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Minority Repórter

Minority Repórter

Ooh La La!

Esclarecimento

Por Tainá Aires | 19/03/2010, 15h31

Pausa no trabalho para esclarecimentos:

Impressionante como uns e outros criticaram o e-mail que publiquei no Twitter sobre o caso do concurso de fotografia do Diário do Pará. Muitos afirmaram que não chequei a informação, quando nenhum deles me segue e pegou o bonde andando. Logo depois que postei o e-mail, escrevi a seguinte frase: “Só pra deixar bem claro, essas são palavras do tal fotógrafo. Eu não tenho nada a ver com isso e nem confirmei a informação”.

Em seguida, conversando com o meu namorado no próprio Twitter, comentamos que procuramos o nome do autor do e-mail no Google, mas não encontramos nenhum registro. Se o cara existe, ninguém sabe. Mas o fato é que um funcionário do Diário do Pará foi premiado no concurso.

E isso, definitivamente, não quer dizer que eu esteja desmerecendo o trabalho dele. O que acho injusto é que um regulamento permita que os funcionários se inscrevam em um concurso promovido pela própria empresa em que trabalham. Todos sabem que isso abre precedente para as pessoas duvidarem da idoneidade do concurso, seja ele do Arte Pará, que é promovido pelas ORM, ou do próprio Diário.

Acima de tudo, quero deixar bem claro que quem quiser seguir meu perfil no Twitter não espere uma jornalista. Lá eu sou a Tainá Costa Aires Araujo, filha da Nilda, e que não recebe nada para ficar publicando seja lá o que for. Tenho obrigações com o jornal onde trabalho, não com qualquer um de vocês. No Twitter, eu dou minha opinião sobre o que EU QUISER E BEM ENTENDER! Se tiverem achando ruim, comecem a criticar o William Bonner e o Edson Aran.

Abraço.

Jornalismo Cultural? Não, obrigada.

Por Tainá Aires | 11/11/2009, 10h01

Jornalismo Cultural sempre foi um tema muito recorrente na minha vida. Não por vontade de seguir carreira nesta especialidade, mas por sempre ter tido uma visão muito crítica do assunto. Em Belém, é comum observarmos nos jornais da cidade releases de artistas que são publicados na íntegra, CDs infames que são divulgados como verdadeiras obras-primas da música brasileira e, para completar, aquela coluna canalha de fofocas na última página, que me fazem ter a impressão que estou lendo um informe publicitário de caderno empresarial.

Durante o almoço de ontem no jornal onde de trabalho, a discussão era como o jornalismo cultural deixou de ter o mínimo de senso crítico no Pará. Quem trabalha em redação sabe que, muitas vezes, se escreve sobre uma peça que não se viu, um CD que não se ouviu ou até mesmo um livro que não se leu. Tudo pela falta de tempo, organização e planejamento dos jornais desta querida cidade das mangueiras. E é por causa disso que, ao invés de comentarem determinada obra, os jornalistas escrevem matérias baseadas naquilo que ouviram do próprio autor. Ou seja, nada mais que declarações de autopromoção.

Parece que colocaram na cabeça dos profissionais de Belém que jornalismo é troca de favores, quando é exatamente o contrário. É óbvio que não podemos ofender ninguém com determina matéria e nem ser injusto com o outro lado, mas o que não dá para tolerar é essa dependência dos artistas da cidade, esse medo de falar que não gostou da música do fulano e ponto, por exemplo.

Há alguns dias, um jornalista do Diário do Pará, chamado Leonardo Fernandes, publicou um texto que causou muita polêmica por aqui. Ele falava de uma peça que, apesar de ser baseada em uma obra famosa, tinha entre outros atrativos a nudez dos atores. Informação que foi tirada de fotos de um release do espetáculo. Informação que também foi negada, posteriormente, pelos próprios produtores da peça. Conclusão: até o release de um espetáculo pode faltar com a verdade.

No mesmo dia em que essa matéria foi publicada, os produtores resolveram fazer uma campanha contra o jornalista, dizendo, inclusive, que ele significava a MORTE e o LUTO do jornalismo cultural paraense – ok, pausa para risos. Eles podem até ter certa razão devido ao repórter não ter assistido a peça, mas propaganda enganosa, meu povo? Pera lá, né? O fato é que artista não sabe ser criticado, que os jornais também não sabem lidar com a crítica dos artistas, por medo de represália, por medo de serem impedidos de participar do próximo espetáculo, por medo de não ganharem o ingresso daquele show super bacana que vai acontecer no próximo final de semana.

