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Porque nós adoramos novelas!

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Isa TKM: em pensar que eu via Carrossel…

Por Luciana | 20/07/2009, 11h11

Eu não sei se ele é exatamente o público-alvo de Isa TKM, mas o fato é que o rapazinho de seis anos aqui de casa assiste a novelinha da Nickelodeon todos os dias – tipo, ele não vê Caras & Bocas, ele vê Isa TKM.

Pois bem.

Dia desses, resolvi acompanhar um capítulo com ele. Novelinha vai, novelinha vem, indaguei:

- Esse aí que é o namorado da Isa?

- Não… Eles já se beijaram, mas não são namorados…

- Hum… Mas por que não?

- Ah, porque ele tem medo de magoá-la.

* um minuto de silêncio.

Nessas horas, invariavelmente a gente cai na gargalhada e enche ele de beijos, sem medo de magoá-lo.

Dona Beija no SBT: isso sim vale a pena ver de novo!

Por Luciana | 09/04/2009, 11h11

Por que eu sou fã do Silvio Santos?

Eu poderia dizer que é pelo Domingo no Parque da minha infância, pelo Qual é a música, pelo Namoro na TV, pelas Portas da Esperança.

Poderia ser também pelo Teleton ou pelo Show do Milhão ou pela Casa dos Artistas.

Poderia ser pelo Show de Calouros, pela Sessão das Dez que todas as filhas dele assistiram ao filme e recomendam, pelas novelas mexicanas – atire a primeira pedra quem não viu Carrossel.

Poderia ser também porque ele sempre dá um jeito de encaixar o Chaves nos horários mais malucos e ainda assim ter aquela audiência cativa.

Mas eu gosto do Silvio Santos – não só por tudo isso que citei – pelo poder que ele tem de surpreender.

O André já tinha até feito um post sobre Ana Raio & Zé Trovão aqui e todo mundo estava dando como certa a reprise da novela com a Ingra Liberato e o Almir Sater.

Pois bem.

Segunda-feira, lindo-louro-e-japonês, o Silvio Santos coloca Dona Beija na grade do SBT!

Isso sim é um “Vale a pena ver de novo” digno, afinal, a novela é de 1986, 23 anos atrás.

É bacana lembrar que quando a Manchete iniciou, o Bloch e o Marinho fizeram um acordo de cavalheiros no qual o primeiro não produziria novelas. Mas depois do sucesso da primeira transmissão de carnaval da Sapucaí, feita pela Manchete, o velho Bloch decidiu que queria ampliar sua aventura: a partir dali, iria fazer novela.

Em 1986 eu tinha seis, sete anos e lembro bem pouco da novela porque meus pais me cortavam geral de vê-la.

Mas lembro que eu tinha curiosidade em ver porque a novela era com a Maitê Proença e o Grancindo Jr. e um pouco antes eles tinham feito Marquesa de Santos – também pela Manchete – e essa eu tinha não só assistido como também gravado no novíssimo videocassete comprado por meus pais.

Marquesa de Santos passava à tarde e como eles trabalhavam, me instruíram a gravar os capítulos – dar pause nos intervalos e tudo mais. Eu me acha o máximo cumprindo essa tarefa!

Cara, eu achava a Maitê a mulher mais linda do mundo. Queria ter aquele cabelão dela, cheio de tranças, mas meu cabelo era curtinho que nem de menino quando eu era criança…

Uns anos depois, a própria Manchete reapresentou Dona Beija e pude ver umas cenas a mais.

Lembro nitidamente da abertura, da música – “beija-flor beija a menina / quem a fez assim tão divina / que lhe deu a pele tão pela / feito sol de primavera / senhora de tantos amores / a dona de Araxá / senhora também das dores / do povo de Araxá…” -; lembro dos banhos de cachoeira e do lance da lama ter poderes rejuvenescedores.

Lembro que o Ouvidor matou o avô da Ana – era o nome da Dona Beija – e a sequestrou, mas que quando transou com ela pela primeira vez amargou não ter sido o primeiro homem dela como ele gostaria – ela já tinha transado com o noivo, o Antônio, rá!; lembro que ela voltou para Araxá no dia do noivado ou do casamento do Antônio com a Aninha – a insossa Bia Seidl, que eu não curtia desde os tempos em que ela fazia a Gláucia, de A gata comeu! – lembro da Chácara do Jatobá e do Antônio indo lá noites e noites e da Beija escolhendo homens e homens menos ele.

Lembro que minha mãe comentava que o Clodovil uma vez ganhou um programa chamado “8 ou 800″, onde tinha que saber tudo sobre a vida de alguma personalidade – e ele sabia tudo sobre Dona Beija.

E mais não lembro e nem preciso, afinal, agora poderei ver tudo outra vez. ;)

Rabito, Rabito, rá rá rá!

Por Luciana | 16/03/2009, 16h16

Entre duendes e fadas A terra encantada espera por nós Abra o seu coração, Em uma canção, em uma só voz”

Um dia desses, idealizando Top 5 esdrúxulos que eu jamais faria, pensei nesse: Top 5 de Cachorros de Novela. Seria uma bela ironia porque, na vida real, eu morro de medo de cachorro, mas na televisão eu adoro!

