Marmota, mais dos mesmos

Desde 2002, muito obrigado por nada.

Arquivos: setembro/2007

Colônia de Lugares Imaginários

Por Marmota | 30/09/2007, 23h13

Por Luciana, do blog Cintaliga

“Mas ora, vejam só, já estou gostando de vocês
Aventura como essa eu nunca experimentei!
O que eu queria mesmo era ir com vocês
Mas já que eu não posso:
Boa viagem, até outra vez.
Agora…
O Plunct Plact Zum
Pode partir sem problema algum”

Olha, quando eu era criança – um pouco mais criança, vai – ficava em uma creche de regime de semi-internato. Eu ia pra escola às oito da manhã e só voltava pra casa às seis da tarde. Meus pais trabalhavam e não confiavam em babás depois que a minha deixou meu carrinho rolar ladeira abaixo – eu tinha onze meses e estava dentro do carrinho.

Aquela creche era a minha verdadeira casa. Eu estudava, brincava, merendava, tomava banho, almoçava, fazia os deveres de casa lá. Só voltava pra minha casa real pra dormir e passar os fins de semana – e quando chegavam os fins de semana eu acordava cedo e pedia pra ir pra escola… E quando a gente saía de carro pra passear no fim da tarde eu pedia pra passar na frente da escola…

E quando chegavam as férias do mês de julho eu continuava a ir pra escola porque tinha COLÔNIA DE FÉRIAS!

Essas colônias de férias eram recheadas de passeios e tinham um cheiro de felicidade e um sabor inconfundível de sanduíche com patê e suco de tangerina. Hoje elas têm a cor da saudade e brilham serenas na minha memória.

Um dia eu queria ter uma escola. Uma escola digna onde meus alunos sentissem orgulho em estudar. Uma escola em que um passeio ecológico com a oitava série não precisasse ser adiado por falta de ônibus pra levar os meninos ao sítio. Uma escola onde se instigasse o sonho, onde se ensinasse o valor do sonho; mais: uma escola onde fosse permitido sonhar.

E aí, nessa minha escola que eu sonho, quando chegassem as férias de julho, a Sininho salpicaria pó de pirlimpimpim em todos e bastaria pensar em coisas boas para que saíssemos a voar… A voar, a voar, a voar!

De roupa verde na Terra do Nunca… Sempre atrasada no País das Maravilhas… De sapatinhos de rubi em Oz… Amiga do rei em Pasárgada… De volta para o futuro em Hill Valley… Jornalista em Metrópolis… Em preto e branco em Pleasantville… Tloc! pluf! nhoc! no Sítio do Picapau Amarelo… Dançando no baile do Reino das Águas Claras… À toda velocidade no batmóvel… Roubando dos ricos e dando aos pobres na Floresta de Sherwood… Jogando boliche em Bedrock… Amiga da Minnie e da Margarida em Patópolis… Amiga da Mônica e da Magali no Bairro do Limoeiro… Morando num abacaxi na Fenda do Bikini… Vendo o mundo a partir de Shangri-la… Donna Reed em Bedford Falls…

Desafiando o Capitão Gancho… Fazendo desaniversários… Amiga do Leão, do Espantalho, do Homem de Lata… Com o homem que quero na cama que escolherei… A bordo de um De Lorean… Indo pra Lua nos braços do Superman… De sombrinha vermelha… A fazer reinações com uma certa boneca falante… De capa preta… Flechando os inimigos… Com uma filha de nome Pedrita… Sobrinha do tio Patinhas… Prima do Louco… De calças quadradas… No Himalaia… Nos braços de George Bailey…

Sairíamos a voar tão alto que de repente acabaríamos naquele B-612 mais querido… Só porque lá mora um pequeno príncipe e uma rosa e esse blog é do André Rosa! ;)

PS – Existe um livro chamado Dicionário de Lugares Imaginários. Eu não tenho, mas quero um.

