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Porque nós adoramos novelas!

Arquivos: Remakes

A nova Perpétua

Por Luciana | 17/04/2009, 16h16

Se hoje Aguinaldo Silva fizesse um remake de Tieta, eu sugeriria Cássia Kiss para o papel de Perpétua.

Afina, a Mariana vivida pela atriz em Paraíso, de Benedito Ruy Barbosa, é quase uma irmã gêmea da personagem criada por Jorge Amado, adaptada por Aguinaldo Silva e inesquecivelmente interpretada por Joana Fomm.

Assim como Perpétua achava o filho Ricardo um santo e desejava fervorosamente que ele se tornasse padre, Mariana acredita piamente que a filha Maria Rita é uma santinha que se tornará freira.

Ao invés do coque de Perpétua, Cássia Kiss usa um cabelão solto de beata a pregar pra lá e pra cá contra o filho do diabo, Zeca.

Não seria sacrifício para Aguinaldo escalar Cássia para um possível remake de Tieta já que eles são velhos conhecidos.

Quem não se lembra da reprimida (e depois liberada) Dona Lulu, de Roque Santeiro; ou da bibliotecária Ilka Tibiriçá que era louca pra casar em Fera Ferida; ou ainda da maquiavélica Adma, de Porto dos Milagres?

Lembro ainda que em Fera Ferida Cássia e Joana eram irmãs – será que é por isso que estou achando as duas tão parecidas ao ver Paraíso?

Quando inventarem casal mais bonito…

Por Luciana | 11/04/2009, 16h16

Quando a Diná descobriu que o Otávio estava com uma doença terminal, muita gente no lugar dela se desesperaria ou se conformaria. Mas não.

Ela colocou na cabeça que iria salvá-lo através da medicina alternativa – cromoterapia, musicoterapia, cristais, ar puro, massagem, alimentação saudável, meditação, etc.

Esse tipo de atitude rara e, por isso mesmo, bela, vinha do fato dela sentir um amor tão forte e pleno que a fazia acreditar de verdade que poderia vencer a morte.

Lembro do Pedro Bala, do livro Capitães da Areia, de Jorge Amado. Perante a bondade de Pirulito e o ódio de Sem-Pernas ele disse: Nem o ódio, nem a bondade – só a luta.

Por mais que a gente soubesse de cor e salteado que o Otávio Jordão morreria, foi bonito ver duas, três vezes aquela mulher lutando apaixonadamente por ele. Talvez por isso ele fosse tão apaixonado por ela também.

Quando inventarem casal mais bonito, eu paro de falar n’A viagem.

As lágrimas levaram o título

Por Luciana | 24/03/2009, 16h16

“Além do horizonte
Deve ter algum lugar bonito
Pra viver em paz”

Eu assisti A Viagem três vezes e assistiria 100 vezes se 100 vezes ela fosse programada.

O curioso disso tudo é que da primeira vez eu estava no 1º ano do Ensino Médio; na segunda, no 1º ano de Letras; e na terceira, no 1º ano de Jornalismo – não quer dizer nada concreto, é apenas curioso, eu disse.

Essa novela aconteceu pela primeira vez na minha vida em 1994, um ano após a morte do meu pai. Minha mãe e eu assistíamos entre lágrimas e a novela foi um grande, um enorme conforto, mesmo que não tivéssemos nem um conhecimento mais profundo acerca do Espiritismo.

Penso que também tenha sido um bálsamo para Christiane Torloni, que um tempo antes havia perdido um de seus filhos gêmeos em um acidente doméstico. A Viagem marcou a volta da atriz às novelas, num exercício catártico – devido ao tema – imagino.

Há inúmeras cenas e detalhes que adoro. O casal principal feito por dois dos meus atores favoritos – a Jô Penteado e o Coronelzinho José Inocêncio; a música de abertura feita sob medida pelo Roupa Nova – campeão em trilhas sonoras de novela; Otávio mandando orquídeas diariamente para Diná – minhas flores favoritas, selvagens e belas; ela de azul-marinho, lindíssima, no primeiro encontro apaixonado deles, dançando de rosto colado numa boate; os olhos cor de mel da Diná; o sorriso encantador dele; a mensagem espírita, tocante, lida em off, ao final da novela, quando os dois viram uma só energia.

Naquela época meu cabelo era curtinho, chanel, e a turma na escola dizia que era o cabelo da Lisa, personagem da Andréa Beltrão.

Além disso, foi com A Viagem que aprendi uma palavra que adoro: diáfano! Porque o figurino da personagem de Torloni era diáfano. Já o figurino do Alexandre foi sempre o mesmo, a novela inteira!

