Marmota, mais dos mesmos

Desde 2002, muito obrigado por nada.

Arquivos: agosto/2007

E não é que o BlogDay pegou?

Por Marmota | 31/08/2007, 16h40

Em 2005, o israelense Nir Ofir teve uma idéia bacana. “Nos últimos meses, eu senti que, a medida em que surgem mais blogs, perco menos tempo com eles. Com o excesso de informações, visito apenas meu blog favorito. Então por que não incentivamos nossos visitantes a conhecer novos blogs?”. Poderia ter escolhido qualquer dia do ano, mas optou pelo 31 de agosto por razões semióticas: em inglês, 31-Aug vira 31-Og, que vira 31OG – já dá pra ler a palavra blog escondida ali?

Em 2005, Nir Ofir lançou a idéia em um sitezinho vagabundo construído a toque de caixa no Wikispaces. Chamou a brincadeira de “blogday”, e como toda comemoração que nunca havia sido feita, chegou até mim repleto de questionamentos. Afinal, se alguém quisesse inventar o “dia mundial do blog”, as possibilidades eram muitas. Antes do israelense bolar sua data, já existia o International Weblogger’s Day, onde desde 2004 a comunidade comemora o fato de muita gente se mobilizar diante de assuntos palpitantes, transformando até mesmo a forma na qual o povo se informa e distribui informações. A data escolhida: 14 de junho.

Vou mais longe: o criador do termo “weblog”, o norte-americano Jorn Barger, citou a palavrinha pela primeira vez em dezembro de 1997, época em que BBSs, fóruns, newsgroups e afins já promoviam conversações na rede. Daria pra usar o 17 de dezembro, data do primeiro post, como data simbólica.

Mas enfim, até agora o “dia internacional do blog” era apenas um conjundo de boas idéias, mas que só faria sentido com alguma continuidade, algo como “opa, então combinamos assim, esse será o dia e todo ano vamos fazer o mesmo ritual”. Até imaginei que, no auge das sacadas geniais, algum cururu elaborasse o genial e criativo “dia nacional do blog”. De qualquer forma, o BlogDay do Nir Ofir pegou: foram 300 indicações no Technorati em 2005, e quase o dobro no ano seguinte. Nem imagino quantas virão agora.

Independente disso, é fato que diariamente surgem iniciativas do gênero “coloque links pra cinco blogs bacanas”. Entre as inúmeras, duas fizeram um bom barulho aqui recentemente: o “Thinking Bloggers Award” e o “Power of Schmooze” (que me fez lembrar de Shmoo, A Foca Fofa, mas isso é outra história). Óbvio que essa “lincagem” toda compõe a essência da blogosfera, mas deixemos a ingenuidade de lado: essa necessidade em fazer troca-troca reflete apenas a necessidade dos envolvidos em galgar posições em mecanismos de busca.

A coisa é descarada, a ponto da maior fonte de receita blogueira enfatizar uma de suas regras de boa conduta, punindo seus afiliados que fazem “escambo de links” em excesso. É aquilo que eu sempre defendi: um link neste blog indica algo que encontrei e gostei, e não representa em hipótese alguma um pedido de troca. E vice-versa: se você faz referência a quem não te cita e recebi link de pessoas diversas, não há problema algum.

Assim sendo, ignore as famigeradas “parcerias” e vamos comemorar o BlogDay. Parabéns! Êêêêêê!

As instruções são as mesmas dos anos anteriores: encontre cinco novos blogs que você acha interessante. Preferencialmente de países, áreas de interesse, ponto de vista e atitude diferentes do seu (não é obrigatório). Recomende-os em seu blog, sem esquecer de linkar a tag para registro no technorati (http://technorati.com/tag/BlogDay2007) e o site do projeto (http://www.blogday.org). Ao fazê-lo, escreva uma descrição. A postagem deve ser feita neste dia 31 de agosto.

Então vamos lá.

- Fator W: Não acredito que você não conheça esse. O W é de Walmar Andrade, jornalista especializado em assuntos de enorme interesse a qualquer um que se meta a brincar de Internet: acessibilidade, arquitetura de informação, usabilidade, conteúdo, design, SEO… Ah, francamente: não há lista de blogs sem aquele óbvio, que todo mundo já viu.

