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Arquivos: maio/2009

Vai, Barrica: perseguição da Brawn ou a zica voltou?

Por Marmota | 10/05/2009, 22h57

Foram três provas na Ásia após a estréia na Austrália. E tirando o GP da China, onde o “novo Schumacher” Sebastian Vettel começou a botar RedBull como a “segunda força” da temporada, só deu Jenson Button, com duas vitórias e meia (considerando a idéia “jeniau” em fazer o GP da Malásia ao anoitecer).

Mesmo com testes proibidos pelo regulamento, esperava-se que a primeira etapa na Europa fosse marcada por um reinício de campeonato – especialmente após a autorização do difusor. Se McLaren e Ferrari, que protagonizaram nos últimos anos, mostrassem alguma reação, a temporada ficaria ainda mais divertida. Veio o GP da Espanha e o atual campeão, Lewis Hamilton, continua muito atrás, lutando com um carro ainda desequilibrado. O coitado do Kovalainen então… Abandonou pela terceira vez.

Já a Ferrari conseguiu mostrar nítida evolução: Felipe Massa fez o quarto melhor tempo na classificação. Kimi Raikkonen só não o acompanhou porque a escuderia achou que o tempo do finlandês na primeira parte do treino era suficiente para brigar no final. Mas não era. Um problema no acelerador durante a corrida o prejudicou, tornando árdua a tarefa de eleger qual a nacionalidade mais azarada de 2009: finlandesa ou brasileira.

Mas enfim. Após a prova disputada na Catalunha, não tive dúvidas ao concordar com Niki Lauda sobre o maior problema da Ferrari: os italianos. Com a saída do francês Jean Todt e do britânico Ross Brawn, a equipe passou a ser conduzida por “ações descentralizadas” e “comportamentos expansivos”, lideradas por Stefano Domenicali.

Isso não só explica o que houve com Raikkonen no treino oficial, como também nos faz entender como é que Felipe Massa, que poderia terminar em quarto lugar, teve que tirar o pé nas voltas finais, abrindo caminho para Sebastian Vettel e Fernando “Piloto da Casa” Alonso, chegando em sexto. Tudo por conta de um erro na quantidade de combustível! Francamente. Tirem os italianos do comando da Ferrari!

Essa porém não foi a história mais estranha vinda de Barcelona. Rubens Barrichello, o melhor brasileiro na temporada, fez os melhores tempos durante praticamente todo o final de semana – só foi superado no fim da classificação, perdendo a pole pro Jenson Button. Mas logo na primeira volta, garantiu a primeira posição e, com uma estratégia de três paradas, estaria com a vitória nas mãos.

Button faria o mesmo, mas a equipe mudou de idéia durante a prova: o líder do Mundial de Pilotos parou apenas duas vezes, deixando o brasileiro novamente em segundo. Os tempos de Schumacher voltaram? “Disse para o Ross Brawn exatamente o que eu queria: se ele tivesse feito alguma coisa para que Jenson ganhasse a corrida, eu penduraria as chuteiras e ia para casa. Saí da Ferrari por causa disso e não preciso dessas coisas, sou melhor que isso”, desabafou Barrica ao microfone da Jovem Pan.

A resposta da equipe: analisando o desempenho de Rubinho depois do segundo pit, com o terceiro jogo de pneus macios, percebe-se que ele conseguiu andar mais devagar que Button em algumas voltas. Foi essa pequena circunstância da corrida que lhe custou a vitória, deixando seu companheiro de equipe com 41 dos 45 pontos já disputados, 14 de vantagem.

Então foi perseguição, zica ou incompetência? Enfim, ainda questiono se vale a pena torcer pelo Barrica.

(Para acompanhar e entender de verdade o mundo do automobilismo, leia a Bárbara Franzin, o Felipe Motta, o Ivan Capelli, o Livio Oricchio, o Fábio Seixas e o Flávio Gomes).

Depois da tragédia, a saudade

Por Marmota | 01/05/2009, 22h36

Era um sábado ensolarado, dia do aniversário de um grande amigo meu, que morava em São Bernardo do Campo. Cursava o terceiro ano do curso técnico – lembro que só consegui “viajar” até lá após a aula do Vizmark, de eletricidade. Com o radinho ligado a bordo de um coletivo do Expresso Brasileiro, soube da morte de Roland Ratzemberger.

O assunto permeou aquele churrasco de aniversário. O austríaco, piloto da Simtek, não era conhecido. Mas há muito tempo ninguém ouvia falar em mortes na Fórmula 1 – a última tinha sido doze anos antes. “E o Barrichello quase morreu ontem”, diziam, ampliando a discussão para questões sobre as mudanças no regulamento. “Ano passado, a Williams era imbatível, e esse ano o Senna parou em todas as corridas”, lembravam. O tema tirou parte da alegria daquela comemoração.

Milhares de quilômetros dali, no entanto, não havia clima para nenhuma festa. Se um jovem de 16 anos, do outro lado do oceano, estava impressionado com tanta desgraça em um único final de semana, imagine a cabeça de quem estava em Imola naquele primeiro de maio. No dia seguinte, a família acordou mais cedo, como em outros domingos nos últimos seis anos, para torcer pelo Senna. E ficamos impressionado com a fisionomia preocupada do tricampeão, a bordo do cockpit.

Logo na largada, uma batida violenta: pneus sobrevoando arquibancadas sinalizavam mais problemas. Minha mãe levantou do sofá e decidiu ficar na cozinha: não suportava mais tragédias. Não viu a saída do “carro-madrinha” da pista e o reinício do duelo entre o brasileiro e Schumacher em San Marino. Só voltou para a frente da TV quando Galvão Bueno anunciou que “Senna bateu forte”.

Até o helicóptero deixar o autódromo em direção ao hospital, ninguém se manifestou. Estavam todos atônitos. A primeira coisa que ouvi foi um “filho, vai até a feira pra mim comprar batata, cebola e banana”. Outro ritual de domingo: minha mãe dizia apenas duas ou três coisas antes de me entregar uma lista extensa e dinheiro extra para o pastel com caldo de cana.

A caminhada não foi suficiente para espairecer: era como se o mundo tivesse parado após aquela pancada no muro da curva Tamburello. Aquela sensação ruim ficou pior quando cheguei em casa e ouvi a notícia, na voz de Roberto Cabrini. E não se falou mais em outra coisa.

Na terça-feira, dia três, saí de casa na mesma hora em que o piloto chegava ao Brasil, no aeroporto de Guarulhos. Horas depois, a Escola Técnica Federal – que fica algumas quadras da Avenida Tiradentes – decidiu parar. Centenas de alunos repetiram o ritual de outros milhares de paulistanos e aguardaram pelo cortejo. Silêncio, lágrimas, tristeza.

Não parece que já fazem dez quinze anos que estamos aturando as idas e vindas da F1, desde Schumacher até Barrichello. Podem me chamar de “viuvinha do Senna”, mas tenho saudades sim.

E o seu primeiro final de semana de maio em 1994, você lembra como foi?

(Postado em 02/05/2004)

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