Marmota, mais dos mesmos

Desde 2002, muito obrigado por nada.

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Você ainda acha que vai ver o Inter no Japão?

Por Marmota | 29/11/2006, 17h53

Vamos imaginar que você, como torcedor do Internacional de Porto Alegre, tenha se dado conta apenas nessa semana que seu time vai disputar um título mundial no Japão, e salvo um bicampeonato da Libertadores, dificilmente uma oportunidade dessas deve acontecer de novo. Então você descobre, tardiamente, que todos os pacotes para os torcedores colorados estão esgotados há muito tempo. E agora?

Pois com ao menos uma semana disponível, um pouco de coragem e os mesmos dez mil contos do pacotão, é possível encarar o desafio de acompanhar o Inter ao lado da torcida. Para que o seu entusiasmo não se vá de uma vez, comecemos pelo mais difícil: os ingressos.

Nem adianta procurar pelas agências de turismo em Porto Alegre: todos esgotados nas mãos de quem vai dar um jeito de ir. Você pode tentar algum contato com torcedores colorados e pedir alguma ajuda – para alguma coisa o Orkut ainda serve. O site oficial da competição, mantido pela Fifa, também comercializa entradas, mas até esta quinta-feira (portanto decida-se logo). Agora, se quiser ir para o tudo ou nada, embarque sem ingresso e arrisque com cambistas ou qualquer coisa do gênero. O máximo que pode acontecer com você é passar frio no lado de fora do estádio. Em compensação, vai estar num país exótico e cheio de possibilidades.

A via sacra do visto – Tudo bem, enganei você. O mais difícil não é entrar no estádio, mas sim entrar no Japão. Ao contrário da União Européia ou do Mercosul, a terra do sol nascente não é a casa da Mãe Katsuko, onde chega quem quer. E ter um carimbinho em seu passaporte autorizando a viagem não é tarefa das mais simples.

As exigências do consulado japonês em São Paulo, por exemplo, são grandes – as razões são puramente econômicas, como podemos comprovar diante das solicitações: além de passagem (especialmente a de volta) e do comprovante de férias ou dispensa do serviço, é preciso declaração de imposto de renda com o recibo de entrega, carteira profissional e holerites dos últimos três meses, além de extratos bancários. Se a sua cara de coitado for ainda maior, outros papéis poderão ser exigidos.

Fui tirar isso a limpo em uma agência de viagens especializada em traslados para o “mundo do já paguei”. Curiosamente, Leo Atogi, gerente da loja, explicou que essa dificuldade não existe na Argentina ou no Peru, por exemplo, onde é mais fácil conseguir o visto. Contou ainda a história de um cliente, nascido na Rússia, que apesar de comprovar suas posses, teve seu visto negado pelo consulado, inexplicavelmente. “Ele preferiu ir apenas para a China”, disse.

Ah sim, essa lenga-lenga do visto só deve ser encarada caso seu passaporte tenha validade superior a seis meses. Caso contrário, sua maratona começa bem antes: no site da Polícia Federal, onde é preciso preencher um formulário online, imprimi-lo (?) e levá-lo com outro monte de papel. A moleza fica ainda menor se por alguma boa razão você deixou de votar nas últimas eleições: sem um comprovante de quitação eleitoral, nada feito. A multa para cada eleição perdida não passa de três reais, mas ainda assim, é preciso pagá-la no banco, junto com a taxa do passaporte.

Pode ser que sua viagem suba no telhado aqui mesmo, vai depender dos prazos da PF e do consulado japonês. Mas se em menos de duas semanas você tiver o visto na mão, ainda dá pra viajar.

Você é a sua agência – Que mané pacote. A Internet pode transformar você em um especialista em turismo com alguns cliques. A passagem aérea pode ser pesquisada com tremenda facilidade em sites como o Decolar ponto com, cujos preços às vezes chegam a ser menores que os das próprias companhias aéreas. Com 1500 doletas é possível viajar entre São Paulo e Japão via American Airlines ou United – mas aí você precisa ainda de um visto para os Estados Unidos. Nesse caso, é mais fácil ir ao Japão de ônibus.

