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Porque nós adoramos novelas!

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Isa TKM: em pensar que eu via Carrossel…

Por Luciana | 20/07/2009, 11h11

Eu não sei se ele é exatamente o público-alvo de Isa TKM, mas o fato é que o rapazinho de seis anos aqui de casa assiste a novelinha da Nickelodeon todos os dias – tipo, ele não vê Caras & Bocas, ele vê Isa TKM.

Pois bem.

Dia desses, resolvi acompanhar um capítulo com ele. Novelinha vai, novelinha vem, indaguei:

- Esse aí que é o namorado da Isa?

- Não… Eles já se beijaram, mas não são namorados…

- Hum… Mas por que não?

- Ah, porque ele tem medo de magoá-la.

* um minuto de silêncio.

Nessas horas, invariavelmente a gente cai na gargalhada e enche ele de beijos, sem medo de magoá-lo.

São Jorge das Novelas

Por Luciana | 23/04/2009, 17h03

Bem, não se trata de novela, mas a primeira vez que “visualizei” São Jorge foi n’O Sítio do Pica-pau Amarelo. Ele ficou vidrado nos bolinhos da Tia Nastácia!

Tempos depois, vi Gabriela no Vale a pena ver de novo e tudo se passava lá em São Jorge dos Ilhéus.

A novela começa com a zona cacaueira sofrendo por causa da falta de chuva.

O Coronel Ramiro Bastos – Paulo Gracindo como sempre impecável – manda-chuva da cidade, resolveu então organizar uma procissão que envolvesse a cidade inteira pedindo para que chovesse em por lá!

Acontece que todo ano tem a procissão de São Jorge na cidade, mas o esperto decidiu acrescentar mais dois “reforços” ao ato religioso: São Sebastião (santo dos ricos) e Santa Madalena (dos boêmios e das prostitutas).

São Jorge? São Jorge é o santo dos pobres. Se choveu em Ilhéus? Lógico, ou você não lembra da cena da Sônia Braga de vestido de chita azul colado ao corpo pela chuva?

Depois o outro São Jorge que me vem a memória é beeeem mais recente: o do pai do Carlão, de Pecado Capital, o seu Raimundo – interpretado pelo fofo Roberto Bonfim, no remake feito por Glória Perez da novela de Janete Clair.

Ele vivia se pegando com aquele São Jorge, pedindo pro santo dar jeito e juízo na vida do filho, mas não teve muito sucesso não…

O mais recente São Jorge que apareceu em novelas foi o do restaurante do Bernardinho, de Duas Caras, o Castelo de São Jorge, sociedade dele com Juvenal Antena, o rei da Portelinha.

Antes disso, o mais bacana de todos, em minha sincera opinião: o São Jorge de Daniel de Oliveira, na minissérie Hoje é dia de Maria – 2ª Jornada.

Entre muitos personagens, Daniel deu vida a quatro cavaleiros na minissérie: o Cavaleiro Branco ou Cavaleiro da Aurora, o Cavaleiro do Fogo, o Cavaleiro da Noite e o Cavaleiro da Justiça, que era São Jorge.

E o São Jorge da sua memória qual é?

A moda das novelas

Por Luciana | 13/04/2009, 16h16

Minha mãe, um dia desses ,me ligou do trabalho e disse que tinha comprado um presente pra mim:

- São as pulseiras da Maya! Douradas com detalhes vermelhos…

Pra quem é noveleira como eu não é vergonha seguir a modinha lançada pelas novelas – desde que com bom senso, claro…

Por isso, saio de vez em quando com minhas pulseirinhas da Maya, de Caminho das Índias, e elas fazem o maior sucesso. Mas é só. Nada de terceiro olho na testa, nada de brincão, nada de sári, nada de tatuagem de henna.

Fiquei lembrando das coisinhas todas que tive/tenho de personagens de novela…

Do batom Boka Loka lilás, de Victor Valentim, que minha mãe e eu usávamos na época de Ti ti ti… Do vestido longuete e florido da Buba, de Renascer, combinando com aqueles tênis-sapatilhas Keds, acho… Dos prendedores de cabelo da Raquel, de Mulheres de Areia, do tempo que eu tinha cabelão que nem a Glória Pires… Dos brincos e do cordão com pingente da Marina Batista, de Pedra sobre Pedra, com os quais minha mãe – sempre ela! – me presenteou quando fiz 13 anos… Da Menina-flor que meu pai me deu, boneca lançada pela Letícia em Mandala… Da minissaia xadrez que nem a da Lisa, de A viagem – meu cabelo também parecia com o da Andréa Beltrão naquela novela, bem curtinho… Dos vestidos longos e juvenis da Vitória, de Belíssima – eu tinha um vermelho e um cinza, lindos… Da gargantilha de couro com pingentes de florzinhas que a Bionda usava em Uga Uga… Do vestido trapézio preto com bolinhas brancas, mais retrô impossível, presente do papai, igualzinho aos usados pelas meninas de Armação dos Anjos, a cidade fictícia de Vamp… Do esmalte cor de tomate idêntico ao da Leona, de Cobras & Lagartos… Das passadeiras de cabelo bem largas como as de Isadora Venturini de Meu bem, meu mal

Lembrei também da tartaruguinha batizada de Gabriela, por conta da personagem de Miriam Rios em Ti ti ti – a mesma pela qual tínhamos argolas com lacinhos de todas as cores – e da cachorra nomeada Zmirah, que era o nome da aia vivida por Mila Moreira em Que rei sou eu?.

E você, até onde já seguiu a moda das novelas?

Rabito, Rabito, rá rá rá!

