Marmota, mais dos mesmos

Desde 2002, muito obrigado por nada.

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Preencha as lacunas: o/a _____ vai matar o/a _____

Por Marmota | 29/09/2009, 11h46

Ando com uma impressão de origem 100% empírica, mas que o homem discute desde Heráclito e Parmênides. São múltiplas as transformações de dispositivos, artefatos, tecnologias, plataformas e afins; como consequência, pessoas se movimentam em função destas novidades. As que conseguem mobilizar mais integrantes se estabelecem, enquanto outras perdem adeptos simplesmente por não acompanharem tal dinâmica.

Essa observação generalista acaba gerando uma enxurrada de “lápides profetizadas”, já que estas transformações tendem a “matar” outras. E talvez o fato de sentirmos um misto de fascínio e apreensão com essa palavrinha, “morte”, a gente sinta tanta vontade em matar coisas ou vê-las enterradas. Pode ser que isso explique nossa tentação em cravar palpites do tipo:

- O cinema vai matar o teatro
- O videocassete vai matar o cinema
- A televisão vai matar o rádio
- A tv de plasma vai matar o crt
- A tv de lcd vai matar a de plasma
- A tv de led vai matar o lcd
- O dvd vai matar o videocassete
- O bluray vai matar o dvd
- A internet vai matar a tv
- O youtube vai matar a tv
- O joost vai matar o youtube
- A internet vai matar o rádio
- O ipod vai matar o rádio
- O zune vai matar o ipod
- O celular vai matar o zune e o ipod
- A iptv vai matar a televisão digital
- O laptop vai matar o desktop
- O celular vai matar o pager
- O celular vai matar o jornalismo
- O smartphone vai matar o laptop
- A nuvem vai matar o sistema operacional
- A internet vai matar a sala de aula
- O second life vai matar a sala de aula
- A internet vai matar o jornalismo
- O e-mail vai matar o newsgroup
- O icq vai matar o e-mail
- O icq vai matar o irc
- O msn vai matar o icq
- O blog vai matar o jornalismo
- O twitter vai matar o blog
- O twitter vai matar o msn
- O twitter vai matar o jornalismo
- O yahoo meme vai matar o twitter
- O google wave vai matar o twitter
- O google news vai matar o jornalismo
- O bing vai matar o google
- O cuil vai matar o google
- O wolfram alpha vai matar o google
- O seo vai matar o jornalismo
- O kindle vai matar o livro
- O celular vai matar o kindle
- O napster vai matar as gravadoras
- A pirataria vai matar os artistas
- O p2p vai matar a pirataria
- As redes sociais vão matar os portais
- As redes sociais vão matar os blogs
- As redes sociais vão matar as salas de aula
- As redes sociais vão matar a privacidade
- As redes sociais vão matar o jornalismo
- O orkut vai matar o fotolog
- O facebook vai matar o orkut
- O twitter vai matar o orkut
- O R7 vai matar o G1
- A overdose de informações vai matar o jornalismo
- O aquecimento global vai matar o planeta

Agora é a sua vez de contribuir. Quem sabe assim a gente consiga convencer alguém a pensar duas vezes antes de “matar” coisas. Quando conseguirmos isso, repetiremos a dose com outra lacuna tentadora: (alguma coisa) vai revolucionar (alguma outra coisa)…

Eu (e muitos outros) dançando Dirty Dancing no casório. Ou não.

Por Marmota | 19/09/2009, 03h32

Num dos poucos momentos de relax que tive esta semana, recebi uma mensagem perigosa.

“Ei, precisamos fazer isso em nosso casamento”.

Seguiu um link para a clássica cena final de Dirty Dancing, onde a ex-irmã de Ferris Bueller Jennifer Gray, no papel de garota comum, dança com o bailarino e então futuro fantasma Patrick Swayze, no papel de Patrick Swayze. O filme, de 1987, popularizou não apenas a musiquinha The Time of My Life (de Bill Medley e Jennifer Warnes, que levou o Oscar de melhor canção), mas também a carreira do ator, falecido esta semana após uma dura luta contra um câncer de pâncreas.

Logo caiu a ficha: eu, que não sou exatamente um Fred Astaire, jamais acumularia coordenação suficiente para engedrar todos esses passos na sequência, incluindo o poético vôo da dama após uma interminável coreografia solo. A pergunta, aparentemente óbvia, era obrigatória: “de onde veio essa idéia genial?”. Era pra ter dito “ameaçadora”, mas pra continuar o diálogo, preferi “genial” mesmo.

