Marmota, mais dos mesmos

Desde 2002, muito obrigado por nada.

Arquivos: maio/2009

Nova Novíssima Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa

Por Marmota | 28/05/2009, 17h31

Nos últimos meses, provavelmente você já decorou todas as regras da Nova Ortografia. Tudo já foi dito, todos já contestaram e reclamaram – tanto aqui quanto em Portugal, onde há um forte movimento contrário. Enfim, o melhor texto que vi sobre as mudanças foi do Mario Amaya – que, curiosamente, repetiu A História do Mundo de Mel Brooks e limitou-se a escrever apenas a “parte 1″.

De toda forma, concordo com o Tuca: os pensadores por trás da reforma perderam a grande chance de ouvir quem realmente usa o português diariamente e adotar algumas expressões correntes, como “asterístico”, “a nível de” e “enquanto”. Para ir além no debate e colaborar com possíveis discussões a respeito do tema, desenvolvi ao lado do amigo Narazaki uma série de modificações, que podem cair ao gosto do povo.

Apresentamos agora a Nova Novíssima Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa:

- Fim do acento grave. Existe uma espécie de divisão soberana entre os luso-parlantes que sabem reconhecer um “a” formado por preposição e artigo do resto. Como se esta informação fosse capaz de separar as criaturas do meu círculo social de amizades da ralé ignorante e desprezível. Para estimular esta união e acabar com as diferenças, derrubamos o acento grave. Aproveitamos para resolver um problema corriqueiro: quantas vezes você não se sentiu um tremendo idiota ao se perguntar “tem crase aqui?”.

- Fim do hifen. Ao invés de resolver o problema, a atual reforma complicou tudo, derrubando o hifen de substantivos compostos que mantenham unidade semântica. Até hoje não sei se “rádio-relógio” tem hifen ou não. Da mesma forma, esse tracinho (que serve ainda para acompanhar pronomes) é sempre confundido com o travessão. Sem falar na trivial separação de sílabas em frases mais longas – coisa que nem todo mundo sabe fazer. Logo, acabamos com o hifen para sempre e pronto!

- Fim do ponto e vírgula. Certamente alguém poderá questionar o fim do acento grave e do hifen, mas duvido alguém apresentar algum argumento palpável para a manutenção do ponto e vírgula. “Ele serve para dar uma pausa maior”, entre outras atribuições como enumerações, supressões… Essas coisas que ninguém sente falta. Só existem duas funções claras para este sinal atualmente: associá-lo ao Wagner Montes ou exibir um smiley piscandinho. Nada além disso: fora com ele.

- Fim do H. Ninguém pronuncia o H. Tal falha na prosódia faz com que sua existência seja completamente desnecessária. Angar, aver e oje podem parecer monstruosas, mas leia outra vez: faz diferença? “E ouve, é do verbo ouvir ou aver?” Ué, depende do contexto, como em qualquer idioma decente. Quanto aos fonemas do LH ou NH, basta trocá-lo por i. Assim, sua mãe terá que ter cuidado para “coziniar uma galinia velia”. Simples assim.

- Fim do tu/vós. É muito estranho para qualquer pessoa chegar a uma sala de aula e exercitar tempos verbais diante dos pronomes “tu” e “vós”. Apenas alguns estados do Nordeste e o sul do Brasil (de maneira equivocada, diga-se) usam estes arcaicos pronomes de segunda pessoa. É você ou vocês, não acham?

- Revisão das conjugações. Já que falamos em verbos, por que não incorporar algo que funciona perfeitamente no inglês: vamos acabar com mais da metade destas variações. Até porque, o que vai determinar o direcionamento das ações é o pronome pessoal. Assim, o verbo ir no presente do indicativo ficaria: eu vou, você vai, ele vai, nós vamo, vocês vão, eles vão. Pegou? O próprio verbo estar também seria simplificado, dentro das regras mais populares: eu tô, você tá, ele tá, nós tamo, vocês tão, eles tão.

- Fim da desinência de plural. Percebeu como, além de determinar o sujeito da ação do verbo, o pronome também indica singular ou plural? Por que diabos concordar qualquer substantivo, desperdiçando “esses”? Dois pastel, oras. Está claro que é dois pastel.

