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Porque nós adoramos novelas!

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Seu Nonô Correa fazendo Caras & Bocas

Por Luciana | 19/04/2009, 14h14

Quinta-feira passada houve uma explosão em uma mina em Caras & Bocas.

No dia seguinte, eu de bobeira no sofá, a secretária aqui de casa surge na sala e:

- Ei, Luciana, tu vistes a novela das sete ontem?
- Algumas partes…
- Vistes a explosão que teve?
- Ah, sim…
- O seu Nonô Correa vai morrer?

Um minuto de silêncio pra minha cara olhando pra ela.

Depois de responder que ele ia morrer sim e dela ter feito uma cara triste pela morte dele, eu fiquei lembrando que talvez Amor com amor se paga, a novela do “seu Nonô Correa”, tenha sido a primeira que eu vi com o Ary Fontoura – e vi na companhia de minha interlocutora, que já trabalha em minha casa há quase 30 anos.

De 1984 pra cá, Ary Foutoura já fez tantos e tantos trabalhos… O prefeito de Asa Branca, em Roque Santeiro; terníssimo Romeu, de Hipertensão – que afinal era o pai verdadeiro da Carina -; os igualmente malucos Nero, de Bebê a bordo, e Artur da Tapitanga, de Tieta; o atrapalhado médium Seu Tibério, da melhor-novela-do-mundo A viagem; o deputado Pitágoras, que de tão bom apareceu em A indomada e em Porto dos Milagres; o “meninão” Ludovico, de Chocolate com pimenta; um outro Romeu, dessa vez às voltas com uma Julieta querida, vivida por Nicette Bruno, em Sete Pecados; e o rouba-cenas Silveirinha, de A favorita, que chegou até a ser cotado como o possível assassino de Marcelo Fontini, mesmo o autor dizendo desde sempre que só podia ser Flora ou Donatela…

Mesmo com toda essa galeria de sucessos – e olha que aí estão listados só os personagens de novelas que eu vi e me lembro de 1984 em diante – ela foi lembrar justamente do “seu Nonô Correa”!

Eu só posso acreditar que esse é um daqueles casos de personagens inesquecíveis – é que nem a Jô Penteado pra mim: logo depois de A gata comeu, Christiane Torloni fez a Fernanda, do remake de Selva de Pedra, e, apesar dela não ser a mocinha, era por ela que eu torcia, por conta da Jô – até porque, convenhamos, a Fernanda vivida por Christiane Torloni dava de dez a zero na insossa Simone, de Fernanda Torres! Até mesmo depois da Diná, de A viagem, a lembrança da Jô ainda é a mais forte, acho que por ter sido a primeira.

E o melhor é que daqui a pouco, quando minha secretária voltar do final de semana na casa do namorado, poderei contar o que o André pertinentemente observou: o corpo do “seu Nonô Correa” foi dado como desaparecido, logo, ele pode não ter morrido de fato…

PS – Ainda falando sobre Caras & Bocas: incrível a semelhança entre a ex-paquita Thalita Ribeiro (a atriz que viveu a Dafne jovem) e a Flávia Alessandra, que interpreta a personagem na fase adulta. Além da semelhança, a Thalita trabalhou muito bem, pena que foi só no primeiro capítulo a participação.

Dona Beija no SBT: isso sim vale a pena ver de novo!

Por Luciana | 09/04/2009, 11h11

Por que eu sou fã do Silvio Santos?

Eu poderia dizer que é pelo Domingo no Parque da minha infância, pelo Qual é a música, pelo Namoro na TV, pelas Portas da Esperança.

Poderia ser também pelo Teleton ou pelo Show do Milhão ou pela Casa dos Artistas.

Poderia ser pelo Show de Calouros, pela Sessão das Dez que todas as filhas dele assistiram ao filme e recomendam, pelas novelas mexicanas – atire a primeira pedra quem não viu Carrossel.

Poderia ser também porque ele sempre dá um jeito de encaixar o Chaves nos horários mais malucos e ainda assim ter aquela audiência cativa.

Mas eu gosto do Silvio Santos – não só por tudo isso que citei – pelo poder que ele tem de surpreender.

O André já tinha até feito um post sobre Ana Raio & Zé Trovão aqui e todo mundo estava dando como certa a reprise da novela com a Ingra Liberato e o Almir Sater.

Pois bem.

Segunda-feira, lindo-louro-e-japonês, o Silvio Santos coloca Dona Beija na grade do SBT!

Isso sim é um “Vale a pena ver de novo” digno, afinal, a novela é de 1986, 23 anos atrás.

É bacana lembrar que quando a Manchete iniciou, o Bloch e o Marinho fizeram um acordo de cavalheiros no qual o primeiro não produziria novelas. Mas depois do sucesso da primeira transmissão de carnaval da Sapucaí, feita pela Manchete, o velho Bloch decidiu que queria ampliar sua aventura: a partir dali, iria fazer novela.

Em 1986 eu tinha seis, sete anos e lembro bem pouco da novela porque meus pais me cortavam geral de vê-la.