- Laurinha muda de idéia: Faz mais de um ano que eu não vejo a Laura, o que considero imperdoável. Não cometa esse mesmo despautério e acompanhe seu registro de idéias, comentários musicais e cinematográficos… Antes que ela mude de idéia novamente e acabe com mais um blog – seria o 28º ou 49º desde 2001… Ah, é por aí.

- Sítio do Sérgio Léo: Você deve conhecer uma porção de blogs mantidos por jornalistas (e se chegou até aqui, é porque conhece ao menos um). Este chama a atenção não apenas pelos textos claros e contextualizados, ou pelos comentaristas que mantém o nível do debate… Mas pelo seu perfil. O que ele já fez até se tornar colunista do Valor é de tirar o fôlego…

- Limão Expresso: Confesso que, quando entrei pela primeira vez no blog da Priscilla Santos, fiquei assustado: o que diabos ela quer dizer com aqueles textos feitos pra ninguém entender? Ela mesmo explica que, por mais estranho que possa parecer, existe sempre um contexto… O fato é que ela consegue transformar sinais gráficos em sentidos, e isso é muito interessante.

- Vida de astrônomo: Já se perguntou em algum momento que fim levou o autor daquele blog que sumiu? Conheci o blog do Hemerson Brandão e sua forma clara de lidar com o céu e seus astros ainda nos tempos de Blogger Brasil. Ele sumiu por um tempo, mas está de volta, com direito a uma revista eletrônica sobre astronomia.

E ano que vem tem mais, hein?

Meu futuro é ser um proto-escritor

Por Marmota | 30/08/2007, 23h18

Talvez perca alguns pontos com você diante do que pretendo confessar aqui: há uns três anos, comecei a escrever uma série de histórias. Juntas, poderiam ganhar a forma de um livro. Sem qualquer pretensão: cada capítulo descreveria, de maneira tragicômica, um dos meus relacionamentos amorosos frustrados. Tenho material para uns quinze. Já me arrisquei a rascunhar uns seis, e algo me diz que, se a idéia fosse mesmo levada a sério, teria que viver mais para escrever uns cem.

Pois esse desejo adolescente passou por um duro golpe assim que eu terminei de ler O Cabotino, do Paulo Polzonoff Jr. Mesmo com a advertência inicial sobre o tom das palavras usadas neste manual de “anti-ajuda” para escritores, confesso que passei mal. A idéia da minha história, segundo ele, é a mesma de uma centena de indivíduos medíocres, que estão degradando a nossa literatura com suas histórias de vida sem importância, poesias concretas ou quaisquer textos herméticos absolutamente descartáveis. Por mais que eu não vislumbre uma noite de autógrafos para reunir os amigos e lançar meu modesto livrinho, fui realmente convencido de que meu esforço seria uma tremenda perda de tempo.

Mas eu sou um sujeito persistente. Não queria desistir. Corri para a livraria e tratei de pegar um antídoto aos conceitos de Polzonoff. Achei um que tem a cara do meu pretenso “worst seller”: chama-se Ria da Minha Vida Antes que Eu Ria da Sua, de Evandro Daolio. Atenção para o detalhe que faz toda a diferença: trata-se do volume três, “A busca de um grande amor”. Significa dizer que o autor já lançou dois livros que, juntos, reúnem seus tropeços do dia-a-dia – o último deles, com mulheres. Uma espécie de “blog impresso”, de linguagem direta e coloquial, com o nobre intuito de se tornar uma lição de vida para nós, pobres mortais.

Fico imaginando a reação de um lendo o livro do outro. Provavelmente, os dois chorem – cada qual com suas razões…

Enfim. Logo nos primeiros capítulos, Daolio conta que precisou dar carona para alguém que mora “num lugar horrível, onde era preciso cruzar a Radial Leste para chegar”… Ou seja, aqui perto da minha casa. Independente dessa falta de respeito aos moradores da periferia, o negócio é um sucesso! O cara arrebatou fãs no país inteiro, vendeu milhares de livros e reúne centenas de admiradores em seus encontros e palestras. Tudo sem usar um pingo de ficção, apenas contando a verdade.

Mas o que é, afinal, a verdade? Certa vez, Moacyr Scliar contou outra de suas histórias extraordinárias e concluiu, sempre escolhendo as palavras como um bom artista, que a verdade é relativa para quem trabalha com a arte de escrever, pois ela surge invariavelmente da imaginação. Como se um bom escritor fosse, em linhas gerais, um mentiroso com papel e caneta nas mãos. Mais uma vez, é tudo uma questão de palavras… Sempre elas, as ferramentas de trabalho para a literatura.

