Marmota, mais dos mesmos

Desde 2002, muito obrigado por nada.

Arquivos: maio/2006

Blogs para acompanhar o Mundial

Por Marmota | 31/05/2006, 23h05

Digamos que você tenha tempo de sobra e TV por assinatura em casa. Ótimo! Você terá uma overdose de jogos e matérias alusivas ao Mundial como nunca se viu. Refestele-se no sofá, segure firme seu controle remoto e aproveite todas as maravilhas da tecnologia ao alcance dos seus olhos. Agora, se você não tem televisão à cabo e só vai assistir aos jogos pela Globo, ou pior, vai passar boa parte do tempo na labuta, só resta o computador e a Internet.

Diante dele, você certamente vai passar por muitos sites esportivos, que também vão caprichar na cobertura do Mundial. Afinal de contas, em que outro lugar você vai saber que a loira que agarrou o Ronaldinho ouviu uma cantada, ou que os orangotangos da Coréia ajudaram na divulgação da Copa, entre outras informações imprescindíveis?

As outras notícias, sobre quem ganhou, quem perdeu, o que foi visto ou dito por aí, enfim. Todos vão escrever cada qual do seu jeito, mas sem nenhuma novidade. As entrevistas serão feitas nas zonas mistas ou em coletivas – menos as da Globo – e assim todo mundo terá em mãos a mesma informação. Diante disso, onde estará o grande barato da Copa?

Nos blogs, claro! Quem já entendeu como a ferramenta funciona vai explorar como puder a relação direta de seus autores com os leitores, possibilitando inúmeras discussões, opiniões e impressões diversas sobre a competição. A seguir, seguem meus bookmarks para o Mundial – e se você conhece algum blog bacana relacionado à Copa, não deixe de indicar!

Experiência internacional – Imagine um blog diferente para cada uma das 32 seleções. Mais dois blogs específicos para arbitragem e outras notícias. Todos mantidos por fãs em diversos países do mundo, inclusive do Brasil. Tudo reunido num único endereço, e em inglês, um idioma praticamente universal. Isso é o World Cup 2006 Blog, talvez o mais audacioso entre os blogs sobre a Copa.

A idéia partiu dos responsáveis pelo BootsnAll Travel Network, que formam uma rede de viajantes independentes (mochileiros) pelo mundo. Apaixonados por futebol, três membros desse grupo lançaram um blog temático em 2002. Logo fizeram sucesso e atraíram a atenção da mídia e do público no mundo todo. Para esse ano, os caras contam com a ajuda de colaboradores do mundo inteiro. E pela origem dos comentários, fica muito fácil perceber que a Copa realmente movimenta o planeta inteiro.

Dia de jogo do Brasil é feriado – A campanha é do Batendo Bola, um vídeo-blog criado pela agência Espalhe (a turma do Copo Vermelho) e apresentado pelo Daniel Sollero, sob a alcunha de Cerezo, com muito bom humor.

É simplesmente a coisa mais sensacional que já poderia ter sido feita às vésperas do Mundial. E a campanha que pretende deixar todo mundo em casa para torcer pelo Brasil faz todo sentido – além de ser um excelente chamariz para o site. Não entendo como é que ninguém fez algo semelhante ainda.

Torcedores viajantes – Quer outra forma de produzir conteúdo diferenciado sobre o Mundial? Junte alguns torcedores, entregue-os uma câmera digital e conexão à Internet e monte um blog, transmitindo ao público a sensação ambiente que poucos órgãos de imprensa vão ter tempo para fazer. Uma dessas iniciativas é descrita pelo Eduardo Lins nesta coluna para o Webinsider.

O texto diz respeito ao Reality Cup 2006, que deve ser um dos muitos blogs que se propõe a cobrir a Copa sob a ótica do torcedor. O Eduardo é um dos 12 viajantes do projeto, que pretende reunir vídeos, podcasts, fotos e textos. O direcionamento do site é semelhante ao de um “reality show”. Nos mesmos moldes, o CorreioWeb, site do Correio Braziliense, colocou no ar o blog do torcedor. Rodrigo e Tadeu, ambos com 22 anos, já estão na Suíça e escrevem diariamente suas impressões.

