Glória Perez nos enfeitiçou por oito meses e, em pouco mais de uma hora, decidiu resolver tudo no último capítulo de Caminho das Índias. Ficou estranho, corrido. Segredos sem serem contados. Bahuan não disse uma palavra; Yvonne fugiu pela porta da frente do presídio; o Zeca não foi preso; a maldita da Surya se deu bem; e Raj ficou sem saber que tem um filho no Brasil. Are baba!
De qualquer forma, ainda que você não tenha se emocionado mais após o abraço de Opash em Shankar, acompanhar novelas pode ser divertido se estiver ao lado da pessoa certa. Como a Srta. Bianca: quem teve a chance de seguir seu Twitter durante o folhetim teve a chance de gargalhar quando, por exemplo, a Swat prendeu Mike em português: “o melhor é que tem polícia brasileira no exterior! É a Policia!”
Assim, ninguém melhor que a própria Srta. Bia para compartilhar conosco (obrigado!) suas impressões sobre essa estranha relação entre o Rio de Janeiro e o Rajastão, proporcionada pela autora acreana, discípula de Janete Clair e autora de outros grandes sucessos não menos discutíveis. Baguan queliê!
Caminho das Índias é uma novela que assisti do início ao fim. Sofri, chorei, dei risada, incorporei os bordões. E tenho certeza que tudo isso aconteceu porque também adorei O Clone. Adoro tudo que as pessoas detestam nas novelas de Glória Perez: a cafonice, os bordões, o surrealismo, a falta de preocupação com verossimilhança, fuso horário, distâncias continentais e situações absurdas. E nessa categoria O Clone e Caminho das Índias são obras gêmeas.
A primeira novela de Glória que acompanhei foi Barriga de Aluguel, não lembro se no “Vale a Pena ver de Novo”. Lembro especialmente da abertura, da Cláudia Abreu, da Cássia Kiss e da música “Feira de Acari”. Depois veio De Corpo e Alma, marcada muito mais pelo assassinato de Daniela Perez do que pela trama.
Em Explode Coração, Dara e o Cigano Igor já mostravam o que estava por vir, o multiculturalismo invadindo os pensamentos de Glória na história de uma cigana que se apaixona por um empresário por meio de uma sala de bate papo do UOL. Ela queria misturar culturas e fazer novelas amalucadas, cheias de núcleos e amores impossíveis.
Em 2001 veio O Clone. Giovanna Antonelli e Murilo Benício eram um casal bem sem graça, mas havia um enredo sobre clonagem por trás e uma série de personagens que soltavam bordões aos quatro ventos. Dona Jura com “Não é brinquedo não”. Os árabes que bradavam que todos iam “arder no mármore do inferno”. Depois veio América, novela que não vi quase nenhum capítulo por não gostar do tema rodeio e por descobrir que o boi Bandido atuava melhor que Murilo Benício e Deborah Secco juntos…
Acredito que, em Caminho das Índias, ela conseguiu todos os elementos que faltavam. Apesar de Márcio Garcia ser muito ruim, ele virou coadjuvante assim que Rodrigo Lombardi apareceu como Raj. Juliana Paes sofreu muito como toda mocinha de novela que se preze, mas apesar disso não me incomodei tanto ao ponto de achá-la chata – talvez pelo drama da mãe que quer proteger seu filho. Fiquei sensibilizada. Yvone e Surya foram vilãs convincentes, mas poucas vezes roubaram as cenas (a não ser quando contracenavam com Vera Fischer ou Maitê Proença). Tony Ramos, o novo rei da comédia brasileira, foi ótimo como Opash, assim como a maioria dos atores do núcleo indiano, especialmente os consagrados: Osmar Prado, Nívea Maria, Eliane Giardini, Laura Cardoso, Lima Duarte, Jandira Martini, Flávio Miglaccio. Estavam sempre divertidos, mas também deram show nas cenas tensas e emocionantes.
