sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Profecia para o GP Brasil de Fórmula 1 2008

Ou, como Cassio Politi, autor do palpite a seguir, definiu: um torcedor com o coração na mão, que torce muito por Felipe Massa, embora a ferrari não mereça vencer.

“No domingo, o motor do Hamilton vai explodir na subida dos boxes. Se isso acontecer, e se por um quase milagre o Massa for campeão, faça um teste na segunda-feira. 90% das pessoas vão dizer que sempre assistem aos treinos.

E que o Massa é um ídolo brasileiro. E que ele é o novo Senna. Ou que ele é boa gente. Ou que ele é arrogante… Enfim, vão falar de tudo, sem nunca ter acompanhado o cara.

Ou seja, neguim é foda.”

Tenho certeza que não vai faltar torcida. Pessoalmente, as chances do Massa ser campeão mundial em Interlagos neste domingo é a mesma do Inter chegar à Libertadores 2009, ou da Luana Piovani tocar a campainha de casa, dizendo aos suspiros que sou infinitamente melhor que o Dado.

Atualizado – Não há muito o que dizer a respeito das últimas voltas do GP, que valeram cada minuto acordado. Certamente foi uma das mais emocionantes decisões de título da história. Para quem se frustrou, lembre-se que Felipe Massa não perdeu o título em Interlagos, mas nas trapalhadas da Ferrari durante a temporada. E a despeito das vaias desnecessárias nas arquibancadas, Lewis Hamilton mereceu ser campeão mundial. E em 2009 tem mais.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Sobre o equívoco de Lemyr Martins

Eu comecei a escrever um texto enorme sobre a polêmica da semana envolvendo Rubens Barrichello, Ferrari, uma piada velha, Lemyr Martins e um livro lançado oficialmente na última segunda-feira, em São Paulo (entenda a história no Blog do Capelli). Óbvio que, antes mesmo de concluir o texto, o comunicado que recebi, reproduzido abaixo, praticamente coloca um ponto final no episódio.

Assim que respirar, completo aqui com o tal texto que comecei.

domingo, 26 de outubro de 2008

Caindo no buraco sem fim

- Vamos lá em casa jogar baralho?

O convite, na saída do jantar na churrascaria, era irrecusável. A noite já estava bastante animada, e um madrugadão viria a calhar para amenizar a rotina estressante da semana. Já no apartamento dos anfitriões, os preparativos começaram: os seis amigos passariam as horas seguintes jogando buraco.

Claro que já tinha ouvido falar na modalidade, conhecida em outros cantos da nação por biriba ou canastra. Mas apesar da popularidade, eu nunca tinha jogado, sequer tinha curiosidade em saber as regras. A resposta que ouvi, enquanto sentava à mesa, foi animadora.

- É bem fácil, a dinâmica do jogo não tem nenhum segredo.

Quando criança, brincava de mau-mau, pif-paf, burro, dorminhoco tisnado… Na adolescência conheci o truco, meu jogo preferido. Os alunos da escola técnica propagaram uma variação exclusiva, com cinco cartas – na primeira rodada, manilha nova; na segunda, manilha velha; na terceira, o valor das cartas; na quarta, o naipe mais alto; finalmente, na quinta, manilha nova outra vez…

Minha última incursão baralhística foi no final do ano passado, quando fui apresentado ao Texas Holdem, mais conhecida variação do pôquer. E foi aquela experiência que me animou a conhecer as regras do buraco – o início, nebuloso e desconhecido, deu lugar a divertidos gritos de “auim!” (all in, quando o jogador desesperado aposta todas as suas fichas).

Finalmente, as cartas. Três baralhos? Onze cartas para cada um? Preciso mesmo sentar aqui?

- É pra ficar na frente do seu parceiro. Vocês precisam formar sequências, sempre do mesmo naipe.

Ah, é igual pif-paf? Mais ou menos. Três é a menor quantidade de cartas, mas ela pode ser maior – e crescer durante o jogo. É possível comprar uma carta do baralho, ou pegar todas que estão abertas sobre a mesa, sempre descartando uma por jogada. Tem curinga? Sim, é o dois. E se você fizer uma sequência de sete cartas, trata-se de uma canastra. Usando o curinga, é a canastra suja. Mas pode mostrar as sequências a qualquer hora? Muitas perguntas.

- Pode ter lavadeira?

