quinta-feira, 18 de junho de 2009
Por uma especialização de dois anos em jornalismo
Há tempos registrei aqui meu ponto de vista sobre a celeuma do diploma de jornalismo. Resumidamente: nunca vi problemas no fim da sua obrigatoriedade (decidida nesta quarta-feira pelo STF), por considerar que nem toda formação acadêmica resulta num bom profissional e vice-versa. Mais do que isso: esse antigo debate normalmente só consegue “fazer espuma” através de argumentos engraçados – constatação evidente ao observarmos algumas reações pavorosas no Twitter.
Enfim, agora que a questão foi resolvida, qualquer debate mais acalorado vai parecer aquele sobre como era boa a seleção brasileira de 1982. De qualquer forma, estou com o Alec Duarte: sempre valorizei a formação acadêmica (antes mesmo de direcionar minha carreira para esse ramo), e quem consegue aproveitar a sala de aula de verdade torna-se um profissional diferenciado. Vou mais longe: paralelamente aos debates referentes às novas diretrizes curriculares, vão surgir outros modelos – como especializações lato sensu direcionados a quem já possui graduação em outra área.
Pessoalmente, sempre vi com bons olhos essa possibilidade. Soube da existência dela há uns seis anos, quando um amigo (o Leandro Rodrigues) decidiu fazer uma pós-graduação na área em Barcelona. O fato de ser o único brazuca no curso não o assustou tanto quanto o conteúdo das primeiras aulas: “eram conceitos básicos, como fazer um lide, essas coisas”, contou certa vez. Notícia velha para ele, formado na Cásper, mas necessidade para os demais – filósofos, advogados, sociólogos, entre outros graduados. Tempos depois, revi o tema nesse artigo do José Nello Marques, defendendo a substituição da graduação tradicional por uma especialização do gênero.
Não acredito que um modelo vá substituir o outro por decreto – apenas em função de uma potencial obsolescência do atual curso de jornalismo. De qualquer forma, quem se preocupa com a educação em qualquer nível deve encarar o fim da obrigação do diploma como uma oportunidade para fortalecer aquilo que realmente importa em qualquer profissional: bagagem cultural, capacidade de interpretação e organização, iniciativa e visão estratégica, bom senso… Essas coisas que tanto uma boa faculdade quanto a vivência de mercado deveriam oferecer.
Enfim, ao menos em duas coisinhas todos concordam. A primeira: além dessa discussão, acaba também aquela sobre blogueiros versus jornalistas, ainda mais esdrúxula. A segunda: qualquer curso de jornalismo deveria obrigar seus alunos a atestarem, por uns três ou quatro anos, votos de humildade.


