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Porque nós adoramos novelas!

Arquivos: Vida Real

- Ah, todas as paraenses são gostosas!

Por Luciana | 30/06/2009, 09h09

“Você não vale nada, mas eu gosto de você”

Dia desses, assistindo a Caminho das Índias, mais precisamente a uma cena da Norminha, comentei com o André que a Dira Paes está com tudo, fazendo ensaios fotográficos, reportagens, propagandas, etc., e que acho mais do que merecido esse reconhecimento de “novela das oito”, já que no cinema ela é uma estrela há muito tempo (a primeira vez que a vi em cena foi no filme Corisco & Dadá) - inclusive promovendo há anos um festival de cinema em Belém!

Aí, o André lança a seguinte cantadinha pra cima de mim:

- Ah, todas as paraenses são gostosas!

Dira, pra quem não sabe, é paraense de Abaetetuba, a mesma cidade dos fofos brinquedos de miriti.

E eu, pra quem não sabe, sou amazonense de Manaus.

O André sabe, mas esqueceu, e eu não perdoei:

- É, todas as paraenses são gostosas… Pena que eu sou amazonense…

Ele tentou emendar com um:

- Ah, todas as NORTISTAS são gostosas!

Mas não colou. :P

PS – Falou-se tanto da importância de um personagem blogueiro na novela de Glória Perez – no caso, o indiano Indra -, mas a verdade é que ele nunca passou de escada da fogosa Norminha, personagem de Dira.

PS2- Hoje, 30 de junho, Dira Paes comemora 40 anos. Esse texto veio em boa hora então.

PS3 – Reconhecimento em televisão, Dira já tinha, antes da novela das oito: gosto muito da Potira, da segunda versão de Irmãos Coragem e, lógico, da divertidíssima ladra de cenas, Solineuza. Há quem diga que A diarista acabou porque Cláudia Rodrigues não aguentava mais ser ofuscada pelo talento de Dira Paes…

Por onde anda Tina Pepper?

Por Luciana | 26/06/2009, 13h13

Regina Casé voltou à televisão com o quadro Vem com tudo!, no Fantástico. Nele, Regina fala do cabelo que vem com tudo, da comida, da gíria.

Sempre gostamos muito do trabalho dela, minha mãe e eu. Do TV Pirata, do Programa Legal, do Brasil Legal, do Um pé de que?, do Central da Periferia, do Muvuca.

Mas inesquecível mesmo é a Tina Pepper, de Cambalacho. Amávamos!

Albertina Pimenta era aquela moça suburbana de São Paulo – já viu novela do Silvio de Abreu ser em outro lugar? – que “detestava pobre” e queria ser rica e famosa de qualquer jeito… E conseguiu!

Ao tomar uma poção mágica feita a partir do livro da Salamandra que pertencia à mãe dela, Lili Bolero, Tina se transformava em Tina Pepper, uma espécie de Tina Turner tupiniquim – vide os cabelos de juba de leão.

Até cantar no Chacrinha a Tina cantou! Quem não se lembra do hit da Tina, Você me incendeia, não era desse mundo em 1986!

Te quiero, te quiero Te quiero demás!

Me gusta tu cuerpo Me gusta demás!

Você me incendeia

Seu corpo serpenteia

E me deixa lou, lou, louca

Com água na boca

Não, não, não, não faz assim!

Foi, foi, foi, foi longe demais!

Rá!

De quebra, Tina ainda conquistou o coração de Aramis, um dos mecânicos que morava na mesma rua e por quem ela era apaixonada.

Quando a novela acabou, eu tinha uns sete anos e chorava que chorava porque nunca mais ia ver a Tina! E minha mãe me acalmando, dizendo que ainda a veríamos, no Vale a pena ver de novo!

Nem imaginávamos que um dia teríamos uma coisa fofa chamada Youtube;)

A volta dos que não foram

Por Luciana | 14/05/2009, 14h14

Uma das histórias que me deixa mais indignada em Caminho das Índias é a do Raul se fingir de morto para a família e fugir com outra mulher (amiga da esposa!) e com a grana da empresa.

Essa trama – com o charmosíssimo Alexandre Borges! – me remete a um sonho recorrente meu: um belo dia chego em casa e me deparo com o meu pai!

Seria óbvio eu chegar em casa e encontrar o meu pai, se ele não tivesse morrido há mais de 15 anos…

Sempre que sonho com o meu pai é nessa situação. Ele voltando pra casa anos depois como se nada tivesse acontecido. Nunca é pra me dar um conselho, uma bronca; sempre é voltando.

E eu sempre fico meio atarantada, e repreendo o papai: – O que você tá fazendo aqui? A mamãe não vai gostar nada, nada dessa história, ela vai brigar contigo!

