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Porque nós adoramos novelas!

Arquivos: Vale a pena ver de novo

Breves considerações sobre Sinhá Moça

Por Luciana | 16/04/2010, 13h26

Quando eu digo que vi a primeira versão de Sinhá Moça muita gente se espanta.

Mas é verdade.

Sou de um tempo em que a Sinhá Moça era estrábica que nem a Lucélia Santos. Sou de um tempo em que o Marcos Paulo ainda não tinha se embandeirado completamente pra ser diretor e fazia as vezes de Irmão do Quilombo.

Dia desses, algumas pessoas comentando sobre a Ana do Véu, e eu: em pensar que a primeira Ana do Véu foi a Patrícia Pillar… Essa sim, de uma beleza desconcertante que paralisou o público quando descobriu o rosto.

Agora, Patrícia Pillar é a mãe da Sinhá Moça. Uma Sinhá Moça muito mais delicada e competente, diga-se, feita por Débora Falabella – que ouve os versos de Laços de fita, de Castro Alves, da boca do Doutor Rodolfo feito por Danton Mello. Isso tudo com um efeito de cinema que é dos acabamentos mais bonitos que já fizeram pra novelas.

Quando a primeira versão de Sinhá Moça passou no Vale a pena ver de novo, eu lembro de assistir a novela com meu pai, espichados os dois na rede. Lembro que não perdíamos as diabruras do Barão de Araruna feito pelo Rubens de Falco – o Barão de Osmar Prado até que tem um toque de humanidade, onde já se viu?…

Hoje não tenho mais tempo de ver pela segunda vez a segunda versão da novela das seis de Benedito Ruy Barbosa, revigorada pelas filhas dele. Mas quem já viu Cabocla e Paraíso por esses tempos também não deve se lamentar.

O Fantástico Mundo de Glória Perez

Por Marmota | 12/09/2009, 01h15

Glória Perez nos enfeitiçou por oito meses e, em pouco mais de uma hora, decidiu resolver tudo no último capítulo de Caminho das Índias. Ficou estranho, corrido. Segredos sem serem contados. Bahuan não disse uma palavra; Yvonne fugiu pela porta da frente do presídio; o Zeca não foi preso; a maldita da Surya se deu bem; e Raj ficou sem saber que tem um filho no Brasil. Are baba!

De qualquer forma, ainda que você não tenha se emocionado mais após o abraço de Opash em Shankar, acompanhar novelas pode ser divertido se estiver ao lado da pessoa certa. Como a Srta. Bianca: quem teve a chance de seguir seu Twitter durante o folhetim teve a chance de gargalhar quando, por exemplo, a Swat prendeu Mike em português: “o melhor é que tem polícia brasileira no exterior! É a Policia!”

Assim, ninguém melhor que a própria Srta. Bia para compartilhar conosco (obrigado!) suas impressões sobre essa estranha relação entre o Rio de Janeiro e o Rajastão, proporcionada pela autora acreana, discípula de Janete Clair e autora de outros grandes sucessos não menos discutíveis. Baguan queliê!

Caminho das Índias é uma novela que assisti do início ao fim. Sofri, chorei, dei risada, incorporei os bordões. E tenho certeza que tudo isso aconteceu porque também adorei O Clone. Adoro tudo que as pessoas detestam nas novelas de Glória Perez: a cafonice, os bordões, o surrealismo, a falta de preocupação com verossimilhança, fuso horário, distâncias continentais e situações absurdas. E nessa categoria O Clone e Caminho das Índias são obras gêmeas.

A primeira novela de Glória que acompanhei foi Barriga de Aluguel, não lembro se no “Vale a Pena ver de Novo”. Lembro especialmente da abertura, da Cláudia Abreu, da Cássia Kiss e da música “Feira de Acari”. Depois veio De Corpo e Alma, marcada muito mais pelo assassinato de Daniela Perez do que pela trama.

Em Explode Coração, Dara e o Cigano Igor já mostravam o que estava por vir, o multiculturalismo invadindo os pensamentos de Glória na história de uma cigana que se apaixona por um empresário por meio de uma sala de bate papo do UOL. Ela queria misturar culturas e fazer novelas amalucadas, cheias de núcleos e amores impossíveis.

Em 2001 veio O Clone. Giovanna Antonelli e Murilo Benício eram um casal bem sem graça, mas havia um enredo sobre clonagem por trás e uma série de personagens que soltavam bordões aos quatro ventos. Dona Jura com “Não é brinquedo não”. Os árabes que bradavam que todos iam “arder no mármore do inferno”. Depois veio América, novela que não vi quase nenhum capítulo por não gostar do tema rodeio e por descobrir que o boi Bandido atuava melhor que Murilo Benício e Deborah Secco juntos…

Acredito que, em Caminho das Índias, ela conseguiu todos os elementos que faltavam. Apesar de Márcio Garcia ser muito ruim, ele virou coadjuvante assim que Rodrigo Lombardi apareceu como Raj. Juliana Paes sofreu muito como toda mocinha de novela que se preze, mas apesar disso não me incomodei tanto ao ponto de achá-la chata – talvez pelo drama da mãe que quer proteger seu filho. Fiquei sensibilizada. Yvone e Surya foram vilãs convincentes, mas poucas vezes roubaram as cenas (a não ser quando contracenavam com Vera Fischer ou Maitê Proença). Tony Ramos, o novo rei da comédia brasileira, foi ótimo como Opash, assim como a maioria dos atores do núcleo indiano, especialmente os consagrados: Osmar Prado, Nívea Maria, Eliane Giardini, Laura Cardoso, Lima Duarte, Jandira Martini, Flávio Miglaccio. Estavam sempre divertidos, mas também deram show nas cenas tensas e emocionantes.

