Marmota, mais dos mesmos

Desde 2002, muito obrigado por nada.

Arquivos: dezembro/2007

Receita do panetone de torresmo, primeira tentativa

Por Marmota | 26/12/2007, 23h44

Minha saga em meio aos panetones bizarros foi um sucesso. Como de praxe, enchi o pandú com vários panetones de goiabada, além de provar os inovadores de sempre: doce de leite, floresta negra, frutas tropicais, capuccino…

Mas o meu grande objetivo neste final de ano era preparar um panetone de torresmo.

Não, não é brincadeira. Desde o instante que soube da existência da iguaria, fiquei com água na boca. Evidentemente, esse é o tipo de coisa que não se encontra em qualquer supermercado. Felizmente, Pai Google me trouxe a receita para experimentar.

Então anote aí. A massa do panetone leva mais ou menos 1 kg de farinha de trigo (você vai ver que a dosagem será feita no andamento da coisa). Vai precisar também de meia xícara de chá de açúcar, 1 colher de sopa de sal, 2 copos (aquele de requeijão) de leite morno, 1 copo (o mesmo) de água morna, meia xícara de chá de queijo ralado, meia xícara de chá de óleo, 3 ovos, 4 tabletes de fermento para pão e, finalmente, aquela colherzinha de essência de panetone, pra quebrar o sabor.

Agora pegue o copo do liquidificador, coloque o leite, a água, o fermento esfarelado, o óleo, os ovos e a essência de panetone. Bata até a bagaça ficar homogênea. Em outro recipiente, coloque um pouco da farinha. Acrescente o queijo ralado, o sal e o açúcar, misturando tudo com uma colher de pau. Agora, aos poucos, é hora de juntar os ingredientes secos e molhados. Vá botando farinha até a massa ficar, hmmmm… Ficar bacana, vai.

Antes de pensar no recheio, essa massa precisa descansar por dez minutos. Vai ter massa o suficiente para dividir em três partes – ou seja, três panetones salgados. Enquanto isso, vamos ao recheio: são 3 colheres de sopa de azeite, 3 dentes de alho picados, 2 cebolas picadas, 250 gramas de torresmo moído, orégano e sal. É só misturar tudo, juntar parte do recheio (a seu gosto) com a massa, colocar nas formas de panetone (aquela comprida, de papel), deixar a massa dobrar de volume, colocar em cima da forma de alumínio e levar ao forno até dourar (uns 30 minutos em 150º).

Para executar estes passos simples, convidei meus amigos Pinguim e Naninha, que gentilmente cederam longas horas de disposição – além da cozinha, evidentemente. O resultado desse encontro inusitado você confere no vídeo a seguir. Importante: não tente fazer isso em casa sem a supervisão de um adulto competente.

Como podem constatar, cometemos alguns erros primários, que repercutiram num verdadeiro “pudim de pão com torresmo”. Mas ainda acredito na receita: ano que vem vamos tentar de novo. E ao invés de fazer os três com torresmo, dá para variar. Sugestões: recheio de provolone (200g de queijo provolone, 2 colheres de sopa de pimentão vermelho picado e orégano) ou de calabresa (200g de linguiça calabresa, cortada em rodelinhas e frita sem a pele). Deve ficar bom, hein?

Minha primeira carta do Papai Noel

Por Marmota | 25/12/2007, 23h52

Normalmente somos nós que enviamos pedidos ao bom velhinho do saco vermelho antes do Natal. Pois em 2003 foi a minha vez de receber uma mensagem do bonachão! Na certa deve ter sido enviada de algum cybercafé logo cedo, após desafiar a ciência e entregar os presentes. Como ainda não recebi nada em 2007, não custa nada reler a de quatro anos atrás – tempos em que eu ainda viajava para o sul no final de ano, ou mesmo reclamava do meu coração partido:

— original message —
From: Papai Noel <santaclaus@laponia.gov>

Fecha: 25/12/2003 06:39:12
To: André Marmota <uma@igualaquinzequilos.com>
Subject: Feliz Natal

Ho ho ho, meu bom garotinho!

Permita-me um aparte antes de tocar no assunto principal: são anos de experiência para confirmar que os pedidos e brinquedos ficam cada vez mais dispendiosos a medida em que as crianças crescem… Começam com autorama, barbie e nintendo, de repente já querem Ferrari, casa em Maresias… Não é fácil ser Papai noel, jovem escriba.

Para minha grata supresa, no entanto, a maioria das cartinhas que recebo são como a sua: ignoram essas bobagens materiais e partem para evocações metafísicas, que só meus superiores são capazes de atender. Coisas que se repetem anualmente em seus pedidos, como saúde e felicidade para familiares e os mais chegados.

