Vai, Barrica: será o fim da zica?
Por Marmota | 29/03/2009, 23h54
Imagine a seguinte situação: um piloto esforçado, mas nada brilhante, descobre antes do Natal que sua equipe simplesmente deixará de existir no ano seguinte. Nem mesmo sua experiência (271 corridas disputadas) seria suficiente para garanti-lo na temporada. A aposentadoria, ainda que não anunciada, parecia o único caminho a seguir.
Para colaborar, este piloto passou os últimos 15 anos remando contra grandes marés de azar. Em 1994, após a morte de Senna, assumiu a bucha de “melhor piloto brasileiro”. Quando chegou à Ferrari, em 2000, tinha nas mãos um carro competitivo, mas sofreu com o papel de “escudeiro” do Schumacher. Nem os dois vice-campeonatos (2002 e 2004) apagaram situações como o famigerado “hoje sim”, naquele GP da Áustria no dia das mães.
Conseguiu se livrar de tanta gente jogando contra em Maranello mudando-se para a então BAR, em 2006. A marca Honda, associada à boa fase da McLaren no final dos anos 80, traria um futuro melhor. Que nunca veio. Ao invés de evoluir, a escuderia definhou, a ponto de deixá-lo sem ponto algum na temporada de 2007. Ano passado veio o recorde de GPs disputados, um pódio no GP da Inglaterra e, no final, a iminente aposentadoria com o fim da equipe.
Agora seja sincero: com um histórico desses, atrapalhado pela crise econômica e o desmanche da Honda, permeado ainda com toda sorte de piadas envolvendo tartarugas e pés-de-chinelo… O que poderíamos esperar de Rubens Barrichello para 2009?
Pois é. Em poucas semanas, a sorte virou. Ross Brown, que chegara à Honda no final de 2007, contou com a ajuda de Bernie Ecclestone e da Mercedes-Benz para assumir a equipe no começo de março. Ele sabia que, com o carro que tinha nas mãos, poderia conseguir bons resultados. Mesmo com salários reduzidos, manteve as mesmas pessoas ao seu lado, inclusive os pilotos – para azar de Bruno Senna, cujos testes na antiga Honda lhe deram grandes esperanças.
Foram poucos os testes da nova Brawn GP em Barcelona. Mas o suficiente para chacoalhar a Fórmula 1. Rubinho e Jenson Button surpreenderam e tiveram o melhor desempenho. Como num passe de mágica, uma equipe falida se transformou em favorita. Será que, na reta final de sua vacilante carreira, o “Barrica” conseguiria dar um fim à crise?
GP da Austrália – Quem conseguiu ficar acordado na madrugada de sábado para domingo viu uma prova eletrizante. Bem, ao menos do segundo lugar em diante, já que Jenson Button largou na pole e não teve trabalho algum para vencer. Já Rubinho…
Logo na largada, não largou. Largaram-no para trás. Quando finalmente saiu, quase perdeu a asa num choque entre Webber e Heidfeld. Felizmente, o novo carro da Brawn GP mostrou-se um “tanque”: só precisou ir aos boxes trocar seu bico quando o filho de Satoru bateu sua Williams no muro e o “carro-madrinha” foi acionado.
Assim que o safety car saiu de cena, Nelsinho Piquet rodou sozinho, indo parar na brita. Péssimo para o “Nelson Angelo”, como dizia Cleber Machado: enquanto não se acertar com a Renault, vai continuar questionado tanto pela imprensa quanto por Flavio Briatore. Felipe Massa também deu azar: com problemas mecânicos, viu seu carro parar sozinho. Raikkonen também parou, fechando o péssimo fim de semana da Ferrari.
Apesar da recuperação, “Barrica” terminaria a prova numa honrosa quarta posição, logo atrás dos velozes e competentes Kubica e Vettel – considerado o “novo Schumacher” pelos alemães. De fato, o piloto da RedBull fazia uma prova perfeita, até se enroscar com a Williams do polonês faltando quatro voltas para o fim. Estúpido.
Em situações normais, poderia sobrar pra Rubinho, quebrando ou envolvendo-se junto no acidente. Acabou com a segunda posição caindo no colo.
Difusor? Blé. – Até o pódio em Melbourne, alguns assuntos ganharam alguma repercussão: o KERS (“bateriazinha” disparada pelo piloto para ganhar potência), a regra esdrúxula do título dado a quem vencer mais, e o tal difusor. Uma peça que aumenta a aderência traseira, deixando o carro mais rápido estável.
Eu diria que, se Rubinho tivesse vencido, a FIA daria um jeito de invalidar a medida, tomada por Brawn, Toyota e Williams. Com um único argumento: a zica de Rubinho. Mas na real, é certo que a peça será aprovada no julgamento de 14 de abril.
O que, convenhamos, vai fazer com que as outras equipes corram atrás do que funciona. Certamente até maio, Ferrari e McLaren voltam pro jogo – traduzindo, a temporada 2009 é uma tremenda incógnita.
Sobre a zica do Barrica, é bom lembrar que, até 2007, o maior “pé de gelo” do circuito era Kimi Raikkonen, campeão daquele ano. Vai que, de repente, chova em mais da metade das provas do ano…
(Para acompanhar e entender de verdade o mundo do automobilismo, leia a Bárbara Franzin, o Felipe Motta, o Ivan Capelli, o Livio Oricchio, o Fábio Seixas e o Flávio Gomes).


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Sem ter o que fazer no trânsito na noite da última quinta 19, elucubrava mentalmente sobre a “twittermania” das últimas semanas. Incrível como nunca se falou tanto sobre a ferramenta: matéria de capa em revista semanal, polêmica envolvendo 

Houve um tempo em que cabeças pensantes interconectadas via rede marcavam encontros presenciais simplesmente por conta da trivial necessidade de apertar mãos, olhar nos olhos, sorrir, conversar… Essas coisas que sempre motivaram minhas escapadas desde os tempos de BBS. De repente, fiquei com a sensação de que algo mudou nas relações humanas.
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