Glória Perez também não esqueceu das causas sociais e tratou de colocar o esquizofrênico Tarso e todo o núcleo da clínica do Dr. Castanho para falar sobre doenças mentais e os possíveis tratamentos. Fez vários alertas sobre prevenção de cancêr e como cuidar da saúde de bebês, por meio do personagem médico Lucas.
Porém, a grande novidade de Caminho das Índias foram os núcleos praticamente separados. Toda uma trama envolvendo os irmãos Cadore e a vilã Yvone. E houve o romance proibido de Maya e Bahuan na Índia formando o centro do núcleo indiano. Vimos personagens que transitaram por mais de um núcleo, mas por mais que Maya tenha trabalhado para Raul Cadore e Raj tenha perdido tempo em alguns capítulos tentando solucionar o caso do sumiço de Humberto Cunha, são tramas bem independentes. Em alguns momentos elas sofreram desgaste, pois uma parecia mais interessante que a outra. Christiane Torloni fez sua Melissa Cadore crescer e aparecer, assim como a Ex-BBB Juliana Alves e sua Suelen. Em compensação o núcleo escolar foi minguando e só não foi apaguado totalmente por causa dos amigos Dayse e Radesh.
Foi uma novela ágil, com várias subtramos predendo a atenção do espectador, especialmente nesses últimos meses, como vários segredos se revelando. No fim, o esperado é que os casais se reconciliem, os bebês tenham vida londa e próspera e as vilãs paguem seus pecados. No fim é isso que o povo quer, Dona Norminha sendo perdoada, Raj e Maya ficando juntos e o rádio tocando sem parar: “Você não vale nada, mas eu gosto de você”.
Seria cômodo demais dizer que foi de propósito atrasar em oito meses o relato sobre o dia em que tive a chance de conhecer a “fábrica de novelas” da Rede Globo, além de marcar presença num encontro informal com Glória Perez, autora de Caminho das Índias. Mais do que simplesmente agradecer (ainda que tardiamente) ao convite do Manoel Fernandes, esta é uma boa hora para avaliar a performance da personagem que motivou a visita de dezenas de blogueiros ao Projac, no Rio de Janeiro, em 9 de dezembro de 2008.
Até porque, desde a estréia da novela até aqui, a maior parte dos participantes da caravana se limitaram a comemorar suas presenças no passeio, associando-as com “a importância da blogosfera nas peoduções televisivas”. Alguns que não foram, evidentemente, esperaram algumas semanas para identificar como o tema seria abordado (ou não) pelo folhetim e capricharam no “mimimi” ao redigirem manifestações do gênero “pra quê tanto auê se no fim o tal blogueiro da novela não apareceu?”.
A propósito, pode ser que você não saiba, mas o blogueiro é o Indra (André Arteche), filho de Ashima (a heróica Mara Manzan), que deveria ser a ponte entre assuntos virtuais e o público do horário nobre. Durante o bate-papo, a autora caracterizou seu personagem como um adolescente indiano, que preserva alguns costumes tradicionais e os compara espantado com coisas que enxerga no Brasil. Mais ou menos o que vimos em Shanti (Carolina Oliveira) em sua estada pelo Rio – com a diferença que Indra teria maior intimidade com o computador e capacidade para compartilhar suas dúvidas na web.
Na prática, é um garoto comum, com um mix de culturas, e que mantém um blog. Já em dezembro, CrisDias fez a comparação certeira: “numa novela, um personagem que tem blog é a mesma coisa que um personagem que anda de bicicleta”. Seguindo pela mesma metáfora: a não ser que estejamos falando em um ciclista capaz de faturar a Volta da França, até mesmo a Shanti poderia ter criado um blog para dividir as impressões sobre suas viagens, por exemplo. Ou quem sabe o aprendiz do Doutor Castanho, que só aparece na trama para tentar entender aquilo que Yvone faz – e ele sequer imagina. Taí uma dupla que merecia um blog bem mais divertido que o do pacato morador da Lapa.