- Fim do mais-que-perfeito. Coisa mais desnecessária diferenciar um passado de outro ainda mais passado. Já está bom demais diferenciar pretérito perfeito do imperfeito, além de entender o uso do subjuntivo e o condicional. Aliás, só por conta disso valeria repensar essa quantidade de tempos verbais nostálgicos. Vamos pensar pra frente.

- Igualdade entre pronomes pessoais. Você sabe a diferença entre “eu” e “mim”? Normalmente “mim” não faz nada, por ser um pronome oblíquo. Mas convenhamos: nem todo mundo leva isso em consideração. Por que não considerar estes dois tipos equivalentes? Será melhor assim, para mim escrever da maneira como der na telha.

- Gerúndio liberado e sem o D. Por fim, se não podemos com o gerundismo, aceitamos e pronto. Vou mais longe: com a natural utilização do gerúndio ao invés dos tempos futuros, não vai demorar para que o “D” também ir pro saco. Logo, se “estar fazendo” é horrível, acostume-se com “tá fazeno”.

Enfim, se tivé outras sugestão, você pode tá comentano. Enquanto isso, vô ali no terreiro catá umas galinia veia pra mim tá cozinhano oje a noite.

A diferença entre chutar ou não o balde

Por Marmota | 23/05/2009, 00h02

Fortaleza (CE) – Duas cenas breves que testemunhei no Aeroporto de Guarulhos nesta sexta despertaram uns três neurônios meus em busca de alguma conclusão sobre o que nos incentiva a seguir trabalhando, ainda que haja um abismo entre realização profissional e a simples execução de tarefas rotineiras.

A primeira diz respeito a um auxiliar novato da empresa aérea, que aproveitou o raro movimento tranquilo no check-in para treinar procedimentos de atendimento. “Próximo, senhor. Senhor! Aqui, senhor”, insistiu em voz alta, apontando para mim – e abstraindo a presença de um mané, feito paisagem, atrapalhando o meu caminho…

Enfim, o rapaz pulou o boa tarde e já foi logo perguntando: “qual seu destino, senhor?”. Informei, entregando minha identidade e o cartão do programa de milhagem. Sem que eu pudesse questionar, pegou apenas o documento. “Ué, normalmente eles deixam os dois juntos…”, pensei.

Só então descobri que o atendente era trainee. O cara digitava alguma coisa, olhava para o meu RG, voltava para o terminal, torcia as sobrancelhas, voltava a digitar… “É André o seu nome, né?”. Dei um desconto. Se estivesse preocupado em acertar um processo que não domino, também faria uma pergunta idiota.

Respondi que sim, mas decidi atrapalhá-lo: “escuta, não vai precisar disso aqui?”, apontando para o cartão de milhagem. “Ah sim, você vai pontuar, né?”. Imagino que, em meu lugar, você diria “então, na verdade meu nome é Muricy Ramalho, e como a coisa não está boa pro meu lado estou fugindo de São Paulo. O Milton Cruz vai comandar o time no clássico. Estou usando o nome desse laranja aqui, está me fazendo um favor por isso quero que as milhas desse vôo sirva como prêmio”.

No fim, apenas balancei a cabeça afirmativamente e sorri. “Prefere janela ou corredor, senhor?”. Digo que tanto faz, desde que não seja aquele assento horrendo à frente da saída de emergência. O rapaz preencheu algo, “catando milho” e soletrando: “ésse, um, dábliu… Ei, como faz pra marcar janela aqui?”, perguntou à loira bonitinha do guichê ao lado. “É S1W e enter”, respondeu. Puxa, bem que eu podia ter sido atendido por ela…

De repente, o cartão de embarque pula em minha direção. O rapaz me entrega dobradinho, sem as tradicionais canetadas com o horário limite para embarque, portão, essas coisas. “Ah, você tem bagagem?”. Pensei que não iria perguntar. Despachei minhas duas malas, as duas etiquetas foram impressas – uma foi colada, outra caiu embaixo da balança. “Na sua bagagem de mão tem algum objeto perfurante, cortante…”. Disse que não, imaginando quando ele tomaria o cartão de embarque da minha mão para colar os comprovantes da bagagem.

“Ei Rodrigo, você precisa anotar o peso de cada bagagem na etiqueta”, alertou outro funcionário. “Mas estou sem caneta aqui”, devolvou o novato. Com cara de “mas que tolinho”, puxou uma caneta do bolso e entregou ao rapaz. “Ei, não vai esquecer do meu cartão de milhagem!”, emendei. Ah sim, mais isso. Nova consulta à loirinha e as últimas digitadas lentas no sistema.

