Marmota, mais dos mesmos

Desde 2002, muito obrigado por nada.

Arquivos: maio/2008

Eu sou embromeiro

Por Marmota | 29/05/2008, 23h56

Nunca em tanto tempo eu senti tamanha necessidade em compartilhar com o mundo as minhas angústias procrastinadoras quanto agora. Devo ter uma legião de pessoas inconformadas com minha total ausência, seja um simples “recebi seus votos de feliz aniversário” ou mesmo perguntas mais elaboradas, destas que eu faço questão de dizer “pode deixar, te mando” e que acabam em algum cantinho dos itens recebidos.

Já está mais do que na hora de convocar os amigos e fundar, de uma vez por todas, o Clube dos Procrastinadores Anônimos, com direito a forte divulgação. Quem sabe semana que vem. Se bem que, nos poucos momentos de ócio cerebral, pintou uma idéia vagabunda a respeito da campanha: uma simples paródia a uma dessas insistentes propagandas de cerveja.

Foi a agência Africa, de Nizan Guanaes, que bolou coisículas como “zeca-feira”, “zeca-hora”, “zeca-cete” e agora “brahmeiro”. É aquele sujeito batalhador, que sai cedo para se matar no dia-a-dia e, antes de ir para casa, dá uma passadinha no boteco para tomar todas com moderação. Partindo da mesma definição – a de um brasileiro que tem fé na vida e não desiste nunca – não foi difícil chegar a um novo adjetivo, que pode ser usado como sinônimo de “procrastinador” de um jeito muito mais simples e claro: embromeiro.

Eu sou embromeiro. Ser embromeiro é ter milhares de planos, começar uns quinze deles e cumprir dois ou três. Ser embromeiro é trocar o que importante por inesperadas causas urgentes. Ser embromeiro é andar com smartphone mas lamentar os constantes atrasos da agenda. Ser embromeiro é descobrir que o dólar subiu, que o time perdeu ou que alguém morreu depois do amigo ter contado horas depois. Ser embromeiro é chegar em casa tarde, acreditar que pode resolver tudo amanhã e acordar mais cansado que na noite anterior. Ser embromeiro é imaginar como explicar o que é ser embromeiro e conseguir redigir poucas linhas apenas dias depois.

Eu tinha imaginado inclusive algumas sutis modificações no jingle original, cantado por Zeca Pagodinho, mas já dá pra imaginar: não tive tempo de pensar em nada brilhante. “De manhã cedo a preguiça… lá laiá la… eu vou trabalhar… Eu não consigo fazer nada… na na na na… tenho que adiar… E no final daquele dia… ô ô ô tchu-tchu-ru-ru… não deu mas de novo eu vou tentar… EU SÔ EMBROMEERO AMOOOR… EU SÔ EMBROMEEEEERO! Não-sei-o-quê não-sei-o-quê não-sei-o-quê eu sou brasileeero!”.

Tenho certeza que a campanha ficaria muito melhor com um modelo de camiseta personalizada, com pessoas comuns e seus rostos exaustos, diante do computador, olhando para o nada… Ou mesmo algum destes selinhos piscantes para enfeitar templates de blogs… Enfim, talvez eu consiga elaborar algo assim em breve.

Vai… Vai quem? Parte 6: cuide bem do seu ídolo

Por Marmota | 26/05/2008, 23h59

Eu poderia discorrer longos parágrafos sobre o eletrizante final de semana automobilístico e as duas mais tradicionais provas do mundo. Começando com o charmoso GP de Mônaco, onde a Ferrari fez Massa perder a chance de chegar ainda mais perto da liderança. Ainda viu Hamilton vencer e superar Raikkonen na classificação, além de aplaudir os dois primeiros pontos de Rubinho após longos meses de jejum (mas também, com tanto acidente…). Depois, as 500 Milhas de Indianápolis – que só fica boa nas voltas finais, ainda que a maioria dos brasileiros tenham ficado para trás.

Também poderia atender ao pedido da Tina e escrever um pouco mais sobre futebol. Mas ainda é cedo pra especular qualquer coisa. Tudo que podemos dizer é: no fim do ano, o Internacional poderá depender de uns seis pontos para conquistar o título, então vão lembrar das derrotas lamentáveis para Palmeiras e Flamengo. Ah sim, também dá pra garantir que o Corinthians vai subir com o pé nas costas – e se vencer o Sport na final da Copa do Brasil (vai, Sport!), terá uma nova chance na Libertadores antes mesmo do previsto.

Mas o domingo pertence a um outro personagem. Um jovem manezinho da ilha de Santa Catarina, que começou a jogar tênis graças ao incentivo de seu pai. Tinha oito anos de idade quando viu ele falecer. Levou mais seis para conhecer seu “segundo pai”: Larri Passos, que o levou ao profissionalismo no esporte em 1995.

