Marmota, mais dos mesmos

Desde 2002, muito obrigado por nada.

Arquivos: agosto/2008

Semaninha

Por Marmota | 29/08/2008, 15h20

Sábado puxa eu segunda preciso concluir terça aquele texto quarta que eu comecei quinta a escrever sexta semana passada sábado já? Puorra…

Crônica de um furo esquecido (ou: entendendo Maurren)

Por Marmota | 22/08/2008, 12h26

A história que você vai ver a seguir foi publicada originalmente em 6 de agosto de 2003, uma semana após a notícia que culminaria em uma das mais sensacionais reviravoltas que um atleta poderia atravessar. Quatro anos antes, aos 23 de idade, foi apresentada aos brasileiros com duas medalhas no Pan de Winnipeg. Ainda em 1999, atingiu sua melhor marca no salto em distância: 7,26m, atual recorde sul-americano. Foi a Sydney, em 2000, tropeçando por conta de uma contusão na coxa durante a semifinal olímpica.

Em franca ascensão e ostentando o título de “estrela brasileira do atletismo”, Maurren Higa Maggi teve uma péssima notícia às vésperas do Pan de Santo Domingo, em 2003. Depois do episódio, relembrado a seguir, decidiu anunciou sua aposentadoria. Dedicaria sua vida à filha Sofia, que nasceu durante a “geladeira esportiva” e seu casamento com o piloto Antonio Pizzonia. Em janeiro de 2006, já liberada para competir, voltou aos treinos com o técnico e parceiro Nélio Moura. Dedicou-se como nunca e, no Pan do Rio, faturou a medalha de ouro. Diante desta incrível história, uma medalha em Pequim seria consagradora.

Nesta sexta-feira, Maurren saltou 7,04m e torceu pelo tropeço da atual campeã olímpica (a russa Tatyana Lebedeva, que já havia saltado 7,33m). Chegou aos 7,02m. Por um centímetro, a “ex-ex-atleta-desacreditada” tornou-se a primeira mulher campeã olímpica em prova individual, emocionando a si mesma e a muitos brasileiros. Certamente vai ser abalroada pela imprensa assim que chegar a Cumbica, como aconteceu com Cesar Cielo (preparem-se, Carol e Amanda).

***

Todos sabem o que é um furo jornalístico. Trata-se de apurar uma notícia e publicá-la em primeira mão, antes de todo mundo. Na faculdade e nas redações, todo repórter aprende: o furo é o grande objetivo, uma constante obsessão. Não é tarefa das mais simples: além de ter bons contatos, é preciso ter faro, além de um golpe de sorte. Estar no lugar certo na hora certa.

A história que você vai ver a seguir é uma “obra de ficção”, baseada em um grande furo obtido na semana passada pelo jornal Folha de S. Paulo. Criado por algum repórter criativo, o causo circulou pelas redações até chegar aos meus ouvidos. O assunto: Maurren Higa Maggi, atleta brasileira que havia conquistado o primeiro ouro brasileiro no Pan de 99, se tornou um dos principais nomes do salto em distância e desistiu de disputar os Jogos Pan-americanos na última sexta-feira, acusada de doping.

Apesar de fictícia, a “crônica do furo” não deixa de ser bastante verossímil.

Numa tarde qualquer no Principado de Mônaco, lugar onde vive a maioria dos pilotos de fórmula 1, o repórter de um dos maiores jornais do país encontra Antônio Pizzônia, piloto demitido da Jaguar e namorado da atleta citada acima.

- E aí, como vão as coisas?
- Tudo indo, né? Na medida do possível…
- Não foi fácil encarar a demissão, né?
- …
- Mas ao menos você está conseguindo superar tudo, conta com apoio das pessoas mais próximas…
- Pois é… E para piorar, agora…
- Como?
- Ah, nada de mais…
- Como assim?
- Er, bem, um probleminha aí…
- Probleminha? Com quem?
- Nada, não. É só uma suspeitazinha de nada.
- Hmmm… Sei.

Mônaco também é a sede da IAAF, Federação Internacional de Atletismo. Algumas checagens nos pedidos de verificação, a constatação: resultado positivo para um esteróide anabólico.

Voilá! O repórter especializado em automobilismo, ao lado do seu companheiro de redação, fizeram a matéria de primeira página, causando rebuliço na mídia e na própria CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), que desejava esconder a história até o último minuto. Tanto que a entidade só confirmou a suspeita de doping durante a entrevista da atleta.

O tema ainda deve render outras discussões – boa parte delas envolvendo o tal “creme depilatório” usado por Maurren. Cumpadi Inagaki lembrava que, segundo o jornal O Globo, a brasileira teria “bebido o creme”, em função da dosagem de clostebol encontrado em seu organismo.

