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Porque nós adoramos novelas!

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Um encanto de novela

Por Marmota | 25/07/2011, 16h06

Há tanto a falar e sentir a respeito das movimentações dramatúrgicas da telinha nos últimos meses… Astros de um coração insensato que morde e assopra em pleno horário nobre. Felizmente, os interlocutores oficiais deste espaço – ainda atrapalhados com as interpéries da vida – podem contar com a visão certeira e sensível da Menina Eva, nossa moça do camarim, que nos brinda com esta participação especialíssima – e que nós assinamos logo abaixo!

Começou com os figurinos lindos, e a imagem que parece filmada em película.

Eu comecei a assistir Cordel Encantado na cantina da faculdade, após minha última aula. E quando vi, estava absolutamente viciada.

Em tudo. Viciada no sorriso lindo do Domingos Montagner (Capitão Herculano). Nos olhares meio maliciosos, meio engraçados meio neuróticos do João Miguel (que faz o Cangaceiro Belarmino).Viciada no clima de capa e espada, na trama de conto de fadas, na leveza nordestina.

No excelente trabalho que fizeram com os atores, que desenvolveram um sotaque uniforme, e interpretações boas – inclusive as crianças!

No desenho dos conflitos, capítulo após capítulo. Vi surgirem as parcerias, os namoricos, as relações de poder, chantagens e segredos.

E aí, que estou completamente viciada, e todo dia, quando acabam as aulas, eu faço um cálculo complexo: se dá tempo de chegar em casa até seis e meia da tarde, eu vou correndo pra parada de ônibus; se não dá tempo, eu preciso achar uma televisão. Preciso!

Outro dia, meu Sr. Galante (que é um santo de paciência, e, pra minha sorte, tão noveleiro quanto eu) perguntou pra mim, às seis da tarde:

- Amor, você quer lanchar onde? Sorvete, pizza…?
- Em qualquer lugar que tenha TV.

Transmiti o vício pra algumas pessoas. O já citado Sr. Galante discute animadamente comigo algumas peripécias da trama, e, como somos os dois estudantes da faculdade de Teatro, debatemos muito sobre caracterização de personagens. Ele gosta muito do trabalho do Osmar Prado (Delegado Batoré), e de como ele não compõe um tipo de vilão, nem de herói – é só um homem covarde, que quer manter uma vida segura e confortável, fazendo alianças e servindo aos poderosos; eu sou totalmente apaixonada pelos cangaceiros, particularmente os já citados João Miguel e Domingos Montagner, mas também o Tuca Andrada (Zóio-Furado), com aquela capa de remendos de couro, e o aspecto de príncipe maldito, ou coisa assim.

Minha mãe também foi mordida pelo bichinho cabra da peste, e nos dias em que não consigo assistir à novela (dias corridos e difíceis!), ela me recebe em casa assim:

- Tu viste a Ternurinha hoje?

Como se a personagem da Zezé Polessa fosse, digamos, nossa parente que mora no nordeste. Teve dias da mamãe me contar o capítulo todo como se fosse uma história da família, inclusive com comentários picantes (“Aí, ela olhou pra ele com uma cara de safada e disse ‘seu selvaaaaaaaagem, seu rústico’!”)

Aliás, digna de nota a interpretação de Zezé Polessa e do Marcos Caruso (Prefeito Patácio), perfeito com tiques, timbre de voz diferente, falas e marcações engraçadas. Dá a impressão que muito do que vemos na tela é resultado de improviso dele, e a afinidade entre os dois atores transborda para os personagens. O Prefeito Patácio chama a filha da Duquesa de…Duquinha. A Rainha-mãe é, logicamente, Rainha-Mainha, e quando a Ternurinha foi libertada do sequestro e saiu do acampamento dos cangaceiros, saiu vestindo uma roupa da “Cangaceira-Mainha”.

Estou completamente fascinada com o trabalho de produção, com os objetos de cena tão bem utilizados, com os cenários tão realistas que não parecem cidade cenográfica, e sim locação externa.

E, ao contrário de outras produções recentes da Tv Globo, o preciosismo de produção é acompanhado por um excelente texto. Eu detestei a série “Amazônia” exatamente por isso: a produção linda, inclusive filmada aqui em Manaus e no Acre, mas com personagens pouco cativantes, falas horrendas e cenas sem nexo (Christiane Torloni dançando flamenco para as araras…CUMÉQUIÉ?)