Veio um novo link, desta vez para uma nota do G1. Trata-se do depoimento da norte-americana Julia Boggio. Ao casar-se com o britânico James Derbyshire em 2005, decidiram usar The Time of My Life na dança dos noivos. Os amigos, que fizeram o registro, puseram o vídeo no YouTube. Virou hit, com mais de seis milhões de acessos! A fama levou o casal ao programa da Oprah, onde Julia teve a oportunidade de dançar com o próprio Swayze!

A notinha traz ainda um assustador “se você já dançou ao som de Dirty Dancing, envie seu vídeo!”, presumindo não apenas que alguém tenha feito o mesmo, mas estimulando noivos Brasil afora a fazerem o mesmo. Uma busca rápida no YouTube revela famigeradas gravações de casamento com a não menos famigerada dancinha – a maioria na Gringolândia, onde a influência do vídeo foi além. Mas já existe ao menos uma versão brasileira. Repare num dos comentários: “quero fazer o mesmo no meu casamento!”.

Pronto. Prepare-se para a modinha.

É lógico que, até a distante hora do sim, serei convidado a “ensaiar” ao som de The Time of My Life. Minha esperança é a de que, nesses anos todos de espera, apareçam incontáveis casais repetindo os passos de Baby e seu professor Johnny, tornando-a manjada, repetitiva e, portanto, sem qualquer propósito. Tenho fé que a provável overdose de vídeos do gênero na web farão minha partner desistir.

Ou, se isso não ajudar, talvez apele para o velho discurso: “esse negócio de espetacularizar relacionamentos não é a nossa praia, lembra?”.

Chegamos aos sete anos

Por Marmota | 04/09/2009, 20h35

Nesta sexta-feira, um blog que você conhece (e provavelmente curte) completa sete anos de finca-pé no extenso planeta blogosférico. Num quatro de setembro, surgiu o primeiro post, na ainda moderna ferramenta do Blogger Brasil. O tempo lhe trouxe visibilidade e muitos amigos. Tentou levar seu blog para um condomínio cheio de gente bacana, mas num relance, voltou às origens, colocando um de seus pés num portal familiar com nome alusivo ao conhecimento pelo diálogo. Hoje escreve pouco, mas segue firme – o que garante boas razões para comemorar ao lado de quem o acompanha há tanto tempo.

Pronto para dar os parabéns? Ótimo, mas não são só para mim. Lógico que estou falando do Pirão sem Dono, capitaneado pelo MarcosVP (que também mantém o Escudinhos e é um dos convidados do nosso Blog da Copa). Este espaço aqui não teve apenas a feliz coincidência de ter sido criado na mesma data do Pirão, muito menos o mérito de atravessar longos sete anos em trilhas próximas. Como ocorre na maioria destas paragens digitais, a felicidade maior é a de tê-lo encontrado pessoalmente em diversas ocasiões, como em janeiro passado.

Beiçola e MarcosVP
Beiçola e MarcosVP

Enfim, esta data especial merecia uma celebração. Foi assim quando antecipamos a festa num madrugadão – sonolento mas muito divertido. Improvisamos uma mesa de boteco no Gtalk e conversamos sobre aquilo que nos move nesse mundinho virtual.

MarcosVP: Fala hermano colorado.

Marmota: Aeee! :)

MarcosVP: Par ou ímpar, pra ver quem começa?

Marmota: Eu posso começar… Hehehe! Bom, nossos blogs nasceram no mesmo dia, e também por conta disso permanecemos em contato durante estes sete anos. Os próprios blogs passaram por um caminho parecido: começaram de leve, passaram por um auge romântico, integraram um grande portal e voltaram às origens recentemente. Você acredita em astrologia?

MarcosVP: Olha só… O bom jornalista, o que surpreende logo na primeira pergunta. Bom, recorrendo ao primeiro clichê da noite, eu diria que há mais coisas entre o céu e a terra…

Marmota: Hahahahahahaha!

MarcosVP: De qualquer modo, como bom leonino com ascendente em virgem e lua em touro… Confesso que as coincidências são muitas. Tirando horóscopo de jornal, eu costumo achar os astros interessantes. Você já fez o mapa do MMM, né?