Ou tentar uma passagem via Europa, que é um continente bem mais bacana. A opção mais barata que encontrei é a da Air France, com escala em Paris, que sai por volta de 2500 doletas – e qualquer desculpa é ótima para passar por Paris. Também dá pra viajar na eficiente Lufthansa, com escala em Frankfurt ou Munique, ou a antipática Alitalia, passando por Milão ou Roma – as duas um pouco mais caras. Evidentemente, se meu dinheiro desse em árvore e tivesse tempo de sobra, escolheria a KLM, e ficaria pelo menos um dia, na ida ou na volta, em Amsterdã.

Ainda falta a hospedagem, e nisso a web é uma verdadeira caça-níqueis: é só botar a palavra “hotel” no Google para a tela ficar empesteada de anúncios relacionados. Dá pra se perder um bocado em sites de reservas, mas para garantir um mínimo de conforto, a sugestão é a rede Accor de hotéis, que tem opções em praticamente todo o globo. Usei essa artimanha em Buenos Aires e Montevidéu, com sucesso.

Na capital japonesa, a sugestão que me pareceu mais convidativa foi o Mercure Hotel Ginza Tokyo, localizado em uma das mais conhecidas e interessantes regiões da cidade, e dá pra chegar facilmente a partir do Aeroporto de Narita via trem e metrô. A reserva entre os dias 12 e 18 de dezembro, por exemplo, pode custar 202.300 ienes (cerca de 1800 doletas) na taxa segura, que permite cancelamento até as seis da tarde do dia da chegada, ou 113.050 ienes (umas 1000 doletas), na tarifa “pagou chegou, senão dançou”.

E lá, como se virar? – Até aqui, descobri tudo sozinho. O resto, só indo para saber. Felizmente, nosso intrépido Lello Lopes, que ainda está por lá acompanhando as meninas do vôlei (sim, foi de propósito) e caçando clones dos nossos amigos, me mandou algumas dicas valiosíssimas.

A começar pela grana. “A cotação está na base de um dólar para cada 114 ienes. Isso significa que com cem doletas você compra 11400 ienes, o que é bastante coisa”. Aí vai de cada um, especialmente aqueles que adoram compras perdulárias em viagens, como eu.

Na sequência, comida. “O preço da refeição é muito variável. Você pode fazer um bom jantar por 750 ou 800 ienes, em uns lugares mais pé no chão. Mas se você achar que esse pode ser o último jantar na lua quarto minguante da quadratura 25 de sua vida, a coisa fica um pouco mais cara, por volta de 1500 ienes (pelo menos o preço de Kobe, pode ser que em Tóquio seja mais caro)”, diz Lello, que antes de voltar deve experimentar o famoso Fugu.

Mais dicas, agora deslocamentos. “O transporte público também é relativamente barato. Um trem de Tóquio pro estádio em Yokohama deve sair, no máximo, por uns 400 ienes (é tão pertinho que nem vale pegar o shinkansen, que é o trem bala). Táxi só vale a pena se for pra curta distância, porque o taxímetro fica uns bons minutos sem marcar nada antes de girar quase em progressão geométrica”.

Por fim, a dica que faltava para o maluco de plantão: “Se você resolver mesmo vir, a primeira dica pode ser tirada do Guia do Mochileiro das Galáxias: DON’T PANIC! De resto, o país é muito louco e nunca mais o Inter vai disputar um Mundial”, diz ele. Tomara que não, porque dessa vez, o máximo que vou conseguir será repetir a Libertadores e acompanhar o Inter em Porto Alegre mesmo, num telão na Avenida Padre Cacique.

Que decepção, Jacky…

Por Marmota | 22/11/2006, 11h34

Preciso parar de zapear os canais de televisão antes de dormir. Na última vez que fiz isso, esbarrei com uma imagem que destruiu um dos meus maiores fetiches de infância. Fui dormir triste e sem qualquer esperança de um futuro digno da TV aberta.