No momento, estamos todos preocupados. Houve um golpe de estado em Brogodó, o vilão está num momento de parente vitória, porém seus comparsas o utilizam como fantoche. Os heróis estão todos juntos, porém suas divergências internas podem prejudicar a causa.

E amanhã, segunda, recomeça a minha briga pra tentar estar em frente a uma televisão às seis e meia da tarde.

(As organizações Globo não me deram nem um centavo, nem um brinde para escrever este texto. Não fui convidada para conhecer as locações, não vou poder cheirar o cangote do Domingos Montagner, etc etc.)

Figurati, schifosa: chegou o Bingo de Passione!

Por Marmota | 29/07/2010, 20h59

Numa conversa com a especialista em novelas Bia Cardoso, um diálogo chamou minha atenção: “puxa, sempre que acompanho Passione, fico perdida com os diálogos em italiano da novela… Não entendo metade das coisas que eles dizem! Aliás… Bem que podíamos bolar uma espécie de bingo, não?”.

Pois eis que, graças a um trabalho colaborativo em dupla, em poucos minutos já estava pronto!

Agora, antes de cada capítulo começar, leve uma cópia da cartela acima e uma caneta diante da TV e divirta-se! A propósito, aceitamos sugestões para novas versões da brincadeira.

Passione, a novela favorita do meu pai

Por Marmota | 06/06/2010, 23h55

“Será que a véia vai dar o dinheiro pra esse malandro?”

Essa foi a última das reações do meu pai, diante do último capítulo de Passione. Por mais que a trama de Sílvio de Abreu, que substituiu a lenta e engatada Viver a Vida, esteja atravessando problemas no Ibope, ao menos em uma residência a história está fazendo algum sucesso.

Eu me arrisco a dizer, inclusive, que Passione é uma novela do gênero masculino. Por uma única razão: se o estereótipo da mulher consiste em uma fortaleza sem perder a ternura, a visão generalista do homem é a de um ser sacana, com desvio de valores mais acentuado. E é essa a impressão predominante, ao menos nestas primeiras semanas.

Senão, vejamos. Ao invés de Fernanda Montenegro e Cleyde Yáconis, que juntas somam quase duzentos anos de vida, os holofotes estão apontados para o casal Reynaldo Gianechinni e Mariana Ximenes, no papel de golpistas da zona leste. A bonitona, aliás, é neta de uma velha sebosa, que alicia uma jovem a qualquer fiscal da prefeitura que apareça no pedaço. Maitê Proença é a encarnação da sacanagem: a cada capítulo, ela encontra um moleque e lhe “passione” o rodo. Nem mesmo Tony Ramos, que era pra ser um italiano gente boa, escapa: sem muitas explicações, um mafioso de criativo nome Don Pepe aparece para tirar uma onda! Que badola!

Não é a primeira vez que o tema “Ibope” permeia uma discussão sobre uma telenovela. Esse, especificamente, é o caso de imaginar realmente uma fuga de telespectadores para outras informações. Difícil imaginar, no entanto, que Passione afugente seu público por excesso de ousadia: a discussão envolvendo valores é o pano de fundo para outras histórias, que mantém uma novela interessante: dramas familiares, romances, comédia e um mistério, que já sabemos quando será (por volta do centésimo capítulo), mas não sabemos qual.

Passione vai decolar, sem sombra de dúvidas. E meu pai não vai perder.

Audiência é problema de fuga ou de ruindade?

Por Marmota | 06/02/2010, 20h17

Não estou acompanhando a novela Tempos Modernos – ou seja, sou mais um que contribui para a baixa audiência da trama das sete. Assisti apenas a alguns relances dos primeiros capítulos. Não sei exatamente o porquê, mas não vi tantos defeitos assim na mistura que Bosco Brasil fez de 2001 Uma Odisséia No Espaço (aliás, será que o nome Bom Dia Frankestein, referência ao HAL9000 da novela, assustaria ainda mais o público) e Rei Lear (ou Rei Leal, com Gorette, Regiane e Cornélia “Nelinha” nos papéis de Goneril Regane e Cordélia).

A propósito, espero que seja apenas uma inspiração livre: na peça de Shakespeare, Leal renega seu filho bastardo e acaba rompendo duramente com Nelinha, que morre no final. Aliás, todo mundo morre no final.