E é por isso que admiro a coragem do repórter em ter escrito sua opinião sobre aquele espetáculo, assim como fez em muitas outras matérias. Mas que fique a dica de que na próxima vez, se o jornal tiver se organizado, é claro, ele assista a peça, ou seja lá o que for,  antes de comentar qualquer coisa. 

Outro caso foi de uma entrevista ping-pong publicada no caderno Mulher, de O Liberal, sobre a tão querida e simpática grande atriz (NOT!) Luana Piovani. A mulher deu um chilique no seu blog por ter tido uma declaração deturpada por uma jornalista do grupo ORM. Provas de quem estava falando a verdade, ninguém tinha. Mas o que quero dizer com isso é que não tenho saco para lidar com artista, para lidar com egos inflados e, muito menos, com jornalismo medíocre. E se um dia eu tiver que escrever para alguma publicação de cultura, paciência. Enquanto isso, muito obrigada, galera, mas eu passo!

Delírio ou realidade?

Por Tainá Aires | 28/10/2009, 10h37

Representantes do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa) estiveram ontem em frente à Santa Casa de Misericórdia do Pará para exigir que a delegada do Pro Paz, Aline Holanda, fosse retirada do cargo. O motivo do protesto foi a solicitação da prisão preventiva do médico anestesista Mauro C., acusado de abusar sexualmente de uma adolescente de 14 anos no centro cirúrgico do hospital, na semana passada. Segundo o sindicato, a atitude da delegada foi precipitada e irresponsável, já que o médico não teve o direito de se defender e os efeitos psicológicos da anestesia para o procedimento de curetagem realizado na jovem não foram levados em consideração.

Mauro C. passou quatro dias na cadeia e foi liberado no último dia 24, após a intervenção do Ministério Público do Estado. O caso, que repercutiu nacionalmente, manchou a carreira profissional do anestesista para sempre, de acordo com o diretor administrativo do Sindmepa, João Gouveia. “Agora, vamos trabalhar no resgate da imagem do nosso colega. Não estamos fazendo juízo do inquérito, dizendo que ele é inocente ou não, mas nada foi comprovado. O que se tem é apenas o depoimento de uma adolescente”, explicou.

O diretor do sindicato disse ainda que exames deveriam ter sido feitos na menina após a denúncia, já que a anestesia pode provocar delírios. No entanto, nem a Santa Casa de Misericórdia e nem o Sindmepa souberam informar o nome do medicamento utilizado durante a curetagem, procedimento que retira os restos feitais do útero após aborto. Principalmente, porque quatro pessoas que prestaram depoimento em favor do acusado afirmaram que em momento algum ele ficou sozinho com a adolescente.

João Gouveia também acusou Aline Holanda de ser “despreparada para o cargo de delegada”. Isso porque, segundo ele, ao invés de investigar a situação, ela tomou partido da adolescente, por ser do Pro Paz, e estava confundindo as coisas. O diretor informou, inclusive, que vai entrar com uma ação contra o Governo do Estado por causa dos danos morais causados ao médico anestesista. “O colega está em casa sem condições de trabalhar. Foram 20 anos de carreira jogados no ralo por causa da irresponsabilidade da delegada. Ela quer fazer papel de juíza, mas está na função errada”, informou.

Os pais do médico anetesista também estiveram no protesto. De acordo com João Gouveia, eles estão se sentindo ultrajados e humilhados com a atitude da delegada. “Eles dizem que nunca passaram por uma situação parecida na vida e que jamais o filho seria capaz de uma atitude como esta. E que vão exigir que, após provada a inocência do médico, que querem que a delegada peça desculpas publicamente”, contou.

O departamento jurídico do sindicato vai encaminhar um documento ao Conselho Nacional de Justiça solicitando a avaliação legal dos procedimentos judiciais neste tipo de denúncia, com o intuito de reguardar o direito de defesa dos acusados, como determina a Constituição Federal.

De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Civil, a delegada do Pro Paz não vai mais se manifestar sobre o assunto e vai manter o que disse na coletiva realizada na semana passada, em que declarou que acredita no depoimento da adolescente.

ANESTESIA

Eu conversei com o médico anestesista Luís Paulo Araújo sobre os efeitos dos medicamentos anestésicos. No caso da adolescente, ele informou que, mesmo não sabendo o nome do remédio aplicado para a curetagem, é possível que ela tenha delirado. Em especial, por ser ainda mais vulnerável que uma pessoa adulta. “Uma jovem com apenas 14 anos, que devia estar assustada, e, possivelmente, não conhecia o procedimento da curetagem, provavelmente ficaria abalada psicologicamente”, explicou.