Não sei exatamente onde foi que Glória Perez, acostumada com o ambiente virtual desde o encontro de Dara e Júlio Falcão num chat de vídeo ainda em 1996 durante Explode Coração, escorregou com Indra. Além de ter seu próprio blog, a autora sabe perfeitamente do que a comunidade interconectada é capaz – mesmo em atitudes inexplicavelmente avessas, como os animais que protestavam a favor da fauna ameaçando-a de morte durante América. Talvez uma explicação possa ser desenvolvida a partir de outra declaração pinçada daquela tarde: “a novela apenas coloca o assunto em pauta; o resto é com as pessoas, a sociedade”.
Pois bem, caberia qualquer assunto, desde que fosse algo palatável a um público muito abrangente – que, convenhamos, está mais ligado com o destino das famílias dos Ananda ou dos Cadore. E qual era exatamente o assunto? Apenas blogs e suas relações com ferramentinhas? Nesse direcionamento, Guilherme Zaiden apareceu nos primeiros capítulos, produzindo um vídeo para o YouTube. Alguns outros blogs foram citados pelos personagens, mas dentro de outros contextos. Chegaram a propor a presença de Indra num Blogcamp, ou mesmo sua participação em uma blogagem coletiva… Mas vejam como todas estas ações ficaram limitadas a um plano individual, como se isso só importasse ao próprio Indra.
A impressão que se tem é a mesma alertada pela própria autora: o tempo da novela, mais longo, é bem diferente do tempo real de um blog. Ainda citando Glória Perez: “o personagem pensando não tem a mesma força do personagem agindo”. Pode ser que essa medida, somado a sua presença apenas trivial na trama, fez com que o blogueiro perdesse a grande oportunidade de mobilizar a audiência para discutir ao menos um tópico. E não estamos falando de suas incursões sexuais com Dona Norminha – o que, aliás, derruba a idéia de que nerds não pegam ninguém e já basta para que eu tire meu chapéu para o rapaz.
Mas voltando: se ninguém presta atenção se ele falasse de tudo um pouco, por que não focar na relação entre pais e professores, tema recorrente envolvendo Berenice (Sílvia Buarque), Ruth (Cissa Guimarães) e o zé ruela do Zeca (Duda Nagle), que mostrou ter mais familiaridade com HTML ao expor com facilidade a “gravidez artificial” da professora? A polêmica chegou a fazer barulho pela web… E o que o blogueiro da novela fez para incrementar o debate?
Indra chegou a ser considerado suspeito, mas se revelou um banana ao invés de descobrir e incentivar formas de manter sua privacidade online, propor discussões sobre o comportamento de pais e alunos diante da escola, convidando outros amigos a participarem do debate no Twitter (onde já se viu um blogueiro que não carrega seu celular com GPRS ou 3G para todo lado?). “As pessoas acham que a Internet é um território livre”, dizia Glória Perez em dezembro. Pois é, da forma como os estudantes daquele colégio se comportam – ou pior, se lembrarmos que a maior contribuição de Dona Val (Rosane Goffman) é o bordão “Jesus me abana” e a felicidade em esconder seu biotipo em avatares magros e bem vestidos no falido Second Life – , o pensamento do público-alvo continua sendo exatamente o mesmo.
Mas enfim, também não duvidaria se Glória Perez tivesse lembrado que Indra é um espelho do blogueiro brasileiro. Aquele representado por um grupo que, entre as melhores idéias defendidas, estava o “registro do domínio blogdoindra.com.br”. Ou ainda o tipo que, após visitar locações externas (incluindo a Lapa e o Ganges cenográfico), guarda-roupas, depósitos e moderníssimos estúdios (oportunidade que a Globo poderia transformar perfeitamente em visita guiada paga), reclama no meio do passeio: “ai, falta muito ainda pra irmos embora?”. Sem falar nos que só ressaltam sua importância, fazem mimimi ou inventam de escrever sobre isso apenas oito meses depois: se esperávamos um engajamento 2.0 na novela, talvez Indra não encontrou inspiração na realidade.
