Ainda não tive a chance de assistir a um capítulo da nova versão de Paraíso. Pessoalmente, também não lembro da primeira versão (em 1982, tinha apenas cinco anos). Já sei que, no fim, o filho do diabo se casa com a santinha. Além disso, tudo o que ouvi a respeito da velha novidade das seis diz respeito a histórias recorrentes de Benedito Ruy Barbosa, autor de grandes sucessos da teledramaturgia brasileira mas que, desde 2003, anda meio sem pique pra criar muita coisa.
Antes de emplacar Pantanal, seu grande sucesso na TV, as histórias com temática interiorana do ex-repórter esportivo e publicitário (Cabocla, Sinhá Moça, Voltei pra Você)ocupavam exatamente o horário das seis – inclusive os mais de trezentos capítulos da saga de Os Imigrantes, na Bandeirantes.
Aliás, um adendo. Quando não é na fazenda, é no vaivém de um navio entre os anos 20 e 40 do século passado – como em Vida Nova ou Terra Nostra.
Mas enfim. Depois de chacoalhar a Globo com seu sucesso na Manchete, caiu direto para o horário nobre e, com três grandes sucessos seguidos, chegou ao auge: Renascer, O Rei do Gado e a já citada aventura de Matteo e Giovanna. Entre 1992 e 2000, Benedito era chamado de “o mago das oito”, graças a audiência de suas histórias.
Mas já nessa época, escrever um folhetim era tarefa penosa para o autor. E no meio de Esperança, em 2003, não suportou a pressão e deixou a novela no meio. Para deixá-lo ainda mais doente, Walcyr Carrasco ignorou as sugestões do autor titular, mexendo na trajetória de alguns personagens.
Todo esse histórico, que você já conhece, culminou com os remakes das seis horas, assinados por suas filhas Edmara e Edilene Barbosa: Cabocla, Sinhá Moça e, agora, Paraíso. O mais estranho é ouvir Benedito Ruy Barbosa dizer que, depois de Caminho das Índias e Viver a Vida, ele quer voltar com uma nova história…
Difícil acreditar nisso, já que:
- Nessa versão da história, Paraíso fica no Mato Grosso, e em seus arredores peões tocam gado tocando berrante (Pantanal!);
- Como em todas as outras histórias rurais, temos moda de viola, paisagens bucólicas, fazendeiros que não gostam de ser chamados de coronéis mas agem como, cantores-boiadeiros (como Sérgio Reis, Almir Sater e agora Daniel);
- Temos Maria Rita, a Santinha, assim como Maria Santa (Renascer), Maria das Graças (Sinhá Moça), Maria (Esperança) e Maria Marruá (Pantanal);
- Teve, no primeiro capítulo, uma fazenda na Bahia, um homem em carne viva diante de um Jequitibá salvo por um fazendeiro, além de um cramulhão pendurado na garrafa (Renascer!);
- Tem a eterna Zuca e o eterno Tomé (agora no papel principal), além do Jackson Costa e do Cosme dos Santos – aliás, Cosme dos Santos deve estar em todas as novelas do Benedito Ruy Barbosa!
Chamou minha atenção ainda a entrevista do autor e suas filhas semanas antes da estréia. Falavam da audiência de Negócio da China com desdém, como se o duscurso convencesse os telespectadores a darem uma chance. E na primeira semana, o Ibope foi implacável com Paraíso. Isso sem os efeitos das férias, do Carnaval, do horário de verão…
Pessoalmente, acredito que a questão está ligada aos hábitos dos espectadores. Quando não estão no trânsito ou cuidando da casa, preferem trocar os canais de TV a cabo, assistir a um DVD ou ao programa/série entregue via Internet, jogar videogame, navegar pela web, entre outras atividades interessantes.
Isto é, se houver um novo fracasso de audiência, tenha cautela antes de culpar as histórias repetidas do Benedito.