Além disso, como teve que ficar em posição ginecológica – com as pernas abertas -, deve ter se sentido bastante constrangida. E, sob efeito de uma anestesia, qualquer coisa que falassem ou fizessem com ela poderia ser mal interpretada. “Como o anestesista foi o último a ter contato com a adolescente, a única pessoa que ela poderia culpar era ele. É bem comum que, ao ficar consciente, a pessoa acuse alguém de seus atos. Existe até um estudo americano que relata os efeitos da anestesia”, ressaltou.

O médico relatou ainda que não está duvidando da criança, porém, em situação como esta, não dá para deixar de levar em consideração os efeitos do medicamento. Afinal, estão colocando em jogo a honra de um profissional.

CASO

Em depoimento, a adolescente relatou que entrou no bloco cirúrgico da Santa Casa, no último dia 20, para a realização de uma curetagem. Enquanto aguardava transferência para a enfermaria, ela disse ter sido molestada pelo anestesista Mauro C. De acordo com relatos da menina, o médico teria aproveitado o momento em que os dois ficaram a sós na sala e tentado abusar da jovem. Em depoimento à polícia, a adolescente conta que estava anestesiada e que Mauro teria usado a mão da paciente para acariciar suas partes íntimas. Depois disso,o anestesista teria acariciado os seios dela por baixo da roupa.

Manual do entrevistado

Por Tainá Aires | 03/07/2009, 08h50

Após a publicação do post de ontem, decidi de forma despretensiosa fazer o Manual do Entrevistado com o meu amigo Anderson Araújo. São 021 itens, porque esse é o nome de um bar em Belém e jornalista gosta mesmo é de encher a cara:

1 ) Não pegue no repórter.

2 ) Apenas fale. Não precisa achar que o repórter não vai anotar o que você está falando. E outra: não adianta falar pausadamente, como se o seu interlocutor fosse retardado. Desista. Suas palavras não serão reproduzidas letra por letra, como você acredita ser melhor.

3 ) Não fique tentando decifrar os garranchos do repórter, seu enxerido. Quase sempre são anotações mentais incompreensíveis que só ele – e às vezes nem ele – vai entender.

4 ) Ou confie no repórter ou não dê a entrevista. Se for pra ficar achando que o jornalista na sua frente não vai dar conta do assunto, mande ele embora. Melhor do que tratá-lo como um imbecil.

5 ) Nunca prometa que vai atender o repórter em determinado horário se você não vai conseguir cumprir. E se ele se atrasar, você não tem o direito de reclamar. Estamos com outras pautas ou então a culpa deve ser do motorista.

6 ) Não fale demais, apenas o necessário. A gente só quer saber do seu trabalho. Nada de ficar dando detalhes de sua vida pessoal.

7 ) Nunca queira mostrar ambientes. Se trabalha em um hospital, por exemplo, eu não quero conhecer a enfermaria.

8 ) Se você tem uma informação importante, traga pra entrevista. Não vá prometer entregar depois. Isso atrapalha muito e atrasa a produção do texto. Desculpas como “mando pro teu email” não colam.

9 ) Não pergunte quando a matéria vai ser publicada. Ela pode ser publicada hoje, amanhã, daqui a uma semana ou simplesmente ir pro lixo. Quem decide não é o repórter.

10 ) Nunca. Mas, nunca mesmo, ofereça dinheiro ou qualquer tipo de compensação pro repórter. Isso é deprimente e antiético. O jornalista está apenas fazendo seu trabalho e ganha pra isso no final do mês, embora que uma merreca.

11 ) Nunca dê em cima das repórteres, principalmente se for velho e ela tiver metade da sua idade.

12 ) Se tiver mau hálito, mantenha uma boa distância ou use enxaguante bucal antes de começar a falar. Repórteres têm olfato aguçado.

13 ) Se a matéria foi desfavorável, não ligue para ameaçar o repórter. Ameaça é crime e ele provavelmente tem pouco a ver com a forma que suas palavras foram publicadas. Ameace o dono do jornal ou o editor.

14 ) Se a matéria foi favorável, não precisa ligar pra elogiar ou mandar presentes (vide o item anterior). O repórter só está fazendo seu trabalho.

