Não estou acompanhando a novela Tempos Modernos – ou seja, sou mais um que contribui para a baixa audiência da trama das sete. Assisti apenas a alguns relances dos primeiros capítulos. Não sei exatamente o porquê, mas não vi tantos defeitos assim na mistura que Bosco Brasil fez de 2001 Uma Odisséia No Espaço (aliás, será que o nome Bom Dia Frankestein, referência ao HAL9000 da novela, assustaria ainda mais o público) e Rei Lear (ou Rei Leal, com Gorette, Regiane e Cornélia “Nelinha” nos papéis de Goneril Regane e Cordélia).
A propósito, espero que seja apenas uma inspiração livre: na peça de Shakespeare, Leal renega seu filho bastardo e acaba rompendo duramente com Nelinha, que morre no final. Aliás, todo mundo morre no final.
Não importa: apesar da discussão bacana sobre o indivíduo que se enclausura numa redoma de segurança predial, todas as críticas que vejo são parecidas com as de Guilherme Werneck na Folha: personagens da galeria falando gírias que são uma brasa, mora, truta (inclusive Jairo Mattos, que com aquela cara de Karl Marx fez todas as adolescentes dos anos 90 esquecerem o galã Tadeu em Barriga de Aluguel); os diálogos infames entre Frank e os condôminos; piadas sem graça e sem timing…
Sem falar na desculpa de sempre: uma ex-BBB no elenco, independente de sua atuação ser boa ou não. Não vai demorar pro Aguinaldo Silva ser escalado para levantar o Ibope.
Enfim, as coisas também não parecem boas para a novela das oito/nove – que poderia se chamar Viver as Páginas das Mulheres da Vida Apaixonadas por Amor. Talvez nessa fase mais intempestiva, com Jorge e Miguel se estapeando por Luciana, Marcos e Bruno se estapeando pela esposa/madrasta Helena, além de Gustavo e Bettina se estapeando pra ver quem trai mais – tudo isso sendo observado com aquela carinha atônita da pequena Rafaela – os números podem até subir.
De qualquer forma, chama a atenção os números compilados pelo jornalista
Daniel Castro, do R7:


Repare que, no caso das sete, Tempos Modernos consegue ser pior que Bang Bang – considerado um dos maiores fracassos da década – ou As Filhas da Mãe, que precisou terminar logo já que ninguém compreendia aquela loucura toda… Ao mesmo tempo, é interessante observar o quanto as novelas globais estão perdendo audiência, ano a ano.
Uma das explicações mais evidentes já foi levantada aqui: as pessoas estão mudando seus hábitos. Passam mais tempo tomando chuva no trânsito, diante do computador mexendo em e-mails e redes sociais, ou mesmo na frente da TV, só que com outras aplicções, tais como videogames, DVDs ou transmissões à cabo.
Mas vejam: apesar dos números, novelas como Caras & Bocas receberam diversos elogios de seus espectadores. Mesmo Caminho das Índias, que teve seus altos e baixos, culminou com um prêmio internacional. De um jeito ou de outro, quando autores acertam a mão, a audiência parece não ser tão importante. Há quem elogie até mesmo Cama de Gato – apesar das três novelas conseguirem ter menos espectadores em relação a Alma Gêmea… Enfim, seria fuga de espectadores? Ruindade mesmo? Ambos?
Será que em 2010 o Raj vai descobrir que tem um filho com a Duda e que a Maya, o Opash & Cia. esconderam isso dele a novela inteira?
Sim, continuo detestando o final hipócrita de Caminho das Índias.
Ainda bem que agora estamos todos vivendo a vida no Leblon, na Barra, em Petrópolis, em Búzios… Lugares bem mais próximos, bem mais bonitos e sem o risco de ficar alguma trama mal resolvida, porque o Manoel Carlos tem mania de deixar pra resolver todas as tramas no último capítulo, mas resolve!
Enfim.
No final das contas, minha novela favorita dessa última temporada está acabando e ela se chama Caras & Bocas. Ágil como um seriado, divertida como toda novela das sete que se preze tem que ser, com alguns vilões que até se arrependem e com várias mocinhas valentes sem muito chororô, bem mais verossímil.
