Marmota, mais dos mesmos

Desde 2002, muito obrigado por nada.

Arquivos: janeiro/2009

Um dia perfeito na vida do Trotta

Por Marmota | 28/01/2009, 13h40

Por Adriano Trotta

Acordar às 11h da manhã. Ver e-mails, ler notícias, ler blogs, jogar La Brute. Banho. Almoçar um B.B. King, com fritas e milkshake de chocolate, no Rockets. Assistir episódios da série The Office conseguidos por meios alternativos. Soneca. Assistir filmes conseguidos por meios idem e DVDs que foram presentes. Ouvir música, arrumar, organizar e categorizar MP3s. Jantar pizza de três queijos, do Domino’s. Assistir Simpsons. Assistir a um jogo do São Paulo. Assistir Big Brother, que é melhor do que novela. Sair com amigos e namorada. Voltar e namorar até de madrugada. Dormir abraçado, depois das 3hs da matina.

Dias perfeitos também podem ser enjoativos. Preciso arranjar logo um emprego.

Enquanto Marmota passa por dias perfeitos descansando e viajando, a série Colônia de Férias apresenta textos gentilmente preparados por seus amigos.

Um dia perfeito no Rio de Janeiro

Por Marmota | 26/01/2009, 13h36

Por Marcos VP

Foi em agosto de 2005 – ou seja, há mais de 3 anos – que eu cometi um post chamado "um dia perfeito no Rio de janeiro". Os motivos que me levaram a escrevê-lo já se perderam no tempo e no final das contas, muita água já passou por debaixo da ponte. Eu fui e voltei de Brasília, os governantes não são os mesmos, eu estou 3 anos mais velho e muitos mais feliz e tranqüilo.

Mas, convidado a reescrever a historieta, lembro que o mote do post era o seguinte: em recebendo um amigo paulista que ia passar apenas um dia na cidade, para onde eu o levaria? O que faríamos? quais seriam os programas? Bem, relendo o que escrevi, percebo que muito pouco ou nada mudaria. As mudanças ficam nas notinhas entre parênteses. Vejamos:

1. A primeira missão seria pegar o camarada no Aeroporto Santos-Dumont, claro, que é um lugar agradável, charmoso e ainda por cima é a parte do Rio mais próxima de alguma civilização que eu conheço (em 2005, ele ainda não estava reformado, ampliado e um tanto menos charmoso…).

2. Do aeroporto, que fica no centro da cidade, embicamos para a Tijuca, passando pela turística Av. Presidente Vargas. O destino é um café da manhã tradicional, ou seja: no balcão da padaria. Afinal, a maior colônia estrangeira no Rio é de portugueses, e tudo o que é português é tradicionalmente carioca. A padaria Frontal da Tijuca serve a melhor média e pão-com-manteiga da cidade. Eu, besta que sou, peço misto-quente no pão francês, aquele mesmo que os gaúchos chamam de cacetinho. Deleite-se com o mau humor da Sônia, a balconista. Diga a ela que ela engordou um pouquinho. É, sacanear os outros é a cara do carioca. (três anos depois, não sei se a Sônia ainda está lá. Contudo, hoje, é possível que eu dissesse ao sujeito para desembarcar no Tom Jobim/ Galeão e o levaria para minha casa, que fica a 5min do aeroporto internacional. Perto de casa tem uma padaria muito melhor que a Frontal, a Majestosa, que tem um café-com-leite e misto-quente impecáveis.)

3. Depois de comidos, é hora de gastar as calorias. A pedida é um passeio na Floresta da Tijuca, um lugar impressionante e bucólico. A gente vê os quatis, os caxinguelês, as cobras, cambachirras e bromélias, sente o vento fresco, artigo de alto luxo na cidade. Não esquecendo de tomar um Chicabom, o mais carioca dos picolés, imortalizado por Nélson Rodrigues em "Os sete gatinhos". (Tem sido um pouco temerário andar pela floresta da Tijuca ultimamente. Mas eu acho que arriscaria o passeio mesmo assim.)

