Marmota, mais dos mesmos

Desde 2002, muito obrigado por nada.

Arquivos: abril/2007

Sobre o planeta Foston

Por Marmota | 30/04/2007, 14h27

Salvador (BA) – Em um certo dia de janeiro, época em que este blog parava de pensar por conta própria e reproduzia textos descompromissados de amigos ou sob a licença Creative Commons, surgiu um problema. Republiquei um texto voltado para um aspecto do comportamento humano e, de propósito, usava como pano de fundo um elemento que desperta paixões. Poderia ser sobre o mundo fashion, o mundo do futebol, o mundo das religiões… Optou pelo mundo dos carros modificados.

Alguns apaixonados por tuning encontraram o texto e ficaram ofendidos. Não entenderam que era uma opinião sobre pessoas, e não uma crítica a paixão pelos automóveis – que, convém ressaltar, é admirável e merece total consideração. Na prática, eles apenas reforçaram a idéia do texto e escreveram toda sorte de barbaridades – ameaças que certamente jamais fariam se estivessem pessoalmente.

Em situações como essa, onde os “trolls” aparecem em massa ou mesmo falta o mínimo de respeito humano, o melhor a fazer é tirar o problema do ar e deixar os esquentadinhos irem embora para o reino encantado do beleléu. Mas aquela discussão sobre aspectos do comportamento humano, objetivo original texto, não poderia se perder no éter. Por isso, o pano de fundo foi modificado.

O texto a seguir foi livremente inspirado nas teorias maionésicas de Douglas Adams, uma das inúmeras preferências que divido com o Ricardo Araújo. O nome é uma idéia de um outro amigo, o William Bertolo, que descobriu dia desses esta sensacional marca de produtos eletro-eletrônicos. A premissa do “planeta Foston”, dependendo do meu pique (e do gosto popular), pode até aparecer outras vezes. Vamos ver o que acontece.

De qualquer forma, a idéia nunca foi questionar ou provocar nenhuma das nossas grandes paixões, mas sim encarar relações humanas com um tom de brincadeira. Por isso, o meu desejo: divirtam-se, e sigam alimentando seus amores, sejam eles materiais, intangíveis ou do sexo oposto. Enfim, não leve a sério tudo que encontrar na Internet. Melhor ainda: não leve a vida tão a sério.

***

O planeta Terra, nossa galáxia, tudo que o homem conhece ou define como “existência”… Enfim, é uma parcela insignificante do Universo. Se o compararmos ao sistema rodoviário brasileiro, a Via Láctea pode ser considerada uma pequena estrada vicinal, que margeia o Rio Iconha e contorna o Monte Aghá, seguindo por um manguezal até chegar no perímetro urbano da Vila da Barra de Itapemirim, no Espírito Santo.

Mas essa é uma comparação pouco relevante. O fato é que, há alguns anos-luz da Terra, praticamente em outra dimensão do espaço-tempo contínuo, existe um planeta chamado Foston. Está perdido no meio da galáxia ZX-8147, orbitando ao redor de uma estrela de magnitude cinco.

Culturalmente, os habitantes de Foston a batizaram Alussa. Os astrônomos locais acreditam que Foston é o único planeta do chamado “sistema alussiano” onde existe vida inteligente. O Imperador Zukkofriedski VII chegou a assinar uma nova política de fomento à exploração intergaláctica para tirar a dúvida, mas a recessão econômica colocou seu ousado plano na gaveta.

Mas essa é uma informação que não vem ao caso. É importante destacar que os fostonianos apresentam aparência humanóide, com algumas diferenças na textura e tonalidades de cor da pele. Além disso, diferente da Terra, o planeta não possui o que chamamos “movimento de rotação”. Isso quer dizer que Alussa ilumina, permanentemente, uma única face de Foston.

Isso mexe diretamente com sua geografia econômica. Praias artificiais foram estratégicamente posicionadas nos meridianos que correspondem ao nosso início da manhã e ao final de tarde. Grandes conglomerados e usinas de energia fototérmica estão centrados no meridiano do meio-dia. Uma das principais atrações turísticas do planeta é o famoso trem panorâmico transparente, onde é possível simular o ocaso e alvorada. Batizado de Expresso E-cuador.