Ontem começou Dalva & Herivelto e essa merece um texto só pra si. Só pra deixar o gostinho, fico com as palavras da autora, a Maria Adelaide Amaral, e digo que “ah, Dalva e Herivelto foram como Courtney e Kurt da Era do Rádio brasileira”. Será?
Semana que vem começa Tempos Modernos e vamos aos destaques: Thiago Rodrigues fazendo par pela milésima vez com Fernanda Vasconcelos; Grazi do BBB de vilã, junto com o charme que é o Guilherme Weber; Felipe Camargo, voltando às novelas depois da temporada GLORIOSA de Som & Fúria, fazendo par com a Viviane Pasmanter; e, comandando essa massa toda que inclui ainda um robô chamado Frank – meio Transas & Caretas, lembra? -, ele, o NOSSO Antônio Fagundes!
Tá bom 2010 pra você?
PS – Ah é. Tem Cama de Gato. Bem, eu gosto do casalzinho Pedro e Débora e da musiquinha que o Nando Reis canta pra eles. Só.
Assisti a alguns capítulos esporádicos de Viver a Vida (desconfio que, se acompanhar a trama apenas uma vez a cada duas semanas, não vou perder nada). Chamou minha atenção algumas cenas onde o gêmeo Jorge (Mateus Solano) contracena com sua estagiária bonitinha. A moça, de nome Paixão, é amiga de Luciana (a futura tetraplégica vivida por Alinne Moraes) seguirá sua alcunha à risca ao se apaixonar pelo arquiteto.
Como não me lembrava da mocinha em lugar nenhum, tratei de procurar informações. A começar pelo site da novela. Apesar de encontrar fichas de personagens absolutamente relevantes (veja abaixo), não tem nada sobre a atriz bonitinha de nome fictício Paixão.

Apesar desse desprezo no site da novela, não foi difícil descobrir o nome da mocinha: Priscila Sol! Corri para o Google em busca de mais informações sobre a atriz. Mas… Surpresa!

Então descubro que Priscila Sol é uma curitibana, premiada mundialmente por sua atuação em pelo menos dez grandes sucessos do cinema pornô! Juro que minha ingenuidade me fez pensar, num relance: “mas é a mesma pessoa?”.
Lógico que não é a mesma pessoa. Mas é uma coincidência muito esquisita duas atrizes com o mesmo nome – sendo uma pornô, não?
A primeira referência dessa Priscila Sol, paulistana, é seu papel no cinema, como uma das fãs apaixonadas por Paulo Vilhena no filme O Magnata, de Chorão. Logo depois foi escalada para sua primeira novela: Água na Boca, exibida pela Band entre maio e dezembro de 2008. Priscila fez o papel de Renée Cassoulet, irmã da protagonista Dani (Rosane Mulholland). Era uma adolescente que buscava atenção de todos, usando artifícios curiosos – como se vestir de freira, mesmo na escola. Detalhe: enquanto a personagem tinha 17 anos, a atriz já tinha 28!

Antes de viver Paixão em sua estréia na Globo, Priscila Sol ainda foi vista numa participação especial na série “Os Descolados” da MTV. Agora, como certamente ganhará espaço na novela mais importante da TV, Priscila Sol – a que não é atriz pornô – vai ganhar merecido destaque.
E vou dizer: entre a Paixão e a pornô, prefiro a primeira. Você não?
Quando este espaço lembrou das Helenas de Manoel Carlos, o “pegador” Zé Mayer já havia sido lembrado. Aliás, não há como ignorar sua fama de conquistador – fato que, inclusive, rendeu matéria exclusiva no Fantástico deste domingo. Enfim, graças a isso, o protagonista de Viver a Vida que só precisou de dois capítulos para conquistar a Helena de Taís Araújo, tornou-se um dos nomes mais citados da Internet nesta semana.
