Marmota, mais dos mesmos

Desde 2002, muito obrigado por nada.

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Estádios que eu fui: Westfalenstadion

Por Marmota | 29/06/2006, 12h57

Antes mesmo do sorteio da Copa, tanto alemães quanto brasileiros já tinham suas chaves definidas: os donos da casa encabeçariam o grupo A, enquanto os pentacampeões iriam para o grupo F. Não foi apenas para evitar cruzamentos antes de uma provável final, mas também para aproveitar ao máximo o potencial dos três maiores estádios do Mundial. Assim, as duas seleções passariam obrigatoriamente por Berlim, Munique e Dortmund.

Dortmund fica bem perto de Gelsenkirchen e, como também fica na região do Ruhr, tem características semelhantes. A proximidade também a maior entre as rivalidades do país: Schalke 04 x Borussia Dortmund. No que diz respeito ao tamanho, o time preto e amarelo vence fácil. Em jogos da Bundesliga, o Westfalenstadion (referência a província da Westfalia, da antiga Prússia) pode receber mais de 80 mil pessoas. Ou, pelas normas da Fifa, cerca de 69 mil torcedores sentados. O que, convenhamos, ainda é muita gente.

Por fora, o estádio chama a atenção pelas vigas metálicas amarelas, que sustentam a cobertura das arquibancadas – uma das poucas obras na reforma pela qual passou, em 2003 (o estádio é de 1974, inaugurado para a Copa daquele ano). Dentro, o estádio lembra La Bombonera, em Buenos Aires: a inclinação das arquibancadas é bem grande, e assim como a arena do Boca Juniors, foi “crescendo para cima”.

Como em todos os grandes estádios do mundo, o estádio conta com todas aquelas facilidades que você já viu no Brasil: camarotes VIP com visão total do campo de jogo, um imenso e requintado restaurante, um completo museu e lojas de souvenirs do Borussia Dortmund…

Encostado no estádio ficam as instalações humildes do Stadion Rote Erde, que foi durante 50 anos a única casa do Borussia Dortmund. E do outro lado da via, a Rheinlanddamm, convém uma caminhada pelos arredores do Westfalenhallen Dortmund, um complexo espetacular com hotel, pavilhões de exposições e ginásio poliesportivo.

Um olhar mais atento revela um verdadeiro símbolo da cidade: a letra “U” girando em cima do prédio 1, usado como centro de convenções, diz respeito a Dortmunder Union Bier, espécie de marca registrada dos fabricantes de cerveja da cidade. Trata-se de um sinal histórico, que faz parte da cultura local. Pois esse sinalzinho inofensivo foi motivo de briga entre a cidade e a Fifa, que não admite ao redor dos estádios do Mundial qualquer marca que não seja a de seus 15 patrocinadores master. Até onde eu sei, o bom senso prevaleceu e o “U” continua firme. Ainda bem!

Só para constar: além do Stadion Koln, em Colônia, também passei na frente do Waldtadion, em Frankfurt. Mas nos dois casos, apenas passamos na frente: nosso objetivo era visitar as instalações da Deutsche Fussball Bund, onde tivemos uma longa e agradável conversa com o jornalista Uli Voigt, coordenador da seleção alemã de futebol para televisão. No mesmo dia, passamos também pela antiga Deutscher Sportbund – que na época ainda não havia se reorganizado com o Comitê Olímpico alemão. Hoje é uma coisa só: Deutsche Olympische Sportbund (DOSB).

Pena que eu tenha demorado tanto tempo pra escrever essas coisas. Mas ainda restam algumas historinhas. Vamos em frente.

Agora a Copa do Mundo ficou interessante

Por Marmota | 27/06/2006, 23h01

É óbvio que o Mundial não teria a menor graça sem as seleções coadjuvantes. O que seria de nós sem ter uma seleção incrível como Togo? Foi a primeira a chegar na Alemanha, teve técnico indo embora e voltando dois dias depois, hino nacional errado na estréia, ameaça de boicote em função da premiação… A Fifa poderia pular essa e outras etapas cansativas e que não servem para nada, e simplesmente decretar: a Copa começa agora.

