmente os consagrados: Osmar Prado, Nívea Maria, Eliane Giardini, Laura Cardoso, Lima Duarte, Jandira Martini, Flávio Miglaccio. Estavam sempre divertidos, mas também deram show nas cenas tensas e emocionantes.

Glória Perez também não esqueceu das causas sociais e tratou de colocar o esquizofrênico Tarso e todo o núcleo da clínica do Dr. Castanho para falar sobre doenças mentais e os possíveis tratamentos. Fez vários alertas sobre prevenção de cancêr e como cuidar da saúde de bebês, por meio do personagem médico Lucas.

Porém, a grande novidade de Caminho das Índias foram os núcleos praticamente separados. Toda uma trama envolvendo os irmãos Cadore e a vilã Yvone. E houve o romance proibido de Maya e Bahuan na Índia formando o centro do núcleo indiano. Vimos personagens que transitaram por mais de um núcleo, mas por mais que Maya tenha trabalhado para Raul Cadore e Raj tenha perdido tempo em alguns capítulos tentando solucionar o caso do sumiço de Humberto Cunha, são tramas bem independentes. Em alguns momentos elas sofreram desgaste, pois uma parecia mais interessante que a outra. Christiane Torloni fez sua Melissa Cadore crescer e aparecer, assim como a Ex-BBB Juliana Alves e sua Suelen. Em compensação o núcleo escolar foi minguando e só não foi apaguado totalmente por causa dos amigos Dayse e Radesh.

Foi uma novela ágil, com várias subtramos predendo a atenção do espectador, especialmente nesses últimos meses, como vários segredos se revelando. No fim, o esperado é que os casais se reconciliem, os bebês tenham vida londa e próspera e as vilãs paguem seus pecados. No fim é isso que o povo quer, Dona Norminha sendo perdoada, Raj e Maya ficando juntos e o rádio tocando sem parar: “Você não vale nada, mas eu gosto de você”.

De Som & Fúria

Por Luciana | 14/07/2009, 14h14

Tempos atrás, em outro blog, escrevi um post sobre os dois pesos, duas medidas que a Globo dá aos atores.

O Kadu Moliterno estava no ar em Bang Bang e tinha espancado a esposa dele que o denunciou na polícia – a Globo não fez absolutamente nada com ele.

Ao contrário do que fez com Felipe Camargo que, ao se envolver em constantes brigas e atrasos com a esposa Vera Fischer, na época da novela Pátria Minha, de Gilberto Braga, na qual ambos atuavam, teve o personagem morto em um incêndio junto com o personagem da ex-miss Brasil.

Acontece que anos depois, Felipe caiu no ostracismo global, enquanto Vera protagonizava novelas da oito: Laços de Família, O Clone

Agora Felipe Camargo está de volta em Som & Fúria, a série produzida pela O2 Filmes, de Fernando Meirelles, que é o melhor programa de 2009 da TV aberta.

Lembro de Felipe em Anos Dourados, na cena do baile… Lembro dele com a Isabela Garcia, em Roda de Fogo… Lembro do Édipo, de Mandala, lógico… Lembro do Adriano, de Sexo dos Anjos, também com a Isabela… Lembro do João, ex-presidiário de Despedida de Solteiro. Infelizmente mais não lembro. Felizmente, ele está de volta com Dante, que já é inesquecível pra mim.

Sobre Andréa Beltrão quero muito dizer que sempre a achei linda, charmosa mesmo. Gosto da Andréa desde Armação Ilimitada, passando por Mulheres de AreiaA viagem e Radical Chic. Acho terrível que ela aparece envelhecida e brega em A grande família. Acho lindo que ela também renasça, assim como Felipe, linda e charmosa como Ellen, em Som & Fúria.

Os vilões da vez são Regina Casé e Dan Stulbach. Já declarei meu amor pela Regina Casé aqui, em um texto sobre a Tina Pepper, de Cambalacho. E o Dan Stulbach… O Dan dá pra ver no Vale a pena ver de novo: é muito o Edgard, de Senhora do Destino e nada do Marcos, de Mulheres Apaixonadas. E a grande ironia desse papel dele em Som & Fúria é o amor do Dan pelo teatro e o descaso da personagem pelo mesmo!

Aí tem as duplas: a dupla da Brastemp, a dupla do Tangos & Tragédias… Tem o querido Gero Camilo, de Hoje é dia de Maria – a melhor coisa da TV em 2005, assim como Som & Fúria é a melhor de 2009.

