Esse prédio que mais parece uma boate é, na verdade, um centro recreativo para crianças. Criado pela KOZ Architects, o Sports Center fica em Saint-Cloud, região metropolitana de Paris. Crianças, pais e professores, atraídos pelas cores e formas, fazem fila para conhecer o espaço que parece ter saído de um sonho um tanto quanto maluco e bem colorido.
Nada satisfaz. Faltam palavras, sobram vontades – sobram planos. Um dia x, outro y. Quarterlife crisis, alguns podem dizer. O tempo não desenrola, atrapalha. Organizo minha desorganização e tudo começa a fazer sentido. Me sinto bem. É confuso, mas depois de muito tempo sinto que posso ser e fazer o que eu quiser. 200km/h. Finalmente.
O tempo passou e a música ganhou outros significados – uns bons, outros ruins. Mesmo assim, Spit On A Stranger nunca vai deixar de ser minha preferida do Pavement, simplesmente porque ela tem uma das melodias mais bonitas que eu já ouvi e um clipe matador para os órfãos da banda.
E hoje veio a confirmação: eu poderei ver ao vivo a banda que, infelizmente, eu conheci quando já não existia mais. E você disse que um dia eles voltariam, lembra?
Minha mãe é engraçada. Ela acorda todos os dias e vai pra janela fumar. Depois ela se preocupa em me acordar, puxando minha perna e dizendo as horas. Minha mãe é pós-moderna. Tem Orkut e MSN. Minha mãe ainda não descobriu como roubar emoticons – o que é ótimo, assim eu me livro do “tudo bem” piscando como luzes de motel. Minha mãe está numa comunidade chamada “Jesus é meu melhor amigo”. Minha mãe já clicou no peixinho e nas fotos da festa. Minha mãe queria comprar um quadro original do Miró. Original. Minha mãe já confundiu um rapaz de manga comprida que passeava pelo shopping com o cara das informações. Ela perguntou onde ficava a Ellus. Minha mãe gosta de Death Cab for Cutie. Minha mãe não me deixa passar de 60 quando estou dirigindo. Minha mãe torce pro Alemão ganhar o Big Brother. Minha mãe comprou, recentemente, “O Caçador de Pipas”. Quando disse que não gostava de best-sellers, ela respondeu: “Mas tu és muito underground, viu?”. Eu nem sabia que a minha mãe conhecia o termo underground. Minha mãe torceu o nariz quando disse que ia fazer jornalismo. Minha mãe riu quando eu disse que um dia vou ter minha banda. Minha mãe gosta mais do meu namorado que de mim. Minha mãe sempre trapaceia quando jogamos War. Minha mãe queria que eu fizesse Direito. Sem querer, minha mãe disse que o Papai Noel era, na verdade, meu pai. Logo depois disse que eu era idiota por nunca ter desconfiado. Minha mãe me liga duas vezes dentro de um curto período de tempo pra perguntar a mesma coisa. Minha mãe achava que “pero no mucho”, traduzido para o português, seria “em cima do muro”. Minha mãe já me chamou pra malhar. Minha mãe foi num show do Oasis comigo. Ela tentou furar a fila e quase apanha. Minha mãe conhece todos os meus amigos e é amiga deles. Minha mãe me manda correntes por e-mail e é sempre tão simpática no Messenger.
- Texto publicado em março de 2007. Hoje ela não fuma, tem Facebook, viu o Alemão ganhar o Big Brother e ficou triste quando soube que Noel Gallagher deixou o Oasis. Ela continua me convidando pra malhar.