Comentei com o André semana passada o quanto acho a atriz Brenda Haddad graciosa e bonita, e que gosto dela desde a minissérie Amazônia.
Aí, entramos no site da minissérie e ficamos relembrando o elenco e o enredo da minissérie que contou a história do Acre, terra da autora de Caminho das Índias e da Brenda Haddad, a Rani, esposa do Komal.
A primeira surpresa foi perceber que o blogueiro-escada-da-norminha Indra não foi o primeiro papel de André Arteche: em Amazônia ele viveu Toinho, que era apaixonado pela Ritinha feita por Brenda!
Aí, resolvemos fazer o checklist de quem foi da Amazônia direto pra Índia, com escala na Lapa (rá!), deixando claro que não entendemos esse repetição de elenco nas obras de determinados autores como panelinha, longe disso; é preferível acreditar que em time que está ganhando não se mexe (clichê!) e que determinados atores funcionam melhor nas tramas de certos autores – o que seria do Manoel Carlos sem o José Mayer, da Glória Perez sem o Victor Fasano, do Gilberto Braga sem a Malu Mader, do Aguinaldo Silva sem a Suzana Vieira, do Silvio de Abreu sem a Cláudia Raia, do Carlos Lombardi sem o Humberto Martins?
Brenda Haddad
André Arteche
Alexandre Borges
Anderson Müller
André Gonçalves
Antônio Calloni
Betty Gofman
Cacau Melo
Caio Blat
Christiane Torloni
Christóvam Neto
Débora Bloch
Humberto Martins
Jandira Martini
José de Abreu
Lima Duarte
Luci Pereira
Mussunzinho
Neuza Borges
Odilon Wagner
Osmar Prado
Paula Pereira
Silvia Buarque
Totia Meirelles
Vera Fischer
e Victor Fasano.
Ah, Juliana Paes, Eva Todor, Nívea Maria, Duda Nagle, Caco Ciocler, Cissa Guimarães, Murilo Rosa, Eliane Giardini, Cleo Pires e Bruno Gagliasso vieram de América; Danton Mello veio de Hilda Furacão; Marcelo Brou, Letícia Sabatella e Stênio Garcia vieram de O clone.
Faltou alguém?
“Você não vale nada, mas eu gosto de você”
Dia desses, assistindo a Caminho das Índias, mais precisamente a uma cena da Norminha, comentei com o André que a Dira Paes está com tudo, fazendo ensaios fotográficos, reportagens, propagandas, etc., e que acho mais do que merecido esse reconhecimento de “novela das oito”, já que no cinema ela é uma estrela há muito tempo (a primeira vez que a vi em cena foi no filme Corisco & Dadá) - inclusive promovendo há anos um festival de cinema em Belém!
Aí, o André lança a seguinte cantadinha pra cima de mim:
- Ah, todas as paraenses são gostosas!
Dira, pra quem não sabe, é paraense de Abaetetuba, a mesma cidade dos fofos brinquedos de miriti.
E eu, pra quem não sabe, sou amazonense de Manaus.
O André sabe, mas esqueceu, e eu não perdoei:
- É, todas as paraenses são gostosas… Pena que eu sou amazonense…
Ele tentou emendar com um:
- Ah, todas as NORTISTAS são gostosas!
Mas não colou.
PS – Falou-se tanto da importância de um personagem blogueiro na novela de Glória Perez – no caso, o indiano Indra -, mas a verdade é que ele nunca passou de escada da fogosa Norminha, personagem de Dira.
PS2- Hoje, 30 de junho, Dira Paes comemora 40 anos. Esse texto veio em boa hora então.