A propósito, quanto ao seu grande presente deste ano, você sabe que não é a mim que você deve agradecer. Mas fiquei muito feliz em saber que, ao contrário do triste ano passado – quando apenas você recebeu cesta de Natal para o seu lar enquanto seu pai e seu irmão ainda buscavam emprego, neste ano foram três cestas! Ho ho ho!

Bem, como disse a você, meu rapaz, esta mensagem possui um assunto principal, uma finalidade específica. Gostaria de esclarecer o que houve exatamente com relação ao seu outro pedido, este um pouco mais delicado. Aquele que falava em pleno sucesso conjugal e profissional neste ano.

Sei que, vindo de seus pensamentos, a expressão “pleno sucesso” está longe de ser mesquinha e gananciosa. Infelizmente, são atributos cada vez mais comuns em boa parte do nosso povo, que há tempos esqueceu de mim e do verdadeiro significado do Natal. Por esse motivo, o mundo de hoje reserva armadilhas ainda mais traiçoeiras para quem almeja o tal sucesso. E serei sincero contigo: mesmo você sendo teimoso como uma mula, não gostaria de te ver alterado quando estivesse nas alturas.

Por isso, minha chefia (você sabe quem) achou por bem estabelecer um período de experiência para você. Seu desejo seria atendido apenas durante o segundo semestre. Mas observe: por conta do tempo limitado, foram implementadas condições diferenciadas ao seu pedido. Os primeiros dias serviriam apenas como aclimatação, para você sentir a diferença. Aos poucos, apareceriam obstáculos alheios ao seu controle, que seriam cada vez mais intensos. Até o Natal, restaria apenas um desagradável, porém superável, sentimento de que “tudo deu errado”, marcando o fim do período.

Dito isso, imagino você em julho, plenamente feliz com as novidades em sua vida amorosa e com o acúmulo de funções em seu trabalho. Também vejo seus primeiros desafios facilmente resolvidos, graças a sua persistência e sagacidade. Finalmente,viria o momento em que as adversidades brotavam e infestavam cada vez mais, lhe deixando maluco. Mais do que isso, tornando-o incapaz de acreditar em tanta gente desnorteada, estressada, desinteressada, assustada e desmotivada contaminando sua vida. Sua frustração deve ter descolorido seus cabelos e pesado em seus ombros.

Depois de tudo isso, você deve ter pensado em algo como “não quero mais isso pra mim”. Infelizmente, meu rapaz, nada podemos fazer para alterar o futuro. Mas tenho certeza de que não há motivo algum para reclamar. Além disso, creio que você se esforçou ao máximo para não transparecer seus problemas e seguir a passos firmes.

E é por conta dessa atitude exemplar nestes seis meses que lhe trago este aviso: como você percebeu, neste Natal você já não é mais “chefe”, tampouco “comprometido”. Mas não pense que, por voltar a ser “peão” e “solteiro” em 2004, será um retrocesso, um mero retorno a estaca zero, ao começo deste ano. Peço-lhe de coração para que não pense assim.

Como te expliquei, foi um período temporário de experiência, compensado com outras realizações que tornaram seu ano menos cansativo. Com sinceridade, não tenho qualquer notícia sobre a avaliação de seu desempenho – isso é com Ele. Mas perceba o quanto você amadureceu. Repare quantos anos você acumulou em apenas seis meses. Lembre-se de todas as dificuldades e, ao mesmo tempo, da maneira firme e dedicada como você as conduziu. Foram altos e baixos que lhe transformaram em alguém muito mais decidido e corajoso.

E vou mais longe: você pode contar com sua família, seus grandes amigos… Enfim, com pessoas incríveis que fazem parte da sua vida. Assim, agradeça o tempo todo por tudo que passou. Deixe estampado seu sorriso no rosto, meu bom garoto! Afinal, não há presente melhor do que a vida! Ou melhor, há sim: viver e sentir todas as nuances possíveis!

Acho que me saí bem agora, não acha? ;-)

Por fim, pequeno Marmota, dois pequenos conselhos: você é um bom menino, mas não é porque você quitou a dívida com seu carro que você vai esbanjar dinheiro com porcarias: pense em algo mais produtivo. E tente mudar seus hábitos alimentares e fazer exercícios, para não ficar como eu. Ou pior: de repente, planejam algum novo período experimental em sua vida, mas na área médica… Ai, o que foi que eu disse!!! Mil perdões, já bati na madeira três vezes…

Acho que é tudo, vou desconectar. Tive uma noite longa, ainda preciso voltar para casa e soltar as renas no pasto antes de pôr minha carcaça velha para descansar. Ah, sim! Não pude fazer isso nos últimos 26 anos, por isso faço agora: aproveite como sempre sua viagem periódica de fim de temporada ao Rio Grande do Sul, pois nem sempre ela será possível… E prepare-se para um ano novo com ainda mais surpresas!