Marmota: Já, sim. Foi em função do registro do primeiro post, quatro e pouco da tarde do dia quatro de setembro de 2002. Vou pesquisar o texto… É virgem com ascendente em aquário. Blé. E lua em leão – confesso que tinha algumas ressalvas ao seu signo, mas ultimamente ando tendo bons motivos pra gostar dele…

MarcosVP: É… complexo. Meu primeiro post foi às 13h16, umas três horas antes do teu.

Marmota: Mas enfim. Dizem que, com o passar dos anos, as pessoas vão assumindo as características do ascendente. Você se considera mais leonino, que valoriza o reconhecimento pelo trabalho, ou mais virginiano, detalhista e organizado?

MarcosVP: Ah, a Luciana é leonina, agora que eu saquei.

Marmota: Exatamente. E se eu falar mal do signo dela em público, tterei problemas…

MarcosVP: Cara, o mais característico de ser leonino com ascendente em virgem é ser um poço de contradições. Começa que o leão quer palco, quer aplauso. O virgem quer backstage, ou pior: não quer nem passar na porta do teatro. O Pirão sofre dessa dicotomia a vida inteira. Minha terapeuta chamaria de auto-sabotagem. Paulo Coelho define como “uma pequena chama derrotista que todos nós carregamos”. Raul Seixas chamaria de frescura, talvez. O fato é que, se a gente não aprende com sete anos de alguma experiência, não vai aprender com oito. Casamentos são bons exemplos dizem. O meu primeiro naufragou justamente depois de sete anos. Meu segundo, oficialmente, fez cinco esse ano… Eu acho que depois de muito tempo, finalmente o Pirão não me causa mais angústia, sabia?

Marmota: Ih! Será que a tal “crise dos sete anos” de fato é real em relacionamentos amorosos? Mas enfim, tirando isso de lado, faz sentido pra você a idéia de que o blog, assim como qualquer ferramenta similar, é uma extensão dos seus pensamentos, da sua maneira de lidar com o dia-a-dia?

MarcosVP: Faz sentido. Faz principalmente porque justamente ele tem sido cada vez menos a extensão dos meus pensamentos, justamente porque a cada dia que passa eu me forço a externar menos e menos esses pensamentos. Por isso o blog tem andado devagar (porque já teve pressa) e traz esse sorriso porque já chorou demais. Sem falar que depois que se pega o jeito do twitter, a preguiça de escrever longos posts é quase infernal…

Marmota: Sim sim, a agilidade do Twitter não ajuda quem gosta de escrever… Mas juntando esse autocontrole emocional com a presença do Twitter… Qual caminho você vê pro seu blog daqui em diante?

MarcosVP: No momento, continuar como estar. Neste exato instante eu não tenho qualquer plano para o Pirão. Outro reflexo da minha vida atual. Meu plano hoje é sobreviver, criar meus filhos, estar num pedaço só para eles. E isso inclui – talvez você ache estranho, mas não é uma loucura, garanto – não colocar em minha vida nenhum grande projeto pessoal. Isso é difícil, me dói um bocado mas é extremamente necessário no momento. Projetos pessoais de porte por agora só vão me frustrar irremediavelmente. Olhando para trás, eu tinha planos anuais para o blog. Não tenho como bancar isso, nem para o blog nem para mim. Mas isso não é uma desistência da vida. Haverá o tempo de se pensar em planos de novo.

Marmota: Bom, pelo que te conheço – e até por conta do nosso último encontro, fiquei com um sorriso no rosto ao te ouvir falar em comprar instrumentos musicais pra tocar com seus filhos… E nesse sentido, não seria nada leviano dizer que sua família é um grande projeto pessoal, não?

MarcosVP: Aaaah, sim! Com toda certeza. E posso dizer que esse “projeto”, por assim dizer, realmente tem me dado bastante alegrias e justamente nesse aspecto. O Léo, meu caçula, tem demonstrado um gosto fantástico por aprender música. A Érica, menos na teoria mas muito em compartilhar disso com a gente. O engraçado é que eu estava numa toda analógica com eles… Flautas, percussão. O Léo não larga os DVDs, pegou um MP3 player meu e tomou posse e não quer saber de outra coisa que não tocar teclado. Puro hi-tech.

Marmota: Hahahahahahahaha! Sensacional!