15 ) Se for bandido e estiver sendo registrado em uma matéria policial, esqueça a cara do repórter. Ele, como você, é apenas um profissional fazendo seu trabalho. (vide item sobre ameaças)

16 ) Se for artista, muito famoso, guarde seu ego no bolso e converse como uma pessoa normal com o repórter. Nada de pitis e agressões gratuitas. Se for artista, pouco famoso ou em ascensão, não encha o saco pedindo um “bom destaque”. Quem dá destaque é o editor. Procure-o e peça.

17 ) Se for político, minta menos. Em caso de denúncias, mostre provas. Em caso de escândalos, não fuja das perguntas nem mande seus seguranças atirarem contra o repórter nem meter a porrada nele. (link pro danilo gentilli levando porrada)

18 ) Em hipótese alguma peça pra ver o texto antes. Primeiro, porque é sinal de que você é um mala desconfiado e segundo é resguardado ao editor da matéria ver a reportagem em primeira mão.

19 ) Repórteres sempre andam mal arrumados e com sapatos sujos de lama. Não olhe para eles como se fossem bandidos.

20 ) Não fique com frescura de dar seu celular ao repórter. Ele só quer profissionalmente. Não vai ligar pra saber se você está bem ou quanto foi o jogo do Brasil. O número poder ser útil, inclusive, pra não sair nenhuma informação errada.

21 ) Se o repórter cometer uma gafe horrenda como trocar seu nome, o veículo em que trabalha, tocar seu peitinho sem querer, cair na sua frente como se estivesse bêbado, releve. Errar é humano. Não parece, mas repórteres são da mesma raça que a sua.

Tudo é culpa do repórter

Por Tainá Aires | 02/07/2009, 19h29

Se a foto não saiu legal, se o editor cortou a matéria, se o texto saiu numa página ímpar, se ele não foi publicado, se não foi a manchete do jornal… Tudo é sempre culpa do repórter! É impressionante como os entrevistados pensam que somos responsáveis por todos os detalhes do jornal, inclusive, aquilo que nem é da nossa competência.

Os sindicatos são os campeões em criticar o trabalho da equipe de reportagem. E, para isso, eles não são muito criativos. É sempre com aquele papo de que a gente criminaliza os movimentos sociais. Não agüento mais ouvir isso. Juro. Mesmo os jornais de Belém sendo declaradamente partidários, eles sempre acham que o motivo da fala deles ter sido cortada é culpa do repórter. Editores, diagramadores, posicionamento político? Isso não existe para eles. O melhor de tudo é quando uma matéria não sai. O entrevistado fica frustrado, chora, briga, faz birra, implica, xinga. Quem? O repórter, é claro.

Certo dia, fiz a produção de uma fotografia para a revista de decoração do jornal onde trabalho. A arquiteta que entrevistei saiu da casa dela e foi para uma loja de eletrônicos bem bacana da cidade fazer as fotos. Tudo ficou muito legal, dentro do que eu tinha planejado, mas a tal mulher não saiu na edição da revista. No dia seguinte, ela me liga e me chama de tudo, menos de bonita. Até eu explicar que focinho de porco não é tomada, todas as gerações da minha família já tinham sido ofendidas. A pobre arquiteta, coitada, tinha avisado todos os amigos que ia sair na publicação e até comprou vários exemplares para distribuir. Fiquei com pena, confesso. Mas a culpa é minha, droga?

Pior que isso é só quando o entrevistado tem seu e-mail e telefone. Enquanto a matéria do jornal não sair, ele vai te ligar por dias, meses, anos e até mesmo milênios cobrando. Tudo porque a culpa da matéria não ter saído é do repórter. E é por causa disso que eu preciso que uma boa alma crie o manual do entrevistado, porque eu estou cansada, sério. Não agüento mais essas pessoas me cobrando milhões de coisas.

Algumas dicas que não devem faltar para os entrevistados entenderem que nós também somos gente:

1. O repórter só apura e escreve. A edição é por conta do editor, o nome da função já diz tudo.

2. Se você é de um partido contrário ao posicionamento político da empresa de comunicação, a sua matéria não vai sair.

3. Se você saiu feio na foto, a culpa não é do repórter. É sua, que nasceu horroroso.

4. Se a sua matéria não foi bem diagramada, a culpa é do d-i-a-g-r-a-m-a-d-o-r!

5. E, para finalizar, lembre-se que repórter ganha muito pouco para ficar ouvindo você encher o saco.

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