Mas isso é apenas uma grande coincidência. Evidentemente, os mega-centros de lazer e divertimento estão na face “noturna” de Foston. Como também estão ali a maior movimentação econômica, a maior fonte de empregos e as taxas mais altas de criminalidade. Bares e restaurantes vivem lotados – até porque, a única forma de separar o dia da noite é o deslocamento. As baladas só não são mais fervilhantes por uma inexplicável razão genética: em Foston, existem mais seres machos do que fêmeas. Além de uma parcela de seres adstringentes.

Diante desse quadro, os fostonianos tiveram que se adaptar, como descrevem os cientistas sociais do planeta em seus documentos eletrônicos digitalizados em mídias públicas. Como o Império permite a circulação de espaçonaves particulares apenas em vias autorizadas – o que não é o caso das áreas de burburinho, os nativos precisaram de sapatos com jato de hidrogênio ou pranchas de flutuação magnética, além de vestes fosforecentes para chamar a atenção e driblar as esteiras rolantes. A altitude e a velocidade proporcionados por estes artifícios encantam as moças: é comum encontrar casais flutuando na atmosfera rarefeita de Foston enquanto não estão em algum balcão ou mesa de bar tomando Aguardente Janx ou Dinamite Pangaláctica – as bebidas mais populares do espaço.

Para tornar o pequeno vôo nos arredores uma experiência ainda mais inesquecível, os fostonianos desenvolvem novos apetrechos. Players ultrafinos acoplados ao cinto emitem sons agradáveis a um raio de no máximo cinco metros. Óculos anti-radiação, constantemente usados na outra face de Foston, são adaptados para conter a iluminação intermitente das roupas. Versões mais atuais ainda trazem um dispositivo de aproximação óptica, perfeito para observar a paisagem com mais detalhes.

Mas estas são apenas algumas das inúmeras opções disponíveis nas melhores casas do ramo. Como são equipamentos caros, a recessão econômica (sempre ela) faz com que boa parte dos jovens prefiram guardar suas poucas lascas fostonianas – “e eu uma pedra”, diríam os terráqueos. Outros, impulsionados por toda sorte de publicidade virtual espalhadas pela superfície de Foston, não querem saber: fazem o que pode para entrar na moda. Aos poucos, surgiu uma legião de apaixonados por novidades tecnológicas. Ao mesmo tempo, fostonianos pouco abastados iam atrás da brincadeira, mesmo sem saber o porquê.

Membros do Bluc – sigla que quer dizer “conselho dos moradores do quadrante F do lado escuro de Foston”, alheios ao que, na Terra, chamamos de “sentimentos”, dizem que tais artifícios podem ser considerados um modismo perigoso, alimentando a desigualdade econômica e social, além de atrapalhar a circulação dos moradores das redondezas.

Para o Império Fostoniano, não há problema: cada um faz o que quiser com suas lascas, desde que a paz, a ordem e a circulação intensa de bens de consumo permaneçam nos dois lados do planeta. Resta aos membros do Bluc aprender a conviver com a novidade e aceitá-las.

Ou torcer para os engenheiros biotecnológicos de Foston descobrirem o elemento pluricelular em seu complexo organismo, permitindo a concepção de fêmeas em maior quantidade.

Mas tudo isso, é claro, nada tem a ver com a nossa humilde realidade terráquea.

***

Desta vez, fiz o que pude para que nenhum alienígena de Foston fique ofendido. Longe de mim provocá-los e, de repente, incitar o fim do mundo.

(Postado em 06/03/2005, bem antes do “irmão” de Foston ser descoberto.)

Qualé a do MSN? (Ou breve história dos comunicadores)

Por Marmota | 29/04/2007, 14h11

Salvador (BA) – Em 1997, quando ainda existia válvula pentodo esquentando a Internet comercial, um israelense alheios a conflitos religiosos (acho) bolou um programinha novo, capaz de trocar pequenas mensagens de texto instantaneamente com qualquer outro cururu que tivesse o mesmo software. Botou a coisa num servidor da garagem, chamou mais alguns amiguinhos para obterem o audacioso “Universal Internet Number” , abriu uma empresa de nome Mirabilis e, usando um trocadalho do carilho, transformou “i seek you” em ICQ.

Começava ali o sucesso absurdo dos comunicadores instantâneos, verdadeira preferência mundial e um dos campos de batalha mais intensos do mercado. O último adversário de peso a entrar na briga foi o Google Talk: é o oráculo apostando em voz sobre IP para conquistar usuários (conseguiu com o Daniel) e se engalfinhar de vez com Yahoo e AOL, que em 1999 comprou aquela empresa israelense e passou a contar com duas tropas: AIM e ICQ.

