Canada Day foi outro dia. Daí que eu lembrei de uma história um tanto peculiar envolvendo esse país. É um relato espetacular (pelo menos pra mim, óbvio) que eu queria compartilhar, além de ser uma ótima oportunidade para atualizar esse blog. Juntando a fome com a vontade de comer, conheçam, então, a mini aventura que culminou com a Amy Millan (vocal do Stars) me pagando uma tequila. Não é mentira, juro.
Quem me conhece, sabe que ano passado passei um mês no país mais gelado da América. Como contei anteriormente por aqui, fui pra lá pra assistir bons shows, passear e estudar . Idiota como sou, não me atentei para o fato que, no inverno, a temporada de shows fica mais escassa. Perdi gigantes canadenses como Broken Social Scene, Metric e Arcade Fire – por outro lado, assisti inúmeras bandinhas indies em festivais low profile com poucos headliners. Um deles foi o Hillside Inside, que colocou no palco um dos sons mais gostosos de se ouvir: Stars. O meu Last.fm não mente, eles estão lá brigando pelo topo.
Um problema: o festival é sediado semestralmente em Guelph, a duas horas de ônibus de Toronto (onde eu estava). Mas o que são 2 horas não é mesmo, minha gente? O paulistano médio demora mais ou menos isso aí pra chegar em casa todo dia. Comprei passagem de ida e volta toda serelepe, pronta pra cair na estrada sozinha e passar um dia inteiro ouvindo as futuras exportações canadenses.
Presentão
Outro problema: Descobri que o último ônibus de volta pra Toronto iria sair 21h30. A programação indicava Stars para 22h, sem contar possíveis atrasos. Chequei com todas as companhias possíveis e só poderia voltar de Go Transit, a que me vendeu os bilhetes. Só me restava pedir carona ou ficar em Guelph por uma noite. Todos os anos assistindo filmes de terror adolescentes me fizeram optar pela segunda opção. Mandei um e-mail pra organização do festival mais ou menos assim:
“Oi. Sou brasileira, não conheço a cidade e preciso de uma indicação de pousada perto do local do evento”
Recebi a seguinte resposta:
“Eai Yasmin, tudo Bem?
Voce puedo domir na minha casa. (sorry for the lousy Braziliero). So long as you don’t mind a makeshift room.”
E ela continuou dando seu endereço, telefone e oferecendo sua casa pra eu entrar e sair. Quantas vezes quisesse. Quem faz esse tipo de coisa? Canadenses. E quem era ela? Barbara Mann, uma garota apenas sendo gentil com uma estrangeira. Perdi a conta de quantas vezes questionei o ato, reservei um hotel perto do Sleeman Centre, mas resolvi encontrar com ela mesmo assim. Foi quando as coisas começaram a tomar um rumo inesperado.
Encontrei com ela no horário marcado. Pessoa ótima, por sinal. Ela estava trabalhando na produção do festival e não pôde ficar do meu lado o tempo inteiro. Assisti todas as bandas da grade sem passar mal – simplesmente porque era agradável estar lá sem neguinho pingando e esbarrando em você. Vi o show da minha vida e estava pronta pra dormir na sala da Barbara quando ela faz a seguinte proposta: “Você gosta mesmo dos caras, né? Tá afim de conhecer o backstage, te coloco pra dentro”.
Da grade
Aí amigos…puro surrealismo. Fui apresentada pra todos da banda e nem sabia por onde começar, o que falar. Todos os anos de inglês pareciam ineficientes naquele momento. Ninguém me deu muita bola – imagina quanto fã chato entra em backstage o tempo todo. Apesar da falta de paciência, foram super atenciosos. Meu trunfo foi avisar pra Amy Millan que ela esqueceu de colocar os sapatos na mochila. Foi aí que eu virei melhor amiga dela por uma noite. Ela me contou da babá portuguesa que teve, fez questão de mostrar que sabia pronunciar “caralho”, me apresentou o namorado/marido Evan Cranley (também da banda), enfim. Fofocas que eu, uma fã, não sabia.
