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Alma Gemia: uma sinopse

Por André Marmota | 03/09/2009, 16h56

A estréia de Alma Gêmea no Vale a Pena Ver de Novo revela ao menos uma constatação: as novelas de Walcyr Carrasco estão na moda. Neste século, foram dele os grandes sucessos das seis: além desta, Chocolate com Pimenta e O Cravo e a Rosa – todas, não à toa, já reprisadas na hora do almoço. Sem falar que, inquestionavelmente, Caras & Bocas (de Walcyr Carrasco) é o melhor folhetim inédito em exibição na Globo.

Mas enfim. Em busca de informações sobre a história de amor entre Rafael e a índia Serena – reencarnação de Luna, ex-esposa do mocinho e assassinada com um tiro a mando de sua prima interesseira Cristina, muitos visitantes caem neste espaço utilizando uma curiosa combinação de palavras, que provocam até outro sentido: Alma Gemia. Gemia como sendo o pretérito imperfeito do verbo gemer e, evidentemente, sem acento circunflexo.

Sobre os próximos capítulos de Alma Gêmea, vale o mesmo raciocínio de Senhora do Destino: por ter sido exibida entre 2005 e 2006 (ou seja: ontem), é possível encontrar farto material sobre a história na Internet. E essa brincadeira vai continuar, a não ser que a faixa vespertina seja ocupada por novelas mais antigas, da era pré-Web.

Agora, lamento informar que não existe nenhuma novela de nome Alma Gemia. Mas se existisse, sua sinopse poderia ser algo assim.

Em plena década de 70, os irmãos Inácio, Décio e Lucrécio Pinto choram a morte de seu pai, o empresário H. Romeu Pinto, dono da Estrela Prateada, uma próspera fábrica de clipes para papel na pacata cidade de Vale Verde. A viúva e matriarca, Dona Valentina Grande, decide esconder o testamento do marido, com o intuito de promover a igualdade e fraternidade entre seus entes.

Mas a reconstrução da família Grande Pinto é interrompida quando, no tradicional Baile do Repolho, na sede da Associação Agrícola de Vale Verde, Dona Valentina é brutalmente atingida por um rastelo, arremessado do telhado. Um misto de desespero e ambição tomará conta dos irmãos, que alternarão altos e baixos em busca do assassino da mãe e do testamento perdido. As coisas se complicam quando um primo distante, Melo Pinto, retorna da Argentina e se une ao inescrupuloso prefeito, o Conde de Boa Vista, para tomar o controle da fábrica.

O episódio atrai a atenção de quatro descolados: Fred, Dafne, Velma e Salsicha. Atraídos pelo agito e curtição da Festa do Repolho, os garotos e seu cachorro Iscubidu decidem ficar em Vale Verde, em busca de respostas para o crime do rastelo. Gertrudes, a dona do pensionato, receberá não apenas os jovens, mas também figuras estranhas como Felizberto, um senhor que julga ter sido abduzido por extraterrestres. Nem mesmo suas diferenças de comportamento serão capazes de impedir uma linda história de amor.

Os mistérios ficarão ainda mais fortes quando os cidadãos de Vale Verde começarem a ouvir estranhos gemidos, durante à noite, vindos da fábrica Estrela Prateada.

Pronto, agora só falta chamar o Paulo Betti pro papel de delegado – aquele que aparecerá no fim para resolver todos os problemas da trama e ridicularizar os amigos do Iscubidu – e o Hans Donner pra bolar uma identidade visual batuta.

Checklist – De Sete Pecados a Caras & Bocas

Por Luciana | 08/07/2009, 23h07

Aproveitando o Checklist das personagens de Caminho das Índias, resolvi fazer o mesmo com a novela que atualmente é a que mais gosto: Caras & Bocas, de Walcyr Carrasco.

A novela anterior feita por Carrasco foi Sete Pecados e, assim como a atual, também passava no horário das sete.

Pra começo de conversa, o primeiro da lista tem que ser o diretor Jorge Fernando, que não veio de Sete Pecados, mas de Alma GêmeaChocolate com Pimenta – também novelas de Walcyr, mas só que de época e das seis.