Sobre a crônica do furo acima, não custa reafirmar: trata-se de uma obra de ficção bem amarrada, apenas. Jornalistas, assim como os grandes mágicos, não costumam contar seus segredos…

***

Se minha memória não estiver falha, Paulo Moreira Leite relembra que, tempos depois uma repórter do Diário de S. Paulo repetiu o tratamento feito depilatório feito por Maurren e se submeteu a um exame antidoping. O resultado foi semelhante ao da atleta. Mas enfim, depois desta sexta-feira dourada, o episódio da pomada dificilmente será lembrado.

Raaaiii definiiichionnn!!!

Por Marmota | 19/08/2008, 11h52

Eu ainda não me animei completamente com a idéia de investir alguns trocados num conversor e experimentar a tão falada TV digital. Primeiro porque, para que o trocinho funcione corretamente, são necessários três requisitos básicos: morar em uma cidade que já transmita o sinal digital (dã), uma televisão batuta e antena UHF.

O último item é, certamente, o mais simples: quem já consegue sintonizar canais imperdíveis como o Mix TV, a MTV ou o Canal 21 (que voltou ao nome de origem depois de ser rebatizado por “Play TV”) já está praticamente apto. Não é o meu caso: ainda sou do tempo da boa e velha antena externa no telhado, feita da mais pura lata oxidante. Na última mega-montagem seguida pela power-troca, a armação UHF mostrou-se extremamente deteriorada. Vai demorar até instalarmos a substituta…

O item seguinte é o mais caro, ainda. Torço para que a evolução das telas de plasma e LCD – cujos modelos mais recentes estão preparados para a resolução de 1080 linhas do sinal HD – seja inversamente proporcional aos preços. O mesmo se aplica aos conversores: alguns aparelhinhos chegam a custar o mesmo valor de um bom televisor tubão velho de guerra. E para comprar uma caixinha apenas para turbinar minha TV arcaica e ver qual é, pra quê?

Soma-se a isso o fato das emissoras ainda não aproveitarem de verdade as vantagens do sinal digital. Mesmo as mais elementares, que não dependem de qualquer interação do público, como a possibilidade de transmitir, no mesmo sinal, quatro canais diferentes. O que custava para a Globo liberar um “canal degustação” do SporTV durante as Olimpíadas, por exemplo? Vou mais longe: se tomarmos apenas a programação atual como referência, o que vou fazer com a altíssima resolução de Galvão Bueno, Palmirinha Onofre, Luciana Gimenez, entre outras atrações?

Mas enfim. Comecei a repensar minha bronca ao conhecer os novos brinquedinhos de um amigo. Ele já ostentava uma TV de LCD em casa, e graças a uma pesquisinha vagabunda na Internet, encontrou o set top box a um precinho bastante camarada. Assim, do dia para a noite, a sala recebeu a visita do que Silvio Luiz vem chamando, em suas narrações olímpicas, de “raaaiii definiiichionnn!!!”.


Brasil x Nigéria entre mulheres: graças ao Dunga, foi o
único duelo futebolístico entre estes dois países em Pequim

A baixa definição das fotos tiradas a partir do celular talvez não ajudem. Mas para quem assistiu a alguns eventos na humilde TV de 14 polegadas do quarto, com direito ao que minhas tias chamam de “um vurto a mais” no canto da tela, a diferença é de saltar os olhos. Incrivelmente sensacional.

Provavelmente você já deve ter ouvido falar nas readaptações das emissoras, que precisam ficar atentas aos cantos da tela (imagem desprezada nos televisores tradicionais, mas que faz a diferença em HDTV). Pois veja os caracteres que, normalmente, informam o placar do jogo e outras informações: essa quantidade extra de imagem traz uma sensação de bem estar, especialmente diante de um jogo de futebol.

Ainda não tive acesso a estatísticas relacionados a HDTV durante os Jogos Olímpicos, mas certamente os números não serão muito animadores: no primeiro semestre de 2008, houve muita confusão a respeito da nova tecnologia, o que deve representar uma audiência bem baixa. Agora, numa comparação grosseira, a TV digital está para os Jogos de Pequim assim como a Internet estava para os Jogos de Atlanta.

Traduzindo: não há dúvidas de que o consumidor vai embarcar nessa onda nos próximos anos, a ponto de uma bela maioria acompanhar a Copa de 2010 usufruindo das maravilhas do “raaaiii definiiichionnn”. Especialmente se o Brasil estiver na África do Sul sem o Dunga.

Sem quindins na portaria

Por Marmota | 14/08/2008, 02h15

Hoje é aniversário da Luciana, moça que me ensinou a gostar, entre outras coisas, de poesia. Mário Quintana, meu escritor favorito desse gênero, também tinha seus fãs. Um deles, ao que consta em uma crônica da também gaúcha Martha Medeiros, recebia quindins de um amigo, que os deixava na portaria de seu prédio.

