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O dia que Amy Millan me pagou uma tequila

Por Yasmin Medeiros | 07/07/2010, 17h15

Canada Day foi outro dia. Daí que eu lembrei de uma história um tanto peculiar envolvendo esse país. É um relato espetacular (pelo menos pra mim, óbvio) que eu queria compartilhar, além de ser uma ótima oportunidade para atualizar esse blog. Juntando a fome com a vontade de comer, conheçam, então, a mini aventura que culminou com a Amy Millan (vocal do Stars) me pagando uma tequila. Não é mentira, juro.

Quem me conhece, sabe que ano passado passei um mês no país mais gelado da América. Como contei anteriormente por aqui, fui pra lá pra assistir bons shows, passear e estudar . Idiota como sou, não me atentei para o fato que, no inverno, a temporada de shows fica mais escassa. Perdi gigantes canadenses como Broken Social Scene, Metric e Arcade Fire – por outro lado, assisti inúmeras bandinhas indies em festivais low profile com poucos headliners. Um deles foi o Hillside Inside, que colocou no palco um dos sons mais gostosos de se ouvir: Stars. O meu Last.fm não mente, eles estão brigando pelo topo.

Um problema: o festival é sediado semestralmente em Guelph, a duas horas de ônibus de Toronto (onde eu estava). Mas o que são 2 horas não é mesmo, minha gente? O paulistano médio demora mais ou menos isso aí pra chegar em casa todo dia. Comprei passagem de ida e volta toda serelepe, pronta pra cair na estrada sozinha e passar um dia inteiro ouvindo as futuras exportações canadenses.

Presentão

Outro problema: Descobri que o último ônibus de volta pra Toronto iria sair 21h30. A programação indicava Stars para 22h, sem contar possíveis atrasos. Chequei com todas as companhias possíveis e só poderia voltar de Go Transit, a que me vendeu os bilhetes. Só me restava pedir carona ou ficar em Guelph por uma noite. Todos os anos assistindo filmes de terror adolescentes me fizeram optar pela segunda opção. Mandei um e-mail pra organização do festival mais ou menos assim:

“Oi. Sou brasileira, não conheço a cidade e preciso de uma indicação de pousada perto do local do evento”

Recebi a seguinte resposta:

“Eai Yasmin, tudo Bem?

Voce puedo domir na minha casa. (sorry for the lousy Braziliero). So long as you don’t mind a makeshift room.”

E ela continuou dando seu endereço, telefone e oferecendo sua casa pra eu entrar e sair. Quantas vezes quisesse. Quem faz esse tipo de coisa? Canadenses. E quem era ela? Barbara Mann, uma garota apenas sendo gentil com uma estrangeira. Perdi a conta de quantas vezes questionei o ato, reservei um hotel perto do Sleeman Centre, mas resolvi encontrar com ela mesmo assim. Foi quando as coisas começaram a tomar um rumo inesperado.

Encontrei com ela no horário marcado. Pessoa ótima, por sinal. Ela estava trabalhando na produção do festival e não pôde ficar do meu lado o tempo inteiro. Assisti todas as bandas da grade sem passar mal – simplesmente porque era agradável estar lá sem neguinho pingando e esbarrando em você. Vi o show da minha vida e estava pronta pra dormir na sala da Barbara quando ela faz a seguinte proposta: “Você gosta mesmo dos caras, né? Tá afim de conhecer o backstage, te coloco pra dentro”.

Da grade

Aí amigos…puro surrealismo. Fui apresentada pra todos da banda e nem sabia por onde começar, o que falar. Todos os anos de inglês pareciam ineficientes naquele momento. Ninguém me deu muita bola – imagina quanto fã chato entra em backstage o tempo todo. Apesar da falta de paciência, foram super atenciosos. Meu trunfo foi avisar pra Amy Millan que ela esqueceu de colocar os sapatos na mochila. Foi aí que eu virei melhor amiga dela por uma noite. Ela me contou da babá portuguesa que teve, fez questão de mostrar que sabia pronunciar “caralho”, me apresentou o namorado/marido Evan Cranley (também da banda), enfim. Fofocas que eu, uma fã, não sabia.

Foi então que Barbara e eu recebemos o convite: after party num pub. E fomos. Passamos a noite inteira conversando. Sobre música, sobre o Brasil, sobre o Canadá, sobre casamento, sobre filhos, sobre o mundo do rock. Mal conversei com Torq e o resto da banda. Não fiz questão. Nem mesmo de tirar mil fotos no pub. Não queria ser a fã pentelha e estava com vergonha, claro. Saindo lá, fomos comer poutines, um delicioso “prato típico” canadense. Eu, Amy Millan, Evan Cranley e Chris Seligman. Falei que eu tinha um blog, o Canaddiction. Eu e mais uns europeus malucos postamos um bocado de coisas raras de bandas canadenses. E adivinha? A Amy Millan acessa esse blog. Como eu disse: surreal. Dividimos um táxi de volta pra casa e foi isso. Ainda chegamos a trocar e-mails, mas logo perdemos contato. Obviamente.

Ah, quase esqueço de mencionar que a Barbara é grande fã da Legião Urbana e visitou Belém e outras cidades do Pará. Tá bom de mundinho pequeno pra vocês?

E só pra esse post não parecer uma grande mentira, aí estão as fotos. Amy Millan e Torquil Campbell, respectivamente. É uma pena que a segunda foto não me favorece, mas vocês podem ver pela roupa que é a mesma sortuda. Eu.

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