Marmota, mais dos mesmos

Desde 2002, muito obrigado por nada.

Arquivos: maio/2007

Parceria com o meu blog? Não, obrigado.

Por Marmota | 31/05/2007, 15h52

Fazia muito tempo que não chegava algo como “uia, que maneiro, bota o meu link aí?”. Imaginava que, com o passar do tempo, as pessoas percebessem como é que as relações entre blogs se estabelecem.

Descobri que não é bem assim. A mensagem impessoal que recebi abaixo poderia ser de três, quatro anos atrás.

Olá, tudo bem?

Gostaria de saber se existe a possibilidade de relacionar o link do meu blog (http://meublogpontocom.com) juntamente com o seu (http://umsitequalquer.com), estou iniciando o processo de parcerias e ainda os acessos tem muito o que melhorar, mas certamente estou conseguindo vários parceiros ainda teremos muitos acessos! E estarei relacionando seu excelente e criativo blog.

Por favor, entre em contato, creio que essa parceria é ótima para ambos os lados e iremos prosperar cada vez mais em nossos blogs.

Aguardo seu contato, e desculpe o incômodo.

Infelizmente não consigo ser um sujeito estúpido ou mal-educado. O máximo de grosseria que consegui redigir foi:

Tudo bem, meu chapa?

Não entendi seu e-mail. Você fala em relacionar o link do seu blog (http://meublogpontocom.com) juntamente com o meu (http://umsietqualquer.com), e manda dois endereços (nenhum deles é o meu, então não sei qual é o seu). E você fala em "início de processo de parcerias"?

Bom, deixa eu dizer porque eu não entendi. A palavra "parceria" normalmente diz respeito a um acordo comercial, a uma troca. Assim: eu te dou uma coisa e você outra. Nós dois ganhamos com essa relação. E eu não tenho nada pra te oferecer, porque meu site é simplesmente um blog.

E num blog você não tem relações de "parceria". São relações sociais. Você se aproxima de autores de blogs, troca idéias comuns, estabelece contato com pessoas que pensam como você e forma microcomunidades. E isso acontece com naturalidade: você visita um blog, comenta, pergunta alguma coisa pro autor, vai conversando... E assim todos se aproximam.

Se existe alguma relação comercial com blogs (e existem mesmo) é entre autores e outras "entidades", como Google AdSense, Mercado Livre, Submarino, Buscapé, enfim. Estes sim são parceiros. Mas eles não contribuem em nada com o volume de acessos. Aliás, eu até posso colocar um link perdido em algum lugar do meu template, mas eu garanto a você: isso não vai refrescar nada. Para conseguir acessos interessantes, você vai ter que estabeler relações sociais.

Acredite em mim: a maioria das pessoas que ainda mantém um blog não vê outros blogs como parceiros, mas sim como pessoas. Enxergue dessa forma e você vai descobrir como prosperar.

Boa sorte!

Pior que o blog do cara é até bacaninha… Mas enfim, ele não precisa de pessoas como eu: ele quer parceiros.

(Postado em 02/06/2006, e ainda é extremamente atual. Estes dois links do Edney deixa esse ponto de vista bem claro.)

Marmota indica: a nova Livraria Cultura

Por Marmota | 30/05/2007, 16h15

Normalmente, a expressão “Marmota indica” vem precedida de alguma sugestão gastronômica. Mas a visita que fiz essa semana às novas instalações da Livraria Cultura, vão deturpar um tiquinho o objetivo desta série.

Claro que a simples reinauguração da loja no último dia 21, comemorando os 60 anos de sua fundação, já seria um bom pretexto para dar um pulinho no Conjunto Nacional. Uma razão extra veio em forma de presente de aniversário: meu grande amigo Marcelo embrulhou para presente um livro que havia emprestado há tempos, provocando uma brilhante cena cômica. Uma folheada rápida trouxe um vale-presente da livraria – o kit revelou-se um excelente regalo: além das risadas, ganhei um “passaporte” para conhecer a loja obrigatoriamente.