Wagner Martins mostrou como é possível misturar ingredientes como uma personalidade conhecida, fatos exagerados e a confiança estabelecida entre suas relações em rede para criar um “meme de laboratório”. Assim como o #chucknorrisfacts em 2005 e o #interneyfacts em 2007, surgiu o #zemayerfacts, em homenagem ao maior comedor de Helenas da teledramaturgia.
Como a interseção entre “telespectadores ligados em novela” e “tuiteiros da moda” é grande, a quantidade de citações para #zemayerfacts no Twitter ultrapassou as dez mil na última quarta-feira, segundo o Blablabra. A brincadeira com a fama do ator sexagenário chegou ao mainstream ao entrar para o segundo lugar dos trending topics. Tornou-se pauta da Folha, da Época e até do The Guardian. Aproveitando o hype, Paulo Seabra abriu, rapidamente, um site exclusivo para abrigar as contribuições populares.
Tudo porque Zé Mayer não tem Twitter pois todo mundo sabe a resposta dele para “What are you doing?”. Zé Mayer não conta carneirinhos, conta Helenas. Don Juan se deitou com mil mulheres; Zé Mayer que passou o telefone delas. Maria era virgem porque José não era Mayer. Deviam mudar o nome do jogo Pac-Man pra Pac Mayer. Quando jovem, Zé Mayer gostava de escrever em seu diário, que mais tarde ficou conhecido como “Kama Sutra”. Não foi à toa que a revolução sexual aconteceu nos anos 60, quando Zé Mayer atingiu a puberdade. Novelas com o Zé Mayer não duram mais que 9 meses por conta da epidemia de licenças-maternidade no elenco. Segundo a Teoria da Relatividade, Zé Mayer pode pegar você ontem. O acessório mais vendido no sex shop é uma máscara do Zé Mayer. Zé Mayer perdeu a virgindade aos 16. Segundos. Na casa do Zé Mayer nem o azeite é virgem. A primeira Helena que Zé Mayer pegou foi a Helena de Tróia. Se você falar Zé Mayer três vezes, você perde a virgindade. Noé poderia ter poupado metade do espaço da Arca. Bastaria levar Zé Mayer e uma fêmea de cada espécie. Estão perguntando direto “o que Zé Mayer fez para ter essa repercursão toda”? Resposta: você.
Com Maneco: Se levarmos em conta apenas suas participações em novelas do Manoel Carlos, o meme já se justifica. Sua primeira relação com uma Helena foi em 1995, quando Carlos Alberto terminou História de Amor ao lado de Regina Duarte. Isso depois da resolução de um verdadeiro “quadrado amoroso”: assim como em Viver a Vida, Zé Mayer começa casado com Lilia Cabral e, durante a trama, ainda se envolve com Carolina Ferraz.
Mais tarde, em 2000, entrou em cena o “garanhão” Pedro, dono do Haras de Laços de Família. Era casado com a insossa Eliete Cigarini, mas era apaixonado pela Helena de Vera Fischer. Mas acabou nos braços de Helena Ranaldi – e só não pegou a assanhada Íris, de Deborah Secco, por falta de vontade (pasme!) O Tiago Cordeiro reviu minha memória: ele até fica com a Helena Ranaldi, mas termina sim com a Deborah Secco – o que, cá pra nós, seria a minha escolha também.
Antes de abalar as estruturas de mais uma Helena – Christiane Torloni, em Mulheres Apaixonadas, em 2003, deu tempo de ficar mais um pouco com Helena Ranaldi e ser atiçado por Mel Lisboa, em seu auge, na minissérie Presença de Anita. Mas voltando: o médico César passou o rodo no consultório, namorando com Carolina Kasting e Camila Pitanga, antes de ficar com Helena.
Finalmente, a última incursão no mundo realista de Maneco até então foi em Páginas da Vida, em 2006, com o galã Greg. Desta vez ele começa casado com a Helena de Regina Duarte, mas não demora para trocá-la por carne fresca. Corre atrás de Natália do Vale e, antes de terminar nos braços de Danielle Winits ainda tasca uns beijinhos em Roberta Rodrigues!