Foi então que Barbara e eu recebemos o convite: after party num pub. E fomos. Passamos a noite inteira conversando. Sobre música, sobre o Brasil, sobre o Canadá, sobre casamento, sobre filhos, sobre o mundo do rock. Mal conversei com Torq e o resto da banda. Não fiz questão. Nem mesmo de tirar mil fotos no pub. Não queria ser a fã pentelha e estava com vergonha, claro. Saindo lá, fomos comer poutines, um delicioso “prato típico” canadense. Eu, Amy Millan, Evan Cranley e Chris Seligman. Falei que eu tinha um blog, o Canaddiction. Eu e mais uns europeus malucos postamos um bocado de coisas raras de bandas canadenses. E adivinha? A Amy Millan acessa esse blog. Como eu disse: surreal. Dividimos um táxi de volta pra casa e foi isso. Ainda chegamos a trocar e-mails, mas logo perdemos contato. Obviamente.
Ah, quase esqueço de mencionar que a Barbara é grande fã da Legião Urbana e visitou Belém e outras cidades do Pará. Tá bom de mundinho pequeno pra vocês?
E só pra esse post não parecer uma grande mentira, aí estão as fotos. Amy Millan e Torquil Campbell, respectivamente. É uma pena que a segunda foto não me favorece, mas vocês podem ver pela roupa que é a mesma sortuda. Eu.
Parece arte moderna, mas não é. Esses rabiscos representam o caminho que meu mouse percorreu durante pouco mais de 6 horas. Já os círculos mostram os momentos de inatividade. Curioso, não?
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Essa eu pincei do Trabalho Sujo: um site que diz a numeração das músicas que você ouviu no Last.fm. A minha é essa, ó:
1000: The Bravery – Honest Mistake
2000: Sparklehorse – Box of stars
3000: The Smiths – Is It Really So Strange?
4000: Built to Spill – Sidewalk
5000: The Shins – Australia
6000: Broken Social Scene – Anthems for a Seventeen Year-Old Girl
7000: The American Analog Set – The Kindness of Strangers
8000: Broken Social Scene – Swimmers
9000: Nouvelle Vague – This Is Not a Love Song
10000: The Flaming Lips – Do You Realize??
11000: The Longcut – A Tried and Tested Method
12000: Broken Social Scene – Backyards
13000: Broken Social Scene – stars & sons (live)
14000: of Montreal – Jacques Lamure
15000: Hell on Wheels – Heard You On The Radio
16000: New Buffalo – No Party
17000: Zero 7 – When It Falls
18000: Spoon – You Got Yr. Cherry Bomb
19000: The Knife – Behind The Bushes
20000: Feist – Intuition
21000: Modest Mouse – Convienent Parking
22000: The Radio Dept. – Tell You About My Job
23000: Broken Social Scene – Fire Eye’d Boy
24000: Feist – Intuition
25000: Feist – Tout Doucement
26000: Cansei de Ser Sexy – Alcohol
27000: Mogwai – I Chose Horses
28000: Softlightes – The Ballad Of Theo & June
29000: Broken Social Scene – Major Label Debut (fast)
30000: Broken Social Scene – Swimmers
31000: Sparklehorse – Cruel Sun
32000: Feist – Let It Die
33000: Death Cab for Cutie – Company Calls
34000: Jason Collett – Papercut Hearts
35000: Pavement – Ann Don’t Cry
36000: The Jesus and Mary Chain – Just Like Honey
37000: Correcto – Walking To Town
38000: Someone Still Loves You Boris Yeltsin – Anne Elephant
39000: Rogue Wave – Fantasies
40000: Beulah – Popular Mechanics for Lovers
41000: Modest Mouse – Breakthrough
42000: Albert Hammond, Jr. – GfC
43000: Cake – Friend Is a Four Letter Word
44000: This Is Ivy League – Celebration
45000: Kent – Dom som försvann
46000: Metric – Raw Sugar
47000: Klaxons – Golden Skans
48000: Jason Collett – These Are the Days
49000: Built to Spill – Wherever You Go
50000: Hell on Wheels – Heard You On The Radio
51000: Radiohead – Bodysnatchers
52000: Editors – Fall
53000: Fatboy Slim – Praise You
54000: The Apples in Stereo – Radiation
55000: Low Vs Diamond – Song We Sang Away
56000: Kings of Convenience – I’d Rather Dance With You
57000: The Flaming Lips – Do You Realize??