A culpa é de um programinha novo da Errei de TV. Chama-se Insomnia, e é perfeito para quem deseja ir logo para a cama. Não dá para ficar mais de dez segundos diante dos esforçados apresentadores, que carregam uma ingrata missão: convencer os dois ou três telespectadores a ligar para um celular de Curitiba, fazer um cadastro, responder cento e duzentas perguntas por horas a fio, acumular pontos e, quem sabe, participar ao vivo e levar uma graninha para pagar a conta telefônica.

Uma pesquisinha rápida mata a charada. O responsável pelo programinha chama-se Cellcast Group, uma empresa britânica especializada em mídia interativa (entenda-se “faturar com a mistura TV e telefones”). A meta, segundo consta, é audaciosa: a nova subsidiária brasileira planeja ainda participar das transmissões esportivas da Errei de TV, além de um novo game-show na TV Cultura (que um dia já teve caráter educativo).

A empresa também divulgou uma nota à imprensa, explicando a novidade: “Insomnia é um sucesso em outros países. Só na Argentina alcançou 18% do mercado. Voltado para os jovens de 18 a 30 anos, o programa terá entrevistas, entretenimento, games e também a distribuição de vários prêmios. “O formato fará o público vibrar. É um programa muito louco, diferente e acima de tudo cheio de surpresas. No Insomnia não tem rotina, cada dia o telespectador terá uma novidade. Quem não dormir, verá”, garante Sal de Parres, chefe de programação mundial da Cellcast”.

Puxa vida. Pelo que deu para ver na madrugada, eles precisam se empenhar um pouco mais para transmitir essa imagem e, quem sabe, conquistarem resultados além das classes CDEF e além. Concebido em uma produtora de São Paulo, o tal Insomnia resume-se a um cenário psicodélico em “chroma key” e quatro jovens pedintes. Quem mais aparece no vídeo é o Maurício “Negão” Mendes, que eu já conhecia da AllTV. É ele quem insiste por mais tempo na ladainha do “liga, é muito fácil, não perca tempo, esse programa é demais”, enfim.

Vez ou outra aparece uma moça bonitinha, a Gabriela Serafim, que contracena com o Maurício e também faz suas caras e bocas interpretando o número do celular curitibano. O melhor personagem do quarteto, no entanto, é o Cid Barros, também chamado Bolinha. Ele não fala: apenas surge ao fundo do cenário dançando, gesticulando ou tentando imitar alguém de um jeito muito engraçadinho. Até aqui, só tinha achado a idéia mal executada – o suficiente para entrar na comunidade anti-Insomnia no Orkut.

A decepção veio quando uma loira bem bonitona, usando uma saia curta e decotada, apareceu como verdadeira “isca de marmanjo”. Nada contra o artifício, qualquer propaganda de cerveja usa o mesmo subterfúgio. Uma olhada mais atenta, no entanto, fez meus olhos arregalarem: “não, não pode ser ela”.

Mas era. Jackeline Petkovic.

Mas… Como assim? Por que tinha que ser ela, uma das musas inspiradoras da minha ingênua adolescência? Em 98, a modelo com então dezoito anos havia subido um degrau no meu conceito, deixando de ser “isca de marmanjo” do finado Fantasia (que, diga-se, revelou muitas beldades) para ocupar o lugar da Eliana no Bom Dia e Cia. Então a lorinha passou a cultivar no imaginário popular a idéia de “moça direita e de família”, aquela que todo nerd careta vidrado em desenho animado sonhava em se casar.

Depois de alguns anos, seu lugar no programa do Silvão foi ocupado por dois pentelhos – certamente a custos bem menores. Dizia-se triste, mas disposta a recuperar seu espaço. Levou algum tempo, mas pelo visto, ela decidiu fazer isso de um jeito bem diferente, praticamente regredindo à condição de “isca de marmanjo”.

E eu bem que poderia simplesmente ter desligado a TV e ir para a cama com minhas doces e tenras lembranças de uma época pura e inocente. Se bem que a decepção poderia vir quando a Jacky sair na Playboy – sim, porque depois dessa, não me surpreendo com mais nada.