Afinal de contas, por uma dessas coincidências do futebol, seis das oito seleções já conquistaram a taça que permanece em disputa. Todos eram cabeças-de-chave em seus grupos. Os únicos “favoritos” que não chegaram foram México e Espanha, o que, convenhamos, não surpreende. Assim, estou bem perto de acertar o primeiro “eu já sabia”: há um ano disse aqui: foram 17 mundiais e apenas sete campeões, e desta vez, novamente o campeão será um dos mesmos de sempre. O segundo diz respeito ao não-hexa, mas enfim, vou continuar torcendo para queimar a língua.

Sem mais delongas, vamos ao retrospecto das oitavas, além de alguns pitacos para os jogos que vão parar o planeta na sexta e no sábado.

Primeira final antecipada – Os alemães chegaram ao Mundial desacreditados. Ninguém dava nada pela molecada comandada pelo “norte-americano” Klinsmann, achavam todos inexperientes e dependentes do talento de Ballack. Pois os jovens atletas mostram fôlego para calar os críticos e, unidos pelo país, não tiveram qualquer dificuldade para ganhar da Suécia por 2 a 0. Aliás, desde a primeira fase, os suecos não mostraram vontade alguma de ganhar qualquer coisa nesse Mundial.

O grande problema da Alemanha está no adversário das quartas: a Argentina. Os países já decidiram a Copa duas vezes. Na primeira vez, em 86, brilhou a estrela de Maradona. Na segunda, em 90, Dieguito viu Brehme cair na área e o árbitro marcar pênalti, fato o que ficou engasgado na garganta dos hermanos. Tudo bem que a alviceleste demorou 120 minutos para eliminar o esforçado (ao menos nesse jogo) México, num chute que o Maxi Rodriguez jamais vai repetir em sua vida. Mas vai ser um jogo duríssimo, sem prognósticos.

Ok, se eu tivesse dez fichas, apostaria seis na Alemanha, vai.

Única chance de zebra – Desde 94, sempre aparece aquela seleção meteórica, que chega longe naquela semana e, em seguida, volta para o limbo. A Bulgária do carequinha Letchkov tirou do caminho os detentores da taça e favoritos alemães. Quatro anos depois, sobrou novamente para a Alemanha, que caiu diante de Davor Suker e a estreante Croácia. Há quatro anos, duas estreantes disputaram uma vaga nas semifinais, e os turcos comandados por Hasan Sas e Mansiz, além do inútil Hakan Sukur, eliminou Senegal.

A diferença é que búlgaros, croatas e turcos cresceram a olhos vistos durante os Mundiais que disputou. O que não aconteceu com a Ucrânia, que tem um andarilho em campo com um rótulo “Shevchenko” nas costas. Chegaram até aqui graças às duas babas de seu grupo, seguido por um horroroso empate sem gols com a Suíça. Contaram ainda com a péssima pontaria dos fazedores de relógio e chocolate, em uma disputa de pênaltis tão deprimente quanto a própria partida.

Com esse retrospecto ridículo, qualquer um diria que a semifinal está nas mãos da Itália. Mas não é bem assim. A Azzurra sai de campo com um zagueiro a menos a cada partida, e apesar de mostrar força conjunta, não foi capaz de marcar um único gol na Austrália em quase 90 minutos. Aliás, os comandados de Guus Hiddink até mereciam a classificação, não apenas pelo desempenho, mas também pelo pênalti inexistente. Enfim, o holandês pagou agora pelos erros do juiz em 2002.

Não está exatamente nas mãos da Itália, mas ainda acredito na Azzurra semifinalista.

Torcendo por Felipão – Tudo bem, admito meu erro: apostei em Inglaterra campeã mundial. Estou arrependido, apesar de ainda não ter errado meu palpite. Mas o fato é que os ingleses conseguiram colocar em campo um bom número de atletas renomados, habilidosos… Mas que não jogaram absolutamente nada! O único gol da equipe contra o surpreendente Equador saiu do pé de Beckham, que estava tão meia boca a ponto de passar mal e vomitar em campo!!!

(Aliás, só não publiquei a imagem aqui para atender a um pedido feminino: “você é um homem superior, e homens superiores não fazem isso”).

Como também apostei em República Theca na semifinal, posso jogar meu palpite pelos ares a favor da minha simpatia por Portugal e por Felipão, que conseguiu o milagre da classificação com um gol no primeiro tempo, mas sem sua “estrela” Cristiano Ronaldo, com dois expulsos e diante de uma Holanda altamente ofensiva, mas por sorte, inexperiente. Muitos vão lembrar desse jogo como uma das coisas mais feias da história, graças aos 12 cartões amarelos e os quatro vermelhos. Para quem já viu um jogo da Libertadores, especialmente os gremistas, não houve qualquer novidade.