58000: Shwayze – Roamin’
59000: Holly Tree – Bad Hair Day
60000: Bombay Bicycle Club – Emergency Contraception Blues
61000: The Apples in Stereo – Look Away
62000: She & Him – This Is Not a Test
63000: The Fauns – Come around again
64000: The Cardigans – Lovefool
65000: DJ Million Dollar Snake Babies – I Got Fancy Footwork
66000: Cat Power – You May Know Him
Se os clichês das comédias românticas costumam te irritar, (500) Days Of Summer provavelmente será a antítese desse sentimento. Não se trata de uma história de amor, tampouco daquelas onde o casal protagonista se separa e, após uma reviravolta, consegue ficar junto. E você torce por eles, mesmo sendo alertado nos minutos iniciais que você não verá um final feliz entre Summer (Zooey Deschanel, do She & Him) e Tom (Joseph Gordon-Levitt).
(500) Days Of Summer fala como o amor pode ser um grande constrangimento; é a personificação do “que seja eterno enquanto dure”. Mostra que afinidades – sejam elas quais forem – não são decisivas numa relação. E mostra como a vida não é, simplesmente, preto no branco. É colorida e cheia de opções (o filme usa a metáfora das estações). Chega a ser impossível não se identificar com um dos personagens, com as piadas e particularidades que todo casal tem.
Ao contrário do que somos levados a acreditar, grandes amores nem sempre duram…pra sempre. Mesmo que tenha tentado convencer, o filme não é otimista. Os tons neutros da fotografia denunciam e mostram uma L.A. bege, diferente do que estamos acostumados a ver, e como potencial cenário para decepções amorosas profundas, posto encabeçado há alguns anos no cinema por Nova Iorque.
Era seu aniversário de 28 anos. Meg não queria uma festa, só queria colocar a cabeça pra fora da janela e fumar um cigarro. Marlboro Red, porque Light é coisa de mulherzinha. Arrumou a estante de cds três vezes naquele dia. Não encontrou a capa do Doolittle e lamentou a perda do Psychocandy. Pensou no passado. Desistiu de pensar no passado. Roeu uma unha. A de sempre, do dedo mindinho da mão esquerda. Recebeu telefonemas, ensaiou a mesma resposta pra todos, não atendeu duas tias e um primo. Deletou contatos da agenda do celular, consolou a melhor amiga, leu críticas de cinema. Ouviu o telefone tocar. Pelo ringtone amargo, soube logo quem era: Pedro, seu antigo amor. Enquanto O Raio que O Parta dos Superguidis ecoava do celular, Meg hesitou atender. Não resistiu. Às 22h30 daquele dia, o diálogo mais desconfortável entre ex-namorados foi iniciado:
- Te liguei pra te desejar parabéns e tudo de bom. Não esqueci o dia, tá vendo?
- É, 25 de dezembro não é uma data difícil de ser esquecida. Como você tá?
- Bem, e você? O que fez hoje?
Fazia tempo que Pedro não demonstrava interesse pela vida de Meg. Empolgada, ela descreveu todo o seu dia. A resposta veio curta e fria do outro lado da linha:
- Eu imaginei. Você continua tão previsível.
Meg suspirou, olhou o relógio e só teve forças pra soltar um “você tem razão”. Arrumou as almofadas do sofá e fugiu do apartamento. Nessa mesma noite, Ricardo saiu de casa prometendo nunca mais se apaixonar. Eles dançaram ao som dessa música:
Um avião está longe de ser o lugar mais confortável do planeta; poltrona apertada, banheiro minúsculo, ambiente ligeiramente claustrofóbico – não há pra onde fugir. E, claro, tudo isso pode piorar se você for escolhido para ficar ao lado de uma pessoa inconveniente. Dependendo da duração do seu voo, o jeito é respirar fundo e tentar abstrair a presença do seu companheiro de viagem – uma tarefa um tanto quanto difícil, já que vocês irão dividir o mesmo espaço por algumas (e talvez longas) horas.