Feliz fim de Natal! Ho ho ho!

Papai Noel

http://blog.santa.com

Mais importante que a árvore

Por Marmota | 24/12/2007, 20h38

Arvinha e lampinhas Natal é uma data importante para a nossa nação, composta em sua grande maioria por católicos. Tal relevância faz com que um mar de gente enfrente filas gigantescas em busca de enfeites, presentes e comidinhas. O milagre natalino coloca dinheiro nas ruas, cria empregos temporários, faz a economia girar. Não por acaso, um dos símbolos mais relevantes dessa época é a árvore, carregada de luzes e presentes.

Esses dias, recebi um queixume. “Toda casa tem uma árvore… Mas nem todo mundo lembra do presépio, que é muito mais importante”. Faz todo sentido: antes de ser uma ode ao Papai Noel e aos filmes nevados de Hollywood, o Natal é a festa de aniversário mais comemorada no mundo cristão. E independente da sua crença, o dia já é consagrado à família, à paz e à solidariedade. Mesmo sem troca de presentes.

Presépio!

Daqui a pouco, quando você estiver em casa festejando com quem você gosta, diga a todos: “o presépio é mais importante que a árvore”. Se alguém quiser discordar ou fazer chacota, diga que é Natal e bate o sino pequenino de Belém.

Top cinematográfico 2007

Por Marmota | 23/12/2007, 23h29

Ao contrário do Chico Fireman, acostumado a elaborar listas de melhores e piores filmes a qualquer instante, aqui seguimos uma tradição anual. Assim como 2004, 2005 e 2006, aqui vai a lista dos melhores vinte filmes lançados este ano.

O critério é bem simples: são os únicos que consegui assistir. Pior: desde outubro não vejo absolutamente mais nada nas telonas – preciso urgentemente arrumar companhias mais dispostas.

- Gigante – Como o Inter Conquistou o Mundo (aliás, o melhor em muito tempo)
- Os Simpsons – O Filme**
- Duro de Matar 4.0**
- Ratatouille
- 300
- Tropa de Elite
- Treze Homens e um Novo Segredo*
- Letra e Música (Pop! Goes My Heart!)
- Transformers
- 007 – Cassino Royale
- Borat
- Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado**
- Sunshine – Alerta Solar**
- Homem-Aranha 3
- Shrek Terceiro
- Diamante de Sangue
- A Volta do Todo Poderoso*
- Licença para Casar*
- Motoqueiro Fantasma
- Piratas do Caribe: No Fim do Mundo
- Hora do Rush 3 (em Estocolmo, versão original sem legenda)
- Ó Paí, Ó (em Salvadô)

Descobri que preciso fazer novas viagens aéreas de longa distância. Só consegui assistir aos filmes marcados com um asterisco graças ao trajeto São Paulo – Amsterdã – São Paulo, via KLM.

Das pendências dos anos anteriores, consegui recuperar Eu Robô, Irmãos Grimm O Bicho Vai Pegar e Deu a Louca na Chapeuzinho (que me surpreendeu um bocado). Descobri que ainda não vi inteiro nenhuma sequência Bourne – muito menos o ultimato, lançado esse ano.

Para os próximos dias (incluindo os doze meses de 2008), vou tentar assistir a Motoqueiros Selvagens, A Rainha, Rocky Balboa, Por Água Abaixo, Uma Noite no Museu, A Família do Futuro, Paris Te Amo e A Loja Mágica de Brinquedos (se é que esse já saiu) em DVD.

Felizmente, ninguém me convidou para sessões completamente perdíveis: Superbad, Planeta Terror e O MAGUINATA. Pena que não possa dizer o mesmo de duas bombas no sofá de casa: Adrenalina e No Rastro da Bala.

Ah, sim: agradeço novamente aos amigos do BloggersCut pela oportunidade em assistir aos filmes marcados com dois asteriscos.

Cinco textos mais clicados do MMM em 2007

Por Marmota | 22/12/2007, 23h15

Vamos aproveitar a sábia decisão da maioria dos navegantes: como todos sumiram do computador e resolveram aproveitar o final de semana, posso me dar ao luxo de publicar aqui um texto que, francamente, só interessa a mim. Afinal de contas, os poucos que ainda insistem em clicar aqui na última semana do ano querem mesmo saber quais foram os textos mais clicados neste blog nos últimos meses?

Se isso não faz a menor diferença, vá lá comer seu panetone e seja feliz. Para quem decidiu ficar: para todos os efeitos, o ano de 2007 começou no dia 22 de fevereiro, primeiro dia de operações do Interney Blogs. Ainda para simples efeito estatístico: a contagem dos posts mais visitados começa a partir de 11 de julho, quando o portal adotou oficialmente o Google Analytics como métrica oficial – ainda bem, pois só a partir dessa ferramenta foi possível saber exatamente qual URL recebeu mais cliques até hoje em apenas um clique.