Sem Maneco: Mesmo sem a ajuda de Manoel Carlos, José Mayer também se dá bem. Seu primeiro papel de destaque na TV já foi um galã, o Ulisses de Guerra dos Sexos, que dava uns pegas em Maria Zilda (isso já em 1983). Dois anos mais tarde ele vira piloto de lancha antes de catar Deborah Evelyn, a Lenita de A Gata Comeu, ao som de I Should Have Known Better (o conhecido tema do “bombeiro”).
Entre 1988 e 1989, Zé Mayer ataca em profundidade: primeiro como Fernando Flores, no par romântico ao lado de Malu Mader em Fera Radical (onde ele também pegava Carla Camuratti), depois como o mulherengo Osnar, o sonho de consumo da Cinira de Rosane Goffmann, certamente um de seus papéis mais marcantes, em Tieta. Isso porque pulamos sua passagem por Hipertensão em 1987, onde seu Raul Galvão só aparece na trama para tirar Carla Marins dos braços de César Filho!
Nos anos 90, Zé Mayer ainda pegou Silvia Pfeiffer em Meu Bem Meu Mal, Vera Fischer em Pátria Minha, Angela Vieira em Meu Bem Querer e Adriana Esteves (coincidentemente, uma Helena) em A Indomada – na pele do egípcio Teobaldo Faruk, em 1997. Nesse meio tempo, ainda foi Caíque, um pai desconfiado em De Corpo e Alma, já que seu filho era mulatinho. Só foi descobrir seu verdadeiro rebento com Maria Zilda ao encontrar Pinguim, numa favela – lembram disso?
Tão sóbrio quanto Caíque foi seu Dirceu de Castro, o jornalista engajado de Senhora do Destino, em 2004 – que passa a novela toda curtindo o amor da protagonista Suzana Vieira mas, num arrebatamento tipicamente Zé Mayer, tasca um beijo inconsequente em Marília Gabriela, que acaba se encantando com o até então rival. Dois anos antes, Zé Mayer ainda arruma um teminho “nos anos 40″ para se casar com Priscila Fantim em Esperança.
E o que dizer de seu papel anterior, o riponga ufólogo Augusto César de A Favorita, onde mesmo abandonado por Giulia Gam, acaba nos braços dela no final? E mais: sem fazer qualquer esforço, acordou ao lado de Juliana Paes sem roupa em sua cama!
Conseguiu contar quantas foram as incursões de alcova do Zé Mayer em novelas? Isso porque certamente faltaram algumas. Fique à vontade para me ajudar a lembrar.
Glória Perez nos enfeitiçou por oito meses e, em pouco mais de uma hora, decidiu resolver tudo no último capítulo de Caminho das Índias. Ficou estranho, corrido. Segredos sem serem contados. Bahuan não disse uma palavra; Yvonne fugiu pela porta da frente do presídio; o Zeca não foi preso; a maldita da Surya se deu bem; e Raj ficou sem saber que tem um filho no Brasil. Are baba!
De qualquer forma, ainda que você não tenha se emocionado mais após o abraço de Opash em Shankar, acompanhar novelas pode ser divertido se estiver ao lado da pessoa certa. Como a Srta. Bianca: quem teve a chance de seguir seu Twitter durante o folhetim teve a chance de gargalhar quando, por exemplo, a Swat prendeu Mike em português: “o melhor é que tem polícia brasileira no exterior! É a Policia!”
Assim, ninguém melhor que a própria Srta. Bia para compartilhar conosco (obrigado!) suas impressões sobre essa estranha relação entre o Rio de Janeiro e o Rajastão, proporcionada pela autora acreana, discípula de Janete Clair e autora de outros grandes sucessos não menos discutíveis. Baguan queliê!
Caminho das Índias é uma novela que assisti do início ao fim. Sofri, chorei, dei risada, incorporei os bordões. E tenho certeza que tudo isso aconteceu porque também adorei O Clone. Adoro tudo que as pessoas detestam nas novelas de Glória Perez: a cafonice, os bordões, o surrealismo, a falta de preocupação com verossimilhança, fuso horário, distâncias continentais e situações absurdas. E nessa categoria O Clone e Caminho das Índias são obras gêmeas.