PS3 – Reconhecimento em televisão, Dira já tinha, antes da novela das oito: gosto muito da Potira, da segunda versão de Irmãos Coragem e, lógico, da divertidíssima ladra de cenas, Solineuza. Há quem diga que A diarista acabou porque Cláudia Rodrigues não aguentava mais ser ofuscada pelo talento de Dira Paes…
Minha mãe reclamou há pouco que os indianos da novela de Glória Perez falam português que é uma beleza. Eu só respondi: – Mãe, novela da Glória Perez a gente tem que abstrair…
Aí começamos a lembrar de O Clone e América, que era a mesma maluquice idiomática. Aí minha mãe falou que América era bem enjoada, e eu disse que não, que o único chato legítimo era o Tião mesmo.
Então lembramos do Jatobá e da Vera, da Sol e do Ed, da Lurdinha e do “tio” Glauco, do Feitosa e da Islene, da Haydée e do Tony, da Viúva Neuta e do Dinho…
Nossa, a gente adorava o Dinho e aquele amor doido dele pela viúva Neuta.
Por isso recebemos com alegria a notícia de que Murilo Rosa está à caminho das Índias. (rá!)
Na verdade, ele fará parte do núcleo brasileiro da novela e dará vida ao médico que vai salvar o filho daquela que para minha mãe e eu é a verdadeira mocinha da novela, Duda.
E é lógico que eles vão se apaixonar.
Finalmente um galã de verdade na novela e não esses bonitos, porém frouxos…
Por sinal, quero só ver a cara do frouxo do Raj quando descobrir que a mulher dele ama o Bahuan e que a criança que ele cria como filho é filho de um dalit.
Aí já vai ter perdido playboy pro Lucas, de Murilo Rosa.
Seja girando em torno da mocinha, seja girando em torno do mocinho, toda novela que se preze tem um triângulo amoroso.
Mas triângulo amoroso inesquecível é aquele em que o público fica realmente dividido – é quando o triângulo não é escaleno, não fica pendendo mais pra um lado. Triângulo amoroso perfeito é aquele em que a dúvida de com quem o fulano vai ficar divide até os últimos momentos os telespectadores.
O primeiro triângulo que me despertou isso, essa divisão de torcida, foi o protagonizado por Silvana – Luca – Verônica, em Vereda Tropical.
Apesar da Silvana ser a boazinha, fadada a ficar com o jogador de futebol Luca, a Verônica tinha uma coisa transgressora que chamava a minha atenção de criança. Ela batalhava pelo Luca, fazia coisas ruins, mas também era capaz de coisas bacanas – como depor a favor de Silvana, para que a moça ficasse com a guarda do filho.
O triângulo mais conhecido e adorado de todos os tempos veio logo depois de Vereda Tropical, mas não era de uma novela e, sim, de um seriado: Armação Ilimitada.
Lá, tínhamos a Dona Flor moderna, Zel, que “escolheu não escolher” e se tornou namorada tanto de Juba quanto de Lula. Era difícil mesmo escolher entre os dois, mas eu sempre fui mais da torcida do Lula, pelo jeito paternal dele com o Bacana.
A já citada Dona Flor também não virou novela, mas minissérie. E, assim como Zelda, sentia que precisa dos dois – Vadinho e Teodoro – para viver, porque eles afinal se completavam e a completavam.
Cidinha e Leda eram amigas de infância. Enquanto uma era mais esperta e a outra mais inteligente, faziam uma dupla imbatível.
Até que as duas se apaixonaram por Bello – Mário Gomes mais uma vez dividido entre uma loura e uma morena, como em Vereda Tropical.
Foi difícil torcer em Perigosas Peruas por uma ou por outra, porque apesar de torcer pela dona de casa Cidinha, eu adorava a Leda por ser uma jornalista bem sucedida!
No final, prevaleceu o lance da família e o Bello ficou com a Cidinha. Pra Leda surgiu um sósia do Bello! Rá!
No remake de Mulheres de Areia, graças a interpretação de Glória Pires, confesso que torcia um pouco pela Raquel sim.
Ora, a Ruth era muito boazinha, leitor! Ao invés de desfazer toda a farsa que a irmã armou, ela aceitou passivamente que o Marcos se casasse com a Raquel!
