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Porque nós adoramos novelas!

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Figurati, schifosa: chegou o Bingo de Passione!

Por Marmota | 29/07/2010, 20h59

Numa conversa com a especialista em novelas Bia Cardoso, um diálogo chamou minha atenção: “puxa, sempre que acompanho Passione, fico perdida com os diálogos em italiano da novela… Não entendo metade das coisas que eles dizem! Aliás… Bem que podíamos bolar uma espécie de bingo, não?”.

Pois eis que, graças a um trabalho colaborativo em dupla, em poucos minutos já estava pronto!

Agora, antes de cada capítulo começar, leve uma cópia da cartela acima e uma caneta diante da TV e divirta-se! A propósito, aceitamos sugestões para novas versões da brincadeira.

De Dalva & Herivelto

Por Luciana | 07/01/2010, 16h32

Depois de Maysa, a homenageada da vez seria Isaurinha Garcia, mas disseram a Maria Adelaide Amaral que a história de Dalva de Oliveira com Herivelto Martins renderia mais, e ela mudou de planos.

Bem, mais do que a volta do Fábio Assunção, mais do que a trilha sonora impecável, mais do que o figurino encantador, o que estou curtindo mesmo em Dalva & Herivelto é a empolgação da minha mãe.

Minha mãe era menina quando o Trio de Ouro começou e lembra bem que minha avó e as irmãs (tias da minha mãe) eram super fãs deles, sabiam as canções todas e acompanharam a posterior briga de Dalva e Herivelto pela Revista do Rádio – a mesma que serviu de material de pesquisa para os produtores da minissérie da Globo.

No sábado passado, cheguei em casa tarde da noite e minha mãe estava acordada, no computador, lendo a página da minissérie e vendo quem viveria quem… Dercy, Linda e Dirce Batista, Grande Otelo, Francisco Alves, Emilinha, Marlene… Ficou relembrando as músicas com que Dalva e Herivelto passaram a duelar depois da separação e até cantarolou alguma coisa.

Foi quando fomos mais além e partimos em busca de um livro antigo que temos sobre a Era do Rádio e lá estavam todas elas: Dalva, Marlene, Emilinha, Ângela Maria, Linda e Dirce… Ficamos lendo artigos daquela época, vendo os vestidos, as coroações de Rainhas do Rádio, tudo enfim.

Minha mãe lembrou ainda que o Trio de Ouro chegou a vir a Belém e ela e minha avó o viu cantar ao vivo.

E ficamos pensando em quem hoje em dia faria um duelo musical como aquele que Dalva e Herivelto protagonizaram, em quem hoje em dia brigaria assim tão abertamente…

Maria Adelaide Amaral comparou o casal-título da minissérie com Courtey Love e Kurt Cobain e Nancy e Sid Vicious… Como diria a abertura daquela novela, “sei lá, sei lá…”.

PS – Ainda virá o dia que veremos Joelma & Chimbinha!

PS2 – Adoro ler biografias, adoro ver biografias.

PS3 – Um minuto de silêncio pra Dalva e Herivelto morarem na URCA! É muito A gata comeu nessa vida! ;)

Alma Gemia: uma sinopse

Por Marmota | 03/09/2009, 16h56

A estréia de Alma Gêmea no Vale a Pena Ver de Novo revela ao menos uma constatação: as novelas de Walcyr Carrasco estão na moda. Neste século, foram dele os grandes sucessos das seis: além desta, Chocolate com Pimenta e O Cravo e a Rosa – todas, não à toa, já reprisadas na hora do almoço. Sem falar que, inquestionavelmente, Caras & Bocas (de Walcyr Carrasco) é o melhor folhetim inédito em exibição na Globo.

Mas enfim. Em busca de informações sobre a história de amor entre Rafael e a índia Serena – reencarnação de Luna, ex-esposa do mocinho e assassinada com um tiro a mando de sua prima interesseira Cristina, muitos visitantes caem neste espaço utilizando uma curiosa combinação de palavras, que provocam até outro sentido: Alma Gemia. Gemia como sendo o pretérito imperfeito do verbo gemer e, evidentemente, sem acento circunflexo.