MarcosVP: Aliás, ensinar teclado ao Léo tem me feito aprender a tocá-lo, o que é ótimo.

Marmota: Muito bacana! Sem dúvidas, este é um tremendo projeto pessoal… Um dia eu chego lá!

MarcosVP: E nessa, eu devo um voto de gratidão ao Pirão. Foi através dele que eu conheci dois grandes tecladistas – e duas grandes pessoas: Flávio Venturini e Delia Fischer. Das utilidades do blog, fazer amigos e conhecer pessoas (valha-me, Dale Carnegie) é uma das melhores.

Marmota: Antes que você me pergunte, considero esta A melhor das utilidades! Enfim, sabe que nós, jornalistas, reaquecemos uma antiga e calorosa discussão referente ao diploma de graduação, não? Algo que os publicitários nunca precisaram para exercer a profissão. Qual a sua visão sobre a formação em publicidade? E aproveitando o gancho, sente-se um jornalista por manter um blog? Hehehe!

MarcosVP: Bicho, sob alguns aspectos eu até já me senti um jornalista em meu blog, mas é pouco. O que eu acho que mais me define no pirão seria a definição “cronista”. E cronistas, bem esses não precisam de diploma mesmo, né? bom protuguês e tempo de janela bastam. E aí está minha idéia básica sobre essa questão dos diplomas de comunicação. Muita gente imagina que, porque sabe escrever, pode ser jornalista ou publicitário. E não pode, principalmente porque o grande equívoco dessa gente – e aí eu costumo incluir muitos probloggers nesse equívoco – e ignorar que existem técnicas para fazer esses trabalhos. Ignora-se por aí que psicologia é mais importante para se fazer publicidade que domínio da língua. De vez em quando aparece um “gênio” dos trocadilhos e das jogadinhas se arvorando um *puta* criador. E é um idiota, porque a criação é 90% psicologia do consumidor e 10% arte. A maioria dos probloggers que eu conheço viu o galo cantar e não sabe onde, direito. Acertou um tiro certo dia e continua dando o mesmo tiro na mesma direção, na esperança de acertar sempre. Isso pra mim não é entender de publicidade e marketing. É empirismo. E a internet é o paraíso dos empíricos, vai dizer? Alguns são #epicwin, mas a maioria é mesmo #megafail, hehe.

Marmota: Hahahahaha! A propósito, como você utiliza hoje seus conhecimentos na área de marketing e publicidade?

MarcosVP: Olha, eu já sonhei em dar aulas de marketing, só para poder entrar numa sala de aula e dizer: bom dia, meu nome é MarcosVP, eu sou seu novo professor de “defesa contra as artes das trevas”…hahahaha. Agora, sério, eu trabalho como programador visual, webdesigner. O que eu uso do que aprendi é nessa área. Isso serve para os blogs também. Minha especialidade, por assim dizer, é criar visuais úteis, eficazes, com o mínimo de ruído. Isso já ajuda bastante no que faço e produzo.

Marmota: Cara, e o Escudinhos? É um negócio que, tanto ou mais que o Pirão, te exige uma dedicação tremenda! Porque não é só redigir textos, mas também pesquisa de uniformes, cores, preparar os arquivos no Corel, exportar para PDF… Como é a relação com os visitantes desse blog tão específico e, ao mesmo tempo, tão bacana?

MarcosVP: Aí é que está… ele parece que exige uma dedicação tremenda, mas nem é tanto. As artes, eu já faço há muitos anos e já tenho uns esquemas de fazê-las com rapidez. O que me custa mais é fazer os posts em si. A pesquisa é extensa sim, mas é relativamente fácil na maioria dos casos. E claro, o que mais me diverte é ter que procurar fatos e fotos de clubes obscuros, extintos, isso é o mais bacana. O caso do Maguary, antigo campeão cearense extinto em 72 e renascido agora me deu um prazer enorme. Eu fui procurado pelos atuais dirigentes, eles queriam opiniões sobre uniformes, divulgação, coisas assim. Foi muito bacana. Também tem sido muito legal conhecer desenhistas de futebol mundo afora. No mais, pela própria estrutura do site, que gera muita chave de pesquisa, a audiência é bem maior do que eu jamais tive no Pirão. Outra coisa boa é em tese, no ritmo atual, eu tenho material para publicar escudinhos por pelo menos uns… 30 anos…

Marmota: Putz, e praticamente não te perguntei nada sobre música, que é um tema recorrente em seus textos! Pelo que acompanho, considero você um cara bastante eclético, interessado em diversos gêneros. Mas existe algum estilo, banda, artista que te emociona mais, que te chacoalha mais, aquele top-top?