4. Saindo da floresta, a gente desce o Alto da Boa Vista em direção à Barra da Tijuca, para que seja possível conhecer um dos lugares mais bonitos da cidade: a Auto-Estrada Lagoa Barra. Em São Conrado, toma-se a Niemeyer e depois percorre-se a orla da Zona Sul, do Leblon ao Leme. E pronto. Conhecemos todas as praias do melhor jeito possível: dentro do carro, no ar-condicionado e de preferência ouvindo o CD "Virgem" de Marina Lima. 5. Hora de almoçar. A dúvida cruel é entre o chope geladíssimo e perfeito do Bar Luiz, no centro, ou a feijoada do Bar do Mineiro em Santa Teresa. Escolhemos o Mineiro, porque feijoada é a comida carioca por excelência. Declinamos do chope e pedimos uma Bohemia capa branca, ou mofada, como alguns dizem.

6. Hora de jiboiar. Vamos para casa, cochilamos, tomamos banho, conversamos um pouco, brincamos com as crianças, colocamos as crianças para dormir e voltamos para a rua. O destino é o Arab do Parque dos Patins da Lagoa Rodrigo de Freitas. Sentamos para tomar a fresca e dar um grau que a noite é uma criança. Se rolar fominha – acho difícil – peça o quibe de catupiry. A Bohemia Weiss também é boa pedida. (Morando na Ilha, esse programa fica meio prejudicado. Mas va-lá, turista vem mesmo ao Rio é pra ficar na Zona Sul.)

7. Saímos da Lagoa rumo à Lapa. O programa: show de Alceu Valença na Fundição Progresso. Tá, Alceu é pernambucano, dirão os puristas. Por que não assistir ao carioquíssimo Monobloco no tão carioca quanto Circo Voador? porque, tradição por tradição, o show do Alceu acontece anualmente na cidade há muito mais tempo que o do Monobloco. (Uma opção tradicional é assistir a algum jogo de futebol no Maracanã.)

8. Saindo do show, é hora de perambular pela Lapa atrás de uma Devassa ruiva (não, não é você, Carol…), a cerveja da moda. Os amantes do samba esticariam no Carioca da Gema. Eu talvez entrasse no Teatro Odisséia para curtir a festa Brazooka do Janot, só para ver a minha Lontra com olho brilhando. (Três anos depois, a Lapa anda menos charmosa e insuportavelmente lotada de gente. Mais ainda é o programa).

9. Madrugada. Resta fôlego para mais uma cerva? então vamos ao Bracarense comer bolinhos de bacalhau. Ah, uma dica: fuja dos bolinhos de aipim, em qualquer lugar do Rio, mesmo que lhe garantam que é bom. Não acredite. Abaixo de Salvador não existe aipim que preste. (Um detalhe é que, há três anos, a lei seca ainda não era esta que aí está. E eu mesmo, pessoalmente, ainda bebia. Hoje, fico só na água, suquinho, mate e essas coisas de criança – ou velho.)

10. Amanheceu. Passar na farmácia para comprar Engove e desovar o paulista no aeroporto. Da capo al fine.

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Um dia perfeito, mas com o notebook

Por Marmota | 25/01/2009, 13h18

Por Rodrigo P. Ghedin

Na última vez que me desliguei do mundo para curtir férias, não o fiz por completo. Levei o notebook. Para a praia. Não para a areia, como alguns amigos pensaram ao ouvir a frase “levei o notebook para a praia”, mas para o apartamento onde fiquei. O que, mesmo assim, gerou surpresas e reprovações do tipo “nerd idiota, get a life, please”.