PS2 – Puxa, um autêntico Cintaliga no MMM! É bom dizer que tanto a escola onde eu estudava quanto a colônia de férias promovida lá sempre me deram a sensação de lar, de família. A mesma que esse blog causa em mim.

Enquanto Marmota se prepara para voltar a sua vida normal, a série Colônia de Férias termina aqui, após apresentar textos gentilmente preparados por seus amigos, esperando que todos tenham se divertido tanto quanto o viajante perdido na Europa!

No caminho da roça

Por Marmota | 29/09/2007, 23h58

Amsterda (Holanda) – Foram sete (ou oito) cidades. Duas delas eram velhas conhecidas. Outras duas, semi-inéditas. Oito deslocamentos programados por avião e trem. Longas horas registradas em fitas mini DV. Centenas de momentos recortados e armazenados em cartões de memória numa câmera digital (ao menos os que nao foram parar em maos alheias). Tudo que posso dizer agora é: caso tudo isso tenha dado certo, a essa altura estou a algumas horas distante do ponto de partida, após embarcar no vôo KLM KL0791, de volta para Guarulhos, São Paulo. Tanto eu quanto o Lello carregamos toneladas de malas e histórias, prontas para serem esvaziadas quantas vezes forem necessárias nas próximas semanas em todos os “bota-dentro” e rodinhas de amigos.

Isso significa que estas são as minhas últimas palavras (algumas sem acento) no velho continente. minhas próximas linhas já serão em casa, devidamente modificadas após este longo setembro sabático… Claro que não devo fugir dos velhos clichês: assim que tiver uma chance, viaje e aproveite durante quatro semanas como se fossem quatro anos. Sem pensar duas vezes. De repente, a sua vida pode até mudar.

Seguidos pelo Lula – A Carol brincou recentemente: “fala a verdade: vocês estão é acompanhando o Lula (com verbas do governo)”. Infelizmente, descobrimos ao acaso a presenca do nosso efelenfissimo presidente na Escandinavia. Isso porque esbarramos (sem querer) em um assessor do Itamaraty, em Copenhague. No ultimo dia 12, em Estocolmo, boa parte das instalacoes oficiais ostentavam bandeiras do Brasil – ate me senti importante! E na manha do dia 13, ligamos a TV e la estava Lula, falando de alcool (coisa que ele conhece bem). Bem que ele podia tirar alguns dias de folga e prosseguir o passeio com a gente.

Tecnicas de secagem – Quem conhece o hotel Formule 1 em Sao Paulo sabe o quanto ele consegue “salvar” noites de sono a precos bastante justos. Pois cai nesse conto do vigario ao reservar justamente ele em Estocolmo. Esquecam o chuveiro no quarto e a simpatia no atendimento: o F1 da capital sueca entra facilmente na lista dos piores hoteis que ja fiquei na vida. Em coro, comigo: nunca mais colocarei os pes naquela espelunca.

Uma das praticas mais sacanas deles: aluguel de toalha grande, por 50 krones suecos (mais ou menos seis doletas). Em compensacao, a toalha de rosto “fica como brinde”. Como a ducha coletiva deles se transforma em algo inutilizavel ao fim da noite, preferi secar meu corpinho esbelto usando a toalhinha. Ate que me sai bem, desde que utilizando tecnicas corretas.

Por exemplo: comecar sempre com a cabeca, usando apenas a ponta da toalha. Usar uns dois tercos (descontando a ponta) para os membros superiores, inferiores e dorso. Os dedos dos pes e as partes intimas merecem a outra ponta da toalha. Por fim, as costas, naquele velho estilo “estende e esfrega”. Obviamente, a toalhinha fica inutilizada. Mas ao menos consegue salvar a estadia.

Da proxima vez, vai ficar mais facil escolher um hotel. De qualquer forma, como diria Lello Lopes, paciencia.

