Triângulos amorosos inesquecíveis
Por Luciana | 27/04/2009, 10h10
Seja girando em torno da mocinha, seja girando em torno do mocinho, toda novela que se preze tem um triângulo amoroso.
Mas triângulo amoroso inesquecível é aquele em que o público fica realmente dividido – é quando o triângulo não é escaleno, não fica pendendo mais pra um lado. Triângulo amoroso perfeito é aquele em que a dúvida de com quem o fulano vai ficar divide até os últimos momentos os telespectadores.
O primeiro triângulo que me despertou isso, essa divisão de torcida, foi o protagonizado por Silvana – Luca – Verônica, em Vereda Tropical.
Apesar da Silvana ser a boazinha, fadada a ficar com o jogador de futebol Luca, a Verônica tinha uma coisa transgressora que chamava a minha atenção de criança. Ela batalhava pelo Luca, fazia coisas ruins, mas também era capaz de coisas bacanas – como depor a favor de Silvana, para que a moça ficasse com a guarda do filho.
O triângulo mais conhecido e adorado de todos os tempos veio logo depois de Vereda Tropical, mas não era de uma novela e, sim, de um seriado: Armação Ilimitada.
Lá, tínhamos a Dona Flor moderna, Zel, que “escolheu não escolher” e se tornou namorada tanto de Juba quanto de Lula. Era difícil mesmo escolher entre os dois, mas eu sempre fui mais da torcida do Lula, pelo jeito paternal dele com o Bacana.
A já citada Dona Flor também não virou novela, mas minissérie. E, assim como Zelda, sentia que precisa dos dois – Vadinho e Teodoro – para viver, porque eles afinal se completavam e a completavam.
Cidinha e Leda eram amigas de infância. Enquanto uma era mais esperta e a outra mais inteligente, faziam uma dupla imbatível.
Até que as duas se apaixonaram por Bello – Mário Gomes mais uma vez dividido entre uma loura e uma morena, como em Vereda Tropical.
Foi difícil torcer em Perigosas Peruas por uma ou por outra, porque apesar de torcer pela dona de casa Cidinha, eu adorava a Leda por ser uma jornalista bem sucedida!
No final, prevaleceu o lance da família e o Bello ficou com a Cidinha. Pra Leda surgiu um sósia do Bello! Rá!
No remake de Mulheres de Areia, graças a interpretação de Glória Pires, confesso que torcia um pouco pela Raquel sim.
Ora, a Ruth era muito boazinha, leitor! Ao invés de desfazer toda a farsa que a irmã armou, ela aceitou passivamente que o Marcos se casasse com a Raquel!
Fora isso, a Raquel tinha charme e, além da Malu, era a única que peitava o Dr. Virgílio.
Outro remake famoso com triângulo amoroso igualmente famoso foi o de Pecado Capital.
Eu vinha da torcida por Milena e Nando, de Por Amor, e era natural que torcesse por Lucinha e Carlão, já que também eram interpretados por Carolina Ferraz e Eduardo Moscovis.
Mas quando o Salviano Lisboa de Francisco Cuoco declamou o Poema dos Olhos da Amada, de Vinicius de Moraes, olhando bem nos olhos da Lucinha, eu me rendi.
Pena que no final teve uma reviravolta louca e a Glória Perez meteu a Vera Fischer na jogada pra ficar com o Cuoco!
Outro triângulo em que a Carolina Ferraz se meteu foi em História de amor. Ela vivia a mimada Paulinha que disputava o Carlos com a Helena.
Apesar de lógico estar predestinado que a Helena ia se dar bem, a Paulinha era que nem a Verônica, de Vereda Tropical: capaz tanto de maldades quanto de bondades. Talvez por isso tenha se dado bem no final, mesmo que sem o Carlos…
Verônica e Paulinha eram personagens bem próximas da realidade, da humanidade. Não eram absolutamente boas nem absolutamente ruins. Tinham nuances. Não eram politicamente corretas e chatas como as mocinhas, por isso eu curtia as duas.
Assim como curtia a judia Camille, de Esperança. Era por ela que eu torcia pra o Toni ficar. Mas todo mundo começou a torcer pela tal de Maria, que o Walcyr Carrasco (ao assumir a novela no lugar do atual maior remakeiro da paróquia Benedito Ruy Barbosa) acabou transformando a Camille numa mini-vilã e a afastando de vez do mocinho!
Outro que se deixou levar pela vontade do público foi o Aguinaldo Silva, ao levar em conta uma enquete feita no site de Senhora do Destino pra decidir quem ficaria com Maria do Carmo: Dirceu ou Giovanni.
O segundo venceu e confirmou o que Aguinaldo sempre afirma: o melhor casal de novela é Suzana Vieira e José Wilker (pra mim, há controvérsias, mas enfim).
Assim como Maria do Carmo & Giovanni, outro casal que contrariou a máxima de que o amor do primeiro capítulo é o amor do fim da novela foi o Ed e a Sol, de América.
Sol amargou a novela inteira o amor desencontrado que sentia por Tião e vice-versa. Mas nessa eu SEMPRE torci pelo Ed, vivido pelo fofo Caco Ciocler (que é por sinal a única pessoa pra quem eu torço em Caminho das Índias – torço pelo Murilo dele e pela Silvia, de Débora Bloch)! Porque ele era inteligente, delicado, carinhoso e apaixonado pela Sol. Já o bronco do Tião…
E o mais recente desses triângulos todos foi Flora – Zé Bob – Donatela. Quando percebi que o Zé Bob estava apaixonado mesmo pela Donatela, foi fácil deduzir que ela era a mocinha, afinal, o mocinho não se apaixonaria pela bandida…
Mesmo com toda essa tradição de triângulos amorosos em novelas, minisséries e seriados, tem aqueles casos em que os personagens se veem envolvidos com até três pretendentes!
Era o caso de Quequé, da minissérie Rabo de Saia, as voltas com as três mulheres: Eleuzina, Santinha e Nicinha – em mais uma daquelas situações em que se “escolhe não escolher”; de Denizard, de O outro, divididaço entre Índia do Brasil, Laura e Glorinha da Abolição – ficando no final com a primeira; e de Ingrid, de Rainha da Sucata, a francesinha que ficou com “as três filhinhas” de Dona Armênia, Gerson, Gera e Gino!
Mais algum triangulinho?


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