Marmota, mais dos mesmos

Desde 2002, muito obrigado por nada.

Um dia animal

Por Marmota | 12/02/2009, 15h02

Por Rodrigo Figueiredo

Me sinto tão perdida, faz dias que estou andando por aí, sem rumo.

Hoje quase um carro me atropelou… Ninguém me valoriza, quase ninguém me vê – ou pior, alguns que me vêem querem me bater, me tirar dali.

Dormi na rua outra vez. Tenho medo, muito medo.

Não sei mais quanto andei. Amanhece e não sei se quero ver esse dia novo.

Não sei mais o que é carinho ou afeto.

Estou tão cansada e com fome…

Vejo um jovem andando na rua. Não tenho opção, vou atras dele, quem sabe ele possa me dar um pouco de comida…

Por sorte ele me convida a entrar em sua casa!

Desconfiada, entro. Apesar dele e de sua mãe terem um abrigo e ajudarem outros, o clima é estranho. Ninguém se sente em casa. E ainda existe uma sensação de medo grande dentro de mim.

Passam-se quase dois meses comigo nesta casa; estou melhor fisicamente, apesar de ter sofrido uma cirurgia recentemente, não passo fome nem fico na rua, mas ainda tenho medo. Outros vêm e vão e ninguém sabe qual será seu futuro.

Um dia chegam duas pessoas para me ver, uma delas é uma mulher que está super feliz em me ver, não me lembro dela… Mas ela parece se lembrar de mim, ou mesmo de repente eu lembre alguém especial para ela – afinal, como posso ser eu especial para alguém estranho, que nunca vi?

O companheiro dela é mais reservado, me olha com carinho e um certo medo… Não é um medo físico – ele é bem grande – mas parece medo de gostar de mim.

Depois de alguns minutos, estas duas pessoas saem comigo dali. Não sei direito para onde, novamente o medo é a coisa mais real para mim.

Decido tentar conforto com o homem, ele me passa algo mais… Não sei dizer o que é…

Desculpem se minha história começa meio triste, mas é a mais pura verdade e precisava ser contada para poder dar o devido valor ao meu dia perfeito. Já faz mais de um ano da chegada deste casal ao abrigo, e esse foi meu dia perfeito. O dia mais perfeito da minha vida! O dia que ganhei meu pai e minha mãe, que ganhei donos que me amam e cuidam de mim!

Ass: Lilo

Enquanto Marmota passa por dias perfeitos descansando e viajando, a série Colônia de Férias apresenta textos gentilmente preparados por seus amigos.

9 comentários em “Um dia animal”

Luciana | 12/02/2009, 16h23

Ai.

Meu nariz ficou com aquela coceirinha na ponta de quem vai chorar.

A Lilo é o único cachorro no mundo que eu gosto e que bom que vocês a adotaram.

Beijo pros três.
;)

Marília | 13/02/2009, 01h04

Me emociona pensar nela e no que ela passou na rua.
Hoje, não se passa um minuto sem que eu pense nela.
Adorei o “depoimento”.

Fefa | 13/02/2009, 10h23

E ganhou até madrinha!!!!!!!
Ela é mesmo uma graça, um amor e merece todo o carinho do mundo!

Emerson Melo | 13/02/2009, 10h53

Que historia linda cara, eu tambem amo muito meu cachorro que se chama BRUCE. Eu considero meu terceiro filho. Me emocionei.

Eliana | 13/02/2009, 11h52

Texto lindo, pena que pra tantos semelhantes não aconteça um fim tão feliz, se cada um de nós tivessemos o cuidado de zelar por estas vidas e nos responsabilizar por pelo menos por um desses seres tão frageis mas com tanto amor para nos dedicar, com certeza o texto seria outro.
Posse responsavel, posse com seriedade e acima de tudo parceria no amor e carinho incondicional (como eles nos dão). Utópico neste mundo, mas ideal para a raça humana. Pensem nisto…

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