Marmota, mais dos mesmos

Desde 2002, muito obrigado por nada.

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Virei, quem diria, consultor de relacionamentos!

Por Marmota | 28/07/2010, 11h57

Quem me conhece sabe do meu humilde e tísico passado galanteador. Até esses dias, contabilizava todo tipo de insucesso com qualquer pretendente, a ponto de vez ou outra ainda desconfiar se vou mesmo casar, constituir uma família, essas coisas burocráticas que, sabemos, em nada se parece com aqueles loucos dias apaixonados do passado. Mas enfim, dizem que os cabelos brancos representam algum tipo de experiência e maturidade, como se fossem “checkpoints”: se alguém estiver na mesma estrada que você já passou, pode haver algum padrão.

Alguém vai dizer que isso não existe, pois o “cerumano” é uma espécie imprevisível e inconstante. Concordo. Mas em pelo menos esses dias, algumas semelhanças envolvendo situações pessoais foram úteis para uma amiga. Uma moça que, além de linda, vive guiada pelos seus sentimentos – é o mínimo que se pode dizer de alguém que, até hoje, usa como pseudônimo o sobrenome de seu primeiro amor platônico: Schneck. Pinçado da lista de chamada, já que ela nunca teve coragem de lhe dirigir um único “oi”.

Mas enfim. Ela é daquelas mulheres que, no primeiro olhar, você tem a certeza de que é impossível estar solteira. De fato, a Schneck namorava por longos anos com um rapaz simpático e pragmático. Falavam até em casamento, filhos, temáticas que costumam substituir as palavras no diminutivo dos primeiros dias. É um tipo de desânimo que costuma levar a dois caminhos: a constatação de que são realmente feitos um para o outro… Ou uma sensação desagradável de comodismo. O duro é que ambas são tão parecidas que, muitas vezes, fatores externos “empurram” para um destes lados.

O “fator externo” da Schneck trabalhava com ela há poucos dias. Era infinitamente mais sorridente, simpático e gentil que o namorido velho de guerra. Olharam um para o outro; sorriram; disseram “oi”; tomaram café; foram almoçar… Bom, foi o que ouvi dela quando ofereci carona para sua casa – quando o “fator externo” souber o que conversamos exatamente na noite em que ele não apareceu, vai me convidar para padrinho.

“Eu terminei meu namoro há umas duas semanas, e esse rapaz já sabe disso. Tem um clima muito bacana entre a gente… Mas é estranho. Afinal, se ele está a fim de mim, por que ainda não falou nada? Ele devia tomar a iniciativa, não acha? Até porque, se depender da minha timidez, as coisas não vão evoluir… O que você acha?”, perguntou Schneck, tensa por uma solução.

Naquele instante, pelo pouco que apreendi daquela descrição, incorporei o rapaz simpático e gentil, que gosta da moça, mas impõe uma porção de obstáculos ao invés de colaborar para a coisa toda fluir. Não foi difícil: se dependesse apenas do meu comportamento, jamais estaria usando uma aliança na mão direita. No meu caso, fui agraciado por uma mulher realmente decidida e sincera. Minha amiga, no entanto, não tinha o mesmo perfil. Pelo contrário: não imaginava ser capaz de “agarrá-lo”.

“Se você não demonstrar com clareza, de um jeito que ele não tenha a menor dúvida, isso vai ficar assim até a coisa esfriar. Entendo que você não queira se abrir, mas é preciso dar um empurrão. O máximo que você puder. Quer que ele se esforce e consiga te conquistar? Experimente deixar tudo praticamente preparado e sigam em frente”. A Schneck deve ter dito uns três ou quatro “não acredito”, “não vou fazer isso” e “não é possível” até chegar em casa. Recebeu de volta a mesma quantidade de “vai por mim”.

Em pouco mais de uma semana, recebi um breve e-mail.

“Caraca, você estava MEGA certo! Acredita que, na quinta-feira passada, ele me disse que estava apaxonado… Mas não me beijou? Aí na sexta, quando ele foi me deixar em casa, estava quase indo embora como se nada estivesse acontecendo. Mas… EU o BEIJEI! Saímos no fim de semana, e no almoço ele conseguiu me pedir em namoro, gaguejando… Um fofo!”

Não consigo esconder o sorriso até agora. Ficarei ainda mais feliz quando, daqui uns meses, os dois se virarem bem quando já estiverem unidos, a ponto de ignorar qualquer dilema capaz de se sobrepor ao que realmente importa.

A propósito, Claudia Raia, se precisar de alguma coisa, deixe um recado aí.