Agora vamos aos atores!:

Amanda de Azevedo

Ary Fontoura

Carina Porto

Elizabeth Savala

Hilda Rebello

Julia Ruiz

Malvino Salvador

Marcelo Barros

Maria Zilda Bethlem

Rafael Zulu

Renata Castro Barbosa

Ricardo Duque

Sidney Sampaio

Thalma de Freitas

Wagner Santisteban

E mais David Lucas, Fulvio Stefanini, Fernanda Machado, Ana Lúcia Torre e Flávia Alessandra, de Alma Gêmea.

PS – Um comentário sobre a novela: se, em O cravo e a rosa, Catarina e Petruchio se tratavam carinhosamente de “onça” e “grosseirão, agora Dafne e Gabriel também resolveram ser “gentis” um com o outro em Caras & Bocas – enquanto ela é “dondoca”, ele é o “tosco”. Ah, as fórmulas…

Quando o patinho feio vira cisne

Por Luciana | 24/06/2009, 11h11

Dia desses, vasculhando vídeos de novelas no Youtube, revi uma cena memorável que fez nascer a vontade de escrever um texto que falasse das grandes transformações de personagens de novela.

Não se trata de transformações em que os atores novinhos, ao passar 20, 30 anos, são substituídos por atores maduros, como aconteceu em O casarão, Renascer, Senhora do destino e tantas outras.

Na verdade, eu me refiro àqueles personagens “patinhos feios”, que um belo dia ganham um banho de loja, um dia de princesa, e se transformam em cisnes – tipo Betty, a feia, manja?

A recordação mais antiga que tenho em relação a esse tipo de personagem é da Elisa, de Amor com amor se paga. Filha do avarento Nonô Correa, a transformação de Elisa veio depois que ela se casou e teve grana pra se vestir melhor, arrumar os cabelos, se maquiar.  Antes, era a própria Gata Borralheira.

Depois veio a Léo, de Vereda Tropical. Interpretada por Cristina Mullins, Maria Leopoldina mantinha uma paixão secreta por Marco, vivido por Paulo Betti. O problema é que além dele ser cego de amores pela Silvana, a Léo era gordinha e se vestia como um homem. Até o belo dia em que ela resolveu virar o jogo e começou a malhar sozinha e escondida. Mesmo assim, continuava a se vestir com roupas folgadas e visual desleixado. Até que apareceu linda, loura e magra na frente do Marco. Foi irresistível!

Em Livre para voar, Pardal se apaixona por uma operária da fábrica de cristais, sem saber que na verdade ela era a filha do dono da fábrica! Carla Camuratti deu vida à Bebel/Cristina e quando assumiu a verdadeira identidade foi uma mudança em tanto também…

Mas em Roque Santeiro a coisa mais linda era a Dona Lulu, de Cássia Kiss, querendo descobrir o mundo que o marido, Zé das Medalhas fingia não existir. Quanta diferença fizeram um batom e umas roupas novas em Dona Lulu… Sem contar o cabelo ao vento!

Em Tititi, a certinha Eduarda, ao se ver “traída” pelo namorado com a melhor amiga, vira punk! Uma visão meio distorcida dos punks, onde se vestir de preto, carregar na maquiagem e não tomar banho era lei…

Em Brega & Chique, a brega virou chique e a chique virou brega. Rosemere começou a ter aulas de etiqueta com Rafaela que, por sua vez, começou a vender quentinha pra fora.

A feirante Tancinha também foi uma que mudou muito. As roupas provocantes, o cabelo de juba de leão, o português incrivelmente errado, os modos estabanados foram todos trabalhados na escola de etiqueta Femina, em Sassaricando, tudo patrocinado pelo namorado publicitário Beto.

Já em Vale Tudo, a no início jeca Raquel com o passar de um ano voltou por cima, dona de um bufê, com roupas modernas e com cabelos tão esvoaçantes quanto os de Dona Lulu, só com a diferença do estilo cacheadão ao invés do liso puro da primeira.

Teve também o Sassá Mutema, de O Salvador da Pátria. Seria forçar a barra demais dizer que ele se transformou de patinho feio em cisne, mas que mudou, mudou. De bóia-fria virou político todo engravatado.

Cisne mesmo (eu diria príncipe!) quem virou foi o Doca, de Cássio Gabus Mendes, em Meu bem, meu mal. Dentro de um plano de vingança de Madame Mimi, Doca teve aulas de etiqueta, fez a barba, mudou o figurino e virou Eduardo Costabrava. Tudo pra conquistar a filha de Isadora Venturini, alvo de Mimi… Cássio Gabus em seu momento melhor (mentira, o momento melhor dele pra mim é Anos Rebeldes).