Mudar faz bem – Em 2004 e 2005, usei e abusei da rede Easy Internet Cafe, que me parecia a melhor alternativa para conexao fora de casa. Para minha total decepcao, as duas unidades que encontrei no caminho (Amsterda e Atenas) estao simplesmente paradas no tempo. Tanto os computadores quanto o navegador sao os mesmos daquela epoca – toda vez que precisava usar as preciosas ferramentinhas Google movidas a Ajax, o computador travava.

Como todo castigo pra pobre parece pouco, nosso intrepido Lello Lopes ainda foi surpreendido por um trombadinha no Easy Internet Cafe de Atenas, na praca Syntagma. Servico ruim, com um desfecho ainda pior (felizmente, entre mortos e feridos, as perdas foram pequenas). Bem que a rede abobora poderia tomar como exemplo o Sidewalk Express de Estocolmo, sem duvida o melhor acesso que tivemos nas ultimas semanas. Ou mesmo os blogs do IB, que agora estao no IG: mudar faz bem, ainda que seja para continuar sempre o mesmo.

DataNara – De uma coisa, tanto eu quanto Lello temos certeza absoluta: em 25 dias fora de casa, caminhamos tudo que nao fizemos durante um ano inteiro. Nao consigo sequer quantificar os quilometros percorridos a pe – deixo para a sola do tenis e a batata da perna, ambas exaustas, a explicacao definitiva, sem usar qualquer palavra.

Em compensacao, outros numeros foram contabilizados atraves do nosso DataNara, central de estatisticas que pode valer como um belo resumo do que houve nos ultimos dias.

Cidades – 7 (8, vai)
Cidades com transporte publico eficiente – 8
Cidades sem escadas rolantes no transporte publico – 1
Cidades com Museus do Sexo – 5
Museus do Sexo visitados – 1
Outros museus – 0
Igrejas – 4
Teatros – 0
Cinemas – 1
Igrejas com cinema (!!!) – 1
Estadios – 7
Estadios fechados – 5
Jogos de futebol – 0
Tentativas frustradas de ir ao futebol – 1
Tentativas frustradas de ir a outro tipo de jogo – 1
Estatuas – 1
Estatuas que passaram a ser denominadas “Borba”, como o Bagulho Maravilha – 128
Acidentes de transito testemunhados – 3
Clones de Mohinder Suresh – 59
Clones de Michael Stipes – 2
Clones de Mika Hakkinen – 6 (todos na Escandinavia)
Clones de Irene Ravache em Belissima – 37 (todas em Atenas)
Torres – 2
Torres subidas – 1 (nao foi a Eiffel)
Compras perdularias – 65
Compras de presentes (tambem perdularias) – 13
Peso da mala (em kg) – 50
Baladas – 2
Gostosas vistas – 698
Gostosas rechonchidas (“Gordelicias”) – 338
Gostosas catadas – 0
Paixoes – 60
Paixoes correspondidas – 0
Conversas com estrangeiros – 15
Conversas com brasileiros – 28
Amigos reencontrados – 2
Trocadalhos do carilho – 601
Outras frases bobas e piadas afins – 512

Colonia de Ferias – Ah, sim: depois de passar algumas horas agradaveis na cidade homonima ao nosso “calhau”, tudo que me resta é agradecer imensamente a todos que emprestaram suas palavras para tomar conta deste espaco durante as ultimas semanas. Tenho certeza de que alguns visitantes vao sentir falta delas – afinal de contas, agora eu volto a despejar as mesmas bobagens de sempre todos os dias.

Quer dizer, ainda tem mais um textinho. O ultimo, neste domingo. Ate porque, depois de quase um mes caminhando pelo outro lado do Oceano Atlantico, finalmente chegou a hora de descansar um pouco.

Sobre o mundo e o tempo que temos

Por Marmota | 28/09/2007, 23h25

Por Lucia Malla, do blog Uma Malla pelo mundo

Meu amigo Marmota há alguns dias veio com essa proposta para mim pelo MSN: “Ah, você não quer escrever um post pro meu blog? O tema é o seu predileto: viagens.” Ao ouvir a palavra mágica, nem cogitei não aceitar o desafio. Afinal, depois da minha estréia esquecível no antigo endereço do blog dele (o texto foi uma experimentação maionesística), percebi uma chance de me redimir, falando daquilo que mais gosto. Dessa vez, não decepcionaria Marmota.