Tem Pedro Paulo Rangel, que minha lembrança mais antiga vem de Vale Tudo, do Audálio, que todo mundo chamava de Poliana, porque era bom demais.

E tem Maria Flor e Daniel de Oliveira que eu conheço de… Malhação!

O personagem de Daniel, inclusive, foi ponto de partida pra uma das sempre louvadas campanhas de merchandising social de Malhação. Ele vivia o Marquinhos e em um determinado momento ficava paraplégico. Pro pessoal que desdenha de Malhação, taí…

Som & Fúria me deixa com aquele gostinho de quero mais… De pensar: ainda vou ter que esperar um dia pra ver o resto!

E isso é muito bom.

Checklist – De Amazônia a Caminho das Índias

Por Luciana | 06/07/2009, 12h12

Comentei com o André semana passada o quanto acho a atriz Brenda Haddad graciosa e bonita, e que gosto dela desde a minissérie Amazônia.

Aí, entramos no site da minissérie e ficamos relembrando o elenco e o enredo da minissérie que contou a história do Acre, terra da autora de Caminho das Índias e da Brenda Haddad, a Rani, esposa do Komal.

A primeira surpresa foi perceber que o blogueiro-escada-da-norminha Indra não foi o primeiro papel de André Arteche: em Amazônia ele viveu Toinho, que era apaixonado pela Ritinha feita por Brenda!

Aí, resolvemos fazer o checklist de quem foi da Amazônia direto pra Índia, com escala na Lapa (rá!), deixando claro que não entendemos esse repetição de elenco nas obras de determinados autores como panelinha, longe disso; é preferível acreditar que em time que está ganhando não se mexe (clichê!) e que determinados atores funcionam melhor nas tramas de certos autores – o que seria do Manoel Carlos sem o José Mayer, da Glória Perez sem o Victor Fasano, do Gilberto Braga sem a Malu Mader, do Aguinaldo Silva sem a Suzana Vieira, do Silvio de Abreu sem a Cláudia Raia, do Carlos Lombardi sem o Humberto Martins?

Brenda Haddad

André Arteche

Alexandre Borges

Anderson Müller

André Gonçalves

Antônio Calloni

Betty Gofman

Cacau Melo

Caio Blat

Christiane Torloni

Christóvam Neto

Débora Bloch

Humberto Martins

Jandira Martini

José de Abreu

Lima Duarte

Luci Pereira

Mussunzinho

Neuza Borges

Odilon Wagner

Osmar Prado

Paula Pereira

Silvia Buarque

Totia Meirelles

Vera Fischer

e Victor Fasano.

Ah, Juliana Paes, Eva Todor, Nívea Maria, Duda Nagle, Caco Ciocler, Cissa Guimarães, Murilo Rosa, Eliane Giardini, Cleo Pires e Bruno Gagliasso vieram de América; Danton Mello veio de Hilda Furacão; Marcelo Brou, Letícia Sabatella e Stênio Garcia vieram de O clone.

Faltou alguém?

Um minuto de silêncio pra Murilo Rosa em Caminho das Índias

Por Luciana | 18/05/2009, 23h06

Minha mãe reclamou há pouco que os indianos da novela de Glória Perez falam português que é uma beleza. Eu só respondi: – Mãe, novela da Glória Perez a gente tem que abstrair…

Aí começamos a lembrar de O CloneAmérica, que era a mesma maluquice idiomática. Aí minha mãe falou que América era bem enjoada, e eu disse que não, que o único chato legítimo era o Tião mesmo.

Então lembramos do Jatobá e da Vera, da Sol e do Ed, da Lurdinha e do “tio” Glauco, do Feitosa e da Islene, da Haydée e do Tony, da Viúva Neuta e do Dinho…

Nossa, a gente adorava o Dinho e aquele amor doido dele pela viúva Neuta.

Por isso recebemos com alegria a notícia de que Murilo Rosa está à caminho das Índias. (rá!)

Na verdade, ele fará parte do núcleo brasileiro da novela e dará vida ao médico que vai salvar o filho daquela que para minha mãe e eu é a verdadeira mocinha da novela, Duda.

E é lógico que eles vão se apaixonar.

Finalmente um galã de verdade na novela e não esses bonitos, porém frouxos…

Por sinal, quero só ver a cara do frouxo do Raj quando descobrir que a mulher dele ama o Bahuan e que a criança que ele cria como filho é filho de um dalit.  