Listo, então, os piores tipos de passageiros que você pode encontrar a 18 mil pés de altura:
O bexiga frouxa:
A menos que você esteja na janela, vai se incomodar um bocado toda vez que o (a) cidadão (ã) levantar pra ir ao banheiro. Dormir nem pensar. Você vai estar em constante movimento.
O galanteador:
É o terror das mulheres a bordo. “Vai ficar onde em São Paulo? Me dá seu telefone, vamos nos encontrar” e outras abordagens canalhas. Você só quer ler um livro, ouvir uma música e um completo estranho fica puxando conversa. Se fosse numa festa você daria a desculpa clássica do banheiro e nunca mais voltava, certo? Mas e no avião? Abrir a saída de emergência, se trancar no banheiro a viagem inteira? Não dá. Ou você apela pra grosseria ou faz a boa moça e escuta o mala a viagem inteira. E, claro, não podemos descartar a hipótese do cidadão ser interessante. Nesse caso, vai fundo. Eu nunca tive sorte.
O teimoso:
Essa pessoa vai reclinar sua poltrona na hora da decolagem, vai colocar bagagem de mão na frente da saída de emergência, vai tirar o cinto de segurança na hora do pouso e vai ligar o telefone celular pra jogar. “Mas tá em modo de voo”, ele vai responder quando a aeromoça vier, pela vigésima vez, adverti-lo.
O que ronca:
Esse tipo de passageiro pode ter seus vinte e poucos anos, ser um senhor, uma senhora. Não tem como saber. Você se acomoda na poltrona, pega seu exemplar da Revista Tam e começa a folhear. Silêncio absoluto. Não mais: o tio do lado esquerdo começou a roncar loucamente e só te resta colocar o MP3 player no último volume ou tomar meio Dormonid e cair em sono profundo.
O deslumbrado:
Com certeza encheu o saco da moça do check-in pedindo assento na janela. Você não consegue ler, não consegue dormir e nem assistir um filme porque o carinha vai observando toda a paisagem – mesmo ela sendo igual durante 90% do trajeto.
O engenheiro:
Acompanhou as reportagens especiais do Fantástico sobre acidentes aéreos e acha que sabe tudo sobre a mecânica de um avião. Durante o voo, discorre sobre o reverso e o que pode acontecer se o equipamento não funcionar corretamente durante o pouso. Para os medrosos, sugiro iPod no volume máximo e meio Rivotril.
O espaçoso:
Uma poltrona não é suficiente. Essa pessoa precisa encostar em você. O tempo t-o-d-o.
O empresário que não tem dinheiro pra comprar um fone de ouvido:
Ele sempre entra no avião falando no celular (um Blackberry). Sempre confunde o número da poltrona no cartão de embarque (afinal, ele tem coisas mais importantes pra se preocupar), tira o laptop de última geração da maleta e abre um documento Excel cheio de números e coisas que você não entende. Até aí tudo bem – o problema começa quando ele coloca um DVD da Roupa Nova pra rolar e não tem um fone pra te privar da tortura. O Rivotril também funciona nesses casos.
Esse prédio que mais parece uma boate é, na verdade, um centro recreativo para crianças. Criado pela KOZ Architects, o Sports Center fica em Saint-Cloud, região metropolitana de Paris. Crianças, pais e professores, atraídos pelas cores e formas, fazem fila para conhecer o espaço que parece ter saído de um sonho um tanto quanto maluco e bem colorido.
Nada satisfaz. Faltam palavras, sobram vontades – sobram planos. Um dia x, outro y. Quarterlife crisis, alguns podem dizer. O tempo não desenrola, atrapalha. Organizo minha desorganização e tudo começa a fazer sentido. Me sinto bem. É confuso, mas depois de muito tempo sinto que posso ser e fazer o que eu quiser. 200km/h. Finalmente.