É claro, a conversa no MSN não parou por aí. Logo perguntei o por quê do texto, ao que o Marmota respondeu: “Vou tirar férias e quero publicar textos dos amigos nesse período”. “Vai viajar?”, perguntei curiosa. “Sim. Vou voltar a alguns lugares que adorei na Europa.”

Voltar a lugares marcantes. É interessante que Marmota tenha se decidido a fazer isso, porque em minha fome de novos lugares, raramente volto a lugares que não sejam os óbvios (a casa dos meus pais, amigos queridos, a minha casa, etc.). Não é por mal, eu gosto de reencontrar pessoas, mas se abstrairmos as mesmas da equação, em geral, quero conhecer novas paragens. Buscar o desconhecido para torná-lo memória é uma constante tão presente nas minhas viagens, que me peguei, depois de desligar o MSN, admirando a coragem do Marmota em fazer o oposto: renovar a memória vivida. E pensando nos lugares que eu realmente gostaria de voltar.

Mas antes explico. Eu acho o mundo muito grande e a vida muito curta para tantos lugares legais que existem. Mesmo se eu viver por 100 anos, não vai dar tempo de visitar/conhecer todos os recantos que eu quero (sonhar não custa nada). Esse é um fato óbvio, uma realidade “dolorosa” com a qual convivo dentro de mim. Sofro da síndrome do “eu-nunca-fui-quero-conhecer-pelo-menos-uma-vez-na-vida” – deve haver um nome mais chique para isso em medicinês. É uma espécie de ansiedade crônica pelas esquinas novas do mundo, uma tendência bastante involuntária em escolher viajar para onde nunca fui antes. A condição pode ser frustrante se mal-administrada porque, bem, não podemos conhecer o mundo todo mesmo.

De tal forma que toda vez que sonho em viajar, a vulga síndrome ataca, e a preferência sempre recai para um lugar novo. É claro, tenho uma lista de destinos “prioritários” (que só cresce…). São imprescindíveis no sentido mais profundo da minha paixão por lugares e motivação para eles não falta nunca – falta apenas a dicotomia tempo/dinheiro. Os desertos da Namíbia, os vulcões do Kamchatka, da Islândia, mergulhar em Fiji, ver as montanhas do Nepal e as construções de Brasília estão nesse bolo. Depois dos prioritários, vêm os que eu chamo de destinos “colaterais”, aqueles que eu quero conhecer mas aguardo uma desculpa (geralmente esfarrapada) para ir – um congresso ou uma visita a um amigo que se mudou para lá, por exemplo. Destinos que não são alvo absoluto dos meus sonhos e leituras, mas se vierem, bem, não vou desperdiçá-los. Portugal e Recife são bons exemplos nesse caso.

Mas depois da conversa com o Marmota, eis que decidi fazer a lista dos lugares onde quero voltar. Buscar a memória vivida. E outro dilema surgiu. Um lugar é, por definição, algo estático, mas as circunstâncias que a interação humana e/ou biológica geram o tornam organismos dinâmicos, com vida própria. E nós, viajantes, somos como “fofoqueiros” do planeta. Por onde passamos, vemos, fotografamos, depois contamos pros amigos, parentes, escrevemos cartas, postamos em blogs, compartilhamos aquela vida tão particular da cidade-organismo com o mundo. Sem pedir licença ao lugar: papparazzicamente. O Rio de hoje não é o Rio do Pan e não será o Rio do carnaval do ano que vem. Detalhes farão a sutil diferença, e cada lugar que a gente visita é uma fotografia estática de um momento determinado, e o lugar uma semana depois provavelmente não será mais o mesmo. As cidades escorrem pelos dedos no momento em que você as deixa para trás: elas se remodelam, adaptam-se e estão sempre de cara nova, por menores que sejam, mesmo àquelas que parecem paradas no tempo, como Caixa-Prego.