A primeira novela de Glória que acompanhei foi Barriga de Aluguel, não lembro se no “Vale a Pena ver de Novo”. Lembro especialmente da abertura, da Cláudia Abreu, da Cássia Kiss e da música “Feira de Acari”. Depois veio De Corpo e Alma, marcada muito mais pelo assassinato de Daniela Perez do que pela trama.
Em Explode Coração, Dara e o Cigano Igor já mostravam o que estava por vir, o multiculturalismo invadindo os pensamentos de Glória na história de uma cigana que se apaixona por um empresário por meio de uma sala de bate papo do UOL. Ela queria misturar culturas e fazer novelas amalucadas, cheias de núcleos e amores impossíveis.
Em 2001 veio O Clone. Giovanna Antonelli e Murilo Benício eram um casal bem sem graça, mas havia um enredo sobre clonagem por trás e uma série de personagens que soltavam bordões aos quatro ventos. Dona Jura com “Não é brinquedo não”. Os árabes que bradavam que todos iam “arder no mármore do inferno”. Depois veio América, novela que não vi quase nenhum capítulo por não gostar do tema rodeio e por descobrir que o boi Bandido atuava melhor que Murilo Benício e Deborah Secco juntos…
Acredito que, em Caminho das Índias, ela conseguiu todos os elementos que faltavam. Apesar de Márcio Garcia ser muito ruim, ele virou coadjuvante assim que Rodrigo Lombardi apareceu como Raj. Juliana Paes sofreu muito como toda mocinha de novela que se preze, mas apesar disso não me incomodei tanto ao ponto de achá-la chata – talvez pelo drama da mãe que quer proteger seu filho. Fiquei sensibilizada. Yvone e Surya foram vilãs convincentes, mas poucas vezes roubaram as cenas (a não ser quando contracenavam com Vera Fischer ou Maitê Proença). Tony Ramos, o novo rei da comédia brasileira, foi ótimo como Opash, assim como a maioria dos atores do núcleo indiano, especialmente os consagrados: Osmar Prado, Nívea Maria, Eliane Giardini, Laura Cardoso, Lima Duarte, Jandira Martini, Flávio Miglaccio. Estavam sempre divertidos, mas também deram show nas cenas tensas e emocionantes.
Glória Perez também não esqueceu das causas sociais e tratou de colocar o esquizofrênico Tarso e todo o núcleo da clínica do Dr. Castanho para falar sobre doenças mentais e os possíveis tratamentos. Fez vários alertas sobre prevenção de cancêr e como cuidar da saúde de bebês, por meio do personagem médico Lucas.
Porém, a grande novidade de Caminho das Índias foram os núcleos praticamente separados. Toda uma trama envolvendo os irmãos Cadore e a vilã Yvone. E houve o romance proibido de Maya e Bahuan na Índia formando o centro do núcleo indiano. Vimos personagens que transitaram por mais de um núcleo, mas por mais que Maya tenha trabalhado para Raul Cadore e Raj tenha perdido tempo em alguns capítulos tentando solucionar o caso do sumiço de Humberto Cunha, são tramas bem independentes. Em alguns momentos elas sofreram desgaste, pois uma parecia mais interessante que a outra. Christiane Torloni fez sua Melissa Cadore crescer e aparecer, assim como a Ex-BBB Juliana Alves e sua Suelen. Em compensação o núcleo escolar foi minguando e só não foi apaguado totalmente por causa dos amigos Dayse e Radesh.
Foi uma novela ágil, com várias subtramos predendo a atenção do espectador, especialmente nesses últimos meses, como vários segredos se revelando. No fim, o esperado é que os casais se reconciliem, os bebês tenham vida londa e próspera e as vilãs paguem seus pecados. No fim é isso que o povo quer, Dona Norminha sendo perdoada, Raj e Maya ficando juntos e o rádio tocando sem parar: “Você não vale nada, mas eu gosto de você”.