Não importa: apesar da discussão bacana sobre o indivíduo que se enclausura numa redoma de segurança predial, todas as críticas que vejo são parecidas com as de Guilherme Werneck na Folha: personagens da galeria falando gírias que são uma brasa, mora, truta (inclusive Jairo Mattos, que com aquela cara de Karl Marx fez todas as adolescentes dos anos 90 esquecerem o galã Tadeu em Barriga de Aluguel); os diálogos infames entre Frank e os condôminos; piadas sem graça e sem timing…

Sem falar na desculpa de sempre: uma ex-BBB no elenco, independente de sua atuação ser boa ou não. Não vai demorar pro Aguinaldo Silva ser escalado para levantar o Ibope.

Enfim, as coisas também não parecem boas para a novela das oito/nove – que poderia se chamar Viver as Páginas das Mulheres da Vida Apaixonadas por Amor. Talvez nessa fase mais intempestiva, com Jorge e Miguel se estapeando por Luciana, Marcos e Bruno se estapeando pela esposa/madrasta Helena, além de Gustavo e Bettina se estapeando pra ver quem trai mais – tudo isso sendo observado com aquela carinha atônita da pequena Rafaela – os números podem até subir.

De qualquer forma, chama a atenção os números compilados pelo jornalista
Daniel Castro, do R7:

Repare que, no caso das sete, Tempos Modernos consegue ser pior que Bang Bang – considerado um dos maiores fracassos da década – ou As Filhas da Mãe, que precisou terminar logo já que ninguém compreendia aquela loucura toda… Ao mesmo tempo, é interessante observar o quanto as novelas globais estão perdendo audiência, ano a ano.

Uma das explicações mais evidentes já foi levantada aqui: as pessoas estão mudando seus hábitos. Passam mais tempo tomando chuva no trânsito, diante do computador mexendo em e-mails e redes sociais, ou mesmo na frente da TV, só que com outras aplicções, tais como videogames, DVDs ou transmissões à cabo.

Mas vejam: apesar dos números, novelas como Caras & Bocas receberam diversos elogios de seus espectadores. Mesmo Caminho das Índias, que teve seus altos e baixos, culminou com um prêmio internacional. De um jeito ou de outro, quando autores acertam a mão, a audiência parece não ser tão importante. Há quem elogie até mesmo Cama de Gato – apesar das três novelas conseguirem ter menos espectadores em relação a Alma Gêmea… Enfim, seria fuga de espectadores? Ruindade mesmo? Ambos?

Feliz 2010, sem Som & Fúria

Por Marmota | 04/01/2010, 20h09

Não podia deixar de começar 2010 aqui no Próximos Capítulos sem agradecer a você, que cai aqui ao total acaso, mas acabou tornando este espaço o de maior audiência do Dialetica.org! É uma pena, no entanto, que o ano novo não contará com um dos melhores seriados de 2009: Som & Fúria.

Pois é. Enquanto outras bombas como Força Tarefa e Cinquentinha terão continuação, as desventuras de Dante Oliveira no Theatro Municipal de São Paulo às voltas com obras de Shakespeare tiveram suas atividades “suspensas” pela TV Globo. Motivo: apesar da qualidade indiscutível e da falta que fez a tanta gente bacana, Som & Fúria não deu audiência.

Uma pena. Se eu fosse o diretor Fernando Meirelles, responsável pela adaptação do original canadense “Slings and Arrows”, faria algum tipo de barganha com a Globo. Algo como “vou buscar a segunda temporada numa parceria da O2 com a Record”. Rá! Lógico que o cenário é impensável: não faz sentido Som & Fúria sem os globais Felipe Camargo, Andréa Beltrão e Dan Stulbach.

Enfim, para matar saudades destes e de outros personagens – como o das duplas Brastemp Wandi e Arthur ou Tangos e Tragédias Nico e Hique – só nos resta o DVD, recém-lançado pela Globo Marcas. Curiosamente, repleto de elogios da crítica na caixa… Vai entender. De qualquer forma, vá atrás do seu antes que ele suma das prateleiras – ou você consegue encontrar, por exemplo, o DVD de Incidente em Antares, lançado em comemoração ao centenário de Érico Veríssimo em 2005?

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