Minhas amigas e eu ficávamos nos ligando no meio das cenas. A gente ligava e dava gritinhos histéricos quando o Otávio dizia algo bonito pra Diná. E ficávamos nos perguntando quando nosso amor de vidas passadas iria chegar, como iríamos saber, sentir que era ele!

Quando a Diná e o Otávio se reencontraram no outro plano, foi assim. Minha amiga Giselle e eu, aos gritos no telefone, cantando a música dos dois!

Mas a cena mais bonita de todas, pra mim, a cena que por mais ficcional que seja, enche meu peito todo de uma cega esperança – como já é de praxe –, é uma do último capítulo, onde a Diná reencontra a mãe dela. Ela está conversando com alguém e reconhece a mãe de relance, em um grupo enorme. E sai correndo que nem uma louca e cobre a mãe de beijos.

A novela vale inteira por essa cena, sabe? Vale agüentar as azucrinações do Alexandre, a chatinha da sobrinha da Diná, a sogra implicante do Raul, a mal-amada da Estela, porque no final acontece esse doce reencontro.

Meu pai e eu fazíamos muitas coisas juntos – ir ao supermercado, comprar roupas, almoçar, torcer no futebol, assistir novelas. Umas das últimas que assistimos juntos foi Fera Radical e Sinhá Moça, ambas no Vale a Pena Ver de Novo. E assistir A Viagem, pra mim, é sentir o meu pai por perto, mesmo que meus olhos não alcancem o seu sorriso no outro plano. Um dia, a gente vai se reencontrar e eu vou contar pra ele dessa novela e vou voltar a caber naquele abraço morno dele.

Retalhos no Paraíso e a audiência das seis

Por Marmota | 23/03/2009, 14h39

Ainda não tive a chance de assistir a um capítulo da nova versão de Paraíso. Pessoalmente, também não lembro da primeira versão (em 1982, tinha apenas cinco anos). Já sei que, no fim, o filho do diabo se casa com a santinha. Além disso, tudo o que ouvi a respeito da velha novidade das seis diz respeito a histórias recorrentes de Benedito Ruy Barbosa, autor de grandes sucessos da teledramaturgia brasileira mas que, desde 2003, anda meio sem pique pra criar muita coisa.

Antes de emplacar Pantanal, seu grande sucesso na TV, as histórias com temática interiorana do ex-repórter esportivo e publicitário (Cabocla, Sinhá Moça, Voltei pra Você)ocupavam exatamente o horário das seis – inclusive os mais de trezentos capítulos da saga de Os Imigrantes, na Bandeirantes.

Aliás, um adendo. Quando não é na fazenda, é no vaivém de um navio entre os anos 20 e 40 do século passado – como em Vida Nova ou Terra Nostra.

Mas enfim. Depois de chacoalhar a Globo com seu sucesso na Manchete, caiu direto para o horário nobre e, com três grandes sucessos seguidos, chegou ao auge: Renascer, O Rei do Gado e a já citada aventura de Matteo e Giovanna. Entre 1992 e 2000, Benedito era chamado de “o mago das oito”, graças a audiência de suas histórias.

Mas já nessa época, escrever um folhetim era tarefa penosa para o autor. E no meio de Esperança, em 2003, não suportou a pressão e deixou a novela no meio. Para deixá-lo ainda mais doente, Walcyr Carrasco ignorou as sugestões do autor titular, mexendo na trajetória de alguns personagens.

Todo esse histórico, que você já conhece, culminou com os remakes das seis horas, assinados por suas filhas Edmara e Edilene Barbosa: Cabocla, Sinhá Moça e, agora, Paraíso. O mais estranho é ouvir Benedito Ruy Barbosa dizer que, depois de Caminho das Índias e Viver a Vida, ele quer voltar com uma nova história…

Difícil acreditar nisso, já que:

- Nessa versão da história, Paraíso fica no Mato Grosso, e em seus arredores peões tocam gado tocando berrante (Pantanal!);

- Como em todas as outras histórias rurais, temos moda de viola, paisagens bucólicas, fazendeiros que não gostam de ser chamados de coronéis mas agem como, cantores-boiadeiros (como Sérgio Reis, Almir Sater e agora Daniel);

- Temos Maria Rita, a Santinha, assim como Maria Santa (Renascer), Maria das Graças (Sinhá Moça), Maria (Esperança) e Maria Marruá (Pantanal);

- Teve, no primeiro capítulo, uma fazenda na Bahia, um homem em carne viva diante de um Jequitibá salvo por um fazendeiro, além de um cramulhão pendurado na garrafa (Renascer!);

- Tem a eterna Zuca e o eterno Tomé (agora no papel principal), além do Jackson Costa e do Cosme dos Santos – aliás, Cosme dos Santos deve estar em todas as novelas do Benedito Ruy Barbosa!