Em Lua cheia de amor, mais uma jeca – só que bem pior que a Raquel, de Vale Tudo -, Dona Genú. Marília Pêra interpretava a feirante que tinha aulas de boas maneiras para não envergonhar a filha perante aos pais do namorado. Inesquecível a frase de efeito que ela era treinada para dizer: “O Sol invade a sala”!

A Malu, de Viviane Pasmanter, só mudou mesmo no último capítulo de Mulheres de Areia, aparecendo toda de branco no meio do mato, diante de Alaor. Justo ela que passou a novela inteira vestida de preto, com os cabelos arrepiados e aquela maquiagem mais pesada que tudo…

Na divertida Quatro por Quatro, Tatiana era das mulheres vingativas a mais patinho feio. Usava óculos, gaguejava, andava com uns vestidões de maria-mijona. Até que ela conheceu o Bruno e decidiu dar um tapa no visual, deixando Cristiana Oliveira mostrar toda a beleza estrábica que lhe é peculiar.

Outra que foi discreta na mudança foi a bóia-fria e sem-terra Luana, que despertou o amor nada mais nada menos do que do Rei do Gado – só em novela mesmo. O chapelão para proteger do sol deu lugar aos cachos bem definidos de Patrícia Pillar, que começou a usar vestidinhos leves e de cores suaves.

Outra sem sal era a Dorothy, de A Indomada. Irmã da exuberante Scarlett, Dorothy era patinho feio total. Mais uma vez o amor foi o responsável pela transformação de uma personagem. Ao se apaixonar por Artêmio, Dorothy deixou a beleza de Flávia Alessandra vir à tona, sendo o primeiro papel de destaque da atriz.

Um adendo aqui: geralmente as transformações em novela são por conta da descoberta do amor ou da desilusão no amor…

Em Pecado Capital, a operária Lucinha viu a vida mudar de uma hora pra outra quando foi escolhida para estrelar uma campanha publicitária da empresa. Continuou bronca e barraqueira, mas os cabelos… Quanta diferença! Carolina Ferraz sempre fica mais linda de cabelo curto. Ela só não contava com a participação de Vera Fischer na reta final da novela e acabou perdendo o Salviano pra personagem da Vera. Difícil duelar com uma deusa…

Além de Malu, Viviane Pasmanter viu Maria João, de Uga Uga, também se tranformar quando Baldoque voltou. Da casca grossa mecânica, Maria passou a usar vestidinhos azuis, floridos, etc. e tal. E o mais engraçado é que assim como o Alaor, o Baldoque era vivido pelo Humberto Martins.

Assim como a Tatiana, de Quatro por Quatro, a Dorothy, de A Indomada, a Léo, de Vereda Tropical e a Elisa, de Amor com amor se paga, a Ana Francisca, de Chocolate com Pimenta, também usava óculos – óculos são sempre usados como recurso para enfeiar alguém na TV; puro preconceito. Depois de anos fora da cidade-natal, Aninha volta linda, rica e ruiva querendo vingança, mas tudo acaba em torta na cara nessa novela, e ela é feliz pra sempre com o Danilo.

Já em América, a Sol atravessa o deserto até chegar aos Estados Unidos para trabalhar como garçonete e dançarina. A pele queimada de sol, a expressão eterna de sofredora e as roupas andrajosas ficam pra trás e Sol muda da água pro vinho, com direito a maquiagem cintilante e modelitos curtinhos, justinhos, brilhosinhos…

Tão brilhosinhos quanto os ternos do Foguinho, de Cobras & Lagartos. Ao se apossar de uma herança que não foi deixada para ele, a personagem interpretada por Lázaro Ramos virou o perfeito novo rich, comendo profiteroles às pampas e cheio das jóias e brilhos. Ostentação pura que ele justificava com o fato de já ter sido muito humilhado no tempo que era homem-sanduíche na Saara.

Em Paraíso Tropical quem pediu ajuda a uma professora de boas maneiras foi a Bebel, vivida por Camila Pitanga. As roupas, os penteados e a maquiagem melhoraram, mas o vocabulário foi difícil de mudar… Impagável a frase feita – a exemplo de My fair lady – que Bebel repetiu exaustivamente no casamento de Camila e Fred: “Que boa idéia esse casamento primaveril em pleno outono!”.