A pergunta do meu parceiro dizia respeito a jogos compostos por cartas de mesmo valor, de naipes diferentes. Não pode. Uma dupla descia uma sequência. Uma jogadora ajeutava seu leque de cartas, pensava longamente sobre o futuro de seus jogos. Outro comprava todas as cartas abertas da mesa, sistematicamente, em sua vez. Virou o “LixoMan”. Finalmente, a minha vez. Comprei uma carta, vi que ela não servia e descartei.

- Caraio! Prestenção, você não viu que ele comprou o cinco e o seis de paus? Essa carta aqui vai dar pontos pra eles?

Como assim pontos? Descobri que as cartas baixas, até sete, valem cinco. Exceto o dois, curinga, que vale quinze. De oito a rei, dez pontos. Então não serve qualquer sequência, tem que ser com cartas altas? Mais ou menos. Se você tiver uma canastra suja, ela vale cem pontos. Uma canastra limpa vale duzentos. Lógico que decidi abstrair e continuar preocupado com as sequências que não tinha.

- Puxa, você vai jogar esse dois nessa sequência aí? Pô, você pode guardar o curinga e usar mais pra frente…

Também não é bom descartar o ás, que pode servir para a “canastra real”… Muito menos um sete, ou um oito, que aparece em praticamente todas as sequências da mesa. Mas não era pra ser um jogo simples?

As três duplas tratavam de formar seus jogos na mesa, mas a quantidade de cartas nas mãos variava um bocado. E se eu me livrasse de todas, ganharia o jogo?

- Não, porque vocês ainda não formaram nenhuma canastra. E ainda tem o morto.

Meu parceiro se surpreende, estava prestes a bater. Em nossa mesa, duas sequências que, juntas, poderiam formar a sonhada sequência de sete cartas.

- Não sabia dessa regra. E também não sabia que não podia ter lavadeira.

E esse morto muito louco aí? São mais onze cartas, na mão de quem deixou todas as cartas na mesa. E para cada dupla, tem um morto à disposição. A dupla que não pegar o morto perde cem pontos. E quem pegá-lo e ficar sem usar também perde cem pontos. Ah, e quem cortar o baralho no início e formar os mortos com a quantidade exata de cartas também ganha cem pontos. Mais alguma regra?

- Ei, vocês pegaram o morto, mas eu não fiquei falando pro parceiro qual carta eu compro, que jogo eu desço…

Não pode conversar? Não… Mas uma das duplas não parava de trocar farpas, em busca da vitória.

- Você está sempre comprando esse monte de cartas do lixo… E não faz nada com elas!!!
- Esse é o meu jeito de jogar, bem que você podia respeitar isso.

Cacetada! E eu pensava que seria um jogo divertido… De repente, estava diante de números, pontos, competitividade… Já não aguento a busca frenética por resultados durante a semana… E mais essa agora?

Aquela dinâmica fácil apresentada no começo da noite chegou a uma hora e meia. Sorte de principiante: mesmo sendo teleguiado, comprando e soltando cartas sob orientação dos experientes atletas da mesa, conseguimos formar mais jogos e ficar com poucas cartas na mão ao bater.

- Vocês saíaram com setecentos. Mas nós fizemos uma canastra real, por isso saímos com oitocentos.

Puxa, então se eu fizer uma sequência de ás a rei eu faturo quinhentos pontos! E se não usar curinga, são mil pontos!!! Meu parceiro divagava sobre as diferentes variações de regras entre um grupo de participantes e outro…

Seguiu-se uma contagem de pontos, descontando as cartas da mão, a presença do morto… Deve ter tido pontos por ter coçado a cabeça, por não ter levantado da cadeira, por ficar quieto… Ficamos com mil e poucos pontos, pouco atrás dos anfitriões da festa, que somaram uns mil e tantos.

Ufa… Então acabou!

- Nada disso. Vence quem chegar primeiro aos três mil pontos. E agora que vocês chegaram aos mil, só podem descer um primeiro jogo se ele tiver setenta e cinco pontos…

E tudo isso sem lavadeira!!! Ai, que saudades do truco.

***

Essa brincadeira, que durou até as quatro da manhã, só foi possível graças ao casal Marília e Rodrigo, dos amigos Fefa e Trotta, além do sempre intrépido Narazaki.

E se um dia alguém inventar um amistoso ou mesmo um torneio de buraco, não deixem de me convidar. Talvez eu até apareça para assistir.

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