E temos que nos conformar com isso. A melhor terapia viajante para a mal-fadada síndrome que falei acima é encarar a realidade: você nunca conhecerá plenamente nenhum lugar do mundo. Seja porque você não terá tempo para conhecê-lo, seja porque você não conseguirá vivenciá-lo em sua plenitude por todo o tempo.

A memória vivida é efêmera. Não dá para a gente reviver. Estamos sempre acrescentando novas perspectivas, informações, emoções, e com isso modificando-a. De repente, então, fiquei feliz pelo Marmota: ele faz como eu, busca o desconhecido para adicioná-lo à memória. Apenas o faz de uma forma sistemática, mais estatística: aumenta o número de repetições, voltando aos lugares e criando uma imagem muito mais completa. Dando robustez à memória resultante.

E uma memória robusta de um lugar é, parafraseando o Poetinha, infinita enquanto dura.

Enquanto Marmota lamenta o quase-fim de sua jornada, a série Colônia de Férias apresenta textos gentilmente preparados por seus amigos,fomentando nossa necessidade em preservar tudo aquilo que gostamos.

Coisas para se fazer em Colônia

Por Marmota | 27/09/2007, 23h54

Colonia (Alemanha) – É, eu sei, mais um calhau. Mas este é especialíssimo, pois diz respeito a uma das regiões mais bacanas que já tive o privilégio de conhecer. A festiva cidade alemã é meu último destino após esse longo giro europeu, com um objetivo bem definido: dar um abraço em um amigo de infância, que conheci em 2005. Certamente não vai dar tempo de fazer nada do que escrevi em 21 de junho de 2006, fazendo referência a três semanas entre Bonn e Colônia, em outubro do ano anterior.

A Alemanha unificada tornou-se um destino repleto de opções. Qualquer cidade, mesmo entre as mais conhecidas até as pequenas surpresas, merecem atenção de qualquer turista. Em outubro passado, consegui passar por algumas delas, destaque para Bonn, Berlim, Potsdam e Munique. Cada qual com a sua razão para ser um lugar especial.

Mas nenhuma delas chega perto de Colônia. Talvez por ser a cidade mais “brasileira” do pais, com os seus seis mil imigrantes brazucas. E realmente, me senti em casa.

A influência dos romanos, fundadores da cidade há mais de dois mil anos, pode explicar essa diferença de comportamento em relação a outras regiões da Alemanha – aliás, é possível encontrar resquícios dos primeiros moradores em toda cidade. Graças a isso, Colônia tem o mais tradicional e conhecido Carnaval do país – mais uma razão para os brasileiros ficarem bem à vontade. Os foliões começam a reinar às 11h11 do dia 11 de novembro, e promovem a “quinta estação”, como a festa é chamada na cidade, até a quarta-feira de Cinzas.

Mas mesmo fora dessa época é possível se sentir num “carnaval”: os cidadãos de Colônia fazem questão de mostrar que estão um passo a frente de seu tempo. Prova disso é a estatística que ouvi por lá (mas que não pude confirmar): aproximadamente 40% de seus habitantes são assumidamente homossexuais. Independente dos números, basta uma caminhada pelos arredores da Neumarkt, onde ficam as grandes lojas e centros comerciais, para identificar a diversidade de tipos. Essa filosofia aberta e tolerante a muitos estilos de vida é o grande atrativo não apenas para brasileiros, mas para centenas de nações que formam um sentimento de comunidade louvável num país com histórico de segregações e imposições raciais.

Toda efervescência de Colônia também reflete na mídia: editoras, gravadoras e outros veículos de comunicação estão lá. Durante anos, a cidade foi sede da MTV nacional – hoje, a cidade ainda é a base para outro canal musical europeu, a VIVA, além da Westdeutscher Rundfunk – a WDR (lê-se VDR), a maior emissora de rádio e televisão privada da Alemanha e responsável pelo Liga Live, transmissão simultânea de todos os jogos no rádio, e o Sportschau, programa de TV pós-rodada de futebol mais popular do país no sábado – dia mais importante da Bundesliga.