Sobre os próximos capítulos de Alma Gêmea, vale o mesmo raciocínio de Senhora do Destino: por ter sido exibida entre 2005 e 2006 (ou seja: ontem), é possível encontrar farto material sobre a história na Internet. E essa brincadeira vai continuar, a não ser que a faixa vespertina seja ocupada por novelas mais antigas, da era pré-Web.

Agora, lamento informar que não existe nenhuma novela de nome Alma Gemia. Mas se existisse, sua sinopse poderia ser algo assim.

Em plena década de 70, os irmãos Inácio, Décio e Lucrécio Pinto choram a morte de seu pai, o empresário H. Romeu Pinto, dono da Estrela Prateada, uma próspera fábrica de clipes para papel na pacata cidade de Vale Verde. A viúva e matriarca, Dona Valentina Grande, decide esconder o testamento do marido, com o intuito de promover a igualdade e fraternidade entre seus entes.

Mas a reconstrução da família Grande Pinto é interrompida quando, no tradicional Baile do Repolho, na sede da Associação Agrícola de Vale Verde, Dona Valentina é brutalmente atingida por um rastelo, arremessado do telhado. Um misto de desespero e ambição tomará conta dos irmãos, que alternarão altos e baixos em busca do assassino da mãe e do testamento perdido. As coisas se complicam quando um primo distante, Melo Pinto, retorna da Argentina e se une ao inescrupuloso prefeito, o Conde de Boa Vista, para tomar o controle da fábrica.

O episódio atrai a atenção de quatro descolados: Fred, Dafne, Velma e Salsicha. Atraídos pelo agito e curtição da Festa do Repolho, os garotos e seu cachorro Iscubidu decidem ficar em Vale Verde, em busca de respostas para o crime do rastelo. Gertrudes, a dona do pensionato, receberá não apenas os jovens, mas também figuras estranhas como Felizberto, um senhor que julga ter sido abduzido por extraterrestres. Nem mesmo suas diferenças de comportamento serão capazes de impedir uma linda história de amor.

Os mistérios ficarão ainda mais fortes quando os cidadãos de Vale Verde começarem a ouvir estranhos gemidos, durante à noite, vindos da fábrica Estrela Prateada.

Pronto, agora só falta chamar o Paulo Betti pro papel de delegado – aquele que aparecerá no fim para resolver todos os problemas da trama e ridicularizar os amigos do Iscubidu – e o Hans Donner pra bolar uma identidade visual batuta.

E o blogueiro de Caminho das Índias?

Por Marmota | 17/08/2009, 23h02

Seria cômodo demais dizer que foi de propósito atrasar em oito meses o relato sobre o dia em que tive a chance de conhecer a “fábrica de novelas” da Rede Globo, além de marcar presença num encontro informal com Glória Perez, autora de Caminho das Índias. Mais do que simplesmente agradecer (ainda que tardiamente) ao convite do Manoel Fernandes, esta é uma boa hora para avaliar a performance da personagem que motivou a visita de dezenas de blogueiros ao Projac, no Rio de Janeiro, em 9 de dezembro de 2008.

Até porque, desde a estréia da novela até aqui, a maior parte dos participantes da caravana se limitaram a comemorar suas presenças no passeio, associando-as com “a importância da blogosfera nas peoduções televisivas”. Alguns que não foram, evidentemente, esperaram algumas semanas para identificar como o tema seria abordado (ou não) pelo folhetim e capricharam no “mimimi” ao redigirem manifestações do gênero “pra quê tanto auê se no fim o tal blogueiro da novela não apareceu?”.

Blogueiros no Caminho das Indias

A propósito, pode ser que você não saiba, mas o blogueiro é o Indra (André Arteche), filho de Ashima (a heróica Mara Manzan), que deveria ser a ponte entre assuntos virtuais e o público do horário nobre. Durante o bate-papo, a autora caracterizou seu personagem como um adolescente indiano, que preserva alguns costumes tradicionais e os compara espantado com coisas que enxerga no Brasil. Mais ou menos o que vimos em Shanti (Carolina Oliveira) em sua estada pelo Rio – com a diferença que Indra teria maior intimidade com o computador e capacidade para compartilhar suas dúvidas na web.

