Minha festinha de aniversário de São Paulo
Por Marmota | 27/01/2007, 23h07
Estava em total sinergia com o som do Nenhum de Nós enquanto voltava de carro para casa nesta quinta. Aquilo ajudava a minimizar a sensação de estar trabalhando enquanto muita gente descansava, bem longe dali. O feriado paulistano diminuiu a bagunça da Marginal Tietê, parcialmente interditada todas as noites por causa das obras de recapeamento. Já estava bem perto da Trabalhadores (não consigo chamar a rodovia de Ayrton Senna) quando atropelei uma pedra.
Mas não era um desses pedregulhos inofensivos que soltam do asfalto durante a obra. Era um senhor bloco de concreto. Parecia que estava ali de propósito, para alguns desatentos cantantes, como eu, passarem por cima e aprenderem uma boa lição. De fato, parei o carro no acostamento quase ao lado do antigo Paes Mendonça da Penha. Bem a frente de outros três veículos, também parados.
“Nossa, será que todos passaram pela maldita pedra?”, pensei. Uma análise mais aprofundada para reconhecer, entre os veículos, uma viatura policial, com as luzes giroflex desligadas. Havia outra parada, do outro lado da via local. Pelo menos três policiais militares caminhavam pelos canteiros da Marginal, como se estivessem caçando.
Claramente, a pedra era cúmplice de um golpe sujo, e os guardas já estavam providenciando a prisão dos malfeitores. A essa altura, já tinha decidido sair do carro e começar a deliciosa troca de pneus. No mesmo instante, mais um carro, cujo plec-plec da roda denunciava mais uma vítima. Parou alguns metros à frente de mim. As duas pessoas olharam para a minha cara de “sim, foi aquela pedra” e riram.
Um deles estava curioso com a movimentação policial e decidiu especular, deixando o colega com o macaco e a chave de roda. Voltou em cinco minutos, com a expressão séria. “Meu, aqueles ali ó foram tudo roubado, aí os gambé cataram os cara no fragrante”. Ao mesmo tempo que imaginei a angústia daqueles que foram abordados há poucos instantes, agradeci a Deus por mais uma dessas intervenções sabe-se lá de onde fez com que a dupla de amigos e eu tivessem apenas um pneu furado.
Com o estepe mais vazio que cheio, entrei naquele posto ao lado do viaduto de Guarulhos, para calibrá-lo. Contei com a ajuda do simpático frentista, que já nem dá mais bola para esse tipo de ocorrência. “Todo dia é isso aí. Teve uma vez que ficaram uns dez carros parados, e todos foram roubados. E a PM sabe que isso acontece toda noite, mas estão nem aí”, comentou.
Antes de confirmar as 28 libras regulamentares em cada pneu, outro carro encosta ao lado. Pai, mãe e filhos adolescentes no banco de trás. Um homem aparentando seus quarenta e poucos anos desceu assustado. “O senhor também passou por cima da pedra?”, perguntei. Ele disse que sim e, quando eu e o frentista contamos a história, ele virou os olhos para a família. Mistura de preocupação e alívio.
Já era madrugada de sexta quando encostei no primeiro borracheiro aberto, já na avenida São Miguel. Fui atendido por um velho aparentemente banguela e dopado, mas muito solícito. “Foi buraco?”, perguntou o ancião. Ao saber da tentativa de assalto, foi direto. “Se esses bandidos usassem a criatividade deles pra trabalhar… Tinha que ter pena de morte… Os caras iam pensar duas vezes antes de fazer besteira”, balbuciou, entre outras palavras incompreensíveis.
Bela maneira de dizer “feliz aniversário” a uma cidade que não para de surpreender.
“É muito difícil andar por São Paulo. Mesmo quem se desloca pouco pela cidade sente os efeitos do caos no trânsito, além das limitações no sistema de transporte público. Qualquer paulistano concorda com os forasteiros que “não conhecem bem a cidade, apenas onde dá para chegar de Metrô”. O que, convenhamos, também está cada vez mais difícil, especialmente para quem vive na zona leste. Aproveitar as coisas boas que a cidade oferece sem pensar nisso? Só depois das dez da noite, ou em feriados como o desse dia 25″.
Esse foi o meu depoimento à Renata Honorato, que foi uma das responsáveis por esse post do Sampaist, que reflete a diversidade dessa cidade detestável, mas necessária em nossas vidas.
Parabéns, São Paulo, apesar de tudo.



Há uns vinte anos, a gravadora RCA lançou um disco do palhaço Bozo. Quem comprava aquela maravilha do cancioneiro popular brasileiro para cantarolar “pra viver é melhor sempre rir” ou “chuveiro, não faz assim comigo”, ganhava um passaporte da alegria do Playcenter.



Eu tinha quase certeza de que um “meme” é como se fosse um “vírus cultural”, uma idéia propagada por aí, seja de maneira espontânea ou provocada. Quando sou convidado para participar dessas brincadeiras, imaginava que estaria “propagando o meme”, ainda que voluntariamente.
Antes de mais nada, vamos combinar uma coisa. Já nos anos 60, muito antes desse gigantesco conglomerado de redes denominado Internet atingir uma escala mundial, o propósito inicial sempre foi trocar todo tipo de dados entre os seus usuários. Em resumo: conteúdo gerado por seus usuários. Ultimamente, a expressão “user-generated content” ganhou força, definindo tudo aquilo que não é produzido pela mídia tradicional, definindo a democratização da informação.
Mas… Será mesmo que você merece esse prêmio? Ou eu? Ano passado, o
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