E o meu pai só faz rir, rir…

Quando o Raul e a Yvonne aparecem na novela eu troco de canal. Decidi que só vou ver outra vez o que se passa com eles quando o pai, a mulher e a filha dele derem uma bronca monumental como a que eu sempre acho que minha mãe daria se o meu pai pintasse do nada aqui em casa depois de morto!

Já minha mãe diz que está esperando a Maya virar lavadeira à beira do rio Ganges! Hahahahahahaha! Mas isso já é outra história…

Uma noveleira em São Paulo…

Por Luciana | 12/05/2009, 15h15

De volta!

Fui ali em São Paulo ser mais feliz e voltei… :)

Aí, como boa noveleira que se preza, passeei pra lá e pra cá lembrando de locações de novelas gravadas em São Paulo!

Nada muito difícil, afinal, a cantina C… que sabe!, por exemplo, remete de forma naturalíssima à Cantina La Tavola de Michele, da família da Bina, de Vereda Tropical. Não só pela decoração – cheia de ráfias, chapéus e panelas penduradas no teto, fotos de clientes famosos preenchendo todos os espaços das paredes, etc. – mas pelo climão.

Climão = uma família que recebe os clientes como quem recebe amigos + palmas, gargalhadas e bandejas jogadas animadamente no chão + música ternamente italiana.

Um adendo sobre a música: quando o trio de cantantes veio perguntar que música eu gostaria de ouvir, pedi Al di lá, a música-tema da srta. Ilka Tibiriçá com o seu Ataliba Timbó, de Fera Ferida. Essa música era tema do casal porque a Ilka era bibliotecária e vivia a sonhar com o filme Candelabro Italiano, onde a mocinha tem a mesma profissão que ela – e onde a música é Al di lá…

Já no Mercado Municipal – aquele onde o André levou a Júlia pra tomar café da manhã no primeiro capítulo de Belíssima – é dever quase cívico fazer fotinha na Barraca do Juca – a verdadeira barraca da novela A próxima vítima!

O Juca, de Tony Ramos, trabalhava todos os dias vendendo frutas no mercado e nas horas vagas ora suspirava pela Ana, de Suzana Vieira, ora namorava a Bonitona do Morumbi, de Natália do Vale…

Fui também a Campos do Jordão e essa é meio dificinha de lembrar, mas como eu sou fã…

Lembra, leitor, que, em Mulheres de Areia, quando a Ruth criou coragem e confessou ao Marcos que ela não era a Raquel e sim a irmã, ele disse a ela que já sabia, que já tinha percebido e que estava muito feliz porque desde o início tinha sido ela, Ruth, que ele tinha amado…

E logo em seguida a levou pra uma mini-lua-de-mel em… Campos do Jordão! Rá!

Lembro nitidamente, por exemplo, dos dois no teleférico de lá, mas não tive pique pra subir dessa vez.

E também teve uma ida linda ao belo parque do Ibirapuera.

Depois de caminhar pelo viveiro Manequinho Lopes, pela Oca, pelo pavilhão da Bienal, etc., etc., contemplei o lago – sem pedalinhos – do parque.

E lembrei de alguns casais que já foram namorar à beira dele…

Lembrei do Pascoal e da Vitória, de Belíssima – que até de noite iam pra lá! – e do casal dos meus cuidados de hoje, Dafne e Gabriel, que ao fazerem as pazes foram conversar no Ibirapuera, mas sem fazer Caras & Bocas

Por fim, uma constatação que eu preciso compartilhar – e no futuro, quem sabe, ampliar: Caras & Bocas é muito Silvio de Abreu. Quem é noveleiro sabe… ;)

A minha Helena

Por Marmota | 11/05/2009, 08h43

Em Viver a Vida, novela que tentará dar um toque de realidade ao horário das oito / nove após a verossímil Caminho das Índias, a atriz Taís Araújo irá subverter um histórico que parecia irreversível. Em 1952, Manoel Carlos teve contato pela primeira vez com o nome feminino mais forte, segundo sua concepção, ao adaptar o clássico de Machado de Assis. E desde Baila Comigo, em 1981, todas as histórias familiares do autor giram em torno de uma Helena.

Maneco nunca namorou ou se casou com uma Helena. Nenhuma de suas duas filhas ou três netas chama-se Helena. O gosto pelo nome veio da Helena de Tróia. A que se casou com Menelau mas fugiu com o rei Páris, culminando com uma guerra de sete anos; Páris morreu e Helena se envolveu com um cunhado; ela o entregou a Menelau, voltou a ficar com ele e viveu ao seu lado até o fim. A Helena de Tróia é como a de Manoel Carlos: comete erros e é até capaz de mentir, mas se levanta e vai até o fim em qualquer batalha, sem temer. Imperfeições que a tornam humanas.