Na prática, é um garoto comum, com um mix de culturas, e que mantém um blog. Já em dezembro, CrisDias fez a comparação certeira: “numa novela, um personagem que tem blog é a mesma coisa que um personagem que anda de bicicleta”. Seguindo pela mesma metáfora: a não ser que estejamos falando em um ciclista capaz de faturar a Volta da França, até mesmo a Shanti poderia ter criado um blog para dividir as impressões sobre suas viagens, por exemplo. Ou quem sabe o aprendiz do Doutor Castanho, que só aparece na trama para tentar entender aquilo que Yvone faz – e ele sequer imagina. Taí uma dupla que merecia um blog bem mais divertido que o do pacato morador da Lapa.

Blogueiros no Caminho das IndiasNão sei exatamente onde foi que Glória Perez, acostumada com o ambiente virtual desde o encontro de Dara e Júlio Falcão num chat de vídeo ainda em 1996 durante Explode Coração, escorregou com Indra. Além de ter seu próprio blog, a autora sabe perfeitamente do que a comunidade interconectada é capaz – mesmo em atitudes inexplicavelmente avessas, como os animais que protestavam a favor da fauna ameaçando-a de morte durante América. Talvez uma explicação possa ser desenvolvida a partir de outra declaração pinçada daquela tarde: “a novela apenas coloca o assunto em pauta; o resto é com as pessoas, a sociedade”.

Pois bem, caberia qualquer assunto, desde que fosse algo palatável a um público muito abrangente – que, convenhamos, está mais ligado com o destino das famílias dos Ananda ou dos Cadore. E qual era exatamente o assunto? Apenas blogs e suas relações com ferramentinhas? Nesse direcionamento, Guilherme Zaiden apareceu nos primeiros capítulos, produzindo um vídeo para o YouTube. Alguns outros blogs foram citados pelos personagens, mas dentro de outros contextos. Chegaram a propor a presença de Indra num Blogcamp, ou mesmo sua participação em uma blogagem coletiva… Mas vejam como todas estas ações ficaram limitadas a um plano individual, como se isso só importasse ao próprio Indra.

A impressão que se tem é a mesma alertada pela própria autora: o tempo da novela, mais longo, é bem diferente do tempo real de um blog. Ainda citando Glória Perez: “o personagem pensando não tem a mesma força do personagem agindo”. Pode ser que essa medida, somado a sua presença apenas trivial na trama, fez com que o blogueiro perdesse a grande oportunidade de mobilizar a audiência para discutir ao menos um tópico. E não estamos falando de suas incursões sexuais com Dona Norminha – o que, aliás, derruba a idéia de que nerds não pegam ninguém e já basta para que eu tire meu chapéu para o rapaz.

Mas voltando: se ninguém presta atenção se ele falasse de tudo um pouco, por que não focar na relação entre pais e professores, tema recorrente envolvendo Berenice (Sílvia Buarque), Ruth (Cissa Guimarães) e o zé ruela do Zeca (Duda Nagle), que mostrou ter mais familiaridade com HTML ao expor com facilidade a “gravidez artificial” da professora? A polêmica chegou a fazer barulho pela web… E o que o blogueiro da novela fez para incrementar o debate?

Blogueiros no Caminho das IndiasIndra chegou a ser considerado suspeito, mas se revelou um banana ao invés de descobrir e incentivar formas de manter sua privacidade online, propor discussões sobre o comportamento de pais e alunos diante da escola, convidando outros amigos a participarem do debate no Twitter (onde já se viu um blogueiro que não carrega seu celular com GPRS ou 3G para todo lado?). “As pessoas acham que a Internet é um território livre”, dizia Glória Perez em dezembro. Pois é, da forma como os estudantes daquele colégio se comportam – ou pior, se lembrarmos que a maior contribuição de Dona Val (Rosane Goffman) é o bordão “Jesus me abana” e a felicidade em esconder seu biotipo em avatares magros e bem vestidos no falido Second Life – , o pensamento do público-alvo continua sendo exatamente o mesmo.