E eu não duvido que mais um milagre venha pela frente.

Segunda final antecipada – Pessoalmente, estava torcendo pela Espanha. Até usei minha camisa vermelha, para dar apoio à Fúria diante dos mal-acabados franceses. Mesmo que, no fundo, um confronto Brasil x França soasse melhor, não só para caracterizar a revanche de 98, mas também pelo fato dos franceses estarem meio “passados” – haja vista os empates medíocres dos Bleus na primeira fase.

Só que até os espanhóis já sabem: a Espanha sempre chega favorita, mas sempre cai antes das semifinais. E a amarelada, desta vez, veio logo nas oitavas. Não adiantou nem sair na frente: os cururus viram Zidane ressurgir das cinzas e comandar a virada por 3 a 1. Mas enfim, muitos brasileiros comemoraram.

Mas antes disso, tiveram que aturar mais uma partida ao estilo Parreira: não fosse a lesão de Robinho, certamente estaria certo em dizer que jamais a escalação dos dois primeiros jogos seria repetida. Pois foi, e a burocracia em campo voltou. É ótimo, mas ao mesmo tempo horrível ter que aplaudir o sistema defensivo, afinal de contas, todo mundo espera o mínimo dos criativos homens de frente. Ainda bem que Gana só tem habilidade, mas não sabem marcar nem chutar à gol. Vai ficar para a história das Copas o placar de 3 a 0, o que pode fazer algum incauto falar: “puxa vida, que moleza”. Vai parecer o Parreira e o seu “o show é o placar”. Blé.

Como somos exigentes e desconfiados por natureza, já recebi do meu amigo Sakate o aviso: “tá com um cheiro de a história se repete no ar… 20 anos depois, Brasil x França nas quartas, jogo no sábado…”. “Mas é só não colocar o zico pra bater pênalti”, lembrou Lello. Ou o Robinho, o “salvador lesionado” da vez.

O “mistério” de Gana – Muitos poderiam perguntar, antes do confronto desta terça-feira: se Gana teve tanto sucesso nas categorias de base em seu histórico, por que demoraram tanto para chegar a uma Copa do Mundo? O UOL traz a resposta: a desconfiança de que seus times sub-17 e sub-20 eram, na verdade, sub-30 ou 40, fez com que grandes atletas simplesmente acabassem ao atingir uma idade considerada normal para um jogador. A história da “panelinha”, que lembra as antigas birras entre Rio e SP no nosso século passado, também é bastante curiosa.

Falando em Brasil… – Não perca a viagem e clique nessas duas sensacionais matérias especiais da GE.Net. Enquanto Brasil e Japão jogavam, o Jardim Irene de Cafu e o Morumbi de Kaká não escondiam seus contrastes, mas eles se diluem em um mesmo grito de torcida. Cinco dias depois, foi a vez de abordar pessoas que, por uma razão ou outra, não podiam parar para assistir ao jogo. Situação inusitada do dia: coveiros gritando e comemorando durante um enterro no Cemitério da Consolação…

Bagunça coreana na web – Os coreanos são conhecidos pelo grau índice de alfabetização (quase 100%) e conectividade na rede (número bem próximo disso). A surpresa vermelha da última Copa também transformou os asiáticos em apaixonados definitivos por futebol – e realmente, é impressionante ver a torcida gritando “Daehan Minguk”.

Paixão exagerada vista também na rede após a derrota para a Suíça: os coreanos contestaram a vitória por 2 a 0, graças aos erros do árbitro argentino Horacio Elizondo. Indignados, os internautas coreanos vandalizarem todos os sites que conseguiam – este blog descreve ações curiosas, incluindo uma enxurrada de e-mails ao site oficial da Fifa. Resultado: acessos coreanos bloqueados. Nem a Lucia Malla, que nada tinha a ver com isso, conseguiu navegar no site oficial da Copa.

Em compensação, os coreanos que estiveram em Leipzig após o empate com a França, mostraram outro comportamento: fizeram todo o trabalho de limpeza, faclilitando o trabalho dos garis. Vai entender.