Já estava empolgado desde a semana passada, mas na minha primeira tentativa, encontrei as portas fechadas.

O pensamento vivo (ou morto) de Homer Simpson

Por Marmota | 29/05/2007, 14h06

A primeira vista, ninguém quer ser como ele. Um pai de família gordo e careca que mantém a mesma (falta de) responsabilidade e concentração ao trabalhar como inspetor de segurança em uma usina nuclear. Ah, mas pra quê pensar muito, quando tudo que precisamos para ser feliz é cerveja, rosquinhas, TV e uma esposa dedicada na cama? Ah, a cama…

Homer J. Simpson poderia significar “fracasso”, não fosse uma paródia perfeita do pai de família norte-americano – e por tabela, daqui também. Só que o seu vácuo mental, além da personalidade preguiçosa e furiosa (seja com as crianças ou com o mala do Ned Flanders), transformaram Homer Simpson num ícone da cultura pop. Enquanto o seriado Os Simpsons chega a sua 19ª temporada, o patriarca da família acumula glórias e prêmios.

Vejamos: depois de 23 prêmios Emmy, o seriado foi escolhido pela revista Time, em 1999, como o melhor do Século 20; Homer foi eleito o segundo melhor personagem animado pela revista TV Guide em 2002 e um dos dez homens da década pela Men’s Health em 2005; e a prova cabal de que Homer entrou definitivamente para a história: sua expressão “Doh!” está no Oxford English Dictionary. Impressionante.

Sucesso de público e crítica, Os Simpsons estréiam na tela grande em 2007 – vai ter fila nas bilheterias em 17 de agosto, quando o filme chega ao Brasil. Para atiçar a curiosidade dos fãs, a Blog Hunters, em parceria com a Fox, disponibilizou uma entrevista com Homer Simpson – alguns blogs, como o Judão, puseram a página amarela na íntegra.

Pessoalmente, achei que faltou alguma coisa. Talvez a melhor resposta tenha sido “o cara que opera a máquina de fazer pipoca na entrada” para “quem é seu herói no cinema”. Isso sim remete ao verdadeiro espírito de Homer Simpson, retratado, entre outros momentos, nesta entrevista de Homer aos oito anos de idade:

Ou ainda em sua campanha para presidente em 2004. Sua plataforma, baseada na primeira viagem tripulada para Marte (com Ned Flanders) e no lema “Crianças são o futuro (é por isso que precisamos pará-las hoje)”, foi muito bem recebida pelos norte-americanos – tanto que o eleito é, praticamente, o Homer do Texas.

A síntese de seu pensamento pode ser encontrada ainda na revista Esquire, publicada em janeiro de 2002. O artigo, assinado por John Frink e Don Payne, traz o pensamento vivo de Homer Simpson:

“Se você precisa de resultados, aperte o botão vermelho. O resto é inútil”

“Você pode ter muitos empregos diferentes e continuar sendo preguiçoso”

“Existem algumas coisas que simplesmente não foram feitas para serem comidas”

“Minha cor favorita é chocolate”

“Adoro desastres naturais, porque eles me autorizam a não trabalhar”.

“Seja generoso com seu dormitório. Divida seu sanduíche com ele”

“Há números demais, e o mundo seria bem melhor se nós perdêssemos a maioria deles. A começar pelo oito. Eu detesto o oito”

Sem essa de fracassado. Quando eu crescer, quero ser como Homer Simpson.

Faça sua placa de rua paulistana – agora com gerador

Por Marmota | 28/05/2007, 15h55

Em 7 de dezembro do ano passado, a prefeitura aprovou um contrato com a Pic Indústria e Comércio, mudando as placas que dão nomes às ruas da capital. A instalação começou em janeiro, a partir do centro velho. E em muitos bairros, as novas placas já estão devidamente posicionadas.

