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Título mundial em boas mãos

Por Marmota | 15/12/2006, 13h10

O texto a seguir pode fazer com que muitos torcedores fanáticos do Internacional passem a me odiar. Também posso ser alvo dos invejosos de sempre: vão dizer que é discurso de perdedor, ou uma tentativa de se precaver de chacotas na segunda-feira. Tudo bem, isso não importa.

Vamos esclarecer uma última coisinha: até o minuto final da decisão mundial neste domingo (e espero que sejam só 90), o adversário do Inter será tratado como tal: vai ser “vamo vamo Inter” o tempo todo, de um jeito que jamais nenhum colorado torceria normalmente.

Agora, tirando esse jogo, eu tenho que admitir: meu coração é vermelho sim, mas eu também sou fã do Barcelona.

A Catalunha lembra, a grosso modo e dentro de limites históricos bem definidos, o Rio Grande do Sul. Vou tentar explicar. As duas regiões fazem parte de uma nação, mas fazem questão de preservar sua própria identidade, exalando um forte sentimento nacionalista – e aqui eu simplesmente apóio a preservação de valores, e não qualquer movimento separatista idiota. Enfim, a equipe azul-grená é um dos maiores símbolos da cultura catalã.

A questão histórica também fomentou a rivalidade espanhola entre o Barça e o Real Madrid, time do ditador Francisco Franco, que comandou o país num regime político ditatorial e baseado no fascismo. O clássico entre as duas equipes não era simplesmente uma partidinha aí. Se você caísse sem querer num estádio entre 1939 e 1975, e alguém te dissesse que “aquele time de branco representa a repressão da Catalunha, do nosso idioma, da nossa história, da total ausência de democracia…”. Para quem você ia torcer?

Passado à parte, Barcelona é uma cidade fantástica, cuja vocação esportiva, que já é forte graças ao imponente Camp Nou, se intensificou no início dos anos 90, com a realização dos Jogos Olímpicos. Madrid e Barcelona são lugares muito divertidos, mas talvez a influência do Mar Mediterrâneo ajude a criar um clima muito alegre.

Se você tem o espírito jovem, gosta de futebol e tem tempo e dinheiro sobrando, vá conhecer. Você vai entender que o Ronaldinho Feiúcho (que vai usar sim uma camisa azul por baixo) é só um garoto-propaganda metido a besta: o Barça é bem maior que a rivalidade histórica de um dos seus atletas, seja ele o Feiúcho ou Rivaldo, Maradona, Cruyff, Romário, Kocsis e até o “Femônemo”…

A verdade é que não tem como não ser fã do Barcelona quando se conhece. Da mesma forma, não é possível conceber alguém torcendo para um time que adotava uma política estúpida de discriminação, achando que eram mesmo os maiorais, os fora-de-série. Mas tudo bem. Não fosse por essa postura elitista cretina, os irmãos Poppe jamais teriam fundado o Clube do Povo. Yokohama vai receber duas agremiações com lindas histórias para contar. Não tenho dúvidas de que o título mundial (inédito para ambas, diga-se) ficará em boas mãos.

Evidentemente, ficaria bem melhor ali na Avenida Padre Cacique.

11 comentários em “Título mundial em boas mãos”

Fábio | 15/12/2006, 13h27

Aposto fácil no Barça, mas isso pode ser um bom sinal para vocês, colorados: há um ano, eu não acreditava que o Tricolor pudesse bater o Liverpool. E, felizmente, deu no que deu…

Mas que o Barcelona é o melhor time do mundo, independentemente do resultado de domingo, não há como negar.

Bender | 15/12/2006, 13h34

A parte mais divertida de torcer contra o Inter (sim, eu sou desses, só que bem humorado) é ter a divina certeza de que uma vitória colorada só é justificada por um vice-campeonato. Convenhamos, o Inter é campeão em vices.

Por isso que eu digo, “Inter, traz mais esse vice para o Rio Grande”

OBS: a política elitista era realmente muito triste, felizmente foi abandonada há muitas décadas.

Christian | 15/12/2006, 16h46

“Sou, sou colorado até morrer não importa oq acontecer pra cima deles meu inter, vamos lutar vamos vencer”
Espero q a taça venha pra nós.

Mr. Pinguim | 15/12/2006, 22h58

Vou vestir minha camisa da APLUB domingão…
Ela fica Baby Look, mas eu sou INTER desde criancinha!!!!

(Já que meu time não vai mesmo…)

Abraço!

Milton Ribeiro | 16/12/2006, 08h50

Acho que enlouqueci. Só penso no jogo e fico em loop falando com todos os colorados que conheço. Acordei às 6h30, quando Pato avançava sobre dois apavorados Puyol e Rafa Márquez, subitamente diminuía a velocidade e, no momento em que Fernandão passava pelo seu lado direito pedindo a bola, ele encostava a bola na medida, entre os dois zagueiros, e Fernandão fazia bochecha na rede do Barça. Resultado: 1 x 0, ou melhor, resultado: não dormi mais. Vou correr na rua para ver se me acalmo.

j. noronha | 17/12/2006, 10h35

O Barcelona pode ser o melhor do mundo, mas já era. Bom mesmo foi ver a cara do Feiúcho depois do jogo. Saudações coloradas.

Evilasio | 17/12/2006, 12h53

O mais bonito foi ver aquele sorriso torto do Ronaldinho, que brilhava desde o jogo contra os mexicanos, se esconder após o gol da vitória.

Bem feito, pra mostrar que pra ser campeão não é necessário apenas um amontoado de estrelas, mas um conjunto. Bem harmonizado!

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