Mas enfim, também não duvidaria se Glória Perez tivesse lembrado que Indra é um espelho do blogueiro brasileiro. Aquele representado por um grupo que, entre as melhores idéias defendidas, estava o “registro do domínio blogdoindra.com.br”. Ou ainda o tipo que, após visitar locações externas (incluindo a Lapa e o Ganges cenográfico), guarda-roupas, depósitos e moderníssimos estúdios (oportunidade que a Globo poderia transformar perfeitamente em visita guiada paga), reclama no meio do passeio: “ai, falta muito ainda pra irmos embora?”. Sem falar nos que só ressaltam sua importância, fazem mimimi ou inventam de escrever sobre isso apenas oito meses depois: se esperávamos um engajamento 2.0 na novela, talvez Indra não encontrou inspiração na realidade.

Blogueiros no Caminho das Indias

De Som & Fúria

Por Luciana | 14/07/2009, 14h14

Tempos atrás, em outro blog, escrevi um post sobre os dois pesos, duas medidas que a Globo dá aos atores.

O Kadu Moliterno estava no ar em Bang Bang e tinha espancado a esposa dele que o denunciou na polícia – a Globo não fez absolutamente nada com ele.

Ao contrário do que fez com Felipe Camargo que, ao se envolver em constantes brigas e atrasos com a esposa Vera Fischer, na época da novela Pátria Minha, de Gilberto Braga, na qual ambos atuavam, teve o personagem morto em um incêndio junto com o personagem da ex-miss Brasil.

Acontece que anos depois, Felipe caiu no ostracismo global, enquanto Vera protagonizava novelas da oito: Laços de Família, O Clone

Agora Felipe Camargo está de volta em Som & Fúria, a série produzida pela O2 Filmes, de Fernando Meirelles, que é o melhor programa de 2009 da TV aberta.

Lembro de Felipe em Anos Dourados, na cena do baile… Lembro dele com a Isabela Garcia, em Roda de Fogo… Lembro do Édipo, de Mandala, lógico… Lembro do Adriano, de Sexo dos Anjos, também com a Isabela… Lembro do João, ex-presidiário de Despedida de Solteiro. Infelizmente mais não lembro. Felizmente, ele está de volta com Dante, que já é inesquecível pra mim.

Sobre Andréa Beltrão quero muito dizer que sempre a achei linda, charmosa mesmo. Gosto da Andréa desde Armação Ilimitada, passando por Mulheres de AreiaA viagem e Radical Chic. Acho terrível que ela aparece envelhecida e brega em A grande família. Acho lindo que ela também renasça, assim como Felipe, linda e charmosa como Ellen, em Som & Fúria.

Os vilões da vez são Regina Casé e Dan Stulbach. Já declarei meu amor pela Regina Casé aqui, em um texto sobre a Tina Pepper, de Cambalacho. E o Dan Stulbach… O Dan dá pra ver no Vale a pena ver de novo: é muito o Edgard, de Senhora do Destino e nada do Marcos, de Mulheres Apaixonadas. E a grande ironia desse papel dele em Som & Fúria é o amor do Dan pelo teatro e o descaso da personagem pelo mesmo!

Aí tem as duplas: a dupla da Brastemp, a dupla do Tangos & Tragédias… Tem o querido Gero Camilo, de Hoje é dia de Maria – a melhor coisa da TV em 2005, assim como Som & Fúria é a melhor de 2009.

Tem Pedro Paulo Rangel, que minha lembrança mais antiga vem de Vale Tudo, do Audálio, que todo mundo chamava de Poliana, porque era bom demais.

E tem Maria Flor e Daniel de Oliveira que eu conheço de… Malhação!

O personagem de Daniel, inclusive, foi ponto de partida pra uma das sempre louvadas campanhas de merchandising social de Malhação. Ele vivia o Marquinhos e em um determinado momento ficava paraplégico. Pro pessoal que desdenha de Malhação, taí…

Som & Fúria me deixa com aquele gostinho de quero mais… De pensar: ainda vou ter que esperar um dia pra ver o resto!

E isso é muito bom.

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