Seria cômodo demais dizer que foi de propósito atrasar em oito meses o relato sobre o dia em que tive a chance de conhecer a “fábrica de novelas” da Rede Globo, além de marcar presença num encontro informal com Glória Perez, autora de Caminho das Índias. Mais do que simplesmente agradecer (ainda que tardiamente) ao convite do Manoel Fernandes, esta é uma boa hora para avaliar a performance da personagem que motivou a visita de dezenas de blogueiros ao Projac, no Rio de Janeiro, em 9 de dezembro de 2008.
Até porque, desde a estréia da novela até aqui, a maior parte dos participantes da caravana se limitaram a comemorar suas presenças no passeio, associando-as com “a importância da blogosfera nas peoduções televisivas”. Alguns que não foram, evidentemente, esperaram algumas semanas para identificar como o tema seria abordado (ou não) pelo folhetim e capricharam no “mimimi” ao redigirem manifestações do gênero “pra quê tanto auê se no fim o tal blogueiro da novela não apareceu?”.
A propósito, pode ser que você não saiba, mas o blogueiro é o Indra (André Arteche), filho de Ashima (a heróica Mara Manzan), que deveria ser a ponte entre assuntos virtuais e o público do horário nobre. Durante o bate-papo, a autora caracterizou seu personagem como um adolescente indiano, que preserva alguns costumes tradicionais e os compara espantado com coisas que enxerga no Brasil. Mais ou menos o que vimos em Shanti (Carolina Oliveira) em sua estada pelo Rio – com a diferença que Indra teria maior intimidade com o computador e capacidade para compartilhar suas dúvidas na web.
Na prática, é um garoto comum, com um mix de culturas, e que mantém um blog. Já em dezembro, CrisDias fez a comparação certeira: “numa novela, um personagem que tem blog é a mesma coisa que um personagem que anda de bicicleta”. Seguindo pela mesma metáfora: a não ser que estejamos falando em um ciclista capaz de faturar a Volta da França, até mesmo a Shanti poderia ter criado um blog para dividir as impressões sobre suas viagens, por exemplo. Ou quem sabe o aprendiz do Doutor Castanho, que só aparece na trama para tentar entender aquilo que Yvone faz – e ele sequer imagina. Taí uma dupla que merecia um blog bem mais divertido que o do pacato morador da Lapa.
Não sei exatamente onde foi que Glória Perez, acostumada com o ambiente virtual desde o encontro de Dara e Júlio Falcão num chat de vídeo ainda em 1996 durante Explode Coração, escorregou com Indra. Além de ter seu próprio blog, a autora sabe perfeitamente do que a comunidade interconectada é capaz – mesmo em atitudes inexplicavelmente avessas, como os animais que protestavam a favor da fauna ameaçando-a de morte durante América. Talvez uma explicação possa ser desenvolvida a partir de outra declaração pinçada daquela tarde: “a novela apenas coloca o assunto em pauta; o resto é com as pessoas, a sociedade”.
Pois bem, caberia qualquer assunto, desde que fosse algo palatável a um público muito abrangente – que, convenhamos, está mais ligado com o destino das famílias dos Ananda ou dos Cadore. E qual era exatamente o assunto? Apenas blogs e suas relações com ferramentinhas? Nesse direcionamento, Guilherme Zaiden apareceu nos primeiros capítulos, produzindo um vídeo para o YouTube. Alguns outros blogs foram citados pelos personagens, mas dentro de outros contextos. Chegaram a propor a presença de Indra num Blogcamp, ou mesmo sua participação em uma blogagem coletiva… Mas vejam como todas estas ações ficaram limitadas a um plano individual, como se isso só importasse ao próprio Indra.
A impressão que se tem é a mesma alertada pela própria autora: o tempo da novela, mais longo, é bem diferente do tempo real de um blog. Ainda citando Glória Perez: “o personagem pensando não tem a mesma força do personagem agindo”. Pode ser que essa medida, somado a sua presença apenas trivial na trama, fez com que o blogueiro perdesse a grande oportunidade de mobilizar a audiência para discutir ao menos um tópico. E não estamos falando de suas incursões sexuais com Dona Norminha – o que, aliás, derruba a idéia de que nerds não pegam ninguém e já basta para que eu tire meu chapéu para o rapaz.