Ô Louco, meu! – Essa eu já sabia mesmo: imaginem se uma ínfima parte dos 90 milhões de usuários de celular no país participassem durante todas as 15 semanas da Seleção do Faustão… A expectativa da Globo é de faturar R$ 100 milhões com a brincadeira. No último domingo, a Folha de S. Paulo abriu os olhos de quem não se deu conta: na teoria, os R$ 4 caracterizam a compra de um boletim meia boca, o que dá direito a participação gratuita no sorteio. Balela: as pessoas pagam pela promoção, o que caracteriza crime, já que só a União pode explorar jogos.

Estádios que eu fui: Veltins Arena

Por Marmota | 26/06/2006, 23h11

O FC Schalke 04 é uma espécie de “Corinthians” da Alemanha. Tem uma torcida imensa e apaixonada, superior ao do Bayern de Munique inclusive. Mas sua tradição é limitada ao país: apesar dos títulos nacionais e do bom desempenho em copas européias, não possui visibilidade internacional.

Mas uma coisa o Schalke leva vantagem em relação ao alvinegro do Parque São Jorge: um estádio. E não é qualquer campinho, mas sim o estádio mais bacana que eu já visitei em minha vida: a Arena AufSchalke.

O que não significa que o Schalke nunca teve um estádio. O Parkstadion, inaugurado para a Copa de 1974, se parece com o Mané Garrincha, em Brasília: tem um lado com arquibancadas cobertas e um tremendo parque ao redor. O Parkstadion ainda esta ali, mas numa área próxima, foi erguido uma das arenas mais modernas da Europa. Quem chega de ônibus fica impressionado com o tamanho de todo o complexo, mas também pela beleza do lugar.

Antes da entrada principal, o Veltins Arena (lê-se Feltins, marca de cerveja que patrocina o clube) exibe no muro principal uma seqüência de placas, com nomes de todos os torcedores que ajudaram na construção, que ocorreu entre 1998 e 2001.

Quando não há jogos, uma constatação que provoca uma dúvida: para que serve aquele campo ao lado do estádio? Na verdade, trata-se do gramado do estádio! Uma seqüência de esteiras faz com que o piso de jogo, que pesa 11,4 toneladas, seja removido como se fosse uma gaveta, processo que leva quatro horas. O que transforma o estádio numa arena multiuso: qualquer show ou evento pode ser realizado sem prejudicar o gramado.

Mas tem mais. A parte superior do estádio pode ser totalmente fechada. E no alto, bem ao centro do campo, um telão em forma de cubo gigantesco, para ninguém perder um lance sequer. Eu nunca vi nada igual.

Outros segredos do lado de dentro da arena: as lojinhas ao redor do estádio, além das escadas rolantes, dão a sensação de estarmos num shopping center. Para alegria dos alemães, o Veltins Arena conta com um cervejoduto: 5km de canos servem 52 mil litros de cerveja por partida, que pode chegar a 60 mil pessoas. Perto da zona mista, onde os jogadores concedem entrevistas, existe ainda uma simpática capelinha!

O estádio, além da equipe, são as únicas atrações da cidade de Gelsenkirchen, uma das mais conhecidas entre as cidades industriais do Vale do Ruhr (próxima a Dortmund, Bochum, Essen, Duisburg). Foi durante muitos anos referência na produção de carvão, mas hoje é referência de desemprego…

Falando em Ruhr, a próxima parada será justamente no Westfalenstadion, em Dortmund!

Por um sorteio dirigido na próxima Copa

Por Marmota | 23/06/2006, 23h52

Argentina, Brasil, Inglaterra, França, Alemanha, Itália, México e Espanha: estes são os cabeças-de-chave da Copa. Os oito, considerados favoritos antes mesmo do sorteio do Mundial, feito no dia 9 de dezembro passado, estão classificados para a próxima fase. Com uma ressalva: França e México ficaram em segundo lugar.

Até aí, sem surpresa alguma. Vamos aos outros oito times. Cinco deles são europeus que provavelmente estão em qualquer bom bolão: Suécia, Holanda, Portugal, Suíça e Ucrânia – esta última se aproveitou da fragilidade dos adversários no seu grupo. Um africano, para seguir a estatística válida desde 86, quando Marrocos chegou ao mata-mata: a surpreendente seleção de Gana. Por fim, duas grandes zebras: Equador e Austrália.