Aconteceu que meu Top 5 não passou de um Top 2 porque não consegui lembrar de cinco cachorros além do Maradona de Gaspar Kundera & família e do Rabito! Rabito, Rabito, rá rá rá! Hahahahahahahahahahahaha!

Como eu jamais faria um Top 5 que dirá um Top 2 desse naipe, esse texto vai ser todo dedicado ao Rabito e a sua turma, afinal, ele é Top 1 total pra quem assistiu à novela Carrossel.

Na época, a Globo passava em seu horário nobre a novela O Dono do Mundo: a Malu Mader era virgem e noiva de um cara; o Antônio Fagundes era chefe do noivo dela e a desvirginou antes do casamento, antes do noivo. Novelão…

Foi quando a professora Helena abriu as portas da Escola Mundial e seus alunos começaram a povoar a vida de muitas, muitas crianças e pré-adolescentes no Brasil. Eu incluso.

Eu não sei na sua escola, mas na minha todo mundo “brincava” de Carrossel, apelidando uns aos outros pelos nomes das personagens. Era tão séria a coisa que a menina mais inteligente da sala ia com o cabelo partido pro lado e duro de gel, idêntico ao da Maria Joaquina! E é lógico que eu não vou dizer quem eu era…

A história de Carrossel era bem mais acessível que a d’O Dono do Mundo: alunos de uma turminha de 2ª série viviam conflitos familiares e aventuras divertidas, sempre permeando suas ações com algum tipo de “mensagem do bem”, e tendo como eterna guardiã a professora Helena.

Era fácil gostar de Carrossel porque todos os estereótipos estavam lá; tudo o que a gente já foi um dia – ou ainda é.

Tinha o Cirilo que, era apaixonado e desprezado pela garota mais bonita, rica e inteligente da sala, Maria Joaquina, que por sua vez era preconceituosa e arrogante. A Laura, a menina gorda e romântica que é zoada por todos, mas que não liga muito porque afinal adora comer – nomeei de gorda porque acho hipocrisia chamá-la de “gordinha”. O Daniel, por quem a Laurinha era apaixonada.

Estudioso, amigo e cavalheiro – não à toa ele era o Presidente da Patrulha Salvadora!

O Jorge, o menino que chega de outra escola, arranca suspiros no início, mas depois mostra que é um chatinho. O Kokimoto e o Paulo, os endiabrados que pregavam tachinhas nas cadeiras dos colegas além de artimanhas mais pesadas, que faziam a irmã de Paulo, Marcelina, ficar sempre preocupada com ele. A Carmem, que convivia em casa com a crise do casamento dos pais e ia mal nos estudos por conta disso. A Bibi, que era de outro país, outra cultura.

O Jaime Palilo, querido e inesquecível, dono de um coração tão grande quanto ele próprio; sempre complicado nos estudos, a força do Jaime vinha da família amorosa que ele tinha. O Davi, judeuzinho que tinha uma tartaruguinha de estimação, era muito amigo da avozinha dele e apaixonado pela Valéria. A Valéria, a menina de óculos, sempre armando alguma travessura, mesmo sendo louca pela professora Helena.

E tinha o Mário. Sem piadinhas, por favor. O Mário era órfão de mãe e tinha uma madrasta que fez curso com as madrastas da Branca de Neve e da Cinderela. Ele chegou à turma como o garoto problemático, bem pior que Paulo e Koki. Mas tudo acabou mudando quando o pastor alemão Rabito apareceu na vida dele.

Eu devo confessar que chorei muito com o Mário. Toda vez que ele era ameaçado de ficar sem aquele cachorro era terrível pra mim.

Quem já rotulou ou já foi rotulado na vida entende e se identifica com Carrossel porque, repito, estão todos lá: o apaixonado desprezado, a bonita e preconceituosa, a gorda romântica, o nerd, o chato, os arteiros, a irmã caçula ignorada na escola, a filha de pais separados, a gringa, o burro amigão, o judeu, a quatro olhos, o órfão.

O órfão que tinha como melhor amigo um cachorro que, de tão querido por todos, era membro honorário da já citada Patrulha Salvadora – uma espécie de clube dos meninos, onde ao invés de se dedicarem a jogos e brincadeiras, se detinham em ajudar os amigos – que sonho de crianças, não?

A impressão que tenho hoje em dia é que foi sonho mesmo. Até pra eles, já que muitos dos atores só trabalharam em Carrossel e depois seguiram outras carreiras. Até pro SBT, que hoje em dia está trabalhando em uma adaptação da novela, a ser ambientada em uma escola municipal da periferia de São Paulo…

Eu não sei. Carrossel pra mim é aquela de 16 anos atrás, com aquela imagem ora verde, ora azul, com aquela dublagem, com aquele ambiente. Com as bichorras, com dois atores interpretando o Firmino, com o São Martim dos Pobres, com os cafés da manhã que pareciam almoço – um universo todo mexicano que pra gente passava natural. Bem mais natural que Antonio Fagundes na pele de um vilão…

Carrossel pra mim sou eu, você e todas as crianças que viveram aqueles dias. Brasileiras, mexicanas, ricas, pobres – crianças.

Carrossel pra mim é a lembrança do Rabito que era um cachorro que eu adorava, mesmo morrendo de medo de cachorro. Carrossel pra mim é uma celebração das mais divertidas: Rabito, Rabito, rá rá rá!

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