Poderia evocar a desculpa de que usaria o notebook para economizar em ligações para minha namorada, que na ocasião encontrava-se na Bahia, num congresso de engenharia química. Mas, eu confesso: também queria tirar proveito das diversões que o portátil proporciona. Filmes, séries e jogos (e dá-lhe Mario Kart!), que, no fim das contas, acabaram se transformando em diversão, de fato.

A este ponto que gostaria de chegar. Há tempos o computador deixou de ser única e exclusivamente uma máquina de trabalho. Conceitos multimídia práticos existem há anos, e desde a época em que a Creative vendia (e faturava horrores) com “kits multimídia” compostos de leitor de CDs e placa de som, há diversão nos PCs. Nos últimos tempos, tecnologias diversas potencializaram o fun factor do computador, a ponto de hoje termos máquinas destinadas a games, e máquinas media centers que ficam na sala de estar, e não no escritório, em muitos lares mundo afora. Enfim, máquinas cujo objetivo primordial é a diversão, o entretenimento.

Levar um notebook para o litoral não chega a ser loucura. Longe disso. Tem gente que leva DVD player, outros levam video games, e há aqueles que levam dúzias de CDs de música. O notebook condensa todos esses num corpo compacto e de fácil transporte. Só não consegue disfarçar sua veia laboral, de modo que, se você disser a alguém que pretende levar um para o litoral, invariavelmente o chamarão de workaholic, ou chato.

Por essas e outras, dessa vez deixarei meu bom e velho notebook em casa, encostado, triste. Daria MUITO trabalho transformar em fala esse monte de palavras que escrevi acima…

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Um dia perfeito fenomenal no Morumbi

Por Marmota | 23/01/2009, 13h08

Por Fernando MC Empada

Ronaldo estava acabado para o futebol no final de 2008. Em dezembro daquele ano, porém, a bomba estourou: o Fenômeno iria jogar no Corinthians. A aposta do jogador deu certo, pois ganhou tudo o que disputou em seu primeiro ano no Timão. Na final do Paulista, vitória apertada de 1 a 0 sobre o São Paulo. Na Copa do Brasil, o empate em 1 a 1 no Beira-Rio garantiu o terceiro troféu da competição para o Parque São Jorge. E, em uma disputa emocionante, o Corinthians chegara ao penta do Brasileirão, evitando o hepta do Tricolor.

Depois de um 2009 perfeito e de receber várias propostas da Europa, Ronaldo decidiu continuar no Corinthians no ano seguinte, já que o clube comemoraria seu centenário. A chance de conquistar uma Libertadores aos 33 anos também o empolgava a ficar no Brasil. E o sonho dele, e de toda a nação alvinegra, estava a um passo de se concretizar.

Naquele agosto de 2010, o atacante já superara a frustração de não ter sido chamado por Dunga para a Copa da África do Sul. Ainda bem que escapou do fiasco de ser eliminado nas oitavas-de-final pela Argentina. Agora, poderia dar o troco contra o Boca Juniors, na final a ser realizada no Morumbi.

A derrota para o time argentino por 1 a 0 no primeiro jogo da decisão não desanimou o jogador. Por maior que seja a pressão, ele sabe que sua equipe tem futebol para reverter o placar e se tornar campeã. E nem suas dores no joelho seriam capazes de impedir isso.

A imprensa não sabia, seus companheiros de clube também não, mas Ronaldo há meses convive com dores no seu joelho esquerdo, o mesmo que encerrou sua trajetória no Milan. Com a desculpa de ser poupado para a Libertadores, o atacante não vinha atuando no Brasileirão e tem resistido firme, mas sabe que por pouco tempo. Hoje será tudo ou nada.

O capitão William puxa a fila de jogadores e Ronaldo vem logo atrás. Como era de esperar, o Morumbi está abarrotado e a torcida faz um barulho impressionante. Um filme passa por sua cabeça e o atacante está convicto de que não decepcionará a Fiel. Não vê a hora de a bola rolar.