“É só isso?”, perguntei. “Sim, senhor. Ah, sua bagagem de mão tem algum objeto perfurante?”. Sorri ao negar outra vez, sem sequer confirmar qual seria portão de embarque. Enquanto saio, uma voz comemora ao fundo: “Olha o Rodrigo, atendendo cliente!”. Bom pra ele, né?

Decidi celebrar o desempenho do esforçado e interessado novato com um cafezinho. Antes de pedir à mocinha do caixa, peguei um chocolatinho no balcão. Para que pudesse me atender, ela precisou interromper o bate-papo com um amigo. “O seu dá cinco reais”, afirmou. Mas moça, nem vai seguir a orientação da sua supervisora e perguntar se eu quero mais alguma coisa? Anote aí um café e uma água.

Enquanto registrava, a mocinha perguntou ao amigo: “e você, está com saudades desse aeroporto?”. “Nossa, nenhuma. Não aguentava mais esse lugar aqui”. “É crédito ou débito, moço?”. Respondi, perguntando pelo CPF na nota fiscal. “Nossa, eu também estou de saco cheio daqui”, disse a atendente, de olho no provável ex-colega. Arregalei meus olhos!

Antes de me entregar o comprovante, a figura que representava o estabelecimento naquele momento apontou seus dedos para o lado numérico do teclado e, sem dizer uma palavra, esperou pelo meu CPF. Se eu tivesse mais tempo, perguntaria pela gerente e lhe diria: “olha, tem um rapaz ali no balcão de check-in que é um pouco atrapalhado, mas bastante entusiasmado. De repente, ele pode indicar alguém pra vaga dessa folgada aqui”.

Acredito que alguém com sólidos conhecimentos em gestão de pessoas consiga identificar melhor esses padrões de comportamento. Mas eu me arrisco a dizer que, em uma cidade gigantesca com poucas e complexas formas de transporte, e em empresas com alta rotatividade de funcionários e foco em processos irrelevantes para o bom andamento do negócio, infelizmente o jovem carinha do check-in seria capaz de dizer algo parecido em poucos dias.

Da mesma forma, também não me surpreenderia se soubesse que a atendente do café começou a trabalhar ali semana passada.

A resposta mais bacana do WolframAlpha

Por Marmota | 20/05/2009, 02h36

Se você permaneceu conectado à Internet por pelo menos algumas horas nas últimas semanas, provavelmente já ouviu falar no WolframAlpha, ferramenta que pretende oferecer respostas exatas às suas dúvidas – ao contrário de uma extensa lista de links dos mecanismos tradicionais de busca. Dá para ficar algum tempo experimentando o brinquedo novo, em busca de resultados interessantes ou inusitados.

Entre as experiências possíveis, a que mais gostei foi esta:

Repare na informação envolvendo o DeLorean de Marty MaFly!

Informação relacionada surge ao procurar por outra medida de Back to the Future: “Um ponto vinte e um GigaWatt?!?”. Para ficar perfeito, só faltou mesmo a referência ao dia 26 de outubro de 1985.

Meu currículo de mídia social

Por Marmota | 15/05/2009, 19h53

Li há algum tempo, no twitter de alguém, algo como “no gibi da Turma da Mônica Jovem, o Chico Bento vai para a cidade grande e se torna analista de mídias sociais”. Talvez piadinhas como esta explique a reação da Gabi Bianco esta semana, diante de uma dúvida genuinamente sincera que tive ao encontrar uma oportunidade de emprego nessa área.

A vaga denota uma demanda irreversível. O mercado de trabalho está aquecido diante do interesse das empresas em estar onde as pessoas passam boa parte do tempo: diante do computador ou ao celular, trocando mensagens com sua rede de contatos. Mas parece que nem todos enxergam este novo negócio com bons olhos. “Algumas pessoas gostam de tirar sarro da minha profissão e isso é horrível. Como se o que fazemos fosse digno de chacota”, desabafou a Gabi.

Mas enfim. A pergunta que fiz diz respeito a um requisito da vaga: “mandem CVs de midia social”. A dúvida foi puramente semântica: eu posso interpretar o pedido de duas formas, desde o envio por e-mail de um documento tradicional ou minhas intervenções em blogs, redes sociais, ferramentas colaborativas, enfim. Como meu Twibble em meu celular defasado não permite explicações maiores, fui simplista: “é um link pro meu perfil do Orkut ou um doc relatando minha experiência?”.