Odisséia completa do meu DVD

Por Marmota | 20/11/2006, 13h28

Talvez essa seja uma boa hora para explicar a todos a razão pela qual as atualizações estejam ficando raras por aqui. Normalmente, eu tenho as manhãs livres para dar uma navegada, rabiscar algumas idéias, responder e-mails… Mas há exatamente um mês resolvi dedicar meu tempo extra em uma causa que julgava perdida. Mas que acabou se revelando muito interessante e prazerosa. Pois bem, estou finalizando um DVD.

Antes que você venha me dizer que consegue fazer isso em alguns minutos, vamos aos detalhes. Você já deve estar careca de saber: há um ano, fiz um curso na Alemanha. Levei minha Mini DV a tiracolo, além de algumas fitinhas. Trouxe na bagagem quase cinco horas de imagens e algumas reclamações dos amigos que lá deixei: o ideal seria assistir ao vídeo finalizado no último dia de aula… E tudo que consegui foi, meses depois, uma edição meia-boca de apenas dez minutos – que você já viu aqui.

Independente do prazo, eu prometi a todos um DVD compilado. Um dia sairia. Enfim, passei os últimos dias fazendo a decupagem, capturando, editando e produzindo a bagaça. Cheguei a conclusão de que, mesmo com equipamentos decentes, só conseguiria fazer um trabalho bacana durante a viagem se deixasse de dormir – e ainda assim talvez não terminasse a tempo. Talvez se eu tivesse ao meu lado uma equipe de produção, com cinegrafista, editor de imagens…

Um ano de atraso – Demorei uma vida para começar a fazer, mas no fim das contas, não me arrependo. Coincidência ou não, o trabalho começou exatamente um ano depois da viagem, fato que serviu de motivação extra. Afinal de contas, enquanto capturava as cenas e anotava o que tinha gravado, todas as datas e histórias vinham à tona: desembarquei na Alemanha num dia 15, conheci o estádio do Schalke num dia 21, fui a Berlim pela primeira vez num dia 25… Provavelmente, se tivesse feito isso durante o curso ou logo depois, o efeito não seria o mesmo. Posso até imaginar minha reação nostálgica quando conseguir desenterrar meus antigos registros em VHS-C…

Mas vamos aos meandros técnicos. Apesar da indiscutível qualidade de imagem da Mini DV, o processo de captura não é 100% digital (entenda-se “arrastar” arquivos como se fosse um cartão de memória). A leitura é feita por um cabo FireWire em tempo real. Ou seja, para cinco horas de gravação, levei pelo menos cinco horas, além da limitação do hardware.

Tudo capturado, hora de organizar as cenas. Para cortar, colar, sobrepor, mixar e todos os seus afluentes, contei com a força do Final Cut Pro. E essa parte ocupou três das quatro semanas dedicadas ao projeto. Além de rever pelo menos duas vezes todas as imagens, decidir sobre o que entra ou o que vai para o lixo é desafiante.

A verdade é que, enquanto filmava tudo, já tinha em mente como seria o produto final. Abarrotado das primeiras imagens, tomei nota dos assuntos e gravei depoimentos da maioria dos participantes sobre cada um deles. Essas declarações serviram como “off” (quer dizer, a declaração que explica a imagem). Foi só seguir tudo em ordem cronológica, renderizar e salvar as sequências de acordo com os assuntos.

Outro desafio nesse processo: decidi identificar todos os personagens que aparecem nas imagens. Em alguns casos, simplesmente não fiz anotações mais detalhadas – registrei só o primeiro nome, ou nem isso. Felizmente, Pai
Google foi maravilhoso: só não encontrei nome e sobrenome de duas pessoas – que, fugindo do jornalismo correto, foram identificados por apelidos inventados por mim. E vamos em frente.

Quase tudo sobre DVD – O Macintosh é perfeito para captura e edição de vídeos, mas para transformar a montagem num disquinho compatível com qualquer leitor arcaico de DVD, a coisa complica. Nas únicas vezes que tinha feito isso, usei o iDVD, espécie de “DVD for dummies”. Mas esse tem uma limitação: 90 minutos de imagens.