Fora isso, a Raquel tinha charme e, além da Malu, era a única que peitava o Dr. Virgílio.
Outro remake famoso com triângulo amoroso igualmente famoso foi o de Pecado Capital.
Eu vinha da torcida por Milena e Nando, de Por Amor, e era natural que torcesse por Lucinha e Carlão, já que também eram interpretados por Carolina Ferraz e Eduardo Moscovis.
Mas quando o Salviano Lisboa de Francisco Cuoco declamou o Poema dos Olhos da Amada, de Vinicius de Moraes, olhando bem nos olhos da Lucinha, eu me rendi.
Pena que no final teve uma reviravolta louca e a Glória Perez meteu a Vera Fischer na jogada pra ficar com o Cuoco!
Outro triângulo em que a Carolina Ferraz se meteu foi em História de amor. Ela vivia a mimada Paulinha que disputava o Carlos com a Helena.
Apesar de lógico estar predestinado que a Helena ia se dar bem, a Paulinha era que nem a Verônica, de Vereda Tropical: capaz tanto de maldades quanto de bondades. Talvez por isso tenha se dado bem no final, mesmo que sem o Carlos…
Verônica e Paulinha eram personagens bem próximas da realidade, da humanidade. Não eram absolutamente boas nem absolutamente ruins. Tinham nuances. Não eram politicamente corretas e chatas como as mocinhas, por isso eu curtia as duas.
Assim como curtia a judia Camille, de Esperança. Era por ela que eu torcia pra o Toni ficar. Mas todo mundo começou a torcer pela tal de Maria, que o Walcyr Carrasco (ao assumir a novela no lugar do atual maior remakeiro da paróquia Benedito Ruy Barbosa) acabou transformando a Camille numa mini-vilã e a afastando de vez do mocinho!
Outro que se deixou levar pela vontade do público foi o Aguinaldo Silva, ao levar em conta uma enquete feita no site de Senhora do Destino pra decidir quem ficaria com Maria do Carmo: Dirceu ou Giovanni.
O segundo venceu e confirmou o que Aguinaldo sempre afirma: o melhor casal de novela é Suzana Vieira e José Wilker (pra mim, há controvérsias, mas enfim).
Assim como Maria do Carmo & Giovanni, outro casal que contrariou a máxima de que o amor do primeiro capítulo é o amor do fim da novela foi o Ed e a Sol, de América.
Sol amargou a novela inteira o amor desencontrado que sentia por Tião e vice-versa. Mas nessa eu SEMPRE torci pelo Ed, vivido pelo fofo Caco Ciocler (que é por sinal a única pessoa pra quem eu torço em Caminho das Índias – torço pelo Murilo dele e pela Silvia, de Débora Bloch)! Porque ele era inteligente, delicado, carinhoso e apaixonado pela Sol. Já o bronco do Tião…
E o mais recente desses triângulos todos foi Flora – Zé Bob – Donatela. Quando percebi que o Zé Bob estava apaixonado mesmo pela Donatela, foi fácil deduzir que ela era a mocinha, afinal, o mocinho não se apaixonaria pela bandida…
Mesmo com toda essa tradição de triângulos amorosos em novelas, minisséries e seriados, tem aqueles casos em que os personagens se veem envolvidos com até três pretendentes!
Era o caso de Quequé, da minissérie Rabo de Saia, as voltas com as três mulheres: Eleuzina, Santinha e Nicinha – em mais uma daquelas situações em que se “escolhe não escolher”; de Denizard, de O outro, divididaço entre Índia do Brasil, Laura e Glorinha da Abolição – ficando no final com a primeira; e de Ingrid, de Rainha da Sucata, a francesinha que ficou com “as três filhinhas” de Dona Armênia, Gerson, Gera e Gino!
Mais algum triangulinho?
Bem, não se trata de novela, mas a primeira vez que “visualizei” São Jorge foi n’O Sítio do Pica-pau Amarelo. Ele ficou vidrado nos bolinhos da Tia Nastácia!
