segunda-feira, 31 de março de 2008
A verdade sobre o primeiro de abril
Todo mundo percebeu: como ocorre nos últimos quinhentos anos, tivemos um dia perfeito para chamar aquela baranga de miss, o chefe pentelho de meu querido ou mesmo aquele governante inútil de competente. O mundo, que normalmente já é uma mentira, celebrou hoje o seu dia oficial.
Não existe uma explicação precisa para a sua origem. Mas uma busca rápida no Google nos leva ao vilarejo de Gotham, na Inglaterra, por volta do Século XIII. Para evitar a cobrança de impostos do Rei John, todos os habitantes do lugar se fingiram de doidos durante a visita de um enviado real, justamente no dia primeiro de abril. Sua Majestade caiu na encenação dos moradores de Gothan, que desde aquele dia, comemoravam o “dia dos bobos”.
Existe ainda a versão que considero mais provável, que leva em conta a mudança para o calendário gregoriano, no Século XVI. Ela foi estabelecida na França, pelo Rei Carlos IX. Os franceses, acostumados em comemorar o ano novo na virada de março para abril, ficaram indignados e continuaram celebrando a passagem de ano nessa época.
Cambada de bobocas. Ou “peixes de abril”, como eram chamados por outros franceses, por conta da fartura nos rios durante a primavera européia. Foi nessa época que surgiram os primeiros convites para festas inexistentes, presentes descabidos, entre outras brincadeiras. O “bobo de abril” se espalhou pelo mundo com a mesma facilidade das intermináveis bobagens falsas – e clássicas nessa data.
O site Museum of Hoaxes – a palavra inglesa “hoax”, derivada de “hocus pocus”, é o memso que boato – fez uma seleção das 100 melhores pegadinhas de abril de todos os tempos: floresta de espaguete, decreto para mudar o valor de pi, entre outras asneiras que fizeram sucesso mesmo antes da web. Com a rede, então, o volume de histórias absurdas, porém sensacionais, só aumentou. Como não lembrar com carinho especial dos celulares gratuitos da Ericsson, dos rins roubados e vítimas em banheiras com gelo, ou mesmo dos gatinhos bonsai?
Mesmo com alertas sistemáticos – como este, da revista Wired, que lembra causos como a fonte de energia inesgotável, o grill George Foreman com entrada USB, a água desidratada, entre outros – hoje mesmo alguns veículos (principalmente alguns sites esportivos brasileiros) embarcaram na história da demissão do pentacampeão Felipão da seleção (ão?) portuguesa.
“Para um hoax dar certo e ser popular, ele não apenas precisa localizar algo na penumbra do nosso conhecimento, mas também deve apresentar suas afirmações de maneira a fazer as pessoas acreditarem num primeiro momento, embora seja ridículo se pensarmos um pouco mais a respeito”, diz Alex Boese, criador do Museum of Hoaxes, na matéria da Wired.
Mas nem tudo se resume a boatos ou brincadeiras de mau gosto – algumas com “fundo de verdade”, como bem lembram alguns visitantes. Meu amigo Bentão conta uma história sensacional, dos tempos em que ainda trabalhava num conhecido diário do interior paulista: num primeiro de abril qualquer, os leitores foram surpreendidos com manchetes falsas logo na primeira página do jornal. Todas elas. Eram “notícias que gostaríamos de ler”, nada muito absurdo. A capa correta, com as chamadas reais, estava na página dois.
A conclusão? Absurdo mesmo são as notícias de sempre, como se todos os dias fossem primeiro de abril… Em meio a piadinhas e mentirinhas, não custa nada trabalhar, ou mesmo torcer, para que algumas delas saiam da imaginação e tragam algo positivo em nossas vidas.
(Postado em 01/04/2004)

Rio de Janeiro (RJ) – Eu até posso entender a necessidade das conexões em vôos domésticos nacionais – tudo para atender a demanda, além de contribuir para a tranquilidade de aeroportos modestos como o de Vitória – que comporta uns três embarques por vez, no máximo. Para o meu azar, nenhum deles para Guarulhos.
Vitória (ES) – 