Aí já vai ter perdido playboy pro Lucas, de Murilo Rosa. ;)

Guloseimas das novelas

Por Luciana | 20/03/2009, 14h30

Prometi à Lu, do Guloseima, que faria um texto sobre os acepipes das novelas, afinal, assim como nós, as personagens também cozinham e comem…

Por questões literário-sentimentais, a primeira lembrança que me veio à cabeça foi a de Gabriela, cozinhando e encantando Nacib (e todos os clientes do Vesúvio) com os quitutes baianos: acarajé, vatapá, moqueca… Sem contar que ela própria, Gabriela, era feita de cravo e canela.

Quando uma novela conta com um bar, restaurante, lanchonete, padaria ou buffet, pode ter certeza que todos os personagens só irão até esse estabelecimento, como se ele fosse o único de toda São Paulo, de todo Rio de Janeiro; como se fosse, enfim, o point do momento.

E esses estabelecimentos são muitos: o buffet Marrom Glacê, de Madame Clô; a rede de cantinas da Mamma Vitória; a creperia Chez Silvie, de Vamp; o Pão Português, de Negócio da China; o restaurante grego Tebas, de Belíssima; o Monsieur Vatel, de Senhora do Destino; a cantina La Tavola de Michele, de Bina, em Vereda Tropical; o Castelo de São Jorge, de Duas Caras, o Bar da Dona Jura, em O Clone; o Frigideira, de Paraíso Tropical; o Pão com Linguiça, de A Favorita; a rede de padarias de Auxi e Alce, em Quatro por Quatro; o restaurante da livraria Dom Casmurro, de Laços de Família; a lanchonete Mingau, onde Virgínia foi trabalhar em Ciranda de Pedra; o bar Flor do Douro, de Sabor da Paixão; o restaurante de Vitório, em Alma Gêmea; a empresa de catering Paladar, de Raquel Acioli em Vale Tudo.

Muitos desses lugares tinham especialidades, como o famoso pastel da Dona Jura; o sanduíche natural que Raquel vendia pela praia de Vale Tudo; o bacalhau do Bernadinho do Castelo de São Jorge, que ficava na Portelinha; o bolinho de bacalhau do Flor do Douro; as saladinhas da Dom Casmurro; a galinha feita por Esmeralda, em Coração de Estudante

E o que dizer dos títulos de novela sugestivos como Pão pão, Beijo Beijo, Chocolate com Pimenta e Sabor da Paixão?

Mais sugestivos ainda eram os pratos afrodisíacos preparados pela bibliotecária Ilka Tibiriçá para o seu Ataliba Timbó com quem “só casando” ela iria ficar em Fera Ferida

Também teve muita gente que ganhou a vida em novela fazendo quentinha, como a ex-milionária Rafaela, de Brega & Chique; sendo garçom, como o conde de Parma fajuto, de A Gata Comeu; produzindo queijos como o Petruchio, de O Cravo e a Rosa; fazendo bolos e tortas como na Deli de Hilda, de Mulheres Apaixonadas ou como a Clarisse, de Sete Pecados; preparando tapioca na rua, como a Preta, de Da Cor do Pecado.

Outros, já com a vida ganha, só quiseram desfrutar de profiteroles, como o Foguinho, de Cobras & Lagartos; ficar sarados como os filhos da Mamuska, ao tomar a sopa fortificante que ela preparava; se deliciar com o leitão a pururuca de Dona Purezinha, de Desejo Proibido; e até mesmo, num clima divertidamente mórbido, beber sangue congelado, como os vampiros de Vamp.

Tem determinadas cenas envolvendo comidas que eu preciso lembrar aqui: a mais do que comentada cena do puro desperdício onde Paulo Autran e Fernanda Montenegro jogam o café da manhã inteiro um na cara do outro – depois o povo não entende os motivos do Paulo Autran ter raramente topado fazer TV; a italiana Leonora dando alcachofra no jantar dos patrões brasileiros e a surpresa que eles tiveram ao ver aquela “flor” para ser comida com as mãos, ali, dentro do prato deles; e a homenagem à Miriam Pires, que faleceu durante as gravações de Senhora do Destino, onde o livro A cozinha de Dona Clementina foi lançado.

Como o texto começa citando motivos literário-sentimentais, assim ele terminará: com a lembrança de Dona Flor e seus Dois Maridos – que não foi novela, foi minissérie, eu sei – e da escola de culinária dela, a Sabor & Arte, com a qual Vadinho fazia o trocadilho mais deliciosamente canalha que consigo lembrar agora: – Flor, quero saborear-te.

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