Vale citar também dois casos de cisnes que viraram patinhos feios! Me refiro a Maria do Carmo, de Rainha da Sucata, que amargou uma fase “sucateeeeeeeeira” no meio da novela; e a Bianca, de Caras & Bocas que em breve largará o ar de patricinha adorável para começar a trabalhar como garçonete do bar do pai – a TREVA!

Finalmente, a transformação que motivou esse texto: a da personagem vivida por Yoná Magalhães em Tieta, Tonha.

Amiga de meninice de Tieta, Tonha casou cedo com Zé Esteves, se tornando madrasta da amiga. Maltratada toda a vida pelo marido avarento, Tonha ganhou de presente de Tieta uma viagem a São Paulo assim que ficou viúva do traste.

Eu não sei de você, mas eu acho essa cena demais. Só Aguinaldo Silva e a equipe dele pra escrever!

Seu Nonô Correa fazendo Caras & Bocas

Por Luciana | 19/04/2009, 14h14

Quinta-feira passada houve uma explosão em uma mina em Caras & Bocas.

No dia seguinte, eu de bobeira no sofá, a secretária aqui de casa surge na sala e:

- Ei, Luciana, tu vistes a novela das sete ontem?
- Algumas partes…
- Vistes a explosão que teve?
- Ah, sim…
- O seu Nonô Correa vai morrer?

Um minuto de silêncio pra minha cara olhando pra ela.

Depois de responder que ele ia morrer sim e dela ter feito uma cara triste pela morte dele, eu fiquei lembrando que talvez Amor com amor se paga, a novela do “seu Nonô Correa”, tenha sido a primeira que eu vi com o Ary Fontoura – e vi na companhia de minha interlocutora, que já trabalha em minha casa há quase 30 anos.

De 1984 pra cá, Ary Foutoura já fez tantos e tantos trabalhos… O prefeito de Asa Branca, em Roque Santeiro; terníssimo Romeu, de Hipertensão – que afinal era o pai verdadeiro da Carina -; os igualmente malucos Nero, de Bebê a bordo, e Artur da Tapitanga, de Tieta; o atrapalhado médium Seu Tibério, da melhor-novela-do-mundo A viagem; o deputado Pitágoras, que de tão bom apareceu em A indomada e em Porto dos Milagres; o “meninão” Ludovico, de Chocolate com pimenta; um outro Romeu, dessa vez às voltas com uma Julieta querida, vivida por Nicette Bruno, em Sete Pecados; e o rouba-cenas Silveirinha, de A favorita, que chegou até a ser cotado como o possível assassino de Marcelo Fontini, mesmo o autor dizendo desde sempre que só podia ser Flora ou Donatela…

Mesmo com toda essa galeria de sucessos – e olha que aí estão listados só os personagens de novelas que eu vi e me lembro de 1984 em diante – ela foi lembrar justamente do “seu Nonô Correa”!

Eu só posso acreditar que esse é um daqueles casos de personagens inesquecíveis – é que nem a Jô Penteado pra mim: logo depois de A gata comeu, Christiane Torloni fez a Fernanda, do remake de Selva de Pedra, e, apesar dela não ser a mocinha, era por ela que eu torcia, por conta da Jô – até porque, convenhamos, a Fernanda vivida por Christiane Torloni dava de dez a zero na insossa Simone, de Fernanda Torres! Até mesmo depois da Diná, de A viagem, a lembrança da Jô ainda é a mais forte, acho que por ter sido a primeira.

E o melhor é que daqui a pouco, quando minha secretária voltar do final de semana na casa do namorado, poderei contar o que o André pertinentemente observou: o corpo do “seu Nonô Correa” foi dado como desaparecido, logo, ele pode não ter morrido de fato…

PS – Ainda falando sobre Caras & Bocas: incrível a semelhança entre a ex-paquita Thalita Ribeiro (a atriz que viveu a Dafne jovem) e a Flávia Alessandra, que interpreta a personagem na fase adulta. Além da semelhança, a Thalita trabalhou muito bem, pena que foi só no primeiro capítulo a participação.