Nos últimos dez anos, me arrisco a dizer que não houve atleta como Gustavo Kuerten. Quando conquistou o título de Roland Garros em 1997 aos 20 anos, vindo do qualifying e de maneira inesperada, ninguém jamais tinha ouvido seu nome antes. Ganhou capas de jornais, revistas semanais. Como qualquer candidato a ídolo no Brasil, recebeu do país aquela estranha expectativa de “ir além do que nós realmente podemos”, representado pela pressão por bons resultados.

Até o começo deste século, Guga conseguiu driblar o falatório dos corneteiros e algumas contusões. Entre 2000 e 2001, quando conquistou o Grand Slam francês outras duas vezes, conquistou o Masters de Lisboa e sagrou-se número um do mundo, estava em seu auge. Fenômeno que transbordou para fora das quadras: nunca se vendeu tanta bolinha, raquete, camisa… Nunca se viu tanta criança em escolinhas de tênis como naquela época.

Pude ver como a “Gugamania” mexeu com o tênis no Brasil por duas vezes, durante a mais vibrante competição do gênero: a Copa Davis. Em 2002, na repescagem entre Brasil x Canadá, a torcida carioca empurrou Guga e Meligeni nas duas primeiras partidas do Clube Marapendi; no sábado, em duplas, o catarinense jogou ao lado de André Sá e fecharam o confronto em 3 a 0. Era um ano complicado: após a primeira cirurgia, havia vencido apenas o Brasil Open, na Costa do Sauípe – ao contrário dos 11 nos dois anos anteriores.

Já nas quartas-de-final da Davis em 2001, Gustavo Kuerten estava em um momento bem melhor, e talvez por isso muito mais pressionado. O grandioso palco armado na avenida Beira-Mar, em Florianópolis, praticamente convidava o país a conferir a força de Guga e seus amigos a caminho da segunda semifinal consecutiva. E diante da Austrália, que havia massacrado o Brasil no ano anterior em Brisbane… Não tinha como perder.

Então Guga enfrentou Patrick Rafter, que desistiu contundido. Veio o Fininho, que como de praxe, lutou muito mas caiu. Foi contra Hewitt, que formou dupla com Rafter no sábado e não deu chances para Guga e Jaiminho (que, apesar de ser exímio duplista, infelizmente sacava mal pra burro). Para vencer o confronto, os brasileiros precisavam da vitória dos dois jogos no domingo. Guga levou dois sets ao tie-break, mas viu Lleyton Hewitt inspiradíssimo. O próprio australiano admitiu: “ainda bem que estava na casa do Guga: a pressão que ele sentiu me ajudou muito…”.

Foi um dos momentos ruins na carreira de Guga – a ponto dos brasileiros falarem coisas como “ih, esse aí não é de nada”. Calaram-se semanas depois, com o tri de Roland Garros. Mesmo na pior fase, conseguiu derrotar o imbatível Roger Federer em 2004 por 3 a 0. Em fevereiro, convidou aqueles que sempre o apoiaram para avisar: “não é que eu não queira jogar, eu até peço desculpas, mas é que realmente eu não consigo mais…”.

Enfim. Como qualquer um se diz jogador de futebol, é fácil revelar algum fenômeno ou mesmo escalar seleções de craques a qualquer época (dá até para enganar com algum perna-de-pau infiltrado). O crescimento do vôlei e nossa escola vencedora vem mantendo a excelência na quadra. Por outro lado, quando Senna morreu, ficamos ávidos por um novo fenômeno nas pistas – e ainda estamos até hoje. Nas piscinas, nos aparelhos de ginástica e em alguns ringues, temos a impressão que só um fenômeno pode nos salvar. Esperamos novos gugas surgirem espontaneamente para explorá-los até o limite. Então voltamos a nossa mediocridade de sempre, até alguém se dá conta: “não soubemos aproveitar melhor os nossos ídolos”.

Diálogos furtados na Guanabara

Por Marmota | 23/05/2008, 23h55

Rio de Janeiro

- Alô, Viva? Sou eu! Sim, estamos bem, curtindo uma refeição feliz num lugar muito romântico… O KFC do Largo do Machado!
- Romântico??? Bah.

***

- Liguei pra Viva. Ela vai passar aqui na praia em poucos minutos.
- Mmmhhh… Vai só passar e dar um alô ou vai pegar a gente?
- Vai só dar um alô. Vai abrir os vidros do carro, passar a uns 60 por hora e abanar. Fica de olho, daqui a pouco ela aparece.

Rio de Janeiro

***

- Então, como fazer para chegar ao Corcovado?
- A gente vai de ônibus, tem que descobrir aonde pegar o Coooooiiixxxmmmeeee Velho.
- Mas a gente precisa ir bem cedo.
- Tá. Podemos tomar café no Boooooiiibbbxxx.