Mas voltando: se ninguém presta atenção se ele falasse de tudo um pouco, por que não focar na relação entre pais e professores, tema recorrente envolvendo Berenice (Sílvia Buarque), Ruth (Cissa Guimarães) e o zé ruela do Zeca (Duda Nagle), que mostrou ter mais familiaridade com HTML ao expor com facilidade a “gravidez artificial” da professora? A polêmica chegou a fazer barulho pela web… E o que o blogueiro da novela fez para incrementar o debate?
Indra chegou a ser considerado suspeito, mas se revelou um banana ao invés de descobrir e incentivar formas de manter sua privacidade online, propor discussões sobre o comportamento de pais e alunos diante da escola, convidando outros amigos a participarem do debate no Twitter (onde já se viu um blogueiro que não carrega seu celular com GPRS ou 3G para todo lado?). “As pessoas acham que a Internet é um território livre”, dizia Glória Perez em dezembro. Pois é, da forma como os estudantes daquele colégio se comportam – ou pior, se lembrarmos que a maior contribuição de Dona Val (Rosane Goffman) é o bordão “Jesus me abana” e a felicidade em esconder seu biotipo em avatares magros e bem vestidos no falido Second Life – , o pensamento do público-alvo continua sendo exatamente o mesmo.
Mas enfim, também não duvidaria se Glória Perez tivesse lembrado que Indra é um espelho do blogueiro brasileiro. Aquele representado por um grupo que, entre as melhores idéias defendidas, estava o “registro do domínio blogdoindra.com.br”. Ou ainda o tipo que, após visitar locações externas (incluindo a Lapa e o Ganges cenográfico), guarda-roupas, depósitos e moderníssimos estúdios (oportunidade que a Globo poderia transformar perfeitamente em visita guiada paga), reclama no meio do passeio: “ai, falta muito ainda pra irmos embora?”. Sem falar nos que só ressaltam sua importância, fazem mimimi ou inventam de escrever sobre isso apenas oito meses depois: se esperávamos um engajamento 2.0 na novela, talvez Indra não encontrou inspiração na realidade.
Eu não sei se ele é exatamente o público-alvo de Isa TKM, mas o fato é que o rapazinho de seis anos aqui de casa assiste a novelinha da Nickelodeon todos os dias – tipo, ele não vê Caras & Bocas, ele vê Isa TKM.
Pois bem.
Dia desses, resolvi acompanhar um capítulo com ele. Novelinha vai, novelinha vem, indaguei:
- Esse aí que é o namorado da Isa?
- Não… Eles já se beijaram, mas não são namorados…
- Hum… Mas por que não?
- Ah, porque ele tem medo de magoá-la.
* um minuto de silêncio.
Nessas horas, invariavelmente a gente cai na gargalhada e enche ele de beijos, sem medo de magoá-lo.
Estou há tempos para confessar: já tive uma fase intensa de novelas mexicanas.
Ao contrário da maioria, que só assistiu a Carrossel e olhe lá, eu vi umas tantas outras novelas mexicanas.
Qualquer dia desses vou escrever melhor sobre cada uma delas, mas por hora quero dizer que uma das coisas que acho mais bonitas em novelas mexicanas é o lance da bênção.
Os pais ou avós sempre abençoam suas crianças e jovens. Ao contrário do que acontece em algumas regiões do Brasil, lá no México a bênção consiste no sinal da cruz e de algumas palavras de consagração – no Brasil, no máximo, se diz: Deus te abençoe e se estende a mão para a pessoa que está pedindo a benção beijar…
Pra ilustrar, selecionei a última bênção que Luciana Vidal dá para a filha Cristina, em O Privilégio de Amar – em pensar que comecei a ver essa novela só porque a personagem principal se chamava Luciana…
Cristina vai se casar com Vitor Manuel, e antes pede a bênção da mãe. Veja AQUI.
Tempos atrás, em outro blog, escrevi um post sobre os dois pesos, duas medidas que a Globo dá aos atores.
