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Porque nós adoramos novelas!

Um encanto de novela

Por André Marmota | 25/07/2011, 16h06

Há tanto a falar e sentir a respeito das movimentações dramatúrgicas da telinha nos últimos meses… Astros de um coração insensato que morde e assopra em pleno horário nobre. Felizmente, os interlocutores oficiais deste espaço – ainda atrapalhados com as interpéries da vida – podem contar com a visão certeira e sensível da Menina Eva, nossa moça do camarim, que nos brinda com esta participação especialíssima – e que nós assinamos logo abaixo!

Começou com os figurinos lindos, e a imagem que parece filmada em película.

Eu comecei a assistir Cordel Encantado na cantina da faculdade, após minha última aula. E quando vi, estava absolutamente viciada.

Em tudo. Viciada no sorriso lindo do Domingos Montagner (Capitão Herculano). Nos olhares meio maliciosos, meio engraçados meio neuróticos do João Miguel (que faz o Cangaceiro Belarmino).Viciada no clima de capa e espada, na trama de conto de fadas, na leveza nordestina.

No excelente trabalho que fizeram com os atores, que desenvolveram um sotaque uniforme, e interpretações boas – inclusive as crianças!

No desenho dos conflitos, capítulo após capítulo. Vi surgirem as parcerias, os namoricos, as relações de poder, chantagens e segredos.

E aí, que estou completamente viciada, e todo dia, quando acabam as aulas, eu faço um cálculo complexo: se dá tempo de chegar em casa até seis e meia da tarde, eu vou correndo pra parada de ônibus; se não dá tempo, eu preciso achar uma televisão. Preciso!

Outro dia, meu Sr. Galante (que é um santo de paciência, e, pra minha sorte, tão noveleiro quanto eu) perguntou pra mim, às seis da tarde:

- Amor, você quer lanchar onde? Sorvete, pizza…?
- Em qualquer lugar que tenha TV.

Transmiti o vício pra algumas pessoas. O já citado Sr. Galante discute animadamente comigo algumas peripécias da trama, e, como somos os dois estudantes da faculdade de Teatro, debatemos muito sobre caracterização de personagens. Ele gosta muito do trabalho do Osmar Prado (Delegado Batoré), e de como ele não compõe um tipo de vilão, nem de herói – é só um homem covarde, que quer manter uma vida segura e confortável, fazendo alianças e servindo aos poderosos; eu sou totalmente apaixonada pelos cangaceiros, particularmente os já citados João Miguel e Domingos Montagner, mas também o Tuca Andrada (Zóio-Furado), com aquela capa de remendos de couro, e o aspecto de príncipe maldito, ou coisa assim.

Minha mãe também foi mordida pelo bichinho cabra da peste, e nos dias em que não consigo assistir à novela (dias corridos e difíceis!), ela me recebe em casa assim:

- Tu viste a Ternurinha hoje?

Como se a personagem da Zezé Polessa fosse, digamos, nossa parente que mora no nordeste. Teve dias da mamãe me contar o capítulo todo como se fosse uma história da família, inclusive com comentários picantes (“Aí, ela olhou pra ele com uma cara de safada e disse ‘seu selvaaaaaaaagem, seu rústico’!”)

Aliás, digna de nota a interpretação de Zezé Polessa e do Marcos Caruso (Prefeito Patácio), perfeito com tiques, timbre de voz diferente, falas e marcações engraçadas. Dá a impressão que muito do que vemos na tela é resultado de improviso dele, e a afinidade entre os dois atores transborda para os personagens. O Prefeito Patácio chama a filha da Duquesa de…Duquinha. A Rainha-mãe é, logicamente, Rainha-Mainha, e quando a Ternurinha foi libertada do sequestro e saiu do acampamento dos cangaceiros, saiu vestindo uma roupa da “Cangaceira-Mainha”.

Estou completamente fascinada com o trabalho de produção, com os objetos de cena tão bem utilizados, com os cenários tão realistas que não parecem cidade cenográfica, e sim locação externa.

E, ao contrário de outras produções recentes da Tv Globo, o preciosismo de produção é acompanhado por um excelente texto. Eu detestei a série “Amazônia” exatamente por isso: a produção linda, inclusive filmada aqui em Manaus e no Acre, mas com personagens pouco cativantes, falas horrendas e cenas sem nexo (Christiane Torloni dançando flamenco para as araras…CUMÉQUIÉ?)

No momento, estamos todos preocupados. Houve um golpe de estado em Brogodó, o vilão está num momento de parente vitória, porém seus comparsas o utilizam como fantoche. Os heróis estão todos juntos, porém suas divergências internas podem prejudicar a causa.

E amanhã, segunda, recomeça a minha briga pra tentar estar em frente a uma televisão às seis e meia da tarde.

(As organizações Globo não me deram nem um centavo, nem um brinde para escrever este texto. Não fui convidada para conhecer as locações, não vou poder cheirar o cangote do Domingos Montagner, etc etc.)

Figurati, schifosa: chegou o Bingo de Passione!

Por André Marmota | 29/07/2010, 20h59

Numa conversa com a especialista em novelas Bia Cardoso, um diálogo chamou minha atenção: “puxa, sempre que acompanho Passione, fico perdida com os diálogos em italiano da novela… Não entendo metade das coisas que eles dizem! Aliás… Bem que podíamos bolar uma espécie de bingo, não?”.