MarcosVP: Clube da Esquina, sempre…hehe. Tenho uma amiga que diz que eu sou o representante na terra dos mineiros chatos. É, fazer o quê? Mas eu gosto muito de rock em geral (talvez por ser guitarrista – gozado, quase não há músicos blogueiros, né?), coisas como Rolling Stones, Nirvana, Led Zeppelin, BRock, rock progressivo (aquilo que Ezequiel Neves chamava de música de penteadeira de puta). Dos mais atuais, ainda curto Oasis e Coldplay. Dos artistas que conheci nos últimos anos, Damien Rice foi o que mais me chamou a atenção. Adoro instrumental jazz-fusion, música regional nordestina, e gosto até de polly-music (essas meninas polly-like que fazem pop-roquinho-pseudo-atitude, tipo Avril Lavigne, Kelly Clarkson, Duffy, Hanna Montana, hahaha…). Confesso que não gosto de rockabilly, nem de samba, com raras exceções eu acho bossa nova chato, e não tenho visto nada de bom produzido na área do rock no Brasil, de Los Hermanos a NX-Zero. Como eu gosto de folk eu cheguei a mergulhar em Mallu Magalhães mas bati a cabeça no fundo. Era raso demais…

Marmota: Bom, tenho outra curiosidade, sobre sua ligação com Fortaleza. Ainda é forte?

MarcosVP: Minha família é de lá. Passei minha adolescência lá. Não tem como não ser. Essas últimas férias foram lamentáveis porque há mais de seis anos eu não ia para lá e quando fui, passamos – eu, Thania e Léo – o tempo todo doentes. Eu adoro Fortaleza e o Ceará em geral. Não sei se ainda sonho em morar lá. Mas visitar, sempre. Imagino que seja como sua ligação com o Rio Grande, tchê.

Marmota: É, tem mais esse paralelo nosso, coincidência, ou frescura…

MarcosVP: Eu tenho uma teoria de que cada gentílico brasileiro tem sua alma gêmea em outro. Pelo menos três eu já tenho catalogados e provados cientificamente: gaúchos + baianos, cearenses + mineiros e paulistas + goianos.

Marmota: Provados cientificamente? Uau! Como é, por exemplo, essa relação entre gaúchos e baianos?

MarcosVP: Simples. Eu tenho um grande amigo gaúcho que, após anos de residência na Bahia, teve seu dna completamente convertido. É hoje um baiano absurdamente legítimo.

Marmota: Hahahahaha! Sabe que uma das cidades que pretendo construir uma vida familiar é exatamente Salvador. Mas por ser meio paulista, nunca pensei em Goiás… Quanto ao namoro de cearenses e mineiros eu tenho prova ainda mais contundente. No livro “Os Sonhos não Envelhecem”, de Márcio Borges – irmão do Lô, ele descreve certo músico cearense que conheceu um dia como “bonito”. Era ninguém menos que Raimundo Fagner.

Marmota: Hahahahahahaha!

MarcosVP: Pois é, os goianos são meio irmanados dos capixabas também, mas acho que a música sertaneja é um traço de união mais característico e profundo que a mania de ter empadões como comida típica… Mas, como diria um velho conhecido nosso, tergiverso.

Marmota: Hahahahahahahahahahahaha!!!

Se você chegou até o fim, parabéns pra você também! Mas ainda não acabou. O bate-papo prossegue no Pirão Sem Dono. O que você ainda está fazendo aqui? Vamos lá, pô!

Cinco “blogs-moleque” para celebrar o BlogDay

Por Marmota | 02/09/2009, 16h28

Eu estava amadurecendo a idéia de “meter meu bedelho” em outras dessas celeumas infrutíferas que, vez ou outra, mobilizam algumas vozes. O debate da vez é “a morte dos blogs”. Pensei em aliar a proposta da Beth Saad, que usou o feliz termo “complementariedade” ao posicionar o blog como uma entre múltiplas ferramentas (populares ao menos até vir outra melhor), com a do Tiagón Casagrande, verdadeira essência de qualquer opinião sobre vida em rede: não é a tecnologia que determina sucesso ou fracasso, mas sim as pessoas. Essas que precisam dividir 24 horas entre trabalho, trânsito, estudo, leituras, almoço, jantar, namoro, novela, boteco, balada e essas traquitanas todas.

