Vamos manter a tradição do BlogDay
Por Marmota | 31/08/2006, 19h20
Ano passado questionei aqui a proposta interessante, porém ainda incipiente, sobre um tal dia internacional do blog. Até então existiam apenas boas idéias, mas nenhuma delas com alguma continuidade, algo que se pudesse dizer “opa, então combinamos assim, esse será o dia e todo ano vamos fazer o mesmo ritual”.
E não é que o BlogDay do dia 31 de agosto se popularizou de fato? Ano passado, quando começou, mais de 400 blogs citaram a brincadeira, segundo o Technorati. O dia ainda não acabou, mas sem muito esforço o site já contabilizou mais de 300 citações – número que vai subir sem sombra de dúvidas.
A proposta do BlogDay é eficiente, e as regras são simples, qualquer um pode fazer. Liste cinco blogs que você ache interessantes, preferencialmente algum que poucos conheçam, e escreva uma pequena descrição, além do link, recomendando-os exatamente nesta quinta-feira, 31 de agosto. Sem esquecer da tag do BlogDay (http://technorati.com/tag/BlogDay2006) e um link para o site do BlogDay (http://www.blogday.org).
Sem mais delongas, segue portanto os meus cinco blogs para a brincadeira.
Ponto Jol – Esse é bem específico para o meio jornalístico, como muitos outros que seguem a mesma linha, o Intermezzo ou o e-periodistas. Mas a referência é necessária, já que o Ponto Jol, blog coletivo de profissionais do ofício, é uma área do site Jornalistas da Web, um compêndio de informações indispensáveis editado pelo Mario Lima Cavalcanti. A lista de discussões do JW também é bastante rica – a não ser quando os novatos pedem informações elementares já citadas nos arquivos ou os veteranos debatem acaloradamente sobre a necessidade do diploma.
Brainstorm #9 – Se você trabalha com publicidade ou gosta do tema, já ouviu falar nesse blog do Carlos Merigo. Todos os profissionais da área que conhecem o site batem ponto no Brainstorm diariamente. Eu só o descobri recentemente, por isso essa citação vai soar como um “olha, gente, descobri um tal de UOL hoje, é muito legal, vai lá ver”. Mas enfim.
Guloseima – Vocês que me conhecem há mais tempo já ouviram falar da Lu. A Lu é uma amigona. Foi comigo pra Europa. Sempre me deu bons conselhos de ordem pessoal e profissional. Agora a Lu está passando por uma excelente mudança profissional, que se Deus quiser, será um grande sucesso. Ao mesmo tempo, dedica seu tempo livre a uma antiga paixão: gastronomia. Há alguns anos, sugeri a ela o nome jacomipontocom. Evidentemente, ela detestou. Guloseima, sem dúvida, é tudo. Aliás, Lu, preciso te entregar a sua caixa de alfajores Havanna que trouxe de BsAs pra você.
Jorge Letralia – Vou dizer aqui algo que vai deixar muita gente estarrecida: não sou um escritor, nem tenho pretensão de ser escritor. Consequentemente, não me interesso tanto assim por literatura, poesia, grandes clássicos, etc. Sou, assumidamente, um ignorante cultural, mas que vez ou outra repassa um ou outro tema relevante para não fazer feio com os amigos mais cultos e inteligentes – a ponto de me passar por gênio das letras em alguns lares mais distantes. Numa dessas procuras casuais, encontrei o site Letralia.com, voltado a literatura hispano-americana, e por tabela, o blog do venezuelano Jorge Gomez Jimenez. Lá, ele fala até de literatura. Bem legal.
Palegre – Se não citei aqui ainda, a hora é essa: uma das idéias mais batutas que encontrei esse ano foi o Sampaist, um blog voltado para a capital paulista e tudo que acontece nela. Quando tive a chance de conhecer uma das responsáveis pelo conteúdo, a Renata Honorato, falei tudo isso e mais um pouco. Enfim, conheço apenas mais duas propostas semelhantes: uma carioca e uma daquela outra cidade maravilhosa, que um dia ainda hei de morar…
Adendo 1: Obrigado, Rodrigo, pela referência!
Adendo 2: Minhas férias ainda não acabaram oficialmente, mas já estou novamente em casa, preparando meu lado psicológico para o que vem pela frente. Com isso, meu lado anti-social acabou: já podem me convidar novamente para os programas de sempre.