Com isso, parti para outra via sacra. O primeiro passo é exportar o projeto para os formatos finais. São dois arquivos separados: o de vídeo, em MPEG, e o de áudio, que também pode ser MPEG ou ainda DTS, PCM, SDDS ou AC-3 – o Dolby Digital.

Nessa descoberta, constatei que poderia ter feito, por exemplo, a gravação do áudio separadamente, com vários microfones. Assim, criaria um arquivo final no formato Dolby 5.1 – com seis faixas diferentes, com direito a efeitos surround. Como não tive nenhuma preocupação sonora (usei apenas o microfone embutido da câmera), o resultado final foi um arquivo .ac3 Dolby 2.0 – o bom e velho stereo, com lado esquerdo e direito.

Exportar o vídeo não tem mistério: como o formato da tela é 720×480, só resta o MPEG-2. Aqui é preciso ajustar o “bit rate” (quantidade de dados por segundo), de modo a conseguir um arquivo final com cerca de 4Gb, para caber num DVD-R. A compressão é feita frame a frame, e nessa hora senti falta de um processador mais rápido: meu pobre iBook levou umas 20 horas para gerar o arquivo .m2v…

Com os dois arquivos na mão, poderia usar o DVD Studio Pro da Apple – mas a versão que tenho simplesmente trava no meio da autoração – processo que também é chamado de “multiplexing”.

Assim, tive que migrar a parte final do DVD para a plataforma PC. Encontrei um programinha free chamado IfoEdit, que transforma os dois arquivos iniciais nos tais .ifo, .vob e .bup – aquelas encrencas indecifráveis que vão dentro de uma pasta video_ts, mas que a maioria dos aparelhos DVD entendem. A única limitação desse brinquedinho é que ele não cria nenhum menu principal, nem mesmo legendas. Mas como meu disquinho é em português e não tem nenhum extra, dispensei as frescurinhas.

Produção em série – Um dos programas para PC mais conhecidos nessa área é o DVD Shrink (batizado por mim carinhosamente de DVD Shrek). Essa belezinha é usada normalmente para reduzir os tais .vob e .ifo para que eles caibam num DVD-R normal. Mas com os arquivos prontos no próprio HD, ele também pode ser útil para gravar algumas cópias do produto final.

Aqui surgiu outra dúvida: será que os players da Alemanha ou mesmo de alguns países da Europa vão ler um disco DVD-R gravado em NTSC? Ou será que vou ter que exportar uma cópia para o padrão PAL, ou ainda outra em VCD, só para garantir? Para não enlouquecer ainda mais, segui em frente com o formato original.

Enquanto minha primeira unidade do filme queimava no gravador, voltei para a prancheta de desenho e começei a desenhar a capinha da caixa. Apesar dos muitos programas próprios para isso, usei o bom e velho Photoshop, levando em conta as medidas mais ou menos comuns dos estojos. Cabe no centro de uma folha sulfite: 272mm de comprimento por 183mm de largura, sendo que a frente e o verso medem 129mm, restando 14mm para o fundo. A versão original da figurinha abaixo está em 72dpi.

Não acaba nunca? – Pessoalmente, achei maravilhoso ocupar minha mente durante um mês em função de um projeto desse tamanho. Poderia perder meu tempo pensando em todas as pequenas coisas que me frustraram durante o ano. Decidi usar toda minha atenção e concentração neste DVD.

Mas logo depois que gravei a primeira versão do filme e, todo entusiasmadinho, botei no DVD player para assistir, anotei uma série de errinhos de edição, problemas de compactação, divisão de capítulos… Não resisti a tentação e optei por refazer algumas etapas (incluindo aquela que leva 20 horas).

A tentação de ficar fazendo isso para o resto da vida, imaginando que esse processo não vai acabar nunca, é tentador. Mas é como se eu ignorasse o ciclo natural das coisas. Ou pior: é como se esse DVD fosse uma droga anestesiante, que me deixaria preso para todo sempre nesse mundo.

Assim, depois do segundo ajuste, decidi encerrar o trabalho duro. Nos próximos dias, virá outra etapa trabalhosa, mas deliciosa: checar o endereço de toda a turma e mandar uma cópia do disquinho – no caso dos paulistanos e dos porto-alegrenses, a entrega será pessoalmente.