Glória Perez também não esqueceu das causas sociais e tratou de colocar o esquizofrênico Tarso e todo o núcleo da clínica do Dr. Castanho para falar sobre doenças mentais e os possíveis tratamentos. Fez vários alertas sobre prevenção de cancêr e como cuidar da saúde de bebês, por meio do personagem médico Lucas.

Porém, a grande novidade de Caminho das Índias foram os núcleos praticamente separados. Toda uma trama envolvendo os irmãos Cadore e a vilã Yvone. E houve o romance proibido de Maya e Bahuan na Índia formando o centro do núcleo indiano. Vimos personagens que transitaram por mais de um núcleo, mas por mais que Maya tenha trabalhado para Raul Cadore e Raj tenha perdido tempo em alguns capítulos tentando solucionar o caso do sumiço de Humberto Cunha, são tramas bem independentes. Em alguns momentos elas sofreram desgaste, pois uma parecia mais interessante que a outra. Christiane Torloni fez sua Melissa Cadore crescer e aparecer, assim como a Ex-BBB Juliana Alves e sua Suelen. Em compensação o núcleo escolar foi minguando e só não foi apaguado totalmente por causa dos amigos Dayse e Radesh.

Foi uma novela ágil, com várias subtramos predendo a atenção do espectador, especialmente nesses últimos meses, como vários segredos se revelando. No fim, o esperado é que os casais se reconciliem, os bebês tenham vida londa e próspera e as vilãs paguem seus pecados. No fim é isso que o povo quer, Dona Norminha sendo perdoada, Raj e Maya ficando juntos e o rádio tocando sem parar: “Você não vale nada, mas eu gosto de você”.

Alma Gemia: uma sinopse

Por Marmota | 03/09/2009, 16h56

A estréia de Alma Gêmea no Vale a Pena Ver de Novo revela ao menos uma constatação: as novelas de Walcyr Carrasco estão na moda. Neste século, foram dele os grandes sucessos das seis: além desta, Chocolate com Pimenta e O Cravo e a Rosa – todas, não à toa, já reprisadas na hora do almoço. Sem falar que, inquestionavelmente, Caras & Bocas (de Walcyr Carrasco) é o melhor folhetim inédito em exibição na Globo.

Mas enfim. Em busca de informações sobre a história de amor entre Rafael e a índia Serena – reencarnação de Luna, ex-esposa do mocinho e assassinada com um tiro a mando de sua prima interesseira Cristina, muitos visitantes caem neste espaço utilizando uma curiosa combinação de palavras, que provocam até outro sentido: Alma Gemia. Gemia como sendo o pretérito imperfeito do verbo gemer e, evidentemente, sem acento circunflexo.

Sobre os próximos capítulos de Alma Gêmea, vale o mesmo raciocínio de Senhora do Destino: por ter sido exibida entre 2005 e 2006 (ou seja: ontem), é possível encontrar farto material sobre a história na Internet. E essa brincadeira vai continuar, a não ser que a faixa vespertina seja ocupada por novelas mais antigas, da era pré-Web.

Agora, lamento informar que não existe nenhuma novela de nome Alma Gemia. Mas se existisse, sua sinopse poderia ser algo assim.

Em plena década de 70, os irmãos Inácio, Décio e Lucrécio Pinto choram a morte de seu pai, o empresário H. Romeu Pinto, dono da Estrela Prateada, uma próspera fábrica de clipes para papel na pacata cidade de Vale Verde. A viúva e matriarca, Dona Valentina Grande, decide esconder o testamento do marido, com o intuito de promover a igualdade e fraternidade entre seus entes.

Mas a reconstrução da família Grande Pinto é interrompida quando, no tradicional Baile do Repolho, na sede da Associação Agrícola de Vale Verde, Dona Valentina é brutalmente atingida por um rastelo, arremessado do telhado. Um misto de desespero e ambição tomará conta dos irmãos, que alternarão altos e baixos em busca do assassino da mãe e do testamento perdido. As coisas se complicam quando um primo distante, Melo Pinto, retorna da Argentina e se une ao inescrupuloso prefeito, o Conde de Boa Vista, para tomar o controle da fábrica.