Pelo que mostraram em alguns momentos no Mundial, considero Costa do Marfim e República Tcheca as duas maiores injustiças. Adoraria ver as duas equipes ao menos no mata-mata, mas as duas caíram em grupos muito difíceis, verdadeiras pedreiras. Isso certamente poderia ser evitado em um simples lance de sorte.

Vamos voltar ao dia 9 de dezembro. Costa do Marfim ocupava o pote B, o mesmo de Tunísia, Equador, Austrália e Angola. Se os marfinenses tivessem caído no Grupo H, certamente deixariam a Ucrânia de fora e seguiria junto com a Espanha. Os marfinenses no Grupo F, do Brasil, passariam por Croácia e Japão – a Austrália que se virasse no Grupo da Morte. Imaginem os elefantes no lugar dos angolanos no grupo de Portugal. Certamente fariam alguém perguntar com mais veemência: “quem foi o cururu da Fifa que botou o México como cabeça-de-chave?”.

Melhor sorte poderia ter também a República Tcheca, que estava no pote C, o mesmo de Polônia e Suíça. Da mesma forma, acredito que os tchecos rivalizariam de igual para igual com a Alemanha, dando muito trabalho para o Equador no Grupo A. Na chave da França, provavelmente repetiria o feito dos suíços e se classificariam em primeiro lugar.

A bem da verdade, não é só o sorteio da Copa que provoca distorções, tornando a competição um balaio de coisas estranhas. As eliminatórias foram as grandes responsáveis pela presença de togos, tobagos e outros troços na Alemanha. A própria fase inicial talvez ficasse melhor se tivéssemos Uruguai, Camarões, Nigéria, Dinamarca… Mas enfim, melhor assim do que uma Copa a la Libertadores com 36 países, ou a cada dois anos, como querem os energúmenos do G-14…

Muitos lindos brindes! – Meu chapa Ian Black já contou tudo a respeito do nosso encontro no espetacular Instituto Goethe na última terça-feira. Tudo bem, o ambiente acadêmico reunindo estudantes, professores não serve de parâmetro, mas definitivamente, os alemães tem seu jeito de torcer. Eles gostam do esporte, esperam por um bom desempenho e vibram em lances de perigo, aplaudindo e apoiando o time. O brasileiro é muito mais apaixonado. Numa escala de passionalidade, poderíamos dar zero para a motivação zero, três para os alemães e sete para os brasileiros (torcidas organizadas seriam oito, e argentinos dez).

O melhor da partida veio no fim: o Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico – DAAD promoveu um quiz muito interessante sobre futebol alemão. Perguntas e respostas direcionados para duas equipes de três pessoas, seguido por explicações muito bacanas, verdadeiras aulas grátis – você sabia que Borussia, por exemplo, vem do latim, e se refere ao Reino da Prussia, que ocupava o norte da Alemanha? Por isso existem clubes como Borussia Dortmund, Borussia Mönchengladbach (isso me lembra uma piada interna, quando um amigo nosso escreveu que as equipes fariam “o clássico de Borussia”, referindo-se a uma cidade que não existe).

Enfim, graças ao ao Ian e a Nikki, que também estava lá, além do desempenho da minha equipe – um garoto de sete anos trajando uma camisa com os dizeres DEUTSCHLAND e um senhor muito inteligente, com a camisa da seleção alemã – saí do Instituto Goethe com lindos brindes. Um sensacional guia artístico e cultural da Copa (inglês e alemão); um completíssimo guia de Berlim (em alemão), um livro espetacular com fotos e dados de todos os estádios da Copa e mais alguns (todo em alemão) e o belo SAGA – Retrato das Colônias Alemãs no Brasil, com ricas fotos do gaúcho Ricardo Teles de alguns, hmmm, parentes distantes da minha avó. Saí de lá com vontade de aprender alemão!

Balanção da última rodada – Ninguém aguentava mais essa maldita primeira fase! Já foi tarde! Agora é a vez do mata-mata, e se o seu bolão já se esfarelou com as surpresas, imagine o que vem por aí. Mas vamos manter a brincadeira e falar das últimas dezesseis peladas.