Basicamente, isso quer dizer que Polzonoff tem razão. Pessoalmente, estou mais perto do estilo Daolio de escrever, a alguns anos-luz de Moacyr Scliar, onde dificilmente vou cheguar. Talvez me contente em ser apenas um proto-escritor e exportar meu livrinho para um arquivo PDF e espalhar pela Internet, tornando-se efêmero como a rede para a maioria. Ou com alguma importância para um incauto qualquer. O esforço já terá sua validade.

(Postado em 05/03/2004. E quando o PDF sair, esta será a apresentação.)

A desvantagem de comprar roupas com pressa

Por Marmota | 29/08/2007, 17h18

Se há uma coisa que não costumo fazer com frequência é comprar roupas. Meu ritual básico – escolher uma única loja; separar calças, camisas, meias e roupas íntimas; provar algumas e descartar o que for à prova de gordos; pagar e sair – acontece no máximo duas vezes por ano, durante poucos minutos. Sem essa de passar o dia batendo perna em ruas especializadas ou num shopping center. Também não me importo em passar dias, meses, anos… Com os mesmos panos de sempre.

Esses dias, no entanto, descobri um problema nesse trivial procedimento semestral. Apertei minha agenda e consegui executá-lo em tempo recorde: entrei na loja lá pelas três da tarde, fiz o que precisava fazer e corri para a labuta, às quatro. Foi só colocar os pés no elevador e pegar o celular, para tirá-lo do modo silencioso (padrão em trânsito) e constatar dez chamadas não atendidas.

Uma era da minha casa. As outras nove eram de um número desconhecido. Havia ainda uma mensagem de voz, que ouvi assim que chegava ao meu posto de trabalho: “Oi, é a Gertrudes, vendedora aqui da loja… Mil desculpas, senhor, mas a moça do pacote separou suas cuecas, mas esqueceu de colocá-las na sacola…”. Puxa vida, hein? E a Gertrudes me pareceu tão atenciosa, inclusive entregou minhas compras em mãos e me acompanhou até a porta… Jamais imaginaria que ela pudesse cometer um lapso desses.

Mas não acaba aí. Antes de retornar o telefonema da loja, tratei de acionar a base central e tranquilizar minha mãe. “Meu filho, ligou uma tal de Gertrudes aqui, desesperada, querendo o número do seu celular. Ela não queria me dizer pra quê era, mas logo me contou. Como assim esquecer as cuecas? Só você mesmo, sempre com a cabeça na lua… Imagina que a vendedora chegou a anunciar seu nome no shopping, de tão preocupada!”.

Minha nossa! Então uma atitude simples para ganhar algumas horas fez com que eu perdesse a primeira oportunidade de ouvir algo como “atenção, senhor André, favor procurar com urgência um funcionário deste estabelecimento”. Droga. Preciso começar a sair com pessoas normais e aprender com elas os prazeres da perda de tempo em vitrines e mostruários. Minhas cuecas perdidas no balcão agradeceriam.

Cinco polêmicas recorrentes no jornalismo esportivo

Por Marmota | 28/08/2007, 23h03

Sempre vai existir um idiota metido a esperto dizendo que “essa imprensa esportiva futebolística vive da repetição das mesmas pautas e enfoques, ao contrário das outras editorias, e por isso é um saco”. Provavelmente essa turma não conheça nenhum torcedor apaixonado, daqueles que imprimem e preenchem tabelas inteiras dos mais variados campeonatos do planeta; assistem aos tradicionais (e às vezes enfadonhos, admito) programas de domingo – daqueles que enchem o saco da emissora quando decidem tirar a mesa-redonda do ar; mandam cartas e e-mails ao apresentador, repórter, narrador ou comentarista como se fossem amigos de infância, lembrando daqueles momentos áureos em que tudo era melhor.

Para o bem de quem trabalha no meio, o perfil da imprensa esportiva não é o mesmo de dez, vinte anos. Aquele boêmio que frequentava estádios, vestiários e bares na mesma proporção – o que culminava com a pecha de “jornalismo menor” ou simplesmente “a escória” – praticamente sumiu das redações. Hoje o bom profissional não é apenas aquele sujeito que cresceu com a bandeira e a camisa do clube mas nunca teve jeito com a bola. Mas além de acompanhar desde a Série A do Campeonato Brasileiro até o Mundial Sênior de canoagem slalom, também lê poesia, vai ao cinema, se interessa pelo julgamento do mensalão ou a crise no mercado subprime norte-americano… Resumidamente, é um sujeito antenado, que saiba contextualizar e interpretar informações relevantes.