Nem todos os paulistanos estão satisfeitos. Em algumas delas, não há contraste entre as faixas coloridas (que designam as regiões da cidade) e os números das ruas. Ninguém consegue ler textos brancos em uma tarja laranja, por exemplo. Mas tem mais: de acordo com o novo padrão, a placa mostra o apelido da via em letras maiores. Só que muitos desses “nomes populares” viraram sugestões absurdas: a Praça Ramos, por exemplo, virou “R. Azevedo” – Rua Azevedo?

Nos dois casos, as placas de rua foram (ou serão) trocadas. Sem contar essas aberrações, nos postes e placas derrubados por acidentes de trânsito ou vândalos desocupados, a estimativa é a de que, em 2007, aproximadamente 40 mil placas serão trocadas. Há uma estimativa de 72 mil placas. É placa bagarai.

Quando a iniciativa foi anunciada, fizemos aqui uma contribuição para tentar ajudar aquele prefeito que num Kassab nada, liberando este arquivo PSD para quem quisesse bolar sua própria plaquinha. A brincadeira, evidentemente, não pegou: são precisos muitos cliques e alguma habilidade no Photoshop. Faltava um gerador automático pra brincadeira bombar.

Não falta mais. Nada como um final de semana de folga, além de alguns conhecimentos parcos em PHP. Aqui vai o Fazedor de Placa de Rua de São Paulo. Fique à vontade para criar placas à vontade e auxiliar a prefeitura a instalar muitas placas na cidade.

Vai, Massa, parte 5: legal só para quem estava lá

Por Marmota | 27/05/2007, 19h41

Vamos ser francos: só quem se diverte em função do charmoso e tradicional GP de Monte Carlo é quem está no Principado de Mônaco, o segundo menor país do mundo e a trinta minutos de Nice, na França, ou Gênova, na Itália. Turistas dos quatro cantos respirando o mesmo ar de seus habitantes podres de ricos e seus iates ancorados nas águas azuis e inigualáveis do Mar Mediterrâneo.

Difícil imaginar alguém que esteja em Mônaco no final de semana da corrida e não esteja nem aí para a Fórmula 1. Talvez um apostador inverterado perdido nos cassinos, ou algum turista que decidiu se trancar no quarto do hotel e fechar portas e janelas. Se bem que, segundo uma amiga, até os banheiros dos hotéis tem equipamento de TV ali. Vai ser aristocrata assim lá em casa.

Pois bem. Quem está longe do Mediterrâneo, dos castelos, dos cassinos e das ruas estreitas do Principado já sabe: se não houver chuva, quebras, batidas ou qualquer surpresa, nada muda. Quem larga na pole, normalmente vence. Enfim, quando soube que o Alonso sairia na frente, desisti de acordar cedo para ver a prova.

Não perdi meu tempo, e parece que me dei bem. Troquei a vitória do espanhol por mais algumas horas de sono. Com Lewis Hamilton em segundo, e Massa chegando apenas 65s depois, podemos dizer que a McLaren deu um banho em Mônaco. O desfecho não poderia ser outro: agora, tanto Alonso quanto Robinho somam 38 pontos – mas como o bicampeão tem uma vitória a mais, é o “líder”.

E Massa? Largou em terceiro e, como não choveu e ninguém quebrou, fez o que podia: chegou ao pódio justamente na terceira posição, atingindo 33 no total – ou seja, apenas cinco dos adversários. E as próximas duas provas são Canadá e EUA, circuitos onde a Ferrari costuma se dar bem. É a hora da virada, hein?

Enquanto isso, Rubinho progride. Neste domingo, ele foi apenas o péssimo – ops, o décimo. Não vai demorar para marcar ao menos um pontinho.

(Para entender a aposta, leia a parte 1. E se quiser mesmo acompanhar e entender de verdade o mundo do automobilismo, leia o Livio Oricchio, o Fábio Seixas e o Flávio Gomes).

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