terça-feira, 30 de junho de 2009
Então esta quarta-feira é, como de praxe, o começo do fim.
Sim, pois tradicionalmente a cada ano, janeiro é o começo do começo. Lá por abril, temos o fim do começo. Julho marca o começo do fim. E em outubro, é o fim do fim!
É no começo do fim que, normalmente, surge a pergunta que replica em cabeças alheias como se fosse um meme inconsciente: “puxa, o tempo tá passando depressa, né?”.
Foi exatamente isso que ouvi, por exemplo, de Sergio Patrick na abertura daquele programa esportivo diário da Rádio Bandeirantes. A resposta de Mauro Beting: “Sim, e a década está acabando. Lembra do bug do milênio?”.
Imaginava-se que o tal “bug do milênio” significaria uma pane em serviços informatizados. Dados poderiam envelhecer cem anos do dia para a noite: de 31/12/99 para 01/01/00 (ou seja, 1900). Essa expectativa sim, Lula, foi uma marolinha.
Talvez possamos recuperar o conceito e atribuí-lo a sensação de que os dias passam e não somos capazes de finalizar o que programamos, absorver as informações que circulam, celebrar a vida ao lado de quem gostamos. Rapidinho, mentes que nunca se conectaram criam este elo comum: o “puxa, o tempo tá passando depressa, né?”.
É esse o bug do milênio em nossas cabeças. Viva o começo do fim.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
… Mas só para registrar aqui, as duas contribuições que mais me chamaram atenção.

Então um ícone pop se vai e… Vira notícia esportiva, lógico! Afinal, era “o Pelé do pop”! Mais: sua morte acabou com um dia feliz, graças à classificação dos EUA à final da Copa das Confederações…

Ah, mas eu não tinha dúvidas. Depois de estamparem na manchete que “Luana Piovani não tem mais Dado em casa”, tudo que eu poderia esperar do Meia Hora (o melhor jornal do Rio) é uma frase com o mesmo tom criativo. Tiro o meu chapéu para “Nasceu negro, ficou branco e vai virar cinza”.
Em tempo: Tiago Dória compilou algumas home-pages desta quinta, além de detalhar os bastidores do TMZ.com, primeiro veículo ao confirmar a morte de Michael Jackson.
Atualizado: “Não manchetar com uma notícia dessas é o cúmulo do autismo. É viver num mundo paralelo e totalmente fora de timing”, disse o Alec. Levando em conta este critério, o prêmio de “pior capa de jornal” desta sexta-feira vai para o Diário Popular, de Pelotas (onde certamente nenhum funcionário teve aulas com a Raquel).

Conseguiu achar a notícia da morte na primeira página? Pois é.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Há tempos registrei aqui meu ponto de vista sobre a celeuma do diploma de jornalismo. Resumidamente: nunca vi problemas no fim da sua obrigatoriedade (decidida nesta quarta-feira pelo STF), por considerar que nem toda formação acadêmica resulta num bom profissional e vice-versa. Mais do que isso: esse antigo debate normalmente só consegue “fazer espuma” através de argumentos engraçados – constatação evidente ao observarmos algumas reações pavorosas no Twitter.
Enfim, agora que a questão foi resolvida, qualquer debate mais acalorado vai parecer aquele sobre como era boa a seleção brasileira de 1982. De qualquer forma, estou com o Alec Duarte: sempre valorizei a formação acadêmica (antes mesmo de direcionar minha carreira para esse ramo), e quem consegue aproveitar a sala de aula de verdade torna-se um profissional diferenciado. Vou mais longe: paralelamente aos debates referentes às novas diretrizes curriculares, vão surgir outros modelos – como especializações lato sensu direcionados a quem já possui graduação em outra área.
Pessoalmente, sempre vi com bons olhos essa possibilidade. Soube da existência dela há uns seis anos, quando um amigo (o Leandro Rodrigues) decidiu fazer uma pós-graduação na área em Barcelona. O fato de ser o único brazuca no curso não o assustou tanto quanto o conteúdo das primeiras aulas: “eram conceitos básicos, como fazer um lide, essas coisas”, contou certa vez. Notícia velha para ele, formado na Cásper, mas necessidade para os demais – filósofos, advogados, sociólogos, entre outros graduados. Tempos depois, revi o tema nesse artigo do José Nello Marques, defendendo a substituição da graduação tradicional por uma especialização do gênero.
Não acredito que um modelo vá substituir o outro por decreto – apenas em função de uma potencial obsolescência do atual curso de jornalismo. De qualquer forma, quem se preocupa com a educação em qualquer nível deve encarar o fim da obrigação do diploma como uma oportunidade para fortalecer aquilo que realmente importa em qualquer profissional: bagagem cultural, capacidade de interpretação e organização, iniciativa e visão estratégica, bom senso… Essas coisas que tanto uma boa faculdade quanto a vivência de mercado deveriam oferecer.
Enfim, ao menos em duas coisinhas todos concordam. A primeira: além dessa discussão, acaba também aquela sobre blogueiros versus jornalistas, ainda mais esdrúxula. A segunda: qualquer curso de jornalismo deveria obrigar seus alunos a atestarem, por uns três ou quatro anos, votos de humildade.