Eu sou embromeiro
Por Marmota | 29/05/2008, 23h56
Nunca em tanto tempo eu senti tamanha necessidade em compartilhar com o mundo as minhas angústias procrastinadoras quanto agora. Devo ter uma legião de pessoas inconformadas com minha total ausência, seja um simples “recebi seus votos de feliz aniversário” ou mesmo perguntas mais elaboradas, destas que eu faço questão de dizer “pode deixar, te mando” e que acabam em algum cantinho dos itens recebidos.
Já está mais do que na hora de convocar os amigos e fundar, de uma vez por todas, o Clube dos Procrastinadores Anônimos, com direito a forte divulgação. Quem sabe semana que vem. Se bem que, nos poucos momentos de ócio cerebral, pintou uma idéia vagabunda a respeito da campanha: uma simples paródia a uma dessas insistentes propagandas de cerveja.
Foi a agência Africa, de Nizan Guanaes, que bolou coisículas como “zeca-feira”, “zeca-hora”, “zeca-cete” e agora “brahmeiro”. É aquele sujeito batalhador, que sai cedo para se matar no dia-a-dia e, antes de ir para casa, dá uma passadinha no boteco para tomar todas com moderação. Partindo da mesma definição – a de um brasileiro que tem fé na vida e não desiste nunca – não foi difícil chegar a um novo adjetivo, que pode ser usado como sinônimo de “procrastinador” de um jeito muito mais simples e claro: embromeiro.
Eu sou embromeiro. Ser embromeiro é ter milhares de planos, começar uns quinze deles e cumprir dois ou três. Ser embromeiro é trocar o que importante por inesperadas causas urgentes. Ser embromeiro é andar com smartphone mas lamentar os constantes atrasos da agenda. Ser embromeiro é descobrir que o dólar subiu, que o time perdeu ou que alguém morreu depois do amigo ter contado horas depois. Ser embromeiro é chegar em casa tarde, acreditar que pode resolver tudo amanhã e acordar mais cansado que na noite anterior. Ser embromeiro é imaginar como explicar o que é ser embromeiro e conseguir redigir poucas linhas apenas dias depois.
Eu tinha imaginado inclusive algumas sutis modificações no jingle original, cantado por Zeca Pagodinho, mas já dá pra imaginar: não tive tempo de pensar em nada brilhante. “De manhã cedo a preguiça… lá laiá la… eu vou trabalhar… Eu não consigo fazer nada… na na na na… tenho que adiar… E no final daquele dia… ô ô ô tchu-tchu-ru-ru… não deu mas de novo eu vou tentar… EU SÔ EMBROMEERO AMOOOR… EU SÔ EMBROMEEEEERO! Não-sei-o-quê não-sei-o-quê não-sei-o-quê eu sou brasileeero!”.
Tenho certeza que a campanha ficaria muito melhor com um modelo de camiseta personalizada, com pessoas comuns e seus rostos exaustos, diante do computador, olhando para o nada… Ou mesmo algum destes selinhos piscantes para enfeitar templates de blogs… Enfim, talvez eu consiga elaborar algo assim em breve.


Eu poderia discorrer longos parágrafos sobre o eletrizante final de semana automobilístico e as duas mais tradicionais provas do mundo. Começando com o charmoso GP de Mônaco, onde a Ferrari fez Massa perder a chance de chegar ainda mais perto da liderança. Ainda viu Hamilton vencer e superar Raikkonen na classificação, além de aplaudir os dois primeiros pontos de Rubinho após longos meses de jejum (mas também, com tanto acidente…). Depois, as 500 Milhas de Indianápolis – que só fica boa nas voltas finais, ainda que a maioria dos brasileiros tenham ficado para trás.
- Alô, Viva? Sou eu! Sim, estamos bem, curtindo uma refeição feliz num lugar muito romântico… O KFC do Largo do Machado!




Finalmente consegui conhecer uma das mais famosas quermesses do país: a da tradicional
Além das orações, intensificadas por equipes de rezadeiras saem pelas casas dos devotos, a Festa do Divino possui suas peculiaridades. Começa com a abertura do Império e a bênção das novas bandeiras – grande símbolo da festa, vermelhas e com o desenho de uma pomba branca, que representam o Espírito Santo. Durante os dez dias de festa, os fiéis encontram disposição para as Alvoradas, cortejos iluminados por lanternas rústicas que saem do Império diariamente, às cinco da manhã, e percorrem a cidade. Alguns destes cortejos contam com a presença da folia do Divino, formada por violeiros e percussionistas que cantarolam versos conhecidos pelos mais assíduos.
Mas vamos ao que nos interessa: a quermesse. São centenas de voluntários na cozinha, preparando os pratos típicos da festa – entre eles o tradicional afogado, caldo preparado com carne, batata e farinha (centenas de quilos destes diariamente) e o não menos tradicional tortinho, bolinho frito de farinha de milho e carne moída. As chamadas “abelhinhas do Divino” passam dias preparando os doces que serão vendidos nas barracas da quermesse – nova mobilização de voluntários para atender cerca de 20 mil pessoas por dia. No fim da noite, sobra pouca coisa: dá pra tomar, por exemplo, um café caipira: água fervida num forno de barro, café passado no coador de pano e adoçado com rapadura, sô.
São José do Rio Preto (SP) – Tive a oportunidade de visitar o interior paulista por algumas vezes recentemente. No final de agosto, Narazaki e eu curtimos o casamento do nosso amigo Fini em Igaraçu do Tietê, perto de Jaú e a poucos passos de Barra Bonita. Nos últimos dias, foram outras duas viagens. Em Presidente Prudente, encontrei um professor na área de publicidade e propaganda que trabalhou doze anos na capital. Cansado da rotina estressante de São Paulo, mudou-se para o Pontal do Paranapanema e ganhou em qualidade de vida. Em Rio Preto, uma turma que estuda jornalismo não vê a hora de ir trabalhar na fascinante metrópole. Mas só por algum tempo. Bem diferente dos mais velhos, que fizeram carreira em suas pacatas cidades e estão felizes da vida.
:



2008 - 2012 