Buenos Aires (Argentina) – Qualquer viagem de férias, independente de destino ou acompanhantes, tem um bom número de vantagens e desvantagens – você deve ter uma ou outra lembrança positiva ou catastrófica. Mas enfim. Quando decidi passar um fim de semana em Buenos Aires para rever paisagens conhecidas e explorar lugares pela primeira vez, não imaginava que faria isso sozinho.
Porto Alegre (RS) – Terça-feira, pouco depois das dez da manhã. Apesar do bom número de vendedores nas ruas oferecendo camisas, fitas e bandeiras, a cidade ainda não respirava completamente a finalíssima da Libertadores. A verdade é que, desde que São Paulo e Internacional conquistaram o direito de fazer a festa, Porto Alegre manteve sua rotineira bipolaridade. “Sou paulista desde criancinha”, disse um taxista, surpreso quando eu disse que torceria para o Inter. “Mas bah, tu vem de São Paulo e vai torcer pro Colorado?”. Pois é.
“Eu vendi dois ingressos por dois mil”, comemorou um simpático vendedor de bandeiras. “Fiquei o dia todo na fila e paguei cento e cinqüenta pilas. Agora estou sem, mas o cara era rico, tinha que vender”, concluiu, enquanto tentava me oferecer seu produto, a partir de oitenta pilas. A maioria delas já profetizava: Campeão da América de 2006. “Obrigado, mas isso dá azar”, respondi.
A bem da verdade, quando desembarquei na cidade, as chances de entrar no estádio como um torcedor comum era muito pequena. Poderia ter aproveitado um momento de oração na Igreja de Nossa Senhora das Dores para, quem sabe, pedir uma força aos céus. Preferi o de sempre: agradecer a Deus por essas coisas todas. A Libertadores, no entanto, continuava na minha cabeça.
A quarta-feira amanheceu chuvosa, e o dia permaneceu com a temperatura sempre em torno dos dez graus. Logo nas primeiras horas do dia, os primeiros colorados foram para a fila dos portões. Eu só decidi circular pelos arredores por volta das quatro da tarde. A partir do shopping Praia de Belas, tradicional ponto de encontro da torcida, infestado de gente vestindo a camisa vermelha.
Só me restava algum bar bacana, com a torcida reunida. A sugestão foi o bar Cavanhas, na Lima e Silva, cidade baixa, tradicional reduto da torcida colorada. E o bar estava lotado de gente bonita, alegre e vibrante. Guardadas as devidas proporções, era como se estivéssemos nas arquibancadas. Destaque especial para os gritos de “fumaça, fumaça”. Realmente, a fumaceira provocada pelos sinalizadores foi decisiva: graças a ela, Clemer arrumou uma boa desculpa diante do seu primeiro erro no jogo.
Porto Alegre (RS) – Finalmente chegou a parte mais legal das minhas férias: alguns dias onde troco aquela cidade grande e odiosa por outra que, se Deus quiser, um dia ainda vou conseguir morar. 
“É muito fácil chegar no buraco do Marmota”, comentavam meus amigos nos intervalos do colégio técnico, depois de uma daquelas longas visitas regadas a trabalhos escolares e outras atividades lúdicas em minha casa. “É só pegar o metrô, depois o ônibus, depois a barca, atravessar e desbravar a mata, dependurar-se em cipós, escalar a montanha…”. Sim, eu realmente moro longe. Mas as dificuldades para chegar aqui são cada vez menores – especialmente vindo de carro.
A boa nova se espalhou rapidamente. Nos anos 80 e 90, atravessar a pontezinha tornava-se um suplício cada vez maior. Não apenas para os moradores da Vila Nitro-operária, que viram a simpática vizinhança se transformar na principal saída do bairro para o centro, mas também para os motoristas, que encaravam longas filas nos horários de pico. Isso nos dois sentidos: no fim da tarde, o acostamento do km 26 da Trabalhadores (atual Ayrton Senna) era o horror. A balbúrdia diminuiu quando instalaram um semáforo para controlar quem vai ou volta – sim, senhores, durante anos a passagem pela pontezinha era negociada ali mesmo, com acelerador e luzes. Evidentemente, um sinal verde ou vermelho ainda era muito pouco.
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