Pois eis que, graças a um trabalho colaborativo em dupla, em poucos minutos já estava pronto!

Agora, antes de cada capítulo começar, leve uma cópia da cartela acima e uma caneta diante da TV e divirta-se! A propósito, aceitamos sugestões para novas versões da brincadeira.

Passione, a novela favorita do meu pai

Por André Marmota | 06/06/2010, 23h55

“Será que a véia vai dar o dinheiro pra esse malandro?”

Essa foi a última das reações do meu pai, diante do último capítulo de Passione. Por mais que a trama de Sílvio de Abreu, que substituiu a lenta e engatada Viver a Vida, esteja atravessando problemas no Ibope, ao menos em uma residência a história está fazendo algum sucesso.

Eu me arrisco a dizer, inclusive, que Passione é uma novela do gênero masculino. Por uma única razão: se o estereótipo da mulher consiste em uma fortaleza sem perder a ternura, a visão generalista do homem é a de um ser sacana, com desvio de valores mais acentuado. E é essa a impressão predominante, ao menos nestas primeiras semanas.

Senão, vejamos. Ao invés de Fernanda Montenegro e Cleyde Yáconis, que juntas somam quase duzentos anos de vida, os holofotes estão apontados para o casal Reynaldo Gianechinni e Mariana Ximenes, no papel de golpistas da zona leste. A bonitona, aliás, é neta de uma velha sebosa, que alicia uma jovem a qualquer fiscal da prefeitura que apareça no pedaço. Maitê Proença é a encarnação da sacanagem: a cada capítulo, ela encontra um moleque e lhe “passione” o rodo. Nem mesmo Tony Ramos, que era pra ser um italiano gente boa, escapa: sem muitas explicações, um mafioso de criativo nome Don Pepe aparece para tirar uma onda! Que badola!

Não é a primeira vez que o tema “Ibope” permeia uma discussão sobre uma telenovela. Esse, especificamente, é o caso de imaginar realmente uma fuga de telespectadores para outras informações. Difícil imaginar, no entanto, que Passione afugente seu público por excesso de ousadia: a discussão envolvendo valores é o pano de fundo para outras histórias, que mantém uma novela interessante: dramas familiares, romances, comédia e um mistério, que já sabemos quando será (por volta do centésimo capítulo), mas não sabemos qual.

Passione vai decolar, sem sombra de dúvidas. E meu pai não vai perder.

Breves considerações sobre Sinhá Moça

Por Luciana | 16/04/2010, 13h26

Quando eu digo que vi a primeira versão de Sinhá Moça muita gente se espanta.

Mas é verdade.

Sou de um tempo em que a Sinhá Moça era estrábica que nem a Lucélia Santos. Sou de um tempo em que o Marcos Paulo ainda não tinha se embandeirado completamente pra ser diretor e fazia as vezes de Irmão do Quilombo.

Dia desses, algumas pessoas comentando sobre a Ana do Véu, e eu: em pensar que a primeira Ana do Véu foi a Patrícia Pillar… Essa sim, de uma beleza desconcertante que paralisou o público quando descobriu o rosto.

Agora, Patrícia Pillar é a mãe da Sinhá Moça. Uma Sinhá Moça muito mais delicada e competente, diga-se, feita por Débora Falabella – que ouve os versos de Laços de fita, de Castro Alves, da boca do Doutor Rodolfo feito por Danton Mello. Isso tudo com um efeito de cinema que é dos acabamentos mais bonitos que já fizeram pra novelas.

Quando a primeira versão de Sinhá Moça passou no Vale a pena ver de novo, eu lembro de assistir a novela com meu pai, espichados os dois na rede. Lembro que não perdíamos as diabruras do Barão de Araruna feito pelo Rubens de Falco – o Barão de Osmar Prado até que tem um toque de humanidade, onde já se viu?…

Hoje não tenho mais tempo de ver pela segunda vez a segunda versão da novela das seis de Benedito Ruy Barbosa, revigorada pelas filhas dele. Mas quem já viu Cabocla e Paraíso por esses tempos também não deve se lamentar.

Alinne Moraes: de Silvia a Luciana ou Dos banhos de Miguel & Luciana

Por Luciana | 06/04/2010, 19h44

Quero registrar uma constatação sobre Alinne Moraes e outra sobre Luciana, personagem dela em Viver a vida.

Eu jurava que quem ia vencer o Melhor Atriz do Faustão era a Lília Cabral. Mas resolveram dar o prêmio ATRASADO a Alinne Moraes.

Afinal, quem há de negar que Silvia, a vilã franjuda de Duas Caras, não merecia todos os prêmios?

Enfim.

Sobre a Luciana, as duas cenas mais lindas da novela o Manoel Carlos reservou pra ela.

Duas cenas de banho.

Uma na virada do ano, banho de mar com Miguel.

Outra, ontem, após ser pedida em casamento, no chuveiro de casa.

Lindas. Tocantes. Mágicas.

PS – Minha mãe e eu concordamos: a verdadeira HELENA de Viver a vida é a Teresa, de Lília Cabral.

PS2 – Meu sabonete líquido é igual ao que a Luciana passou no Miguel ontem. É de mel e limão e é incrível!

PS3 – Quando Alinne se ausentou da novela por problemas de saúde, que marasmo foi aquele?

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