***

- André, faz a pose cliche de braços abertos na frente do Cristo…
- Pra qual lado? Aquele onde Didi Mocó escalou e se dependurou no braço da estátua?
- Não, aquele onde Roberto Carlos andou sobre a murada sem dublê…

Rio de Janeiro

***

- Não-sei-o-quê, não-sei-o-quê… Copacabaaana…
- Puxa, você está há cinco minutos maltratando os versos de Dorival Caymmi… E já mudamos de praia!
- Ah, tá. Não-sei-o-quê, não-sei-o-quê… Ipaneeema…

***

Rio de Janeiro

Na sexta-feira, tempo nublado:
- Ih, nem sei o que vieram fazer aqui. Vi que o final de semana inteiro vai ser de chuva…

No sábado, muito sol:
- Você é uma bruxa!

***

Rio de Janeiro

- Você devia fazer um “Marmota Indica” do Bracarense…
- Ok. Os bolinhos de camarão estão ótimos, mas ainda estamos de pé…

***

- Olha, os arcos da Lapa! E o bondinho!
- Quê??? É nesse negócio que você queria andar, ao lado daquela gente toda saindo pra fora, quase caindo??? Tá maluca???

***

- Moço, adoraria trabalhar aqui nesse sebo! São tantos livros e prateleiras… Ficaria minha vida toda!
- Mas olha, cuidado, ela não preenche um dos requisitos pra trabalhar aqui: tem medo de gatos!

***

- Puxa, nós compramos todas essas garrafas de água?
- Sim. Olhe: papai minalba, mamãe minalba e minalbinha!

Rio de Janeiro

***

- Aqui no Rio Scenarium todo mundo é publicitario, jornalista… Menos eu, que sou formada em engenharia…
- Ah é? Pááá-rabéns!

***

- Viva, não foi naquela avenida perto da sua casa que um sujeito levou um tiro na perna esses dias?
- Não. Foram dois tiros, na barriga e no peito. E foi ali mesmo, perto de onde vocês pegaram o táxi.

***

Já estou com saudades do Rio… Quem sabe no próximo feriado? Se bem que… Xi, agora só no Natal.

Em tempo: não deixe de perder o LoveLive desta semana, gravado na antiga Capital Federal.

A divina Festa do Divino

Por Marmota | 20/05/2008, 23h59

Finalmente consegui conhecer uma das mais famosas quermesses do país: a da tradicional Festa do Divino de Mogi das Cruzes, significativa expressão de devoção ao Divino Espírito Santo e uma das mais conhecidas entre todas realizadas no país.

Vai dizer que você nunca tinha ouvido falar nela?

Independente da sua crença, conheça um pouco mais a respeito desta festa folclórica católica, trazida ao Brasil pelos portugueses durante a colonização. Celebra-se a chegada do Espírito Santo sobre os apóstolos: durante dez dias, até o domingo de Pentecostes (o 50º dia após a Páscoa), a festa mobiliza a Igreja, em especial os habitantes de Mogi das Cruzes, onde as primeiras festividades do gênero foram registradas há mais de 300 anos.

Além das orações, intensificadas por equipes de rezadeiras saem pelas casas dos devotos, a Festa do Divino possui suas peculiaridades. Começa com a abertura do Império e a bênção das novas bandeiras – grande símbolo da festa, vermelhas e com o desenho de uma pomba branca, que representam o Espírito Santo. Durante os dez dias de festa, os fiéis encontram disposição para as Alvoradas, cortejos iluminados por lanternas rústicas que saem do Império diariamente, às cinco da manhã, e percorrem a cidade. Alguns destes cortejos contam com a presença da folia do Divino, formada por violeiros e percussionistas que cantarolam versos conhecidos pelos mais assíduos.

O momento mais tradicional da festa é a Entrada dos Palmitos, que remete aos tempos onde plantadores comemoravam a fartura de suas colheitas. Até hoje, a mega-passeata reúne dezenas de carros-de-bois enfeitados com fitas e flores. Hoje em dia só não tem mais palmito: com a ameaça de extinção das plantas, apenas folhas de palmeiras enfeitam o cortejo, acompanhado ainda por tradicionais bandas, congadas e suas coreografias.

Mas vamos ao que nos interessa: a quermesse. São centenas de voluntários na cozinha, preparando os pratos típicos da festa – entre eles o tradicional afogado, caldo preparado com carne, batata e farinha (centenas de quilos destes diariamente) e o não menos tradicional tortinho, bolinho frito de farinha de milho e carne moída. As chamadas “abelhinhas do Divino” passam dias preparando os doces que serão vendidos nas barracas da quermesse – nova mobilização de voluntários para atender cerca de 20 mil pessoas por dia. No fim da noite, sobra pouca coisa: dá pra tomar, por exemplo, um café caipira: água fervida num forno de barro, café passado no coador de pano e adoçado com rapadura, sô.