Um tom contemporâneo que contrasta com sua história, cujo maior símbolo surpreende logo nos primeiros passos de qualquer um que deixa a Hauptbahnhof, estação central de trem, e alcança a praça da da espetacular catedral.

As torres da catedral, a maior da Alemanha, são um excelente ponto de referência, já que podem ser vistas em muitos pontos da cidade. Foram necessários 632 anos para a obra em estilo gótico ficar pronta (entre 1248 e 1880), e como muitos monumentos sagrados, passou ilesa pela II Guerra Mundial. Em comparação com as demais atrações da cidade, a Koln Dom realmente só perde em imponência para o Rio Reno.

A praça que separa a estação central e a catedral é um bom ponto de partida para descobrir a cidade. O da Museu Ludwig, onde está a segunda maior coleção de Picasso do mundo, fica bem ao lado. Descendo em direção ao Reno, muitos bares e as “bauhauser”, onde é possível tomar a kolsh: cerveja pilsen de paladar suave servida em copos curtos, marca registrada da cidade.

Outros museus, igrejas e sinais da colonização romana, além das grandes lojas e centros comerciais ficam do mesmo lado do Reno – entre elas a da perfumaria 4711, casa da original Água de Colônia. Além das tradicionais galerias Kaufhof e Karstadt (passagem obrigatória), dá para aproveitar os baixíssimos preços da rede de lojas Tchibo (que vende absolutamente tudo), a livraria Mayersche (espécie de Fnac alemã) e o sensacional Media Markt, referência em equipamentos eletrônicos na Alemanha e em outros países.

Tudo isso de um lado do Reno, mas isso não significa que não valha a pena atravessar a ponte. Um dos pontos mais deliciosos da cidade é o Museu do Chocolate, mantido pela fabricante Stollwerck. Além da “fantástica fábrica” mais tradicional, onde é possível acompanhar o processo de fabricação (e ainda experimentar o produto final), painéis contam a história do cacau e da marca.

Perto dali, outro museu interessante, especialmente para os fãs de esporte: o Museu Alemão de Esporte e Olimpíadas traz muitos objetos interessantes sobre várias modalidades. No andar superior, é possível colocar o que se viu exposto na prática: apesar do espaço reduzido, é possível bater uma bolinha – seja ela de futebol, tênis, vôlei ou basquete. Tudo com uma bela vista do Reno.

Falando em esportes, localize-se na cidade, pegue o metrô até chegar na linha 1 e desça na estação ao lado do Rhine-Energie Stadion. Quem chegar lá pode se perguntar o que são as construções que ficam logo adiante. Ali fica a sede da Universidade de Esportes da Alemanha. Uma estrutura invejável dá a nítida visão de como o país dá valor ao esporte: ginásios, quadras, piscinas e a maior biblioteca sobre o assunto em toda a Europa, dando condições aos alemães para aliar teoria e prática para disciplinas como natação, ginástica e até mountain bike.

Com o futebol não é diferente: ao lado da faculdade fica ainda a escola de treinadores, de onde sai a elite dos técnicos germânicos. O país mantém uma estrutura rígida: além de formados, todos os comandantes dos clubes da Bundesliga precisam, além do diploma, de muitos anos de experiência comprovada.

Tanta teoria reflete na paixão dos cidadãos da cidade pelo esporte. Mesmo rebaixado na Bundesliga nesta temporada, o 1. FC Koln é uma das equipes mais tradicionais do país, e independente da fase, seus torcedores costumam lotar o estádio. Capacidade máxima de fãs apaixonados também no inigualável Kolnarena, o moderno ginásio poliesportivo e casa do Kolner Haie, equipe de hóquei sobre o gelo. Imagine qualquer modalidade diferente do futebol com público acima de 15 mil pessoas num jogo de temporada…

Eu e meus amigos demos sorte aos “tubarões”, no jogo do dia 23 de outubro, contra o Krefeld Pinguine. Uma partida complicada: os pingüins venciam até o fim, quando os donos da casa empataram e levaram a decisão para a morte súbita. No fim, vitória do Haie por 5 a 4. Vibrante e inesquecível como a própria cidade.