O retorno que recebi foi: “se você acha que midia social é só Orkut, não precisa mandar o CV”.

Enfim, eu realmente não tenho interesse na vaga (que, a essa altura, já foi preenchida) e não estava fazendo gracinha. Tanto que, mesmo esclarecido o mal entendido e valorizando este novo modelo de negócio, poderia interpretar perfeitamente o tal “currículo de mídia social” assim:

Oi. Meu nome é André, e este é meu currículo de mídia social. Bom, antes de estranhar o formato, é importante ressaltar que a expressão "curriculum vitae", originalmente em latim, quer dizer "trajetória de vida". Aliás, a amplitude de interpretações possíveis para "trajetória de vida" se aplica aos termos "mídia" e "social". De uns tempos pra cá, qualquer meio de comunicação de massa virou "mídia" - inclusive a web, que até cai bem para as massas, mas funciona melhor em nichos. Já "social" é praticamente qualquer coisa que o homem pode fazer, como naquela velha expressão do Governo Sarney: "tudo pelo social". Então juntamos as duas expressões e, a grosso modo, falamos em ferramentas de comunicação utilizadas por pessoas. O que nos deixa algumas dúvidas: eu mantive um fanzine com os amigos no colégio; é mídia social? Eu montei um quadro de cortiça no meu primeiro emprego, permitindo qualquer funcionário postar mensagens para o acesso de todos; é mídia social? Eu contratei várias vezes uma agência de telemensagem para disparar uma gravação bonitinha feita em casa pra muitas pretendentes; é mídia social? Enfim, tenho a impressão que algum gaiato usou as duas palavras para aproveitar uma oportunidade e definir essa característica exclusivamente em redes como a Internet, que subverte o conceito tradicional de mídia ao permitir a participação de todos e proporcionar um comportamento emergente - ao invés da comunicação de massa. Se não tiver expressão melhor, posso dizer que já convidei amigos para abrir um site vagabundo no GeoCities, onde o fluxo de idéias circulava a ponto da coisa evoluir para um domínio próprio (que infelizmente não existe mais). Nesse serviço próprio, subvertemos um sistema arcaico de gerenciamento de sites para bolar um publicador de artigos. Já experimentei blog num sistema gratuito que, ao consider qualquer Zé Ruela um autor batuta, listava dez endereços notáveis por semana, fazendo-os sentir um gostinho artificial de "mídia de massa" e acirrando as primeiras briguinhas por mérito e relevância nessa gigantesca feira livre. Já transportei o conteúdo desse espaço algumas vezes, entre sistemas e databases diversos, mas nunca acreditei na força da tecnologia isoladamente, e sim na das pessoas que cercavam tanto conteúdo. Com isso na cabeça, já experimentei outras formas de estimular essa troca de informações a partir de perfis criados nas mais diversas redes sociais e comunidades. Com tantas interfaces possíveis, cheguei a conclusão de que não há concorrência entre mídia tradicional, mídia social, mídia eletrônica ou qualquer dessas: a relação entre as idéias que pretendo compartilhar é com o tempo de cada indivíduo, representado por arestas conectadas nas minhas redes e nas dos outros. Afinal, enquanto você dedica alguma importância a qualquer informação transmitida a você (como este meu breve currículo), dezenas de links se perdem em sua conta no Twitter, em suas leituras no agregador de feeds, entre ouras fontes. Diante disso, assumo minha ignorância: sem controle do tempo, não consigo conversar como gostaria, aperfeiçoando técnicas para canalizar minha mensagem e fortalecer meus contatos. Quem conseguiu isso já se considera "evangelista", como proliferam aos montes. Evangelizar é uma profissão de fé, quase uma religião. Logo, definiria meu currículo de mídia social em uma palavra: agnóstico.

Mmmhhh… Tenho a impressão que, com um currículo desses, é melhor ir vender churros no Ibirapuera.

E ainda ganhei uma Copa!