Também em 1999, a Microsoft decidiu lançar o seu comunicador instantâneo. Aproveitou o nome de sua antiga (e fracassada) BBS, a The Microsoft Network, e lançou o MSN Messenger. Com o desenvolvimento do software, os capangas de Bill Gates trataram de promover o bichinho: incorporaram smiles e desenhos bonitinhos além de joguinhos bacanas; integraram-no ao popular Hotmail e ao sistema operacional Windows; além de promoverem maciça campanha publicitária direcionada ao público jovem.

A conjunção dos três fatores, somado ao excesso de spam do ICQ criou o que o Ricardo definiu, usando outras palavras, de “modinha”: todo mundo largou a antiga florzinha verde e se converteu à borboleta de asas coloridas, obrigando todos seus conhecidos a fazerem o mesmo. Em 2003, o número de usuários do MSN ultrapassou o do serviço mais popular até então. Em 2005 eram 165 milhões de desocupados, contribuindo para a cultura do “nickname mutante” cheios de ícones, e perdendo horas de trabalho diante de uma janelinha azul piscante. É quase um Brasil todo.

Pessoalmente, nunca vi graça no MSN. Acho péssimo não conseguir mandar mensagens offline, como no ICQ. Mais do que isso: muitos amigos, com os quais converso até hoje, descobri no sensacional White Pages do ICQ – aquilo sim era diversão. Também não gosto do excesso de frescuras – tanto que sigo firme com o bom e velho Miranda. Mas não deixo de me apavorar quando me dou conta do óbvio: para cada vinte contatos conectados no MSN, um ou dois heróicos permanecem no ICQ.

A história nos faz concluir que a disputa comercial pela preferência entre comunicadores será longa. Mas deixam questões no ar: qual deles você prefere? É possível dizer que MSN é melhor que ICQ, por isso tem tanta gente? E o GTalk, pegou ou não pegou? Alguém usa Yahoo Messenger ou AIM? Dá para trabalhar tendo tantos programas do gênero abertos? E a mais intrigante de todas: pra quê tantos protocolos – não seria melhor criar um cadastro único, deixando o usuário escolher apenas o programa base, como faz com o navegador?

(Postado em 25/08/2005. Dedicado ao Bruno Torres, que se surpreendeu ao ver o número do ICQ na assinatura do meu e-mail.)

Pira pira pirô: Marmota em Salvadô!

Por Marmota | 28/04/2007, 13h59

Salvador (BA) – Lembro perfeitamente: uma das minhas cinco metas de ano novo era viajar sempre que possível. Para minha alegria, o Dia do Trabalho é a minha folga do “semestre”. Logo, não pensei duas vezes: é mochilinha nas costas e pé na estrada.

Só faltava um destino bacana, apesar das abundantes sugestões. Para não ser injusto e programar um passeio realmente prazeroso, escrevi o nome de algumas cidades em pequenos pedaços de papel, coloquei num saco plástico e fiz um sorteio absolutamente isento.

Quer dizer… Mais ou menos, vai. Coloquei três “Curitiba”, cinco “Brasília”, dez “Porto Alegre” e quinze “Fique em casa mesmo e economize uma grana”. Também coloquei um a mais para Montevidéu, buenos Aires, Florianópolis, Belém e Recife. Ah, sim: risquei o Rio de Janeiro (até porque os amigos que poderia rever, como o MarcosVP, vão viajar também) e Fortaleza – não quero me indispor com quem denomina qualquer coisinha incompreensível como “marmota”… Além de frequentarem festas em discutíveis.

Diante de testemunhas, fiz o esperado sorteio. Tirei o papelote “Fique em casa” e esbocei um largo sorriso. Mas os auditores ao meu redor protestaram, exigindo tentativas sucessivas até sair uma viagem. Logo no segundo papelucho, veio Salvador. Anúncio seguido de aplausos!

Então é isso. Tratei de anotar todas as dicas da Drosófila, além de outros macetes com o Narazaki, o japonês mais baiano do país. Se por algum acaso você estiver por perto e quiser marcar um acarajé básico com suco de caju ou água de coco, ou regravar comigo o videoclip de Pira Pira Pirô no Farol da Barra, deixe seu recado após o bip.

