sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Por que eu ainda insisto em participar desses encontros envolvendo gente que escreve você sabe o quê

Aviso importante ao meu “público-alvo”: sei que você odeia textos metalinguísticos que trazem essa estranha mistura de “Amaury Jr”, “Bloomberg” e “Fala que eu te escuto”. Por isso, segurei esse relato para um dia com pouco movimento. Torço para que você esteja aproveitando bem o seu final de semana. Assim, quando você voltar por aqui, nossa programação voltará ao normal. Fique com o meu forte abraço.

Quando decidiu voltar do exterior, André Avorio trouxe muito mais do que roupa suja na bagagem. Resumidamente, é como se ele tivesse entrado numa lojinha, descoberto um produto muito bacana e pensado: “cara, esse negócio funcionaria perfeitamente no Brasil”. Tratou de entender como funciona, empacotar, despachar e distribuir nos arredores de sua casa, em Florianópolis. Da ilha catarinense, o negócio chegou a grandes centros do país, como Porto Alegre e São Paulo. Há poucos dias, foi a vez do Rio de Janeiro conhecer “esse bagulho que o Avorio trouxe de Amsterdã”.

O tal “bagulho” é um simples modelo de desconferência. Gente interessada em trocar idéias afins num ambiente sem palestrantes pré-definidos, mas que precisa ser devidamente mapeado e organizado. Parecia inofensivo na primeira vez que provei. Até que eu me peguei no aeroporto de Guarulhos, às seis e pouco da manhã em pleno domingo, embarcando para mais uma distribuição de idéias promovida pelo Avorio e seus amigos. Parti para o bate-volta mesmo imaginando como seria horrível voltar no mesmo dia, ainda mais se a Infraero ignorar os passageiros (como vem fazendo), inventar qualquer desculpinha e fazer com que um vôo previsto para as 22h45 saia apenas às três da madrugada. Como de fato aconteceu.

Pois nada disso importava. Por culpa do André Avorio, descobri que me tornei um viciado em Barcamp, além da variação específica aquele tipo de site com formato simples, que exibem textos em ordem decrescente de data. Um encontro parecido acontece neste sábado, em Curitiba. E apesar de ter voltado da Cidade Maravilhosa com um “belém belém barcamp só no ano que vem”, decidi experimentar outra vez. Mas sem os percalços da aviação civil: os mesmos 400km que separam o destino (só que no sentido sul) serão percorridos num ônibus.

Já tentei refletir nas razões que me fizeram sair de casa nessas condições. Contribuem para essa reflexão a sequência de opiniões negativas sobre eventos do gênero. Apesar das boas intenções, os tais encontros reúnem toda sorte de palpites e devaneios (o que significa, por exemplo, “crise existencial da web 2.0″?). E mesmo durante apresentações mais interessantes e produtivas, misteriosamente aparece algum gaiato destrinchando técnicas de monetização ou métodos infalíveis para acumular leitores. Não há nada de mal em transformar seus espaços em “veículos de massa”, mas a coisa parece feia quando a filosofia da “fama e dinheiro” é adotada por uma quantidade exagerada de mentes medíocres – todas candidatas a miss Cangaíba.

Claro que essas coisas acontecem, mas entre tanta gente que se leva a sério demais, estão outros viciados evangelizados pelo Avorio – como o Fugita e o Tonobohn. No fundo, talvez entorpecido com o sistema de desconferência, minha alucinação faz com que acredite em uma comunicação descentralizada e democrática, onde a colaboração e cooperação entre cabeças independentes ocorra naturalmente.

Além disso, em que outro lugar é possível conversar sobre temas recorrentes a nossa profissão com Raphael, por exemplo? E comer um PF num boteco ao lado do Sérgio F. Lima e o Rafael Silva, e horas depois deixar todas as minhas economias nas mãos do Romullo Pontes? E neste sábado, qual será a minha reação ao rever a Gisele Honscha e conhecer a Fabiane Lima? Vou mais longe: o que teria sido da discutível declaração do Ian a meu respeito se eu estivesse em Belo Horizonte esses dias?

Pois bem, o que faz com que eu insista com esses encontros? As pessoas. Simples assim.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Paulo Leminski oculto

Parada Cardíaca

Essa minha secura
Essa falta de sentimento
Não tem ninguém que segure
Vem de dentro

Vem da zona escura
Donde vem o que sinto
Sinto muito
Sentir é muito lento

O poema acima representa uma gota d’água diante do oceano produzido por Paulo Leminski. Reconhecido como um dos escritores mais importantes do país – e verdadeiro ícone da capital paranaense, o ‘poeta marginal de Curitiba’, falecido em 1989, deixou sua marca em crônicas, prosas, ensaios, novelas, quadrinhos, letras de música, roteiros para cinema… E até poesias.

Pois acredite: a figura de Paulo Leminski surgiu durante uma visita ao Espaço Cultural Frans Krajcberg, no Jardim Botânico. Em meio a esculturas de cipós e troncos de madeira queimada – um verdadeiro clamor em favor da preservação da natureza, algumas fotografias de áreas devastadas, entre elas a que está reproduzida abaixo.

Agora repita a sugestão do guia turístico Fernando e observe atentamente a foto. Com pouco esforço, é possível enxergar Paulo Leminski, atrás da arvorezinha central, erguendo seu braço esquerdo.

Conseguiu? Não? Bom, talvez seja mais fácil observar o meu reflexo ao fundo…

(Postado em 28/04/2004. E neste fim de semana, tem mais Curitiba.)

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Profecia alvinegra

Você pode não acreditar, mas as palavras a seguir foram registradas há quase dois meses, logo após a vitória corintiana por 1 a 0 no clássico diante do São Paulo. Proferidas pelo meu amigo Cassio.

“O Corinthians vai cair para a segunda divisão, e o roteiro está muito bem definido. O time não só vai tropeçar nos jogos fora como vai perder pontos em casa”.

Dito e feito. O empate com Inter e Atlético-PR no Pacaembu, além das derrotas para Náutico e Flamengo fora de casa, deixaram-no ainda mais confiante em sua visão.

“Estou falando, o Corinthians é um time limitado, e vai perder pontos importantes. Olha só: vão empatar com o Goiás no Serra Dourada e ficar com aquela esperança de que vai se salvar. Só que aí vão empatar de novo, com o Vasco. Aí, na última rodada, vai pegar o Grêmio no Olímpico, louco pela Libertadores. Se depender desse jogo, já era”.

Devia ter publicado isso há mais tempo, logo depois do pênalti defendido pelo Felipe em Goiânia, mas enfim. Ainda dá tempo de concordar, especialmente após o alvinegro do Parque São Jorge ter perdido para os cariocas, mesmo com o Pacaembu lotado e animado.

Vou mais longe: na última rodada o Inter vai vingar 2005, dando uma força para o Goiás. Então continuaremos com quatro grandes clubes paulistas na primeira divisão: São Paulo, Palmeiras, Santos e Portuguesa.

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