Discussões sobre o hoax do Cardoso

Por Marmota | 13/11/2006, 02h43

Se você costuma navegar pela rede com alguma frequência já deve ter ter ouvido falar disso aqui. Ou mesmo ter recebido algum e-mail alarmista contando a história. Prometi a mim mesmo que só comentaria o tema quando ela desembarcasse na minha vida como na brincadeira do telefone sem fio.

Promessa é dívida. Nesse final de semana, meus pais vieram falar das imagens trágicas, do cartão de memória encontrado no mato, das fotos do passageiro gaúcho, do sujeito saindo para fora… Essas coisas que comovem qualquer um, mas que não passam de invenção. Pacientemente, chamei os dois para a frente do computador e disse: “deixe-me contar algumas coisas sobre a vida”. E E abri o blog do Carlos Cardoso, onde ele explica sua incrível e bem sucedida experiência antropológica. Realmente, muitas pessoas só lêem os títulos, e quando passam da primeira linha, não interpretam como deve.

Meu pai soltou um palavrão. Minha mãe suspirou, aliviada. E eu sorri, na certeza de ter feito a minha pequena boa ação do dia.

O assunto em questão rende uma série de discussões interessantes, a saber.

versão didática do clássico cartaz de Fox MulderEfeito “Orson Welles” na rede: Em uma das muitas repercussões do hoax, o jornalista Walter Sotomayor lembrou da clássica transmissão radiofônica de “A Guerra dos Mundos”, feita por Orson Welles, em 1938. Muitos acreditaram realmente que o mundo estava sendo invadido por marcianos, e aquilo gerou pânico em toda costa leste dos Estados Unidos.

Não quero comparar o Cardoso ao Orson Welles, mas tomando suas próprias palavras, “as pessoas QUEREM acreditar”. E por falta de senso crítico, acabam engolindo qualquer coisa como sendo a verdade absoluta e incontestável. Mas os 70 anos que separam a transmissão de rádio das fotos por e-mail é que, dessa vez, toda essa turma que opta por pensar menos está conectada.

Então o efeito Orson Welles” é potencializado de maneira perigosa. Ou por pessoas inocentes que espalham a história pra sua lista de endereços ou os contatos do orkut, ou por um bando de trolls, que discutem e ofendem gratuitamente seus interlocutores em foruns e blogs por aí, graças ao anonimato provocado pela rede.

Cauda longa da ingnorância: Você já deve ter lido por aí o termo “long tail”, ou a sua tradução, “cauda longa”. É uma das palavrinhas mágicas da moda, usada principalmente para detectar um efeito de mercado potencializado com a Internet. Basicamente: existem produtos populares, os hits do momento, e produtos direcionados a alguns nichos, cuja procura é pequena, mas infinita. Enfim, para saber mais, vá ler quem realmente conhece.

A grosso modo, o mesmo conceito da “cauda longa” pode ser empregado para todos os assuntos recorrentes que circularam em nossa geração. Um exemplo é a baranga de Brasília. Quando o assunto pipocou na mídia, tive a infelicidade de escrever um texto com todas as palavras-chaves possíveis, o que atraiu uns 1500 cururus em um único domingo, cinco vezes o volume normal de desocupados dominicais. Isso foi em 2004, mas até hoje, um ou outro zemané cai aqui em busca da maldita história. Traduzindo: não existe assunto batido que ainda não tenha o mínimo interesse.

A onda provocada pelas tais fotos vai seguir o mesmo caminho. Desde o dia 26 de outubro, quando o Cardoso lançou a história, a avalanche vai chegar ao seu máximo, até a história começar a esfriar aos poucos. Mesmo assim, dentro de alguns bons anos, vai ter algum cururu encaminhando a mensagem, ou ainda provocando pelo passageiro gaúcho cujo cartão de memória foi encontrado no Mato Grosso…

Jornalismo open-source do mal: O conceito de “jornalismo cidadão” é muito interessante, e merece bons olhos: a mídia tradicional descobriu que a própria sociedade pode produzir e divulgar informação. Evidentemente, todos os defeitos da imprensa podem ser incorporados pelos novos produtores de conteúdo: desde erros simples e primários de informação até manipulações movidas por interesses pessoais.