Sob o olhar de quem consome notícia esportiva, essa diferença poderia refletir no dia-a-dia, ressaltando a real importância social do esporte. Mesmo quando temos a chance de abrir os olhos e conhecer o mundo maravilhoso das outras modalidades (como foi no Pan há pouco e será nas Olimpíadas daqui a um ano), ou mesmo quando a imprensa revela o descaso com políticas públicas e mostra a dura realidade dos poucos (mas bons) exemplos de projetos sociais… Nada disso é capaz de mudar aquilo que realmente vende jornal: o dia-a-dia do seu time, assunto preguiçosamente simples de se conversar e verdadeiro elo de contato entre qualquer classe social. Afinal, o que é mais fácil perguntar ao porteiro: “você viu o que as confederações fizeram com a verba da Lei Agnelo-Piva?” ou “e o Peixão, hein?”.

Se no dia-a-dia o brasileiro adora dar palpite a respeito dos lances, placares, transferências de jogadores, essas coisas todas que estão na pauta de quem está no estádio, na rua ou no bar, os debates ficam mais acalorados quando envolve temas mais polêmicos – artifício usado por muito cronista que não sabe nada, mas sempre dá opinião. Para alegria dos consumidores apaixonados, os cinco assuntos mais palpitantes (que dificilmente vão deixar de aparecer) costumam ser:

#5 Mortes – Infelizmente é o tipo de episódio que está se tornando cada vez mais comum. Em 26 de junho de 2003, o camaronês Marc-Vivien Foe, daos 28 anos, apagou durante a semifinal com a Colômbia, pela Copa das Confederações daquele ano, na França (aquela que o time do Parreira foi eliminado na primeira fase). No dia 27 de outubro de 2004, São Caetano e São Paulo se enfrentavam no Morumbi. O zagueiro Serginho fez o povo brasileiro descobrir o significado da palavra “desfibrilador”. Ainda assustados, vimos o húngaro Miklos Feher, do Benfica, sofrer um problema cardíaco diante do Vitória de Guimarães, em 25 de janeiro de 2005.

As notícias envolvendo atletas que morrem em jogos ou treinos de qualquer modalidade, cirurgias como as dos atacantes Washington e Fabrício Carvalho ou a do lateral Chiquinho (inclusive com longos afastamentos) costumam acompanhar depoimentos de especialistas sobre prevenção de acidentes, avaliações médicas criteriosas, denúncias envolvendo negligência de clubes e estádios, questões envolvendo os limites do homem… Tudo isso deve voltar esta semana, por razões que ninguém gosta de saber: neste 28 de agosto de 2007, o futebol viu mais uma vítima, o espanhol Antonio Puerta, de apenas 22 anos (Tava “Adriano”, felizmente o Zeh Oliveira viu a minha mancada. Obrigado!). Salvo graças ao desfibrilador, não resistiu após tres dias internado.

#4 Cartolagem – Qualquer moleque de doze anos vestindo a camisa de seu time sabe: os clubes aproveitam mal suas marcas, descuidando da imagem em vários aspectos. Torcedor é o único tipo de consumidor que é tratado como gado ao acompanhar seu produto, mas ainda assim continua consumindo. Talvez por conta da inércia (ah, está bom assim) os cartolas simplesmente ignoram qualquer iniciativa para fidelizar aficcionados e capitalizar um bocado.

São poucos os cartolas que buscam se desvencilhar do rótulo “amadores”. Mas mesmo estes, que tinham tudo para se considerar exemplo, vez ou outra reclamam do regulamento mal feito, mesmo depois de ter assinado. A outra espécie não pensa duas vezes na hora de cometer deslizes: demitem, contratam, apelam para o tapetão, entram na justiça comum, mudam estatuto, fazem política… Ah, os problemas? Deixa pra lá, o dinheiro do povo que virá pela Timemania vai resolver todos os problemas. Ah, sim: a festa das decisões com pouco (ou nenhum) interesse coletivo se repete com muito mais facilidade nos outros esportes.