Então lembrei do BlogDay, que surgiu nesta singela observação de um israelense, Nir Ofir. “Nos últimos meses, eu senti que, a medida em que surgem mais blogs, perco menos tempo com eles. Com o excesso de informações, visito apenas meu blog favorito. Então por que não incentivamos nossos visitantes a conhecer novos blogs?”. Em quatro anos, certamente suas intrincadas escolhas entre uma fonte e outra o deixou ainda mais louco – ao menos acontece comigo. Mas enfim, uma perguntinha bem óbvia: se os blogs acabaram, qual o sentido do BlogDay hoje?

O fato é que a data (31 de agosto) coincidiu com o lançamento (tardio e unilateral) do Blog do Planalto – entre críticas e desejos de sucesso, o BlogDay foi bem lembrado. Uma busca por BlogDay2009 no Technorati retorna 190 posts – parece pouco, mas em 2006, quando o meme de fato pegou, foram 300 registros. Não dá pra dizer que foi uma queda expressiva, dá?

Bom, o esquema do BlgDay é bem simples: encontrar cinco blogs interessantes, recomendá-los e, ao fazer isso, registrar a participação usando um link para o Technorati (http://technorati.com/tag/BlogDay2009) e o site do projeto (http://www.blogday.org). Com algum atraso (ah, vá!), fiz minha listinha. Para filtrar apenas cinco endereços, optei por alguns que, mesmo quando há uma profusão de “blogs de sucesso” entusiasmado com métricas, números, monetizações, posicionamentos e afins, mostram o que sabem fazer sem se preocupar exatamente com esses detalhes em primeiro plano.

#5 Blog do Professor PC – Conheci o Paulo Cezar Guimarães, docente do curso de comunicação da FACHA, em minha última passagem pelo Rio de Janeiro. Sabe aqueles professores gente boa, que você sempre vai lembrar ao final da faculdade? Tenho certeza de que os alunos do PC devem pensar o mesmo. Jornalista antenado e experiente, não perdeu aquele costume “das antigas”: ler e recortar artigos do impresso. Nem por isso está desconectado: há tempos não encontro um blog atualizado tantas vezes. Fiquei fã dele!

#4 Dicas de um Fuçador – Esbarrei sem querer, um dia desses, na expressão “churnalismo”, derivado do inglês “churn out”, definindo o “jornalismo nas coxas”. Foi num texto do Marcelo Soares, responsável ainda por um blog sobre política na MTV e pela tradução de um e-book do Guillermo Franco precioso sobre texto na web. Virou referência em apuração jornalística, cuidado com a palavra, coisinhas que vez ou outra a gente esquece. É mais um que aprendi a admirar.

#3 Resenha em 6 – Reparou que, até agora, só falei em pessoas, né? A vida brinca com destinos de um jeito interessante: a primeira metade dos 90 reuniu, numa sala de aula de eletrotécnica, alguns caras como o Marcelo, o Leonardo e o Fernando – um dos autores deste blog bacana, onde o pré-requisito de seus autores é resenhar produtos, serviços e afins em no máximo seis linhas. É como no combalido Sete segundos, mas sempre movimentado: os caras já ultrapassaram as mil resenhas!

#2 Eu e meu Ego Grande – O autor chama-se Leonardo Luz. Escritor. Roteirista. Crônicas. Enfim, um cara que gosta de escrever. É o suficiente. Agora vai lá ver (se é que você já não conhece), antes que o ego dele infle a ponto de ficar parecido com outros blogs aí.

#1 Homem é Tudo Palhaço – Pense num blog que começou lá pelos idos de 2002, já concorreu ao IBest, é citado em cadernos de cultura da mídia tradicional, permanece focado num assunto que gera discussões intermináveis e, mesmo depois de tanto tempo, segue na mesma toada – tudo bem que, em alguns casos, difamando nós homens injustamente. Mas ainda assim, divertidíssimo. Perguntem pro quarteto formado por Ana Paula, Nara, Roberta e Vanessa se os blogs realmente acabaram.

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