Virei, quem diria, consultor de relacionamentos!
Por Marmota | 28/07/2010, 11h57
Quem me conhece sabe do meu humilde e tísico passado galanteador. Até esses dias, contabilizava todo tipo de insucesso com qualquer pretendente, a ponto de vez ou outra ainda desconfiar se vou mesmo casar, constituir uma família, essas coisas burocráticas que, sabemos, em nada se parece com aqueles loucos dias apaixonados do passado. Mas enfim, dizem que os cabelos brancos representam algum tipo de experiência e maturidade, como se fossem “checkpoints”: se alguém estiver na mesma estrada que você já passou, pode haver algum padrão.
Alguém vai dizer que isso não existe, pois o “cerumano” é uma espécie imprevisível e inconstante. Concordo. Mas em pelo menos esses dias, algumas semelhanças envolvendo situações pessoais foram úteis para uma amiga. Uma moça que, além de linda, vive guiada pelos seus sentimentos – é o mínimo que se pode dizer de alguém que, até hoje, usa como pseudônimo o sobrenome de seu primeiro amor platônico: Schneck. Pinçado da lista de chamada, já que ela nunca teve coragem de lhe dirigir um único “oi”.
Mas enfim. Ela é daquelas mulheres que, no primeiro olhar, você tem a certeza de que é impossível estar solteira. De fato, a Schneck namorava por longos anos com um rapaz simpático e pragmático. Falavam até em casamento, filhos, temáticas que costumam substituir as palavras no diminutivo dos primeiros dias. É um tipo de desânimo que costuma levar a dois caminhos: a constatação de que são realmente feitos um para o outro… Ou uma sensação desagradável de comodismo. O duro é que ambas são tão parecidas que, muitas vezes, fatores externos “empurram” para um destes lados.
O “fator externo” da Schneck trabalhava com ela há poucos dias. Era infinitamente mais sorridente, simpático e gentil que o namorido velho de guerra. Olharam um para o outro; sorriram; disseram “oi”; tomaram café; foram almoçar… Bom, foi o que ouvi dela quando ofereci carona para sua casa – quando o “fator externo” souber o que conversamos exatamente na noite em que ele não apareceu, vai me convidar para padrinho.
“Eu terminei meu namoro há umas duas semanas, e esse rapaz já sabe disso. Tem um clima muito bacana entre a gente… Mas é estranho. Afinal, se ele está a fim de mim, por que ainda não falou nada? Ele devia tomar a iniciativa, não acha? Até porque, se depender da minha timidez, as coisas não vão evoluir… O que você acha?”, perguntou Schneck, tensa por uma solução.
Naquele instante, pelo pouco que apreendi daquela descrição, incorporei o rapaz simpático e gentil, que gosta da moça, mas impõe uma porção de obstáculos ao invés de colaborar para a coisa toda fluir. Não foi difícil: se dependesse apenas do meu comportamento, jamais estaria usando uma aliança na mão direita. No meu caso, fui agraciado por uma mulher realmente decidida e sincera. Minha amiga, no entanto, não tinha o mesmo perfil. Pelo contrário: não imaginava ser capaz de “agarrá-lo”.
“Se você não demonstrar com clareza, de um jeito que ele não tenha a menor dúvida, isso vai ficar assim até a coisa esfriar. Entendo que você não queira se abrir, mas é preciso dar um empurrão. O máximo que você puder. Quer que ele se esforce e consiga te conquistar? Experimente deixar tudo praticamente preparado e sigam em frente”. A Schneck deve ter dito uns três ou quatro “não acredito”, “não vou fazer isso” e “não é possível” até chegar em casa. Recebeu de volta a mesma quantidade de “vai por mim”.
Em pouco mais de uma semana, recebi um breve e-mail.
“Caraca, você estava MEGA certo! Acredita que, na quinta-feira passada, ele me disse que estava apaxonado… Mas não me beijou? Aí na sexta, quando ele foi me deixar em casa, estava quase indo embora como se nada estivesse acontecendo. Mas… EU o BEIJEI! Saímos no fim de semana, e no almoço ele conseguiu me pedir em namoro, gaguejando… Um fofo!”
Não consigo esconder o sorriso até agora. Ficarei ainda mais feliz quando, daqui uns meses, os dois se virarem bem quando já estiverem unidos, a ponto de ignorar qualquer dilema capaz de se sobrepor ao que realmente importa.
A propósito, Claudia Raia, se precisar de alguma coisa, deixe um recado aí.



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