O Kadu Moliterno estava no ar em Bang Bang e tinha espancado a esposa dele que o denunciou na polícia – a Globo não fez absolutamente nada com ele.
Ao contrário do que fez com Felipe Camargo que, ao se envolver em constantes brigas e atrasos com a esposa Vera Fischer, na época da novela Pátria Minha, de Gilberto Braga, na qual ambos atuavam, teve o personagem morto em um incêndio junto com o personagem da ex-miss Brasil.
Acontece que anos depois, Felipe caiu no ostracismo global, enquanto Vera protagonizava novelas da oito: Laços de Família, O Clone…
Agora Felipe Camargo está de volta em Som & Fúria, a série produzida pela O2 Filmes, de Fernando Meirelles, que é o melhor programa de 2009 da TV aberta.
Lembro de Felipe em Anos Dourados, na cena do baile… Lembro dele com a Isabela Garcia, em Roda de Fogo… Lembro do Édipo, de Mandala, lógico… Lembro do Adriano, de Sexo dos Anjos, também com a Isabela… Lembro do João, ex-presidiário de Despedida de Solteiro. Infelizmente mais não lembro. Felizmente, ele está de volta com Dante, que já é inesquecível pra mim.
Sobre Andréa Beltrão quero muito dizer que sempre a achei linda, charmosa mesmo. Gosto da Andréa desde Armação Ilimitada, passando por Mulheres de Areia, A viagem e Radical Chic. Acho terrível que ela aparece envelhecida e brega em A grande família. Acho lindo que ela também renasça, assim como Felipe, linda e charmosa como Ellen, em Som & Fúria.
Os vilões da vez são Regina Casé e Dan Stulbach. Já declarei meu amor pela Regina Casé aqui, em um texto sobre a Tina Pepper, de Cambalacho. E o Dan Stulbach… O Dan dá pra ver no Vale a pena ver de novo: é muito o Edgard, de Senhora do Destino e nada do Marcos, de Mulheres Apaixonadas. E a grande ironia desse papel dele em Som & Fúria é o amor do Dan pelo teatro e o descaso da personagem pelo mesmo!
Aí tem as duplas: a dupla da Brastemp, a dupla do Tangos & Tragédias… Tem o querido Gero Camilo, de Hoje é dia de Maria – a melhor coisa da TV em 2005, assim como Som & Fúria é a melhor de 2009.
Tem Pedro Paulo Rangel, que minha lembrança mais antiga vem de Vale Tudo, do Audálio, que todo mundo chamava de Poliana, porque era bom demais.
E tem Maria Flor e Daniel de Oliveira que eu conheço de… Malhação!
O personagem de Daniel, inclusive, foi ponto de partida pra uma das sempre louvadas campanhas de merchandising social de Malhação. Ele vivia o Marquinhos e em um determinado momento ficava paraplégico. Pro pessoal que desdenha de Malhação, taí…
Som & Fúria me deixa com aquele gostinho de quero mais… De pensar: ainda vou ter que esperar um dia pra ver o resto!
E isso é muito bom.
Dando continuidade a nossa série de textos tipo checklist, hoje vale a pena ver de novo (rá!) quem foi de Senhora do Destino direto para Duas Caras – novela mais recente do sempre celebrado Aguinaldo Silva.
Vamos lá:
Marília Gabriela
Renata Sorrah
Suzana Vieira
Débora Falabella
José Wilker
Rodrigo Hilbert
Mara Manzan
Letícia Spiller
Marcela Barroso
Gottscha
Tarcísio Meira
Guida Viana
Bárbara Borges
Cristina Galvão
e Wolf Maya – ator e diretor das duas produções.
De Porto dos Milagres vieram Flávia Alessandra, Antônio Fagundes e Fúlvio Stefanini. E de Suave Veneno, Betty Faria, Ângelo Antônio, Totia Meireles, Nuno Leal Maia e Sérgio Viotti.
Ainda estou pensando se vou fazer ou não o checklist de Paraíso… Acho que vou deixar pro André, que é mais fã do Benedito Remake Ruy Barbosa…