Mas lembro que eu tinha curiosidade em ver porque a novela era com a Maitê Proença e o Grancindo Jr. e um pouco antes eles tinham feito Marquesa de Santos – também pela Manchete – e essa eu tinha não só assistido como também gravado no novíssimo videocassete comprado por meus pais.

Marquesa de Santos passava à tarde e como eles trabalhavam, me instruíram a gravar os capítulos – dar pause nos intervalos e tudo mais. Eu me acha o máximo cumprindo essa tarefa!

Cara, eu achava a Maitê a mulher mais linda do mundo. Queria ter aquele cabelão dela, cheio de tranças, mas meu cabelo era curtinho que nem de menino quando eu era criança…

Uns anos depois, a própria Manchete reapresentou Dona Beija e pude ver umas cenas a mais.

Lembro nitidamente da abertura, da música – “beija-flor beija a menina / quem a fez assim tão divina / que lhe deu a pele tão pela / feito sol de primavera / senhora de tantos amores / a dona de Araxá / senhora também das dores / do povo de Araxá…” -; lembro dos banhos de cachoeira e do lance da lama ter poderes rejuvenescedores.

Lembro que o Ouvidor matou o avô da Ana – era o nome da Dona Beija – e a sequestrou, mas que quando transou com ela pela primeira vez amargou não ter sido o primeiro homem dela como ele gostaria – ela já tinha transado com o noivo, o Antônio, rá!; lembro que ela voltou para Araxá no dia do noivado ou do casamento do Antônio com a Aninha – a insossa Bia Seidl, que eu não curtia desde os tempos em que ela fazia a Gláucia, de A gata comeu! – lembro da Chácara do Jatobá e do Antônio indo lá noites e noites e da Beija escolhendo homens e homens menos ele.

Lembro que minha mãe comentava que o Clodovil uma vez ganhou um programa chamado “8 ou 800″, onde tinha que saber tudo sobre a vida de alguma personalidade – e ele sabia tudo sobre Dona Beija.

E mais não lembro e nem preciso, afinal, agora poderei ver tudo outra vez. ;)

Guloseimas das novelas

Por Luciana | 20/03/2009, 14h30

Prometi à Lu, do Guloseima, que faria um texto sobre os acepipes das novelas, afinal, assim como nós, as personagens também cozinham e comem…

Por questões literário-sentimentais, a primeira lembrança que me veio à cabeça foi a de Gabriela, cozinhando e encantando Nacib (e todos os clientes do Vesúvio) com os quitutes baianos: acarajé, vatapá, moqueca… Sem contar que ela própria, Gabriela, era feita de cravo e canela.

Quando uma novela conta com um bar, restaurante, lanchonete, padaria ou buffet, pode ter certeza que todos os personagens só irão até esse estabelecimento, como se ele fosse o único de toda São Paulo, de todo Rio de Janeiro; como se fosse, enfim, o point do momento.

E esses estabelecimentos são muitos: o buffet Marrom Glacê, de Madame Clô; a rede de cantinas da Mamma Vitória; a creperia Chez Silvie, de Vamp; o Pão Português, de Negócio da China; o restaurante grego Tebas, de Belíssima; o Monsieur Vatel, de Senhora do Destino; a cantina La Tavola de Michele, de Bina, em Vereda Tropical; o Castelo de São Jorge, de Duas Caras, o Bar da Dona Jura, em O Clone; o Frigideira, de Paraíso Tropical; o Pão com Linguiça, de A Favorita; a rede de padarias de Auxi e Alce, em Quatro por Quatro; o restaurante da livraria Dom Casmurro, de Laços de Família; a lanchonete Mingau, onde Virgínia foi trabalhar em Ciranda de Pedra; o bar Flor do Douro, de Sabor da Paixão; o restaurante de Vitório, em Alma Gêmea; a empresa de catering Paladar, de Raquel Acioli em Vale Tudo.

Muitos desses lugares tinham especialidades, como o famoso pastel da Dona Jura; o sanduíche natural que Raquel vendia pela praia de Vale Tudo; o bacalhau do Bernadinho do Castelo de São Jorge, que ficava na Portelinha; o bolinho de bacalhau do Flor do Douro; as saladinhas da Dom Casmurro; a galinha feita por Esmeralda, em Coração de Estudante

E o que dizer dos títulos de novela sugestivos como Pão pão, Beijo Beijo, Chocolate com Pimenta e Sabor da Paixão?

Mais sugestivos ainda eram os pratos afrodisíacos preparados pela bibliotecária Ilka Tibiriçá para o seu Ataliba Timbó com quem “só casando” ela iria ficar em Fera Ferida

Também teve muita gente que ganhou a vida em novela fazendo quentinha, como a ex-milionária Rafaela, de Brega & Chique; sendo garçom, como o conde de Parma fajuto, de A Gata Comeu; produzindo queijos como o Petruchio, de O Cravo e a Rosa; fazendo bolos e tortas como na Deli de Hilda, de Mulheres Apaixonadas ou como a Clarisse, de Sete Pecados; preparando tapioca na rua, como a Preta, de Da Cor do Pecado.