Alemanha 3 x 0 Equador – Foi aquela surpresa: a LDU mostrou força e garantiram a classificação antecipada. Mas foi só encarar os donos da casa e o futebol dos primeiros jogos sumiu. Não devem aprontar pra Inglaterra. Em compensação, a Alemanha de Klose está embalada: vai suar mais, mas passa pela Suécia.
Polônia 2 x 1 Costa Rica – O Deportivo Saprssa sequer conseguiu vencer os pobres poloneses, mas que decepção. E o técnico da Polônia disse, depois da vitória: “puxa, podíamos ter vencido antes, né?”. Pois é.
Paraguai 2 x 0 Trinidad e Tobago – O sonho acabou logo para os caribenhos. Tudo bem, o Paraguai já tinha acabado bem antes. Não vão fazer falta.
Inglaterra 2 x 2 Suécia – Os ingleses jogaram com um belo uniforme vermelho com letras douradas. Parecia o Liverpool. Por isso, não venceram e ainda perderam o Owen. Ainda bem que terá o pobre Equador nas oitavas. Já o Larsson não mostrou nada demais, e nem com o Ibrahimovic os suecos vão para frente.
Portugal 2 x 1 México – Portugal acertou o rumo do mesmo jeito que o Brasil: sem os titulares! Vão dar trabalho para a Holanda. Já os mexicanos não mereciam se classificar. Pena que Angola não fez a sua parte… Se bem que, de repente, eles até eliminam a Argentina da Copa.
Angola 1 x 1 Irã – Quando os angolanos fizeram o primeiro gol, fiquei feliz: seria muito legal ver os Palancas Negras comemorando nas oitavas como se fossem a finalíssima. Ao menos conquistaram dois pontos e ficaram na frente de muitas “favoritas”…
Costa do Marfim 3 x 2 Sérvia e Montenegro – … Como a tal Sérvia, a minha “primeira colocada” no bolão. Mas que droga. Ao menos perderam pros marfinenses, cuja camisa ainda hei de comprar antes da Copa acabar.
Argentina 0 x 0 Holanda – Sim, senhores: esse foi o jogo que marcou o grupo da morte. As duas seleções mataram a bola, e os espectadores morreram de sono. Mas enfim, seguem favoritas.
Gana 2 x 1 EUA – Esses africanos são abusados. E vão dar muito trabalho pro Brasil. Já os EUA do técnico Dedé Santana fizeram o caminho que deveriam ter feito em 2002.
Itália 2 x 0 República Tcheca – E não é que a Itália passou pela primeira fase sem sustos, mostrando um time forte? E eu disse que o time de Pavel Nedved e Tomas Rosicky eram os melhores do grupo, que iam deixar a Itália de Luca Toni em segundo, no caminho do Brasil, e que os surpreendentes tchecos chegariam às semifinais… Hahahahahahaha!!!
Austrália 2 x 2 Croácia – Esse é o jogo do árbitro inglês que será convidado pra apitar a Copa João Havelange. Enfim, bela porcaria essa Croácia, que chegou à Alemanha dizendo ser mais forte que o Brasil. E o Guus Hiddink transformou outra baba em potencial numa equipe encardida. E novamente vai pegar a Itália nas oitavas-de-final: será que um raio cai duas vezes num mesmo lugar?
Brasil 4 x 1 Japão – Todo mundo já falou demais desse jogo. Eu só lamento pelo time do Zico, que para o meu bolão, chegaria a esse jogo classificado à próxima fase… E o time do Parreira vai enfrentar uma grande incógnita durante o nosso almoço de terça-feira (não tinha um horário pior não?).
Espanha 1 x 0 Arábia Saudita – Os árabes deram um sufoco no finalzinho, mas não conseguiram superar os reservas da Espanha. Ao menos se saíram melhor que em 2002. E os espanhóis estão em rota de colisão com a seleção brasileira – ou alguém acredita em revanche com a França?
Ucrânia 1 x 0 Tunísia – Da série “ninguém viu essa porcaria”, e por essa razão, candidato a pior jogo da Copa. Teve gol de pênalti de Sheva e só.
Suíça 2 x 0 Coréia – Deu a lógica no grupo: a Suíça eliminou a esforçada seleção asiática, aquela que um dia, num futuro distante, alguém vai lembrar: “nossa, e pensar que eles já chegaram em quarto lugar em uma Copa”…
França 2 x 0 Togo – Aliás, o mesmo vale pra muitas seleções aí. Se hoje ninguém acredita que o Uruguai já foi campeão, que a Hungria já foi vice, que a Bulgária já eliminou a Alemanha… Em pouco tempo, vão perguntar: a França já foi campeã mesmo? E nesse jogo, o goleirão “Coça e Agacha” fez excelentes defesas, mas no final nem pra eliminar a França o time de “tongo” serviu.