Um mágico de araque em Paris

Por Marmota | 27/04/2007, 15h26

Olha, lembrei de uma história engraçadolha durante a semana, justamente quando a migração para o Interney Blogs completou dois meses – e, como eu previa, não houve grandes mudanças de ordem editorial ou arroubos de grandeza. Algumas pessoas muito próximas confidenciaram que sentiriam falta do bom e velho MMM, do jeito que era conhecido em seus primórdios.

Como naquele filme Mensagem pra Você – que, coincidentemente, diz respeito a relações que começaram pela Internet. Na história, a doce Meg Ryan era proprietária da simpática livraria infantil “The Shop Around the Corner”, mas é surpreendida pela chegada de uma megaloja nas redondezas. A metáfora é óbvia: antes do lançamento do portal, era como se este espaço deixasse de ser uma livraria de bairro, onde todo mundo se conhece, para virar um conglomerado.

Lembro que, no primeiro dia de portal, fiz uma comparação parecida: assim que o endereço mudou, passei a distribuir meus panfletos vagabundos não mais na frente de casa, mas em um stand dentro de um movimentado shopping center. A opção é sua: você pode chegar, ler um e conversar comigo, ou passar de longe (nem precisa acenar) e continuar comprando. Exatamente como um japonês estranho que encontrei na França, em 2004.

Era uma tarde muito agradável de outubro, estava ao lado do Lello e da Lu. Já tínhamos caminhado bastante nos arredores do Louvre, Jardins des Tuileries, Place de la Concorde, Champs Elysees… Até então, não tínhamos comprado nada. O problema seria facilmente resolvido nos grandes boulevares.

Então entramos naquele complexo gigantesco abarrotado de gente, onde não se sabe onde começa a Lafayette ou onde termina a Printemps. Pra mim, não fazia a menor diferença: eram cento e duzentas lojas de roupas, perfumarias… Todas separadas por suas marcas valiosíssimas. A organização era a mesma na área de brinquedos, em um dos subsolos. Estava me divertindo com catálogos de Lego, Playmobill… Então encontrei uma mesinha discreta, e atrás dela um japonês sorridente, de camisa branca.

- Bonsoir, monsieur, uh la la bla bla bla sil vous plait!

Ora vejam, um japa françuá! Bem que tentei enrolá-lo com o bom e velho “sorry, je nepá lepá francês”. Não adiantou, o japinha enrolava bem o inglês. Mais do que isso, estava muito claro o que ele desejava fazer: magiquinhas, iguais aquelas que você já viu em qualquer centro comercial bacana.

Quer dizer, iguais não eram. Os tais kits eram muito mais bonitos e impactantes. Algumas delas, muito bem executadas pelo nipônico, realmente me encantaram os olhos. A última, que mais me impressionou, é muito idiota. O truque consistia em fazer com que algumas moedas de euro sumissem, e logo voltassem. O mestre japa foi tão simpático, e aquilo era tão bacana (sei lá, devia ser porque era Paris) que acabei comprando uma caixinha, com a mágica das moedas.

Quando descobri qual era o pulo do gato, fiquei muito irritado. Apesar da caixinha bonita, do saquinho de veludo e toda a apresentação, o segredo era muito bobo. E aquilo tinha custado vinte euros! Vinte! Sessenta reais por uma porcaria, uma tosquice, um truque idiota envolvendo sumiço de moedas. Japonês maldito, conseguiu fazer com que muitas delas saíssem da minha carteira, direto para a dele.

Mas como já tinha comprado, tratei de olhar o lado bom da história. Aquele japa virou um personagem marcante em um dos momentos mais legais da minha vida, lembro daquele sujeito até hoje. E ele era um cara dentro de uma megaloja, fazendo seu trabalho, conversando com os fregueses, mostrando suas habilidades, seu produto…

É assim. Independente do endereço, meu objetivo é igual ao do mágico de araque parisiense: participar, ainda que por alguns minutos, da vida de uma ou outra pessoa, fazendo magiquinhas baratas dentro de uma megaloja. Já vou me dar por satisfeito se ao menos uma pessoa disser: “Mister MMM, seus truques podem não ser geniais, mas você é um grande mágico”. Abracadabra!

Desafio de Campeões: que critérios movem o futebol?

Por Marmota | 26/04/2007, 15h42

Nunca dei muita pelota para álbuns de figurinhas – por alguma razão intangível, só participo da brincadeira na Copa do Mundo. Mas não pude deixar de observar o lançamento futebolístico da Editora Abril, o Desafio de Campeões.