Tempos depois, vi Gabriela no Vale a pena ver de novo e tudo se passava lá em São Jorge dos Ilhéus.
A novela começa com a zona cacaueira sofrendo por causa da falta de chuva.
O Coronel Ramiro Bastos – Paulo Gracindo como sempre impecável – manda-chuva da cidade, resolveu então organizar uma procissão que envolvesse a cidade inteira pedindo para que chovesse em por lá!
Acontece que todo ano tem a procissão de São Jorge na cidade, mas o esperto decidiu acrescentar mais dois “reforços” ao ato religioso: São Sebastião (santo dos ricos) e Santa Madalena (dos boêmios e das prostitutas).
São Jorge? São Jorge é o santo dos pobres. Se choveu em Ilhéus? Lógico, ou você não lembra da cena da Sônia Braga de vestido de chita azul colado ao corpo pela chuva?
Depois o outro São Jorge que me vem a memória é beeeem mais recente: o do pai do Carlão, de Pecado Capital, o seu Raimundo – interpretado pelo fofo Roberto Bonfim, no remake feito por Glória Perez da novela de Janete Clair.
Ele vivia se pegando com aquele São Jorge, pedindo pro santo dar jeito e juízo na vida do filho, mas não teve muito sucesso não…
O mais recente São Jorge que apareceu em novelas foi o do restaurante do Bernardinho, de Duas Caras, o Castelo de São Jorge, sociedade dele com Juvenal Antena, o rei da Portelinha.
Antes disso, o mais bacana de todos, em minha sincera opinião: o São Jorge de Daniel de Oliveira, na minissérie Hoje é dia de Maria – 2ª Jornada.
Entre muitos personagens, Daniel deu vida a quatro cavaleiros na minissérie: o Cavaleiro Branco ou Cavaleiro da Aurora, o Cavaleiro do Fogo, o Cavaleiro da Noite e o Cavaleiro da Justiça, que era São Jorge.
E o São Jorge da sua memória qual é?
Não sei se você vai concordar comigo, mas nunca vi uma novela mais cheia de homem frouxo do que Caminho das Índias!
É o protagonista que viajou e não levou a mocinha; é o Raj – que mesmo sendo a sensação do momento, não deixa de ser frouxo – que tem mais medo do pai do que amor pela Duda; é o Raul trouxíssimo, manipulado pela sonsa da Ivone; é o bad boy que só é valente em grupo; é o blogueiro indiano que tem medo da mulher do guarda; é o psiquiatra que não entra no escritório se o tapete não estiver no lugar; é o Tarso que parece um daqueles filhos à moda antiga, que nunca diziam não a pai e mãe.
A comprovação mais recente foi sábado, quando Bahuan esperou a festa de casamento de Maya acabar pra depois raptá-la montado em uma ridícula mulinha. E o pior: raptou a noiva errada!
Céus.
Eu sou de um tempo onde Fernando não esperou o veredicto do juiz e invadiu a cavalo o tribunal onde Cláudia estava sendo julgada em Fera Radical – pra mim essa cena faz um contraponto perfeito com a de Márcio Garcia no sábado.
E olha que eu gosto da Glória Perez, da história de vida e luta pessoal dela e das novelas e minisséries também – Hilda Furacão é minha minissérie favorita pra sempre. Mas que ela tá abusando nos homens frouxos nessa novela, isso tá.
Ironicamente, quem vai salvar a pátria será o personagem de Caio Blat, Ravi, que enfrentará meia Índia e se casará com a brasileira Camila, vivida por Isis Valverde. Digo ironicamente porque é dos tipos mais franzinos da novela e mesmo assim é quem vai ter a atitude que está faltando em muitos.
No mais, fica o apelo para que o personagem de Caco Ciocler – que foi quem salvou América com o doce-inteligente-maravilhoso-incrível-tudo Ed – pare de pegar no pé da irmã, deixe de ser tão mulherengo e engate um romance daqueles de roubar a cena com a Sílvia, de Débora Bloch.