International PhilosophyLink campeão do Toplinks essa semana: um esquete extraído do Monty Python Live at the Hollywood Bowl: direto do Estádio Olímpico de Munique, filósofos representando Grécia e Alemanha se encontram para uma partida de futebol – a escalação de Beckenbauer é uma grande surpresa. Confúcio é o árbitro, com Santo Agostinho e São Tomás de Aquino como auxiliares. Aqui vai uma transcrição (em inglês) da genial partida, cujo único gol foi marcado por Sócrates (que não era o do Corinthians).

A Copa e o meu Dia da Marmota

Por Marmota | 19/06/2006, 23h41

Você já deve ter visto “Feitiço do Tempo”. No filme, Bill Murray vai até Punxsutawney cobrir um evento centenário: o Dia da Marmota. Com uma performance ridícula de um parente meu ao sair da toca, é possível antecipar a chegada da primavera. O problema de Bill Murray não está exatamente na pobre marmota: por alguma razão do destino, ele começa a vivenciar o Dia da Marmota todos os dias.

Pois a Copa do Mundo transformou a minha vida no verdadeiro Dia da Marmota. Desde o começo da primeira fase, com jogos diários às dez da manhã, outros dois a uma e às quatro da tarde… Uma seqüência de tarefas burocráticas, mas necessárias… Enfim, uma rotina esperada por muitos aficcionados, e inevitável para quem vive o dia-a-dia da competição profissionalmente. E é o mesmo dia, todos os dias.

Ao menos até o último final de semana, quando eu finalmente pude entender algumas coisas que acontecem no planeta. No dia que o Bussunda morreu, soube que a Varig ainda não foi vendida, nem esta falida. Mas teve vôos cancelados, assustando até quem está na Alemanha. Soube que uma convenção meia boca oficializou Alckmin como candidato na mesma semana que o Ibope indicou uma provável vitória do Lula no primeiro turno. Paralelamente, um bando de desocupados, carregando uma bandeira populista reivindicando reforma agrária, invadiu o congresso nacional e arruinou as instalações, como se fossem saqueadores medievais.

E, pasmem, o senador David Palmer foi assassinado no primeiro episodio da atual temporada de 24 horas! Ok, isso foi em março, mas eu soube apenas esses dias… Agradeçam a Copa do Mundo.

Felizmente, para o bem ou para o mal, até o final da Copa, serão jogos apenas em dois horários. E com a chegada da fase final, as coisas devem voltar ao normal aos poucos. Por enquanto, continuo saboreando o mesmo dia, todo dia.

São Paulo x Austrália – Tive a chance de comemorar o aniversário do meu amigo Ricardo Osiro no domingo, assistindo à pelada entre a seleção do Ronaldo, aquele que foi capaz de uma furada impagável no primeiro tempo, e a parruda seleção da Austrália. A maioria da mesa era são-paulina, exigindo Rogério Ceni no lugar do esforçado Dida, Cicinho ao invés de Cafu, além de Mineiro no meio-campo. O que reforça uma teoria antiga: a maioria dos brasileiros torce pela seleção, mas os fanáticos por futebol preferem mil vezes torcer pelo seu clube. Inclusive, se essa teoria for valida, todo corintiano torce, ao menos um tiquinho, pela Argentina.

Balanção da segunda rodada – Vamos repetir a brincadeira da última quarta, comentando rapidamente os jogos grupo a grupo.