A essa altura, acredito que apenas o meu público-alvo continua lendo. Só para você, que adora rotular um ou outro arroubo criativo deste espaço como “um legítimo MMM”, por conta de algum resgate nostálgico: o que mais chegou perto da lista final foi o fim dos lanches Mirabel (02/10, 7º lugar), seguido pelas cinco grandes brincadeiras infantis (14/03, 8º lugar). Outro que se saiu bem foi o dos velhos mascotes da propaganda (14/08, 13º lugar). Que, diga-se, estampa o seguinte primeiro comentário: “um autêntico MMM!”.

Reparem que, tanto estes últimos quanto os próximos links, trazem algum assunto propício à presença de paraquedistas. Entre os mais acessados, o único que não traz palavras-chave potencialmente fortes é o que define a miss Cangaíba (25/08, 19º lugar). Se bem que, de tanto insistir nessa idéia nos camps da vida, não me surpreende vê-la tão bem posicionada na lista. Bacana, né?

Enfim, como eu imaginei, o fenômeno Nanopops (16/03, 20º lugar) apareceu bastante – tanto que mereceu inúmeras atualizações posteriores. Alguns que sempre registram cliques, a qualquer tempo: Berg Rabelo e o Anjo Azul (19/04, 17º lugar), repleto de fãs dispostas a conversar com os caras; dicas de Porto Alegre (23/04, 16º lugar), graças aos prostíbulos; e meu aniversário no Orkut (08/05, 21º lugar).

Reveja agora os cinco textos de maior audiência. Todos ultrapassara a marca dos 2500 cliques – e antes que eu prossiga, lanço uma pergunta: na sua opinião, quais as chances do post com maior volume de cliques faz alguma referência a mulénua?

#5 Garota da capa no Orkut (21/03) – Esse tinha tudo pra ser o campeão de acessos do ano, já que reúne dois dos maiores elementos caça-paraquedistas da web. O primeiro é o vulnerável mundinho azul virtual, site preferido dos brazucas. O segundo é mulénua. O texto lembra o dia que resolvi deixar um scrap para a modelo Michelle Gemeli, capa da Sexy de fevereiro. Como qualquer um pode imaginar, até hoje a moça não me respondeu.

#4 Schumacher visita Senna! (16/10) – Além das velharias, outros dois assuntos aparecem com boa frequência por estas bandas: esportes e jornalismo. O tema costuma fazer sucesso, haja vista os dois textos sobre a Copa de 2014 – um sobre as cidades candidatas (04/06, 10º lugar) e outro sobre os prós e contras do Mundial (29/10, 11º lugar), além do Top 5 dos Jogos Pan-americanos do Rio (30/07, 12º lugar). Nessa linha, o que fez mais barulho foi a incrível história da visita do alemão ao cemitério – a ponto de receber chamada com foto na home do IG.

#3 Reprovado na dinâmica (15/03) – Taí uma grande surpresa. Decidi escrever algumas linhas despretensiosas a respeito de um processo seletivo que participei, questionando a subjetividade dos profissionais envolvidos na escolha. O texto rendeu uma porção de comentários indignados, além de uma excelente repercussão – como esta aqui, do Catatau, especialista na área.

#2 Cinco capas esquecíveis (03/07) – Ah, esse é barbada. Não por acaso, as maiores audiências do Interney Blogs em 2007 giram em torno da mais conhecida revista masculina do Brasil. E este conseguiu pegar carona nessa onda, mesmo sem uma única menção ao nome “Playboy” – tasquei um “preibói”, e ainda assim muitos chegaram ao texto escrevendo exatamente assim… Enfim, pasmem: as piores capas foram superadas por…

#1 A melhor piada do mundo!!! (08/10) – Inacreditável, mas é isso mesmo. A pesquisa do LaughLab, que usou métodos científicos para chegar à piada mais engraçada do planeta, beirou as cinco mil visitas (tudo bem que, num estalinho, o Inagaki consegue o mesmo escrevendo sobre qualquer assunto). Ainda assim, é inevitável perguntar: como é possível o texto de maior audiência do MMM em 2007 ser um calhau (já que sua data original é 2002)? Arrisco a seguinte resposta: antes de buscar por mulénua, o internauta brazuca quer mesmo é rir.

Menção honrosa: Como acabar com a festa de amigo secreto. Esse texto ocupa a posição seis, com mais de dois mil cliques. Só que ele entrou no ar na última terça-feira, tornando-se o post de maior audiência no menor período! Feliz ano novo, hein?

E já que você chegou até aqui, não custa perguntar: teve algum outro que você gostou, mas não reapareceu aqui só por conta de uns míseros cliques?

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