Chamou minha atenção ainda a entrevista do autor e suas filhas semanas antes da estréia. Falavam da audiência de Negócio da China com desdém, como se o duscurso convencesse os telespectadores a darem uma chance. E na primeira semana, o Ibope foi implacável com Paraíso. Isso sem os efeitos das férias, do Carnaval, do horário de verão…

Pessoalmente, acredito que a questão está ligada aos hábitos dos espectadores. Quando não estão no trânsito ou cuidando da casa, preferem trocar os canais de TV a cabo, assistir a um DVD ou ao programa/série entregue via Internet, jogar videogame, navegar pela web, entre outras atividades interessantes.

Isto é, se houver um novo fracasso de audiência, tenha cautela antes de culpar as histórias repetidas do Benedito.

Do dia em que encontramos a Jô e o professor na Urca

Por Luciana | 18/03/2009, 16h16

O que fazer no Rio de Janeiro em um domingo ensolarado? Ir à praia ou ir à Urca-visitar-as-locações-de-A-gata-comeu?

Pedi singelamente a segunda opção à Viva e à Luna e fui atendida. Apesar de nem saberem que raios de novela a gente estava falando tanto, as meninas foram de boa com a gente até o bairro onde a Jô e o professor moravam.

E elas foram explicando que a Urca é o bairro mais sossegado e, por isso mesmo, mais cobiçado do Rio de Janeiro, que só tem uma entrada e que essa entrada também é a saída e por isso não tem quase perigo por lá, que o Rei Roberto Carlos mora lá!

Lógico que, na hora, todo o meu amor e o meu carinho por Ipanema, bossa nova, Vinicius & Cia. foi embora e eu entrei em transe por causa da Urca.

E passamos na praça onde os meninos brincavam; passamos na ponte da qual o professor jogou a Jô no mar; passamos talvez pelo prédio onde a Jô morava; passamos pela igreja onde o casal principal se casou; passamos, enfim, pela praia onde a novela termina ao som de Só pra o vento, do Ritchie.

Almoçamos em um bar/restaurante chamado Garota de Ipanema da Urca (hahahahahahaha!), bem de frente para a praia da Urca.

Depois passeamos pelo morro da Urca; vimos o bondinho, mas não subimos; fomos tomar uns sorvetes exóticos na Sorvete Brasil, bem aos pés do Pão de Açúcar; passeamos por lá, mas sem que a novela ficasse tão presente quanto no primeiro momento.

Seguimos pra Ipanema e todo o meu amor e o meu carinho voltou.

Dois dias depois, o sol apareceu outra vez e decidimos ir à praia. Se arruma daqui, se arruma dali, pega o carro. Quando saímos do estacionamento do hotel, a chuva caiu lindamente. Puxa, se a praia tinha miado, para onde iríamos?

Para a Urca, lógico.

Passear mais uma vez pelas ruas tranqüilas, tentar enxergar uma ou outra casa das personagens da novela, fazer fotinhas na igreja do Padre Aurélio.

Contei para o André de um grupo que se formou em 2001, quando A gata comeu foi reprisada pela segunda vez no Vale a pena ver de novo, e que também fez aquele tipo de passeio nostálgico que estávamos fazendo.

O grupo, na época, ficou tentando imaginar quem faria o casal protagonista no caso de um remake: Cláudia Raia e Edson Celulari, Letícia Sabatella e Marcos Palmeira, Viviane Pasmanter e Humberto Martins.

Eu ainda prefiro que reprisem. Um remake hoje não teria a mesma singeleza de A gata comeu – mesmo sabendo que A gata comeu é um remake de A barba azul… Não teria também o charme das locações da Urca – muito provavelmente uma Urca artificial seria construída no Projac…

Se perder em uma ilha deserta não daria mais, afinal, bastaria ligar do celular… Sonambulismo, amnésia, bateu-levou… Telefonemas anônimos… Um cara que se finge de cego, um outro que se finge de conde… Seria difícil trazer isso para os dias de hoje, mas reprisando a gente sempre se teletransporta…

Sem contar que Jô e Fábio pra mim são Christiane Torloni e Nuno Leal Maia. Sempre.

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