Guloseimas das novelas

Por Luciana | 20/03/2009, 14h30

Prometi à Lu, do Guloseima, que faria um texto sobre os acepipes das novelas, afinal, assim como nós, as personagens também cozinham e comem…

Por questões literário-sentimentais, a primeira lembrança que me veio à cabeça foi a de Gabriela, cozinhando e encantando Nacib (e todos os clientes do Vesúvio) com os quitutes baianos: acarajé, vatapá, moqueca… Sem contar que ela própria, Gabriela, era feita de cravo e canela.

Quando uma novela conta com um bar, restaurante, lanchonete, padaria ou buffet, pode ter certeza que todos os personagens só irão até esse estabelecimento, como se ele fosse o único de toda São Paulo, de todo Rio de Janeiro; como se fosse, enfim, o point do momento.

E esses estabelecimentos são muitos: o buffet Marrom Glacê, de Madame Clô; a rede de cantinas da Mamma Vitória; a creperia Chez Silvie, de Vamp; o Pão Português, de Negócio da China; o restaurante grego Tebas, de Belíssima; o Monsieur Vatel, de Senhora do Destino; a cantina La Tavola de Michele, de Bina, em Vereda Tropical; o Castelo de São Jorge, de Duas Caras, o Bar da Dona Jura, em O Clone; o Frigideira, de Paraíso Tropical; o Pão com Linguiça, de A Favorita; a rede de padarias de Auxi e Alce, em Quatro por Quatro; o restaurante da livraria Dom Casmurro, de Laços de Família; a lanchonete Mingau, onde Virgínia foi trabalhar em Ciranda de Pedra; o bar Flor do Douro, de Sabor da Paixão; o restaurante de Vitório, em Alma Gêmea; a empresa de catering Paladar, de Raquel Acioli em Vale Tudo.

Muitos desses lugares tinham especialidades, como o famoso pastel da Dona Jura; o sanduíche natural que Raquel vendia pela praia de Vale Tudo; o bacalhau do Bernadinho do Castelo de São Jorge, que ficava na Portelinha; o bolinho de bacalhau do Flor do Douro; as saladinhas da Dom Casmurro; a galinha feita por Esmeralda, em Coração de Estudante

E o que dizer dos títulos de novela sugestivos como Pão pão, Beijo Beijo, Chocolate com Pimenta e Sabor da Paixão?

Mais sugestivos ainda eram os pratos afrodisíacos preparados pela bibliotecária Ilka Tibiriçá para o seu Ataliba Timbó com quem “só casando” ela iria ficar em Fera Ferida

Também teve muita gente que ganhou a vida em novela fazendo quentinha, como a ex-milionária Rafaela, de Brega & Chique; sendo garçom, como o conde de Parma fajuto, de A Gata Comeu; produzindo queijos como o Petruchio, de O Cravo e a Rosa; fazendo bolos e tortas como na Deli de Hilda, de Mulheres Apaixonadas ou como a Clarisse, de Sete Pecados; preparando tapioca na rua, como a Preta, de Da Cor do Pecado.

Outros, já com a vida ganha, só quiseram desfrutar de profiteroles, como o Foguinho, de Cobras & Lagartos; ficar sarados como os filhos da Mamuska, ao tomar a sopa fortificante que ela preparava; se deliciar com o leitão a pururuca de Dona Purezinha, de Desejo Proibido; e até mesmo, num clima divertidamente mórbido, beber sangue congelado, como os vampiros de Vamp.

Tem determinadas cenas envolvendo comidas que eu preciso lembrar aqui: a mais do que comentada cena do puro desperdício onde Paulo Autran e Fernanda Montenegro jogam o café da manhã inteiro um na cara do outro – depois o povo não entende os motivos do Paulo Autran ter raramente topado fazer TV; a italiana Leonora dando alcachofra no jantar dos patrões brasileiros e a surpresa que eles tiveram ao ver aquela “flor” para ser comida com as mãos, ali, dentro do prato deles; e a homenagem à Miriam Pires, que faleceu durante as gravações de Senhora do Destino, onde o livro A cozinha de Dona Clementina foi lançado.

Como o texto começa citando motivos literário-sentimentais, assim ele terminará: com a lembrança de Dona Flor e seus Dois Maridos – que não foi novela, foi minissérie, eu sei – e da escola de culinária dela, a Sabor & Arte, com a qual Vadinho fazia o trocadilho mais deliciosamente canalha que consigo lembrar agora: – Flor, quero saborear-te.

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