Por Marmota | 14/05/2009, 01h41

Longe de mim o rótulo de “palmeirense”, mas tenho que registrar aqui minha admiração pelo goleiro Marcos, verdadeiro símbolo da torcida do Palestra e um dos responsáveis pelo pentacampeonato em 2002. Desde 1992 no clube do Parque Antárctica, “São Marcos” foi canonizado pela torcida em 1999, quando o goleiro assumiu a condição de titular após uma contusão de Velloso. Eliminou o Corinthians na semifinal da Libertadores e viu um tal Zapata, do Deportivo Cali, chutar um pênalti para fora na decisão. Aquele ano só não foi melhor por causa do Manchester, mas enfim.

Dois anos antes do Mundial da Coréia e do Japão, Marcos começou a sentir dores no punho esquerdo. Jogou a Libertadores no sacrifício, mas perdeu para o Boca Juniors. Desde 2000, quando passou pela primeira cirurgia, Marcos nunca mais foi o mesmo.

Então veio o penta, o rebaixamento do Palmeiras, a disputa da Série B… Nem mesmo o problema no punho afastou o goleiro da seleção – tanto que Marcos vinha sendo chamado por Parreira até sentir uma lesão muscular na coxa direita, que lhe tirou o direito de ser reserva de Dida na Alemanha. Apesar disso – e do braço quebrado – foi o punho esquerdo de Marcos que lhe deu mais trabalho.

Um dos maiores períodos de inatividade de Marcos foi em 2004. Em maio, durante um treino da seleção, contundiu a mão esquerda: sofreu uma lesão no polegar e, ainda por cima, sentiu – adivinhem – o punho. Passou pela segunda cirurgia, praticamente para limpar e recompor os movimentos do local. Isso deixaria o goleiro fora de combate por todo o ano, só retornando em janeiro de 2005, no Campeonato Paulista.

Era um ano especial para o Verdão: seu retorno à Séerie A depois do título da segundona. A equipe de Estevam Soares ainda sonhava com o título (que seria do Santos, após uma amarelada sensacional do Atlético-PR). Embalada com seis vitórias seguidas, a equipe foi derrotada pelo Guarani (vice-lanterna, que acabaria rebaixado) por 2 a 0, em seu próprio estádio. Isso foi em 20 de novembro.

Na terça-feira seguinte, dia 23, Marcos apareceu na sala de imprensa da Academia de Futebol. Recuperado da cirurgia, o goleiro já treinava com o grupo desde o começo do mês, e estava até ansioso para voltar ainda naquele ano. Naquela tarde, os jornalistas conversaram muito com o goleiro.

- Marcos, por que você passou tanto tempo sem falar com a imprensa?

- Porque vocês são muito chatos! – Muitas gargalhadas antes da resposta de verdade. Ele não dava entrevistas em respeito a Sérgio, então titular.

Foram toneladas de assuntos. Desde as especulações sobre uma provável saída para Cruzeiro ou Arsenal (“só saio se o Palmeiras quiser”), até a derrota para o Guarani (“turbulência e pressão mesmo é a segunda divisão, o resto acontece”). Mas a conversa girou mesmo em torno da contusão. Marcos explicou detalhadamente o seu problema – que até o ano passado, quando Leão o afastou, ainda o incomodava.

“Não foi no mesmo lugar em que fiz a cirurgia de 2000, mas na mesma mão. Aproveitei para fazer uma faxina geral, retirar pedaços de cartilagem. Agora ainda dá uma travada, mas estou trabalhando com calma. Não sei se ainda jogo neste ano, mas minha mão não está mais doendo. Estou louco para fazer um treino coletivo. Ainda tenho mais duas semanas. Tenho uma esperancinha de jogar uma, ou até duas partidas esse ano”, dizia.

Mas a grande revelação daquela tarde foi outra. Desde a cirurgia de 2000, Marcos nunca teve total mobilidade no punho esquerdo. Isso dificultava seu trabalho em campo, especialmente quando a bola vinha mais forte. Ele não podia agarrar, mas sim espalmar com segurança para evitar o rebote, além de não sacrificar mais a mão.

- Quer dizer então que, entre 2000 e 2004, entre uma cirurgia e outra, você jogava com a mão esquerda dura?

- E ainda ganhei uma Copa! Rá!

Mais risadas proporcionadas por este profissional dedicado, guerreiro e admirado não apenas pelos alviverdes.

(Postado em 13/03/2007, dias após Marcos, aos 33 anos, ter quebrado o braço esquerdo. Pouco mais de dois anos depois, o lado alviverde do país celebra a capacidade do goleiro após defender três pênaltis e garantir a classificação palmeirense para as quartas-de-final da Libertadores.)

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