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Porque nós adoramos novelas!

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O Rei das aberturas de novelas

Por Marmota | 14/04/2009, 16h08

Esses dias, a Luciana citou Roupa Nova, atribuindo a eles o título de “campeão em trilhas sonoras de novela”. Fiquei lembrando como, realmente, algumas bandas e artistas atingem destaque ainda maior quando fazem parte da trilha sonora de uma novela.

Mais do que isso, como lembra Nilson Xavier em seu “Almanaque da Telenovela Brasileira”: até os anos 60, os cantores não gostavam de ter suas músicas atreladas a essas produções. Havia preconceito, vejam vocês! Só a partir de O Cafona, em 1969, com o sucesso de vendas da trilha, as coisas começaram a mudar.

Nesses últimos 40 anos, outros artistas são marcados por seus trabalhos em novelas. Nilson Xavier contou: Caetano Veloso e Gal Costa já ultrapassaram as cinquenta músicas em trilhas sonoras. Além do Roupa Nova, Simone, Fafá de Belém, Maria Bethânia, Marina Lima, Rita Lee, Fábio Jr., Milton Nascimento , Djavan e Lulu Santos também são recorrentes.

Sem falar em Ana Carolina e Adriana Calcanhoto, que nos últimos anos repetiram o mesmo fenômeno de Guilherme Arantes nos anos 70 e 80, emplacando vários hits.

Seria insanidade contar quantas vezes cada artista aparece nos discos e CDs nacionais e derivados. Mas se contarmos apenas as aberturas de novelas, você saberia dizer quem é o intérprete que mais aparece?


Sempre que lembro de Ney Matogrosso, vem à memória esse… Mmmhhh… Ousado clipe do Fantástico.

Desde 1977, Ney Matogrosso apareceu cantando “Bandido Corazon” na abertura de Coquetel de Amor – novela metalinguística de Espelho Mágico, foram oito aberturas na voz de Ney Matogrosso. Uma a mais em relação a Rita Lee, com Gal Costa completando o pódio.

O auge da carreira do ex-líder do Secos e Molhados coincidiu com sua presença em cinco aberturas entre o final dos anos 70 e o começo dos 80. Mais: a música “Não Existe Pecado ao Sul do Equador” (Chico Buarque), de Pecado Rasgado (1978) é a mesma que aparece na abertura de Dona Anja, exibida pelo SBT em 1997. Com dois adendos: a mais nova tinha ritmo de mambo, além do verso “vamos fazer um pecado safado debaixo do meu cobertor”, evidentemente proibido pela censura na versão anterior.

Dessa fase, as duas que me recordo com maior facilidade são as de duas comédias das sete: Jogo da Vida (1981), onde cantava “Vida vida que mais te quero ainda / linda vida que mais te faço linda”, e Vereda Tropical (1984), cujo tema de abertura era cantado em espanhol.

A primeira versão de Paraíso, de 1982, também tinha Ney Matogrosso na abertura. Promessas Demais, em uma canção assinada por Moraes Moreira, Zeca Barreto e o poeta Paulo Leminski. Depois dessas, ele demorou algum tempo para voltar a uma abertura da Globo.

Foi em 2003, com Kubanacan – a propósito, por razões misteriosas, a música-tema escreve-se “Coubanakan”. A oitava vez foi em Negócio da China (2008), onde o cantor aparece no primeiro capítulo cantando “Lig-Lig-Lig-Lé” em Macau, enquanto o mocinho briga com meio mundo no cassino – cenas que se repetiram em toda a abertura.


Chinês come somente uma vez por mês!

Ah sim, voltando ao Roupa Nova: esta reportagem da Folha relembra que o grupo é recordista em temas de novelas entre os anos 80 e 90, repercutindo em sua aceitação popular. “Artista que diz que não faz trabalho direcionado para o público é mentiroso. Se não é para o público, vai fazer para quem? Então, é melhor nem gravar”, diz Ricardo Feghali, tecladista e vocalista da banda. O mesmo se aplica às novelas, não?

Dona Beija no SBT: isso sim vale a pena ver de novo!

Por Luciana | 09/04/2009, 11h11

Por que eu sou fã do Silvio Santos?

Eu poderia dizer que é pelo Domingo no Parque da minha infância, pelo Qual é a música, pelo Namoro na TV, pelas Portas da Esperança.

Poderia ser também pelo Teleton ou pelo Show do Milhão ou pela Casa dos Artistas.

Poderia ser pelo Show de Calouros, pela Sessão das Dez que todas as filhas dele assistiram ao filme e recomendam, pelas novelas mexicanas – atire a primeira pedra quem não viu Carrossel.

Poderia ser também porque ele sempre dá um jeito de encaixar o Chaves nos horários mais malucos e ainda assim ter aquela audiência cativa.

Mas eu gosto do Silvio Santos – não só por tudo isso que citei – pelo poder que ele tem de surpreender.

O André já tinha até feito um post sobre Ana Raio & Zé Trovão aqui e todo mundo estava dando como certa a reprise da novela com a Ingra Liberato e o Almir Sater.

Pois bem.