#3 Violência – Tudo já foi dito e discutido a respeito do assunto. As cores da camisa se transformam na “pátria”, na “religião”, na “gangue”… Enfim, qualquer organização coletiva encontrada com facilidade pode servir de exemplo para a sua pequena, porém estrondosa, representação da sociedade similar ao de Bagdá, mas em um estádio de futebol. Sejam quais forem os motivos, nenhum deles justifica uma guerra: ideal separatista, petróleo, dinheiro… No caso dos manés que saem de casa predispostos a arrumar confusão, não existe razão alguma.

Em São Paulo, o fim das torcidas organizadas diminuiu as brigas dentro das arquibancadas, mas não acabou com a animosidade dos torcedores. Mais do que isso: a alma das agremiações permanece viva em algumas escolas de samba oriundas das torcidas, transformando cada Carnaval em um temor. Cenário reforçado pela palavra “impunidade”, que um dia já foi forte o suficiente para representar alguma atitude. Hoje não passa de demagogia. Talvez sejam necessárias dezenas de gerações reeducadas para que o inimigo eterno torne-se simplesmente adversário durante 90 minutos.

#2 Doping – Mesmo antes dos atacantes Dodô, do Botafogo, e Alex Alves, do Juventude, serem enganados por uma empresinha vagabunda que colocava sibutramina em inofensivos remédios para emagrecer (aliás, misteriosamente, apenas o primeiro foi absolvido), o esporte sofre com esta praga. Sempre que o tema vem à baila, lembro de uma antiga entrevista do médico Júlio César Alves (carinhosamente chamado por alguns de “Doutor Bem Louco”) na ESPN Brasil, em 2002.

Na época, disse uma porção de coisas que deixam qualquer entusiasta do esporte com o cabelo em pé: quem sobe ao pódio em grandes competições internacionais está dopado, seja qual for sua nacionalidade. Além do futebol, o atletismo, a natação e o ciclismo aparecem com frequiência entre as modalidades contaminadas. Ma o doutor Alves vai além: enquanto os sistemas antidopagem evoluem, a “indústria do mal” acompanha, preparando substâncias proibidas que saem do organismo em poucas horas. Sem falar no doping genético – aliás, já disse isso antes. Será que, para o Brasil virar potência olímpica, só tomando uma?

#1 Arbitragem – Faça uma busca simples usando as palavras perde, reclama e arbitragem. Assustado com a quantidade de ocorrências? É porque a cada final de semana alguém se sente prejudicado. Claro que, do outro lado, os favorecidos continuam quietos. Mas enfim. Notícias dão conta de árbitros afastados, preparação malfeita, desconcentração (com direito a celulares no vestiário do juiz durante o intervalo!), sem falar na bandeirinha que, depois de dois erros grotescos, praticamente foi banida (apesar que a própria “se baniu” ao ajudar o Ian a criar um dos posts de maior audiência da Internet brasileira).

Salvo casos absurdos como o esquema envolvendo Edílson Pereira de Carvalho (que tirou o legítimo título brasileiro de 2005 das mãos do Inter), eu torço para que jamais parem de reclamar da arbitragem. Afinal, errar é humano, e os erros fazem parte do esporte. Daqui a pouco, a Fifa inventa e estraga a brincadeira, autorizando o uso de câmeras ou bolas com chip. Ou pior: tratam de ouvir aquele médico espanhol, que certa vez disse que é humanamente impossível o ser humano marcar o impedimento corretamente.

A propósito, o Idelber já perguntou uma vez se valia a pena acabar com a lei do impedimento. Na época, lembrei a ele que, quando o vôlei mudou sua regra básica – a vantagem deixou de existir, qualquer bola é ponto – os jogos ficaram mais curtos e interessantes para a TV, mas as equipes mudaram seu estilo de jogo: os atletas mais técnicos foram substituídos por verdadeiras marretas. Se o impedimento acabar no futebol, os times vão jogar com a banheira a seu favor. E vai ser banheira e chuveiro. E a Irlanda será o país do futebol…

Não quero pensar nesse futuro sombrio. Melhor convivermos pacificamente com os amantes das mesas-redondas dominicais, vai.