Por Luciana | 16/03/2009, 16h16

Entre duendes e fadas A terra encantada espera por nós Abra o seu coração, Em uma canção, em uma só voz”

Um dia desses, idealizando Top 5 esdrúxulos que eu jamais faria, pensei nesse: Top 5 de Cachorros de Novela. Seria uma bela ironia porque, na vida real, eu morro de medo de cachorro, mas na televisão eu adoro!

Aconteceu que meu Top 5 não passou de um Top 2 porque não consegui lembrar de cinco cachorros além do Maradona de Gaspar Kundera & família e do Rabito! Rabito, Rabito, rá rá rá! Hahahahahahahahahahahaha!

Como eu jamais faria um Top 5 que dirá um Top 2 desse naipe, esse texto vai ser todo dedicado ao Rabito e a sua turma, afinal, ele é Top 1 total pra quem assistiu à novela Carrossel.

Na época, a Globo passava em seu horário nobre a novela O Dono do Mundo: a Malu Mader era virgem e noiva de um cara; o Antônio Fagundes era chefe do noivo dela e a desvirginou antes do casamento, antes do noivo. Novelão…

Foi quando a professora Helena abriu as portas da Escola Mundial e seus alunos começaram a povoar a vida de muitas, muitas crianças e pré-adolescentes no Brasil. Eu incluso.

Eu não sei na sua escola, mas na minha todo mundo “brincava” de Carrossel, apelidando uns aos outros pelos nomes das personagens. Era tão séria a coisa que a menina mais inteligente da sala ia com o cabelo partido pro lado e duro de gel, idêntico ao da Maria Joaquina! E é lógico que eu não vou dizer quem eu era…

A história de Carrossel era bem mais acessível que a d’O Dono do Mundo: alunos de uma turminha de 2ª série viviam conflitos familiares e aventuras divertidas, sempre permeando suas ações com algum tipo de “mensagem do bem”, e tendo como eterna guardiã a professora Helena.

Era fácil gostar de Carrossel porque todos os estereótipos estavam lá; tudo o que a gente já foi um dia – ou ainda é.

Tinha o Cirilo que, era apaixonado e desprezado pela garota mais bonita, rica e inteligente da sala, Maria Joaquina, que por sua vez era preconceituosa e arrogante. A Laura, a menina gorda e romântica que é zoada por todos, mas que não liga muito porque afinal adora comer – nomeei de gorda porque acho hipocrisia chamá-la de “gordinha”. O Daniel, por quem a Laurinha era apaixonada.

Estudioso, amigo e cavalheiro – não à toa ele era o Presidente da Patrulha Salvadora!

O Jorge, o menino que chega de outra escola, arranca suspiros no início, mas depois mostra que é um chatinho. O Kokimoto e o Paulo, os endiabrados que pregavam tachinhas nas cadeiras dos colegas além de artimanhas mais pesadas, que faziam a irmã de Paulo, Marcelina, ficar sempre preocupada com ele. A Carmem, que convivia em casa com a crise do casamento dos pais e ia mal nos estudos por conta disso. A Bibi, que era de outro país, outra cultura.

O Jaime Palilo, querido e inesquecível, dono de um coração tão grande quanto ele próprio; sempre complicado nos estudos, a força do Jaime vinha da família amorosa que ele tinha. O Davi, judeuzinho que tinha uma tartaruguinha de estimação, era muito amigo da avozinha dele e apaixonado pela Valéria. A Valéria, a menina de óculos, sempre armando alguma travessura, mesmo sendo louca pela professora Helena.

E tinha o Mário. Sem piadinhas, por favor. O Mário era órfão de mãe e tinha uma madrasta que fez curso com as madrastas da Branca de Neve e da Cinderela. Ele chegou à turma como o garoto problemático, bem pior que Paulo e Koki. Mas tudo acabou mudando quando o pastor alemão Rabito apareceu na vida dele.

Eu devo confessar que chorei muito com o Mário. Toda vez que ele era ameaçado de ficar sem aquele cachorro era terrível pra mim.

Quem já rotulou ou já foi rotulado na vida entende e se identifica com Carrossel porque, repito, estão todos lá: o apaixonado desprezado, a bonita e preconceituosa, a gorda romântica, o nerd, o chato, os arteiros, a irmã caçula ignorada na escola, a filha de pais separados, a gringa, o burro amigão, o judeu, a quatro olhos, o órfão.

O órfão que tinha como melhor amigo um cachorro que, de tão querido por todos, era membro honorário da já citada Patrulha Salvadora – uma espécie de clube dos meninos, onde ao invés de se dedicarem a jogos e brincadeiras, se detinham em ajudar os amigos – que sonho de crianças, não?

A impressão que tenho hoje em dia é que foi sonho mesmo. Até pra eles, já que muitos dos atores só trabalharam em Carrossel e depois seguiram outras carreiras. Até pro SBT, que hoje em dia está trabalhando em uma adaptação da novela, a ser ambientada em uma escola municipal da periferia de São Paulo…

Eu não sei. Carrossel pra mim é aquela de 16 anos atrás, com aquela imagem ora verde, ora azul, com aquela dublagem, com aquele ambiente. Com as bichorras, com dois atores interpretando o Firmino, com o São Martim dos Pobres, com os cafés da manhã que pareciam almoço – um universo todo mexicano que pra gente passava natural. Bem mais natural que Antonio Fagundes na pele de um vilão…

Carrossel pra mim sou eu, você e todas as crianças que viveram aqueles dias. Brasileiras, mexicanas, ricas, pobres – crianças.

Carrossel pra mim é a lembrança do Rabito que era um cachorro que eu adorava, mesmo morrendo de medo de cachorro. Carrossel pra mim é uma celebração das mais divertidas: Rabito, Rabito, rá rá rá!

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