Um breve resumo da Copa 2010

Por Marmota | 13/07/2010, 18h00

Tanzânia, Zimbábue, treino fechado, Túlio Tanaka Facts, shosholoza, Shakira, Waka Waka, Tshabalala, Jabulani, cala boca Galvão, terno do Maradona, Green e seu frango, Camarões caídos, o choro de Tae-Se, Suíça apronta pra Espanha, Senderos muito louco, defesa de Valladares, defesa de Enyeama, primeira vitória grega, Uruguai apronta Vuvuzelazzo, chupa Bafana Bafana, gol dos EUA anulado, Eslovênia quase classificada, caquinha do Joachim Low, cavalos da Costa do Marfim, tchau Elano, até mais Kaká “bad boy”, a “mãozinha” do Fabuloso, dunguices na coletiva e a resposta do Tadeu Schmidt, o celular da Larissa Riquelme, o microfone da Sara Carbonero, as minissaias das torcedoras holandesas, Domenech muito louco, Evra mais ainda, chupa França, quase gol da Nigéria, cadê o Messi, cadê o Cristiano Ronaldo, cadê o Rooney gol dos EUA anulado de novo, chupa Sérvia, chupa Itália, Nova Zelândia invicta, Eslováquia classificada, Japão classificado, Pepe x Felipe Melo, fracassou o dia sem Globo, cabeçada de Heinze na câmera, Argentina passa com gol irregular, Alemanha passa com gol irregular, queremos tecnologia na arbitragem, Mick Jagger elimina Inglaterra, Mick Jagger elimina os EUA, chupa Chile, anúncio errado na Folha, David Maravilla, chupa Portugal, chupa Komano, Mick Jagger elimina o Brasil, chupa Felipe Melo, chupa Dunga, Sneijder Bátema e Arjen Robben, chupa Maradona, chupa Argentina, Klose quase recordista, mãozinha de Suárez, chute de Gyan na trave e o melhor minuto da copa, cavadinha de Loco Abreu, Gana perde pênaltis, Cardoso perde pênalti, Xabi Alonso perde pênalti, Larissa Riquelme perde aposta mas sai pelada, jabulanada de van Bronckhorst, jabulanada de Forlán, chute de Cáceres na cara do holandês, cabeçada de Puyol, cadê a Alemahha, Uruguai até o fim, bola na trave de Forlán, duas viradas e terceiro lugar, botinadas holandesas, defesa de Casillas, doze cartões amarelos, um vermelho, gol de Iniesta, Dani Jarque sempre conosco, finalmente a taça, festa espanhola, beijo na Sara Carbonero, viva o Twitter, viva Madiba e viva o polvo Paul.

***

Com o fim do Mundial, quem também vai perder ritmo até 2014 é o Blog da Copa, que a despeito de seus 22,2 mil pageviews, dezenas de menções no Twitter e citações web afora, me deixou feliz por três razões fundamentais.

A primeira diz respeito ao fato do futebol brasileiro, ao menos durante um mês, demonstrar como é possível estabelecer diálogos com qualquer pessoa, em qualquer nível. Desde o porteiro do prédio falando mal do Felipe Melo ao presidente da empresa até gente da Catalunha, do País Basco e de Madri celebrarem juntos um título.

E isso foi representado no blog, graças a um time que teve total liberdade para escrever o que bem entendesse sobre o tema, como se estivéssemos todos na sala de casa. A começar pela A Luciana, que pode não ter se expressado tanto mas é a “mãe da criança”; passando pelo Rodrigo, a Luninha e o Marcelo, que registraram crônicas do cotidiano; até palpites femininos, como os da Fefa e da Marília (cuja observação sobre conspirações foi uma das mais clicadas). Se fosse uma escalação de futebol, o Doni poderia ser o “Messi”, o “Cristiano Ronaldo”: pode ter aparecido pouco, mas quando o faz, meio mundo comenta. E o ataque contou com o incansável Pedrox e, ao seu lado, MarcosVP – onde, aliás, recomendo o primeiro clique a quem perdeu o Mundial.

A segunda razão tem a ver com um antigo objetivo: sempre quis entender, ainda que minimamente, como funciona a ferramenta Flash. Tio Steve Jobs que me desculpe, entendo as limitações do brinquedinho e concordo que seja um pouco tarde para aprender, já que não vai demorar para o HTML5 substituir a tecnologia. Também percebo que não faz sentido algum aprender a manusear qualquer artefato se não soubermos exatamente o que fazer com ele. Mesmo assim, não escondi meu sorriso de aprendiz ao ver funcionando um infográfico vagabundo sobre estádios paulistanos, além do experimento que não vai deixar saudade alguma: o botão vuvuzela.

Finalmente, a terceira razão. Graças ao Mundial, eu me entusiasmei de forma tal a somar uns 40 posts desde o início do Mundial, trocados por madrugadas de sono. Como se eu estivesse de novo em 2002, louco para ver minhas idéias, ainda que iguais aos de outros torcedores, transformadas em posts. Apesar da Copa 2010 ter sido a do Twitter, foi graças a ela – e a todos que compartilharam seu tempo ali – que redescobri aquele prazer de blogar, um pouco sumido ultimamente.

Ah sim, guardem o link do Blog da Copa por aí. Ainda tenho alguns parágrafos engatilhados, como rescaldo. Sem contar que, como diria o Vanucci, o Brasil é logo ali.

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