Imaginem que aproximadamente 70% dos internautas desembarcam nas páginas web via Google, uma mera ferramenta que não é capaz de separar o joio do trigo. A mesma passividade do consumidor de jornais ou programas de TV permanece mesmo diante de uma caixa de comentários ou qualquer outro convite à reflexão ou ao debate. Aqui, novamente o senso crítico faz muita falta.

Ainda somos uns 30 milhões de brasileiros online. Quando esse número aumentar, o volume de pontos de vista, propagadores de informação ou simplesmente analfabetos funcionais vai aumentar. E o simples ato de pensar continuará a ser pré-requisito.

Mesmo quem é de confiança erra: Ainda sobre o tal jornalismo cidadão. Toda vez que encontro uma notícia interessante ou diferente, logo penso em algum blogueiro bacana. Associação automática: “vamos ver o que fulano escreveu”. Vai dizer que isso não acontece?

O contrário já aconteceu, justamente graças ao hoax do Cardoso. Quando li a matéria da Folha Online, fiquei indignado: “esses babacas não deram crédito!”. (Em tempo: o Terra também soltou a notícia, e citou a origem). Mais do que isso, os veículos mais tradicionais também podem errar – aconteceu, por exemplo, na semana passada.

Todos nós já caímos em alguma armadilha da rede, por simples falta de checagem. Desconfiar de tudo talvez seja exagero, mas manter algum ceticismo no limite do bom senso pode salvar vidas. Ou simplesmente evitar aquele “forward” no e-mail.

Canção da Meia-noite

Por Marmota | 01/11/2006, 01h42

Eu me lembrei logo à meia-noite deste último dia do mês dez: era o tal dia do raloim, propagado no país apesar da ojeriza nacionalista latente. Quem não quer se sentir colonizado, ou simplesmente nega a natural evolução cultural, lembra do dia do folclore, nosso “raloim brazuca”, que é em 22 de agosto, ou da oficialização feita recentemente, a do dia do saci, também no dia 31 de outubro, em confronto direto com a grande abóbora.

Inevitavelmente, lembrei de uma musiquinha pequenininha, mas bem bacaninha, que sem querer virou “tema oficial” das minhas últimas férias, no Rio Grande do Sul. Foi quando descobri um CD pouco conhecido, o primeiro acústico do Nenhum de Nós, lançado em 1994. Uma das faixas, autoria de Zé Flávio, era Canção da Meia-noite.

Já conhecia a canção, originalmente gravada em 1976 pelo grupo gaúcho Almôndegas, que só quem é do sul ouviu falar. Fez algum sucesso nacional graças a sua presença na trilha sonora da novela Saramandaia – aliás, lamento profundamente a Globo reprisar novelas que todo mundo já viu ao invés desses clássicos.

Mas enfim. A banda Almôndegas foi a primeira manifestação musical de Kleiton e Kledir Ramil, e eles lembraram disso recentemente ao regravarem Canção da Meia-noite para o CD e DVD ao vivo. Uma busquinha rápida no Google para constatar que José Agora Aguenta Coração Augusto também regravou o tema. É a única versão que eu não ouvi – e nem faço muita questão, só para manter a do Nenhum de Nós com o título de regravação mais legal.

Segue a letra, com um dia e 100 minutos de atraso.

Quando à meia-noite eu me encontrar, junto à você
Algo diferente vou sentir, vou precisar me esconder
Na sombra da lua cheia, esse medo de ser
Um vampiro, um lobisomem, um saci pererê

Dona senhora, à meia-noite eu canto
Essa canção anormal
Dona senhora, essa lua cheia
Meu corpo treme, o que será de mim?
Que faço força pra resistir a toda essa tentação
Na sombra da lua cheia, esse medo de ser…
Um vampiro, um lobisomem, um saci pererê

Atualizado – Aqui vai o link da rádio UOL para você curtir a musiquinha.

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