“Aqueles quindins eram a representação doce e delicada de um abraço”, explicou a Lu, esses dias, ao lembrar desse texto, pinçado numa daquelas coletâneas divertidas (Topless, acho). Imediatamente, cogitei na hipótese de encontrar o telefone de alguma padaria paraense, encomendar uns dois ou três quindins e pedir para o entregador deixar na portaria do prédio dela.

“Você gosta de quindins?”, perguntei discretamente, sem esboçar qualquer intenção de surpreendê-la. “André, quantas vezes preciso lembrar que odeio amarelo?”. Verdade. Qualquer tentativa de preparar a massa com gema de ovos e algum corante azul-Paysandu ficaria bizarro e intragável.

“Droga, você estragou minha idéia de presenteá-la com quindins na portaria”, lamentei. “Ei, você ia mandar entregar quindins? Mas que presentinho vagabundo! Lógico que eu não aceitaria. No fundo, gostaria mesmo é de receber um presente feito por você mesmo…”, explicou.

Ô mulher exigente. O pior é que, descoordenado como sou, não conseguiria fazer nada que prestasse. Por isso, decidi trocar seus quindins por chocolate mesmo. Ah sim, e um cartão de aniversário – e isso vale pra qualquer mortal que desejar presentear a Lu: não há nada que a deixe mais feliz do que algumas palavras redigidas num cartão.

Já posso ver a sua cara quando a caixinha chegar. “Que horrível… Todos aqui achando que estou gorda, e você me dá chocolates…”. Relaxe, já pensei em tudo. A embalagem é bonitinha, mas com pouco conteúdo. São bombons em forma de rosa (sacou, hein, hein?), e tem pouco menos de uma dezena.

Ultimamente, seu inferno astral conseguiu te deixar um pouco “macambúzia”, sem vontade sequer de reunir seus poucos amigos para celebrar o seu aniversário. Infelizmente não sejam chocolatinhos mágicos, capazes de te fazer mudar de idéia. Mas enfim, tenho certeza de que você vai comer bem devagar, saboreando cada flor de chocolate como se fosse um abraço. Como eram os quindins na portaria para o Quintana.

Sabe, esses dias o Inagaki escreveu um texto bacana, sobre uma modinha chamada “RickRoll”. Norte-americanos bobocas anunciam links chamativos, mas completamente falsos: assim que um outro norte-americano boboca clica, cai num vídeoclip do Rick Astley – que simboliza a “pegadinha”.

Assim, nesse quatorze de agosto, decidi trocar os versos do “parabéns a você” por “never gonna give you up, never gonna let you down”. Então desliga logo esse computador, coloque uns chinelos e desce logo até a portaria, antes que eu coma todo o seu presente.

Oito blogueiros olímpicos

Por Marmota | 10/08/2008, 23h24

Em chinês, a pronúncia do número oito (“ba”) é a mesma para a palavra “rico”. Isso explica a fixação dos cidadãos que hospedam os Jogos Olímpicos pelo oito, a ponto de iniciarem a festa de abertura às oito e oito (oito segundos) do dia oito do oito de dois mil e oito. Se a simbologia é positiva para os chineses, de repente pode funcionar aqui – especialmente após uns oito dias sem atualizações decentes.

Antes que você se desespere em busca de atualizações olímpicas por aqui, seguem oito sugestões de blogs para a pastinha “Olimpíadas” de seu leitor RSS. Certamente os comentários pinçados por estas bandas serão um complemento perfeito ao noticiário feijão-com-arroz dos veículos tradicionais.

Carol Canossa – Não tenho dúvidas: se ela repetir o mesmo volume de atualizações imperdíveis do Pan, não vai dar pra perder as opiniões da Carol.

“… Bem que o Galvão poderia ficar na China para sempre. Gente, nem começou a Olimpíada e eu já surtei com ele. Logo em suas primeiras transmissões, o futebol masculino, nosso “narrador mor” se sai com essa: “Ah, mas esse Rafinha tem que sair do time, não dá”. Aí, ele lembrou que tinha um link ao vivo na casa do Rafinha. E tentou consertar: “Não, que me desculpe a mãe do Rafinha, uma senhora muito simpática…”.”

Felipe Andreoli – O simpático ex-repórter-abelha da TV Cultura entrou para o CQC da Band e, para seguir em busca de sucesso, decidiu abrir uma janela para conversar com os fãs.