Essa porcaria chamada blog

Por Marmota | 27/08/2007, 23h52

Esses dias reencontrei meu irmão gêmeo Adilson, em mais uma empolgante etapa do nosso torneio interno de boliche. Mais magro e disposto, o rapaz que um dia criou o saudoso Final do Fuzo estava como sempre: acostumado a observar o mundo e estabelecer pontos de vista de forma estritamente emocional, transformando seus conhecimentos e julgamentos em conselhos. Num impulso natural, transmite todos eles com muito afinco, deixando sua marca pessoal por todo lugar onde passa. E foi assim nesse rápido diálogo que tivemos:

- Cara, você precisa parar de imaginar coisas e ficar perdendo seu tempo com coisinhas.
- Como assim?
- Quero dizer que você precisa aproveitar melhor o seu tempo livre e parar de inventar bobagem.
- Peraí, Adil. Eu aproveito muito bem o meu tempo livre!
- Sei… Percebo isso… Pelo seu blog! (emendando com um sorriso irônico)
- Pô, Adil, você sabe perfeitamente que eu não perco tempo com ele! Praticamente tudo que eu coloco lá é feito com antecedência, num fim de semana…
- Tá vendo? Devia aproveitar melhor o seu dia de descanso! Cara, você trata as imagens, faz desenhinhos… Para de pensar naquilo! Todo dia você fica com a obrigação de escrever alguma coisa…
- Não é bem assim… Já fiquei alguns dias sem escrever nada.
- Claro… Uns dois dias! Hahahahaha!

Poderia ficar horas argumentando com o Adilson, salientando a importância que eu dou para este espaço e fazer questão de lembrar que existe vida fora dele. Felizmente, conheço bem o meu amigo. Tanto que costumo ouvi-lo, não apenas por saber da sua capacidade: sei o quanto ele se esforça para ter seu talento e dedicação reconhecidos e, com isso, manter sua auto-estima lá em cima.

Agradeço ao fato do Adilson ser um sujeito compenetrado e, ao mesmo tempo, não ter lido este artigo de Luís Antônio Giron, que define blogs como sendo insetos, elementos sem cérebro que se espalham pela grande rede. Se ele estivesse de mau humor e com vontade de usar alguns trechos do ensaio, publicado na Revista Bravo em 2002 e agora no Digestivo Cultural, talvez o nosso diálogo ficasse um tanto quanto ríspido:

- Cara, você ainda perde seu tempo com aquela porcaria?
- Como assim?
- Quero dizer que o seu blog, assim como todos os outros, são como baratas internet adentro, inclusive com cérebro de inseto! (emendando com uma cara amarrada)
- Peraí, Adil. Sei que não sou nenhum Luís Fernando Veríssimo, mas não se esqueça da liberdade de expressão…
- Sei… Percebo isso… Tanto você quanto outros manés que ficam blogando o dia todo, morando na rede, transmitindo notícias e boatos, exaltando o palavrão e a gíria, embaralhando expressão com opinião e diálogo, correndo o risco de degenerar em monólogos lunáticos!
- Pô, Adil…
- Pô o cacete! Você se esconde atrás de um apelido, como as garotas ousadas dos anos 90… Igual aqueles que usam essa máscara para enxovalhar a vizinhança. E quer saber? Estes se tornam os mais visitados. Acho ruim quando alguns faltam com a ética. Mas talvez o que mais falte a esse bando é talento!
- Minha nossa…
- Relaxe, não é o seu caso. Aquilo não passa de um blog feito por um jornalista responsável, que aliás, percebeu que se daria bem ao olhar a concorrência nerd…
- Tá bom, Adil. Já entendi. Mas você sabe que eu sou teimoso e…
- Sabe também que a internet jogou os meios de informação na vala comum, o livre pensar trouxe fatos cada vez mais bizarros e a realidade perdeu o pé no universo virtual. Vai chegar a hora em que talvez tenhamos de nos converter em gonzos e nos aturarmos uns aos outros…

Pode ser que o Adilson nunca atinja esse grau de mau humor… Mas antes que ele (ou qualquer um) venha discutir a utilidade deste espaço, é bom lembrar que estamos todos descobrindo como isso funciona, aos poucos. Sem falar que, não fosse por ele, talvez jamais pudesse conhecer amigos, entre outras pessoas maravilhosas. Ou ainda em relações profissionais, que ajudam a pagar as contas da casa. Culpa dessa “porcaria”…

(Postado em 25/08/2003. Felizmente, essa imagem parece ter mudado um pouco. Atulizado: o Julio Daio Borges avisa: o Giron hoje tem um blog. Sinal que a imagem realmente deve ter mudado mesmo.)

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