O episódio atrai a atenção de quatro descolados: Fred, Dafne, Velma e Salsicha. Atraídos pelo agito e curtição da Festa do Repolho, os garotos e seu cachorro Iscubidu decidem ficar em Vale Verde, em busca de respostas para o crime do rastelo. Gertrudes, a dona do pensionato, receberá não apenas os jovens, mas também figuras estranhas como Felizberto, um senhor que julga ter sido abduzido por extraterrestres. Nem mesmo suas diferenças de comportamento serão capazes de impedir uma linda história de amor.

Os mistérios ficarão ainda mais fortes quando os cidadãos de Vale Verde começarem a ouvir estranhos gemidos, durante à noite, vindos da fábrica Estrela Prateada.

Pronto, agora só falta chamar o Paulo Betti pro papel de delegado – aquele que aparecerá no fim para resolver todos os problemas da trama e ridicularizar os amigos do Iscubidu – e o Hans Donner pra bolar uma identidade visual batuta.

De Som & Fúria

Por Luciana | 14/07/2009, 14h14

Tempos atrás, em outro blog, escrevi um post sobre os dois pesos, duas medidas que a Globo dá aos atores.

O Kadu Moliterno estava no ar em Bang Bang e tinha espancado a esposa dele que o denunciou na polícia – a Globo não fez absolutamente nada com ele.

Ao contrário do que fez com Felipe Camargo que, ao se envolver em constantes brigas e atrasos com a esposa Vera Fischer, na época da novela Pátria Minha, de Gilberto Braga, na qual ambos atuavam, teve o personagem morto em um incêndio junto com o personagem da ex-miss Brasil.

Acontece que anos depois, Felipe caiu no ostracismo global, enquanto Vera protagonizava novelas da oito: Laços de Família, O Clone

Agora Felipe Camargo está de volta em Som & Fúria, a série produzida pela O2 Filmes, de Fernando Meirelles, que é o melhor programa de 2009 da TV aberta.

Lembro de Felipe em Anos Dourados, na cena do baile… Lembro dele com a Isabela Garcia, em Roda de Fogo… Lembro do Édipo, de Mandala, lógico… Lembro do Adriano, de Sexo dos Anjos, também com a Isabela… Lembro do João, ex-presidiário de Despedida de Solteiro. Infelizmente mais não lembro. Felizmente, ele está de volta com Dante, que já é inesquecível pra mim.

Sobre Andréa Beltrão quero muito dizer que sempre a achei linda, charmosa mesmo. Gosto da Andréa desde Armação Ilimitada, passando por Mulheres de AreiaA viagem e Radical Chic. Acho terrível que ela aparece envelhecida e brega em A grande família. Acho lindo que ela também renasça, assim como Felipe, linda e charmosa como Ellen, em Som & Fúria.

Os vilões da vez são Regina Casé e Dan Stulbach. Já declarei meu amor pela Regina Casé aqui, em um texto sobre a Tina Pepper, de Cambalacho. E o Dan Stulbach… O Dan dá pra ver no Vale a pena ver de novo: é muito o Edgard, de Senhora do Destino e nada do Marcos, de Mulheres Apaixonadas. E a grande ironia desse papel dele em Som & Fúria é o amor do Dan pelo teatro e o descaso da personagem pelo mesmo!

Aí tem as duplas: a dupla da Brastemp, a dupla do Tangos & Tragédias… Tem o querido Gero Camilo, de Hoje é dia de Maria – a melhor coisa da TV em 2005, assim como Som & Fúria é a melhor de 2009.

Tem Pedro Paulo Rangel, que minha lembrança mais antiga vem de Vale Tudo, do Audálio, que todo mundo chamava de Poliana, porque era bom demais.

E tem Maria Flor e Daniel de Oliveira que eu conheço de… Malhação!

O personagem de Daniel, inclusive, foi ponto de partida pra uma das sempre louvadas campanhas de merchandising social de Malhação. Ele vivia o Marquinhos e em um determinado momento ficava paraplégico. Pro pessoal que desdenha de Malhação, taí…

Som & Fúria me deixa com aquele gostinho de quero mais… De pensar: ainda vou ter que esperar um dia pra ver o resto!

E isso é muito bom.

Checklist – De Senhora do Destino a Duas Caras

Por Luciana | 10/07/2009, 10h10

Dando continuidade a nossa série de textos tipo checklist, hoje vale a pena ver de novo (rá!) quem foi de Senhora do Destino direto para Duas Caras – novela mais recente do sempre celebrado Aguinaldo Silva. 

Vamos lá:

Marília Gabriela

Renata Sorrah

Suzana Vieira

Débora Falabella

José Wilker

Rodrigo Hilbert

Mara Manzan

Letícia Spiller

Marcela Barroso

Gottscha

Tarcísio Meira

Guida Viana

Bárbara Borges

Cristina Galvão

e Wolf Maya – ator e diretor das duas produções.

De Porto dos Milagres vieram Flávia Alessandra, Antônio Fagundes e Fúlvio Stefanini. E de Suave Veneno, Betty Faria, Ângelo Antônio, Totia Meireles, Nuno Leal Maia e Sérgio Viotti.

Ainda estou pensando se vou fazer ou não o checklist de Paraíso… Acho que vou deixar pro André, que é mais fã do Benedito Remake Ruy Barbosa…

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