Começa a partida e o Timão vai para cima do Boca. O sufoco dá resultado e, logo aos 15 minutos, após boa jogada de Douglas pela esquerda, Ronaldo recebe a bola na entrada da área, dá um corte no zagueiro e estufa as redes. O Corinthians faz 1 a 0 e tem tudo para ser campeão.

A euforia, no entanto, esfria aos poucos. Os jogadores do Boca conseguem segurar a bola, frustram as poucas tentativas do ataque corintiano e às vezes dão sustos no gol de Felipe. O primeiro tempo termina com a vantagem mínima para o Timão.

No vestiário, o técnico Mano Menezes acalma sua equipe e pede concentração. Suas palavras são bem digeridas pelo elenco, mas Ronaldo parece distante. O treinador chega junto dele antes de subir as escadas que dão acesso ao campo e pergunta o que há. O atacante responde que está com um pouco de dor, nada que vá impedi-lo de fazer o gol do título do Corinthians.

O segundo tempo inicia truncado e os dois times evitam correr riscos. O nervosismo da partida passa para a torcida que, por mais que continue incentivando o time o tempo todo, já não demonstra a mesma confiança do início. Depois de 40 minutos, então, a apreensão é total.

Ronaldo se arrasta em campo e o técnico Mano Menezes opta por deixar a substituição do jogador para a provável prorrogação. Quando todos pensam sobre o que acontecerá nos 30 minutos de tempo extra, Ronaldo recebe um passe na intermediária e, surpreendentemente, arranca para a área adversária. O zagueiro tenta tirar a bola com lealdade, só que comete o pênalti no atacante, aos 47 minutos do segundo tempo.

O jogador se levanta com cuidado e sabe que é sua a responsabilidade de cobrar a penalidade máxima. Ele se prepara, apoia o pé esquerdo no chão e chuta forte com o direito. A bola entra no ângulo, o goleiro cai do lado oposto e Ronaldo também vai ao gramado. O Corinthians é campeão da Libertadores, só que o herói da conquista não conseguirá dar a volta olímpica.

Após o chute, o joelho esquerdo de Ronaldo não aguentou. Nova ruptura do tendão patelar, urros de dor e a certeza de que sua trajetória no futebol definitivamente terminou. No meio de tanto sofrimento, porém, ele pode sorrir. Sua missão foi cumprida.

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Uma sequência de dias perfeitos

Por Marmota | 21/01/2009, 09h41

Nos próximos dias, minha ausência neste espaço (que já era grande) será um pouco maior: reservei algumas semanas de 2009 para esfriar a cabeça numa praia qualquer, além de concatenar minhas idéias e tarefas com a agenda. Se para os três ou quatro visitantes assíduos de sempre já é desolador encontrar apenas algumas palavrinhas por semana, imagine agora…

Por essa razão acionei um recurso que costuma reservar excelentes surpresas. Nos próximos dias, você vai encontrar aqui uma série de textos preparados especialmente por colaboradores especiais. Amigos que tomarão conta do blog durante alguns dias, trazendo idéias e comentários diferentes do trivial – e que dificilmente seriam encontradas aqui. A patota de sempre já batizou este período sabático de “calhau de verão”, mas até pela sensação de reunir tanta gente ao mesmo tempo, a expressão colônia de férias cai como uma luva.

Para entrar nesta brincadeira, os convidados foram desafiados a cumprir um único pré-requisito. Inspirado no livrinho “The Perfect Day”, onde os viajantes do guia Lonely Planet descrevem como seria um dia inesquecível em 100 cidades do globo terrrestre, cada participante ficou com a missão de contar uma história a respeito de um dia perfeito.

Diante dessa proposta, você verá tanto roteiros turísticos envolvendo algum cantinho do planeta, quanto uma aventura metafísica em algum lugar abstrato de sua mente borbulhante. Sendo assim, faça suas malas junto comigo, aproveite cada um dos dias perfeitos que virão a seguir e até a volta!

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