“… Acabamos de almocar em no unico restaurante que vimos por perto que tinha em seu letreiro o nosso alfabeto. La Palete. Frances, chique voce deve pensar. Sentamos e uma solicita garconete tentava nos atender na base da mimica. O dono, um frances cheio de medalhas, camisa aberta quaser ate o umbigo e uma barba de aspecto sujo, percebeu a dificuldade de comunicacao. E o que fez? Deu um tabefe, com forca, nas costas da menina, enxotando ela dali, para que a unica atendente que falava ingles nos servisse.”

Felipe Held – Mais um da gigantesca equipe olímpica que trabalha com a Carol, deve repetir a fórmula de sucesso do Pan, com suas rapidinhas quase diárias.

“… Sentamos para discutir as modalidades em que o Brasil tem mais chances de medalhas em Pequim-2008. Promovemos o futebol, as maratonas aquáticas e os saltos ornamentais; rebaixamos o basquete e o tênis. Fiquei imaginando, depois, alguém do tênis de mesa ou da esgrima ganhando alguma medalha e declarando na entrevista pós-bronze: “E essa medalha vai para aquele site de esportes, que colocou que eu só ganharia uma medalha por milagre. Chupa, trouxa!”.”

Flavio Gomes – Certamente haverá um ou outro texto sobre automobilismo por lá, mas o Flavio Gomes é um dos poucos jornalistas “mainstream” que pegou o espírito de um blog.

“E se é para escolher uma imagem, fico mesmo com o acendimento da pira, embora considere insuperável o mesmo momento em Barcelona/92, o arqueiro, o efeito devastador da flecha acendendo a chama (a gente só soube depois que caiu fora do estádio), a emoção que percorreu a espinha de todos que estavam ali e no mundo inteiro…”

Lello Lopes – Apesar de trabalhar feito maluco para redigir matérias e acrescentar textinhos no blog dos enviados do UOL, pelo visto seu Bebê Diabo terá alguns insights bacanas.

“Finalmente fiz minhas primeiras compras perdulárias em Pequim: duas camisetas, uma caneca e um chaveiro. Tudo isso na lojinha oficial que tem dentro da Vila Olímpica. Agora que a porteira está aberta, ninguém segura!”

Mauricio Savarese – Além dos textos da Reuters e do Comunique-se, outras impressões deliciosas podem ser lidas ali (tá meio corporativista essa lista: é o quarto nome com pé na Gazeta…).

“O português é tão insignificante por estas bandas que na noite de domingo, em um bar da gringolândia local, a velha guarda da Vila Isabel, com cara de quem estava de sacanagem, entoou o samba enredo “Liberdade, Liberdade! Abra as asas sobre nós!”…. Se alguém gritar liberdade em chinês, provavelmente aparecerão umas três viaturas da polícia oferecendo toda a segurança da delegacia e, quiçá, do xilindró…. Os chineses, talvez precavidos por não entenderem o que cantávamos, não se empolgaram muito com o samba estilo livre dos tupiniquins. Nem sequer atenderam a alguns pedidos meus, de “dança, vagabundo comunista”. Nenhum deles entendia meia palavra de português. Nem de samba.”

Sergio Patrick – Há semanas, o coordenador de esportes da Rádio Bandeirantes alimenta seu blog com historinhas olímpicas. Agora, de Pequim, as coisas ficarão ainda melhores.

“A BBC tem medido a poluição por aqui. Já ouvi o presidente do COB, Carlos Artur Nuzman, dizer que isso é desculpa para quem não conseguir um bom resultado. Espero que nenhum atleta com problema respiratório acredite no dirigente brasileiro. O ar aqui é terrível.”

Richard Amante – O catarinense, que está na China desde setembro do ano passado, recheia seu blog com muitas fotos e opiniões.

“Longe dos holofotes da Olimpíada esconde-se uma Pequim muito diferente daquela que os estrangeiros estão conhecendo agora. É uma Pequim renegada, descuidada, onde não se plantam árvores, as ruas não são asfaltadas, as placas não têm tradução e até o transporte de mudanças é feito em bicicletas… Poucos são os estrangeiros que se aventuram por aqui. E os que aparecem são observados à distância pelos idosos sentados à beira da Estrada. E nem precisa ir muito longe para conhecer esse lugar. Fica há menos de quinze minutos do Ninho de pássaro.”

Mas não era proibido? – Até os Jogos Pan-americanos do ano passado, o COB seguia uma orientação do COI a respeito de atletas brasileiros mantendo blogs: proibição total. De repente, as coisas mudaram completamente: todos os grandes portais fizeram acordos com atletas – tem o Thiago Pereira com o UOL, a Marta no Terra e a dupla Ricardo e Emanuel na Globo, por exemplo. Até o COB se rendeu ao marketing online e fechou acordo com o Google para criar um canal exclusivo no YouTube. Eh, Brasil.

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