Segunda-feira, lindo-louro-e-japonês, o Silvio Santos coloca Dona Beija na grade do SBT!

Isso sim é um “Vale a pena ver de novo” digno, afinal, a novela é de 1986, 23 anos atrás.

É bacana lembrar que quando a Manchete iniciou, o Bloch e o Marinho fizeram um acordo de cavalheiros no qual o primeiro não produziria novelas. Mas depois do sucesso da primeira transmissão de carnaval da Sapucaí, feita pela Manchete, o velho Bloch decidiu que queria ampliar sua aventura: a partir dali, iria fazer novela.

Em 1986 eu tinha seis, sete anos e lembro bem pouco da novela porque meus pais me cortavam geral de vê-la.

Mas lembro que eu tinha curiosidade em ver porque a novela era com a Maitê Proença e o Grancindo Jr. e um pouco antes eles tinham feito Marquesa de Santos – também pela Manchete – e essa eu tinha não só assistido como também gravado no novíssimo videocassete comprado por meus pais.

Marquesa de Santos passava à tarde e como eles trabalhavam, me instruíram a gravar os capítulos – dar pause nos intervalos e tudo mais. Eu me acha o máximo cumprindo essa tarefa!

Cara, eu achava a Maitê a mulher mais linda do mundo. Queria ter aquele cabelão dela, cheio de tranças, mas meu cabelo era curtinho que nem de menino quando eu era criança…

Uns anos depois, a própria Manchete reapresentou Dona Beija e pude ver umas cenas a mais.

Lembro nitidamente da abertura, da música – “beija-flor beija a menina / quem a fez assim tão divina / que lhe deu a pele tão pela / feito sol de primavera / senhora de tantos amores / a dona de Araxá / senhora também das dores / do povo de Araxá…” -; lembro dos banhos de cachoeira e do lance da lama ter poderes rejuvenescedores.

Lembro que o Ouvidor matou o avô da Ana – era o nome da Dona Beija – e a sequestrou, mas que quando transou com ela pela primeira vez amargou não ter sido o primeiro homem dela como ele gostaria – ela já tinha transado com o noivo, o Antônio, rá!; lembro que ela voltou para Araxá no dia do noivado ou do casamento do Antônio com a Aninha – a insossa Bia Seidl, que eu não curtia desde os tempos em que ela fazia a Gláucia, de A gata comeu! – lembro da Chácara do Jatobá e do Antônio indo lá noites e noites e da Beija escolhendo homens e homens menos ele.

Lembro que minha mãe comentava que o Clodovil uma vez ganhou um programa chamado “8 ou 800″, onde tinha que saber tudo sobre a vida de alguma personalidade – e ele sabia tudo sobre Dona Beija.

E mais não lembro e nem preciso, afinal, agora poderei ver tudo outra vez. ;)

Onde está o Aguinaldo Silva?

Por Marmota | 07/04/2009, 16h50

Pessoalmente, acho cedo reprisar um novelão que está muito fresco em nossa memória. Mas é curioso: mesmo com a imagem fresca na cabeça da surra de Do Carmo na vilã, de Isabel/Lindalva descobrindo a verdade, da morte do mequetrefe Reginaldo, da horrenda Naza na ponte de Paulo Afonso, ou da heroína pedindo pro Dirceu de Castro permissão pra casar com o “felomenal” Giovanni Improtta… Não tem como não querer assistir tudo novamente!

Detalhes que muitos podem achar “coisa de gente suburbana”, mas que transformaram Senhora do Destino na maior audiência das oito no Século 21 (mais: é a campeã de Ibope desde Rei do Gado, em 1996), sem precisar de um único “quem matou Fulano”. Méritos de um autor que decidiu renovar seu estilo “Tieta/Pedra Sobre Pedra/A Indomada/Roque Santeiro”.

Mas enfim, pra ir um pouco mais longe, essa semana a Luciana me avisou a respeito de um verdadeiro “Easter Egg”:

“Ei, sabia que o Aguinaldo Silva aparece na abertura da novela? Hoje eu o vi! Ele aparece ao lado da Angela Vieira!

Caceta, eu nunca tinha me dado conta! Mas é isso aí: entre os 800 anônimos usados na abertura ao estilo “onde está Wally?”, onde os atores saltam aos olhos em cores, lá está o inventor da trama. Faz todo sentido, afinal Maria do Carmo e Belém de São Francisco são, respectivamente, o nome da mãe e da cidade onde Aguinaldo Silva nasceu. É como se ele quisesse lembrar ao público: “você pode não me ver, mas estou presente o tempo todo”.

Mais uma razão pra prestar atenção na novela depois do almoço: brincar de “onde está o Aguinaldo” durante a passagem dos créditos e daquela galera em preto e branco. E de fato lá está ele, passando atrás do Marcelo Antony da Angela Vieira. Achou?

Mas ainda não acabou: existe outra versão da abertura, onde tanto o trecho da música “Encontros e Despedidas”, da Maria Rita, quanto a sequência dos personagens, são apresentados de forma completamente diferente. E a posição do Aguinaldo silva também muda! Tente descobrir.

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