Tudo isso organizado pelo festeiro, nome que escolhido um ano antes pela comunidade e chancelado pela diocese – mais um dos inúmeros detalhes cujos devotos fazem questão de manter intactos ano a ano. Se a essência, as tradições e valores religiosos não mudam, o mesmo não pode-se dizer do envolvimento e participação da população, que cresce de forma surpreendente a cada Festa do Divino. Milhares de mogianos que agradecem, pagam suas promessas, fazem suas preces e reforçam sua fé ao Espírito Santo. Louvado seja… Amém.

(Postado em 01/06/2004)

Fragmentos de uma infância interiorana

Por Marmota | 18/05/2008, 23h59

São José do Rio Preto (SP) – Tive a oportunidade de visitar o interior paulista por algumas vezes recentemente. No final de agosto, Narazaki e eu curtimos o casamento do nosso amigo Fini em Igaraçu do Tietê, perto de Jaú e a poucos passos de Barra Bonita. Nos últimos dias, foram outras duas viagens. Em Presidente Prudente, encontrei um professor na área de publicidade e propaganda que trabalhou doze anos na capital. Cansado da rotina estressante de São Paulo, mudou-se para o Pontal do Paranapanema e ganhou em qualidade de vida. Em Rio Preto, uma turma que estuda jornalismo não vê a hora de ir trabalhar na fascinante metrópole. Mas só por algum tempo. Bem diferente dos mais velhos, que fizeram carreira em suas pacatas cidades e estão felizes da vida.

Essas declarações todas só amplificam a vontade que o trânsito e o estresse de todo dia provocam em mim: fugir dos 15 milhões de habitantes amontoados na região metropolitana e seguir uma vidinha tranquila e sossegada em algum cantinho sossegado, como algum dos seiscentos e poucos municípios do estado de São Paulo. Uma possível freada chocante de ritmo em relação a uma vida toda construída nessa loucura não seria inédita, já que passei os meus primeiros três anos acompanhando a vida nômade dos meus pais pelo interior.

Pouco tempo após o casamento deles na zona rural de Pelotas, em 1975, o jovem casal acompanhou a expansão do sistema Telebrás e a instalação das centrais telefônicas AXE da Ericsson – árdua tarefa que ocupou alguns anos de trabalho do meu pai. Quando minha mãe engravidou, os dois moravam em Santa Cruz do Rio Pardo, na casa do João Gois e da Dona Dita. Aquela família era alvo de um preconceito bobo, graças ao menino que sofria de paralisia. Foi lá, em 12 de dezembro de 1976, que meu pai inventou de comemorar o título brasileiro do Inter carregando uma bandeira enquanto guiava a Brasília com minha mãe no banco do passageiro. Levou pedradas, cadeiradas e alguns pontos da corintianada.

A moradia seguinte foi minha cidade natal, que não conheço exatamente por ter feito parte desse “tour paterno”. O maior personagem da minha história em Bauru foi o obstetra. Minha mãe lembra com muito carinho do Doutor Tadashi, médico que tratou de apresentá-la ao seu primeiro (e gordo) filho. Ela conta que, naquele maio de 1977, já moravam longe dali: em Jaú, numa casinha amarela com quintal de barro e uma floreira pincelada por pétalas amarelas. Lógico que ela fez questão de viajar só para permanecer aos cuidados do inesquecível Doutor Tadashi.

Nos anos seguintes, passei por São José do Rio Preto (infelizmente não faço idéia de onde morava para dar uma voltinha), em Barretos (numa época em que não existia o Parque do Peão para o tradicional rodeio) e, finalmente a movimentada casa da vovó Floriza, na distante Vila Costa e Silva, bairro à beira da Estrada Velha de Campinas. Aliás, diga-se: enquanto rodamos o estado de São Paulo, nossas moradias eram bem humildes: normalmente eram pequenos imóveis ou cômodos aos fundos de outra casa maior. Mais: sempre alternando idas e vindas ao Rio Grande do Sul, todas elas de carro…

Meu aniversário de três anos foi comemorado na praia. Nossa última escala antes de encararmos a capital foi em Caraguatatuba, a poucas quadras do mar, numa casinha da Avenida Minas Gerais (hoje tem um prédio no lugar dela). Isso foi até 1979, quando trocamos a areia do mar pela aprazível Rua Aurora… Um baita presságio: se era para escolhermos um lugar para demarcar território e seguir em frente, por que São Paulo?

Ainda respirando os ares do interior, em cidades com poucos prédios, coreto e sorveteiro na praça, esboço um sorriso ao procurar por lembranças fragmentadas que praticamente nunca tive, já que a maioria ouvi dos meus pais. Quem sabe elas não sejam recuperadas com possíveis recordações futuras, num lugarzinho bacana… Até Mogi das Cruzes serviria.

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