Alemanha 1 x 0 Polônia – Os alemães voltaram ao normal e jogaram de maneira burocrática. O gol saiu no finalzinho, depois de muito sacrifício. E era uma Polônia combalida. Já não sei se chega tão longe assim.
Equador 3 x 0 Costa Rica – Funeral absoluto do meu bolão. A Costa Rica mostrou ser o pior time da Copa, e o Equador, quem diria, está jogando muito, mesmo sem altitude.
Inglaterra 2 x 0 Trinidad e Tobago – Os meus candidatos ao título só fizeram gol no finalzinho, e ainda não convenceram ninguém. E os trinitinos tobaguenses não precisam fazer mais nada: já viraram heróis.
Suécia 1 x 0 Paraguai – Mais um gol que saiu chorado, no fim da partida. Sorte dos suecos, que não mostraram nada demais até aqui. Os paraguaios, praticamente os mesmos de 98, pararam no tempo.
Argentina 6 x 0 Sérvia e Montenegro – Outra vela pro enterro do bolão. Os eslavos já entraram em campo perdendo. E encontraram um time inspirado, cheio de vontade até o fim. Se Deus quiser, jogaram tudo que podiam nesse jogo.
Holanda 2 x 1 Costa do Marfim – Mas que Drogba de grupo. Os marfinenses eram os meus favoritos, mas tiveram duas pedreiras e foram embora. Mas os holandeses me surpreenderam, e merecem minha torcida.
México 0 x 0 Angola – Jogo ruim pra burro, mas Zé Kalanga foi melhor que os mexicanos, que chegaram cabeças-de-chave. E mesmo sendo impossível, ainda dá pra Angola. Quem diria.
Portugal 2 x 0 Irã – Cristiano Ronaldo é um imbecil. Faz malabarismo em campo e olha pro telão pra ver como ficou. Alem dele, só o Deco e o Figo se esforçam mais. Felipão vai ter que fazer milagres.
República Tcheca 0 x 2 Gana – Fui tapeado! Os tchecos entraram como sensação, candidatos a melhores do grupo, e agora podem ficar de fora! E Gana pode salvar a honra da África na Copa.
Itália 1 x 1 EUA – Outra seleção que mostrou muito no primeiro jogo, mas caiu no segundo. Jogo violento demais, com direito a gol contra do zagueiro italiano. No fim das contas, esse é o grupo da morte.
Croácia 0 x 0 Japão – Tremenda perda de tempo. O melhor em campo foi o Kawagushi, que pegou pênalti mas quase frangou. Outro palpite furado: japoneses e croatas não valem nada.
Brasil 2 x 0 Austrália – Que sufoco, amigo. Haja coração. Eles estão gostando do jogo! Quem é que sobe? Pra cima deles, Ronaldinho! Enfim, ninguém gostou.
França 1 x 1 Coréia – Definitivamente, 180 milhões de pessoas assistiram a Brasil e França em 1998 e disseram, ao mesmo tempo, “agora essa porcaria de seleção nunca mais vai ganhar nada na vida”. Está dando certo.
Suíça 2 x 0 Togo – Alguém viu esse jogo? A única coisa que eu lamento é saber que o único time que teve ex-desistente técnico, teve feiticeiro, teve a honra de ser o primeiro a chegar na Alemanha… Já vai.
Ucrânia x Arábia Saudita – A normalidade se reestabelece. Os ex-soviéticos finalmente jogaram futebol e não fizeram mais que a obrigação, ao vencer os árabes.
Espanha 3 x 1 Tunísia – Os espanhóis começaram o jogo com o rótulo de favorita, depois de ter goleado na estréia. Levaram um gol e só reagiram no segundo tempo. Por enquanto, não amarelaram.

Robozinho no MSN – Dado Spize é o nome do personagem criado para a Bavária. Adicione dado@bavariapremium.com.br no seu MSN e converse com um protótipo de inteligência artificial, capaz de falar em cerveja, baladas e Copa do Mundo. Tudo bem, metade das respostas começa com “não sei, sou uma versão beta”. Mas é uma tremenda ferramenta de comunicação, sacada genial de olho num mercado publicitário bastante interessante: os usuários de Messenger, algo em torno de 15 milhões de pessoas no Brasil. Dica do Ian.

Matemática estúpida – Um cururu descobriu o seguinte: 1970 + 1994, anos que o Brasil foi campeão mundial, dá 3964. Assim como 1978 + 1986, quando a Argentina venceu. 1990 + 1974, referentes aos títulos da Alemanha, também dá 3964. A descoberta foi feita em 2002, quando o cururu fez o seguinte cálculo: 3964 – 2002 dá 1962, quando o Brasil também ganhou. Logo, já que temos 3964 – 2006 = 1958, quando o Brasil também ganhou… Significa que isso não quer dizer nada, já que 3964 – 1998 dá 1966, e a Inglaterra não ganhou.

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