Pra onde você quer ir agora?

Por Marmota | 26/09/2007, 23h47

Por Fabiane Lima, do blog Megalópolis

Eu sempre digo que a melhor parte de uma viagem é a estrada. Mais ou menos como naquela pérola da auto-ajuda que diz que o importante é a jornada e não o fim dela, ou coisa que o valha. A verdade é que apesar dos possíveis transtornos que uma viagem possa causar (a menos que você seja o Viajante Mastercard e tenha crédito ilimitado em seu cartão para resolver qualquer pepino), acredito que a maioria das pessoas gosta dessa mudança de clima, de ares, lugares e situações.

O problema é que alguns lugares são praticamente impossíveis de serem conhecidos, e nem com todo o gordo orçamento de uma campanha publicitária com pretenções virais é capaz de nos levar. Digo praticamente, porque teoricamente – leia-se “viagem na maionese” – é possível sim. Quem nunca se pegou imaginando como deve ser ir pro…:

- País das Maravilhas
Lewis Carrol, se não era doido de pedra, tinha alguns problemas mentais. Estudiosos procuram analisar e tentar descobrir os significados ocultos de sua obra há anos, mas é inegável que o lugar por onde o Coelho Branco conduziu Alice deve ser bacanudo, ninguém duvida. Um verdadeiro parque multi-temático!

- Beleléu
Pode parecer estranho, mas eu tenho uma curiosidade absurda de conhecer onde fica, afinal é pra lá que vão todas as coisinhas que perdemos. Guarda-chuvas, canetas Bic, meias, clips, elásticos de cabelo, vão tudo parar no Beleléu. Reencontrar algumas dessas peças pode trazer boas lembranças; já outras nem tanto, devido ‘as saias-justas que por vezes passamos quando algo importante vai pro Beleléu.

- Milliways, o Restaurante no Fim do Universo
Esse é um lugar que saiu da mente genial do falecido escritor inglês Douglas Adams. Lá, é possível descobrir como afinal essa Mistureba Generalizada de Todas as Coisas que chamamos de Universo vai acabar, proavelmente sem saber qual é a pergunta da Questão Fundamental a respeito da Vida, do Universo e Tudo o Mais, cuja resposta é 42. E se você não aguentar ver o fim de tudo sóbrio, tem uma Dinamite Pangalática para aliviar os sentidos, que não vai fazer diferença nenhuma já que ninguém vai entender nada mesmo.

- Castelo Rá-Tim-Bum
Quem viveu sua infância na década de 90 vai lembrar desse. Um castelo escuro por fora e colorido por dentro, com um menino bruxo de 300 anos de idade (sem essa de Réri Póta), que passa o tempo todo se divertindo com três amigos. Conversam com a cobra Celeste – que veja só, mora no tronco de uma árvore no centro do castelo -,com um gato de biblioteca, têm de aturar as “gargalhadas fatais” de um monstro que vive nos encanamentos. Além disso, têm à disposição uma bruxa gente fina pra lhes ajudar, caso um certo Doutor que só fala Abobrinha venha lhes importunar.

Infelizmente, esses são lugares em que dificilmente alguém conseguirá ir. O lado bom é que esse negócio que equilibramos sobre nossos pescoços não serve só pra se ocupar com as nossas preocupações do dia-a-dia. Mesmo sem poder ir fisicamente, ainda dá pra fechar os olhos e fugir um pouquinho dessa rotina louca que a gente vive.

Enquanto Marmota está prestes a concluir seus deslocamentos, a série Colônia de Férias apresenta textos gentilmente preparados por seus amigos, que sem poder frequentar os lugares mais distantes, felizmente estão sempre por perto.

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