sábado, 19 de setembro de 2009
Eu (e muitos outros) dançando Dirty Dancing no casório. Ou não.
Num dos poucos momentos de relax que tive esta semana, recebi uma mensagem perigosa.
“Ei, precisamos fazer isso em nosso casamento”.
Seguiu um link para a clássica cena final de Dirty Dancing, onde a ex-irmã de Ferris Bueller Jennifer Gray, no papel de garota comum, dança com o bailarino e então futuro fantasma Patrick Swayze, no papel de Patrick Swayze. O filme, de 1987, popularizou não apenas a musiquinha The Time of My Life (de Bill Medley e Jennifer Warnes, que levou o Oscar de melhor canção), mas também a carreira do ator, falecido esta semana após uma dura luta contra um câncer de pâncreas.

Logo caiu a ficha: eu, que não sou exatamente um Fred Astaire, jamais acumularia coordenação suficiente para engedrar todos esses passos na sequência, incluindo o poético vôo da dama após uma interminável coreografia solo. A pergunta, aparentemente óbvia, era obrigatória: “de onde veio essa idéia genial?”. Era pra ter dito “ameaçadora”, mas pra continuar o diálogo, preferi “genial” mesmo.
Veio um novo link, desta vez para uma nota do G1. Trata-se do depoimento da norte-americana Julia Boggio. Ao casar-se com o britânico James Derbyshire em 2005, decidiram usar The Time of My Life na dança dos noivos. Os amigos, que fizeram o registro, puseram o vídeo no YouTube. Virou hit, com mais de seis milhões de acessos! A fama levou o casal ao programa da Oprah, onde Julia teve a oportunidade de dançar com o próprio Swayze!
A notinha traz ainda um assustador “se você já dançou ao som de Dirty Dancing, envie seu vídeo!”, presumindo não apenas que alguém tenha feito o mesmo, mas estimulando noivos Brasil afora a fazerem o mesmo. Uma busca rápida no YouTube revela famigeradas gravações de casamento com a não menos famigerada dancinha – a maioria na Gringolândia, onde a influência do vídeo foi além. Mas já existe ao menos uma versão brasileira. Repare num dos comentários: “quero fazer o mesmo no meu casamento!”.
Pronto. Prepare-se para a modinha.
É lógico que, até a distante hora do sim, serei convidado a “ensaiar” ao som de The Time of My Life. Minha esperança é a de que, nesses anos todos de espera, apareçam incontáveis casais repetindo os passos de Baby e seu professor Johnny, tornando-a manjada, repetitiva e, portanto, sem qualquer propósito. Tenho fé que a provável overdose de vídeos do gênero na web farão minha partner desistir.
Ou, se isso não ajudar, talvez apele para o velho discurso: “esse negócio de espetacularizar relacionamentos não é a nossa praia, lembra?”.