Lançamento com direito a álbuns distribuídos em jornalões dominicais, campanha de TV, concurso cultural e prêmios. Além dos “footcaps”, enormes botões de metal que se transformam em jogo de tabuleiro criado pelo Luiz Dal Monte Neto – especialista no ramo e, durante anos, autor da seção mais legal da revista Superinteressante.

Apesar de tantas inovações, a coleção traz uma pergunta embutida. As 210 figurinhas, com os atuais elencos, estão limitadas a apenas seis campeões nacionais. Mas por que diabos eles foram escolhidos aleatoriamente?

O material de divulgação traz um número que pode servir como resposta: o álbum é um produto licenciado (certamente contratos com alguns campeões não foram pra frente), e reúne equipes que, juntas, têm mais de 55% dos torcedores da primeira divisão. Na prática, por mais que o álbum traga um joguinho interessante e uma promoção embutida, corre o sério risco de ser totalmente rejeitado pelos outros 45% do público-alvo.

Tem Cruzeiro, Santos e Corinthians, que conquistaram o Brasileirão na era “pontos corridos”. Mas não tem o São Paulo, atual campeão – tetracampeão, aliás, assim como Palmeiras e Vasco. E onde eles estão? E cadê a dupla Gre-Nal?

Ah, mas tem ainda o Botafogo, campeão em 1995 (considerarmos a Taça Brasil de 1968?) e o Atlético Paranaense, que ficou com a taça em 2001. Puxa, mas por que não tem o Atlético Mineiro, que também ganhou só uma vez e, ao contrário de Coritiba e Bahia, está na Série A?

Ainda não falei do Flamengo, que está sim no Desafio de Campeões. Agora responda: quantos títulos brasileiros o Rubro-negro carioca possui? De acordo com o álbum, são cinco. Tente dizer isso pro Evilasio ou qualquer torcedor do Sport Recife, time declarado oficialmente pela CBF como campeão de 1987 – o Fla conquistou a Copa União, que apesar de reunir a “elite”, era um torneio paralelo aí. Ou não?

Enfim, eu me arrisco a dizer que, se o Desafio dos Campeões existisse sob a forma de um campeonato, ele seria como a Copa Rio de 1951: um torneio bacana, criado por alguma razão, reunindo times tradicionais. Passam-se os anos e o campeão se auto-proclama “campeão nacional”, “campeão mundial”, enfim.

Claro que a discussão se resolve facilmente: brasileiro só vale com a chancela da CBF, e Mundial, da Fifa. Mas para o torcedor, qualquer polêmica é uma arma em potencial em mesas de bar. Há quem discuta o Mundial de Clubes conquistado pelo Corinthians, em 2000, num empate em 0 a 0 com o Vasco no Maracanã… Da mesma forma, a Portuguesa fez duas excursões à Europa em 1951 e 1954, voltou invicta e conquistou a Fita Azul. Opa, bicampeã mundial!

Falando nisso, o Ubiratan Leal lembrou de um elemento pouco falado após o reconhecimento do “mundial” conquistado pelo Palmeiras, em 1951: dirigentes e torcedores influentes, como o governador José Serra, participaram do “processo político” em busca de uma resposta da Fifa. Que vergonha.

Atualizado, Meu amigo Rafael Lusitano veio com a resposta certa: estes foram os únicos seis times que não assinaram com a Panini, que deve lançar o álbum com os demais clubes (menos esses). Mas que palhaçada!

Em tempo, o Bear deixou um comentário curioso diante do Dia Nacional do Zeca Pacotinho: “com todo respeito, esse post ficou com uma cara de propaganda…”. Provavelmente ele vai pensar o mesmo agora, apesar do álbum ser apenas um pretexto para dizer que Sport e Corinthians podem falar o que quiserem, mas não ganharam nada.

Bom, nem preciso dizer que não ganhei um tostão, nem da editora nem da cervejaria, pra criticar seus produtos… Aliás, se alguém ficar mesmo com vontade de beber ou de colecionar figurinhas depois do que escrevi, é sinal que esse sujeito não precisa de propaganda nenhuma.

De qualquer forma, esse comentário sugere uma discussão interessante: até que ponto um blog pode ganhar ou perder sua credibilidade caso comecem a se pautar por temas envolvendo produtos?

Mais no Dialetica.org:
Creative Commons 2008 - 2012 Alguns direitos reservados • Dialetica.org utiliza WordPress 3.3.1 WordPress