Outros, já com a vida ganha, só quiseram desfrutar de profiteroles, como o Foguinho, de Cobras & Lagartos; ficar sarados como os filhos da Mamuska, ao tomar a sopa fortificante que ela preparava; se deliciar com o leitão a pururuca de Dona Purezinha, de Desejo Proibido; e até mesmo, num clima divertidamente mórbido, beber sangue congelado, como os vampiros de Vamp.

Tem determinadas cenas envolvendo comidas que eu preciso lembrar aqui: a mais do que comentada cena do puro desperdício onde Paulo Autran e Fernanda Montenegro jogam o café da manhã inteiro um na cara do outro – depois o povo não entende os motivos do Paulo Autran ter raramente topado fazer TV; a italiana Leonora dando alcachofra no jantar dos patrões brasileiros e a surpresa que eles tiveram ao ver aquela “flor” para ser comida com as mãos, ali, dentro do prato deles; e a homenagem à Miriam Pires, que faleceu durante as gravações de Senhora do Destino, onde o livro A cozinha de Dona Clementina foi lançado.

Como o texto começa citando motivos literário-sentimentais, assim ele terminará: com a lembrança de Dona Flor e seus Dois Maridos – que não foi novela, foi minissérie, eu sei – e da escola de culinária dela, a Sabor & Arte, com a qual Vadinho fazia o trocadilho mais deliciosamente canalha que consigo lembrar agora: – Flor, quero saborear-te.

Do dia em que encontramos a Jô e o professor na Urca

Por Luciana | 18/03/2009, 16h16

O que fazer no Rio de Janeiro em um domingo ensolarado? Ir à praia ou ir à Urca-visitar-as-locações-de-A-gata-comeu?

Pedi singelamente a segunda opção à Viva e à Luna e fui atendida. Apesar de nem saberem que raios de novela a gente estava falando tanto, as meninas foram de boa com a gente até o bairro onde a Jô e o professor moravam.

E elas foram explicando que a Urca é o bairro mais sossegado e, por isso mesmo, mais cobiçado do Rio de Janeiro, que só tem uma entrada e que essa entrada também é a saída e por isso não tem quase perigo por lá, que o Rei Roberto Carlos mora lá!

Lógico que, na hora, todo o meu amor e o meu carinho por Ipanema, bossa nova, Vinicius & Cia. foi embora e eu entrei em transe por causa da Urca.

E passamos na praça onde os meninos brincavam; passamos na ponte da qual o professor jogou a Jô no mar; passamos talvez pelo prédio onde a Jô morava; passamos pela igreja onde o casal principal se casou; passamos, enfim, pela praia onde a novela termina ao som de Só pra o vento, do Ritchie.

Almoçamos em um bar/restaurante chamado Garota de Ipanema da Urca (hahahahahahaha!), bem de frente para a praia da Urca.

Depois passeamos pelo morro da Urca; vimos o bondinho, mas não subimos; fomos tomar uns sorvetes exóticos na Sorvete Brasil, bem aos pés do Pão de Açúcar; passeamos por lá, mas sem que a novela ficasse tão presente quanto no primeiro momento.

Seguimos pra Ipanema e todo o meu amor e o meu carinho voltou.

Dois dias depois, o sol apareceu outra vez e decidimos ir à praia. Se arruma daqui, se arruma dali, pega o carro. Quando saímos do estacionamento do hotel, a chuva caiu lindamente. Puxa, se a praia tinha miado, para onde iríamos?

Para a Urca, lógico.

Passear mais uma vez pelas ruas tranqüilas, tentar enxergar uma ou outra casa das personagens da novela, fazer fotinhas na igreja do Padre Aurélio.

Contei para o André de um grupo que se formou em 2001, quando A gata comeu foi reprisada pela segunda vez no Vale a pena ver de novo, e que também fez aquele tipo de passeio nostálgico que estávamos fazendo.

O grupo, na época, ficou tentando imaginar quem faria o casal protagonista no caso de um remake: Cláudia Raia e Edson Celulari, Letícia Sabatella e Marcos Palmeira, Viviane Pasmanter e Humberto Martins.

Eu ainda prefiro que reprisem. Um remake hoje não teria a mesma singeleza de A gata comeu – mesmo sabendo que A gata comeu é um remake de A barba azul… Não teria também o charme das locações da Urca – muito provavelmente uma Urca artificial seria construída no Projac…

Se perder em uma ilha deserta não daria mais, afinal, bastaria ligar do celular… Sonambulismo, amnésia, bateu-levou… Telefonemas anônimos… Um cara que se finge de cego, um outro que se finge de conde… Seria difícil trazer isso para os dias de hoje, mas reprisando a gente sempre se teletransporta…

Sem contar que Jô e Fábio pra mim são Christiane Torloni e Nuno Leal Maia. Sempre.

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