Em Baila Comigo, Helena (Lílian Lemmertz) não contou ao filho Tony Ramos que ele tinha um irmão gêmeo, nem quem era o verdadeiro pai. O mesmo Tony que sequer desconfiava de Helena (Maitê Proença), grávida de seu personagem em Felicidade – e não do marido Herson Capri. Novamente, Tony Ramos vê sua esposa Helena (Christiane Torloni) questionar o casamento, especialmente após o reencontro com o “pegador” Zé Mayer em Mulheres Apaixonadas. Vera Fisher, a Helena de Laços de Família, entrega a filha Carolina Dieckman ao romance com o ex-namorado bonitão Gianechini, mas só diz a ela que seu pai é o “pegador” Zé Mayer quando precisa encontrar um doador de medula.

Mas a Helena de Manoel Carlos tem a cara de Regina Duarte, que a interpretou três vezes. Em História de Amor, a filha adolescente Carla Marins (que ficou grávida) era, na verdade, sua sobrinha! Ela voltou a enganar (e ficar com o “pegador” Zé Mayer) em Páginas da Vida, ao adulterar documentos para adotar uma criança com síndrome de down e livrá-la das garras da Lília Cabral. Mas a grande trapaça de Helena foi em Por Amor, quando trocou seu filho vivo pelo de sua filha, que havia morrido! Eu tenho medo de Regina Duarte.

E onde reside a tal subversão? Até agora, Helena sempre foi uma mulher madura, na faixa dos 40 ou 50 anos. Idade suficiente para acumular tantas experiências e dilemas provocados pelo amor. Desta vez, a Helena será uma jovem negra, linda, ex-modelo, fotógrafa, casada com um homem mais velho (adivinhem quem? Zé Mayer “pegador”, lógico!). Será uma mudança interessante, ainda que Taís Araújo permaneça questionando “o que estão fazendo com o nosso Leblon” enquanto toma café com a família.

Mas enfim. Todo esse preâmbulo para dizer que sou suspeito para falar sobre a força desse nome. Sei que a frase “minha vida poderia virar novela” é um clichê que só parece funcionar com Manoel Carlos, mas conheço a história de uma Helena repleta de reviravoltas do cotidiano.

A minha Helena vivia num pacato sítio no interior do Rio Grande do Sul, quando conheceu seu Zé Mayer num dos bailões de domingo, comuns no final dos anos 60. O rapaz era mesmo um sortudo: além de conhecer o amor de sua vida, era o único dos irmãos que tinha autorização dos pais para trabalhar e estudar na cidade.

Isso fez com que o casamento dessa Helena levasse alguns anos para se concretizar: seu futuro marido partiu para São Paulo, onde procurou emprego e estabilidade. Nesse período, enviava cartas apaixonadas para a querência velha na zona sul gaúcha. Junto com as palavras apaixonadas, enbrulhava um maço vazio de Minister. Era uma prova de amor a Helena: sempre que fumava, lembraria dela (claro que, nos dias de hoje, esse tipo de poesia seria vetado pelo Governador ou Ministro da Saúde).

Finalmente, casaram-se no velho sítio e, a bordo de uma Brasília, se mandaram para São Paulo. Passou por apuros financeiros cada vez que seu Zé Mayer era escalado para trabalhar em alguma cidade do interior. Seu primeiro filho, nascido numa dessas escalas, só fez seus problemas aumentarem: marinheira de primeira viagem, tinha dificuldades em lidar com febres, espirros e choradeiras constantes do pentelho.

Já estabelecido em um apartamento na capital, nosso coadjuvante Zé Mayer, que nunca esqueceu suas origens do sul, teve uma brilhante idéia: viajar com sua Helena grávida e o pimpolho para a cidade onde cresceu. Só para ver seu segundo filho nascer “com sangue gaúcho”, ao contrário do mais velho, praticamente um nômade cigano. Mais um percalço daqueles para a protagonista, que não precisava passar por isso apenas para dar à luz…

O tempo passou e Helena tornou-se uma dedicada rainha do lar, daquelas que trabalha mais do que os três homens da casa. Preocupa-se com o olhar nostálgico do marido, que ainda sonha em voltar à terra natal, mas também sabe, após trinta anos distante, que parentes podem se transformar em dor de cabeça. Ainda tem tempo de proteger seus dois filhos, galalaus maiores de idade mas que compartilham seu dia-a-dia.

Apesar de valorizá-la ao máximo o tempo todo, vez ou outra penso que a Helena de minha vida merece mais. Nada de presentes materiais ou simples abraços, mas algo como tempo extra pra cuidar de si mesma ou um resgate das sensações felizes da adolescência. É preciso um Dia das Mães, como o deste domingo, para que os personagens secundários da casa registrem um capítulo de 24 horas, repleto de agradecimentos a ela.

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