Claro que não foram idéias exclusiva deles, e nem a mais criativa. Cinco estudantes de Natal fizeram um planejamento para ficar na Alemanha por três semanas – vão perder o jogo de abertura e as semifinais. Mas tudo bem, eles não compraram pacote, nem conseguiram ingressos. Os cinco da Copa devem circular pela Alemanha num motorhome (por que não tive essa idéia antes?) e desembolsar cerca de R$ 6 mil pela aventura (convenhamos uma merreca). Obviamente, a turma vai contar toda a aventura num blog, hospedado na DigiNet.

Jogadores blogueiros? – Opa, como não? Quem saiu na frente foi o MSN, como já dissemos aqui, trazendo blogs de jogadores que estarão em campo na Alemanha. Saíram tão na frente que os blogs do holandês Edgar Davids e do brasileiro naturalizado alemão Kevin Kuranyi, que não vão à Copa, nasceram à toa. A coisa toda carrega um ar artificial: só de olhar para o blog do Ronaldinho Gaúcho, que assim como todos os craques, escreve em português, em espanhol, em italiano, em alemão, em inglês, em francês e até em holandês… Blé.

O Terra também convidou membros da comissão técnica para blogar. Roberto Carlos e o preparador físico Moraci Sant´anna mantêm fotologs no portal. E a Deutsche Welle, do coração da Europa, chamou Giovane Élber, ídolo na Alemanha e atual atacante do Cruzeiro, para falar sobre Copa do Mundo para o serviço web em português da rádio internacional.

Só tem quem tem UOL – O portal mais conhecido do Brasil, que um dia ainda sonha em virar Google, criou alguns e selecionou outros blogs alusivos. Dois deles já escrevem sobre futebol há mais tempo e vão pegar carona na Copa: o Juca Kfouri e o José Roberto Torero. Outros dois seguem a experiência feita em Atenas, durante os Jogos Olímpicos: os enviados especiais tomam conta de um e a redação de esportes, de outro.

Ainda dentro do UOL, mas ligado à Folha de S. Paulo, o Eduardo Vieira da Costa, editor de esportes da Folha Online e enviado especial, também abriu o seu, aos moldes dos outros blogs da Folha – como a Soninha, que também deve comentar a Copa do Mundo.

Os caras de sempre – Além do Juca e do Torero, vale consultar a turma que já se dedica ao futebol, independente do Mundial. O Ubiratan Leal, do Balípodo, é obrigatório. Ele também escreve no De Primeira, um dos mais tradicionais da rede, e vai escrever no Verbütsfussballbloge, o blog da Copa do Verbeat (que ainda tem Idelber, Milton Ribeiro e grande elenco). Por fim, anote aí o blog do Alex Bellos jornalista inglês e especialista em futebol brasileiro.

Por fim, o ressurgimento de um dos maiores sucessos de 2002: o Eu Odeio o Galvão Bueno está de volta. Resta saber se o apelo vai ser o mesmo de quatro anos atrás.

Para os seus bookmarks – Longe da esfera blogueira, guarde estes dois endereços interessantes. O primeiro, em alemão, traz o mapa das sedes das 32 seleções durante a Copa. Quartier-Ort é onde estão (ou estarão) hospedados; Trainingsgelände é onde vão treinar; Spielorte são os locais dos jogos na primeira fase.

O segundo, de autoria do Luiz Fernando Bindi, traz a pronúncia do nome dos jogadores de cada uma delas. Chváinstáiguer, Shiévtchenco, Djeong Rruán Ãn, entre outras pérolas.

Hora de rever os palpites para a Copa

Por Marmota | 30/05/2006, 19h46

Não existe resposta definitiva para uma das questões mais recorrentes nos últimos dias: como você preencheria uma tabela da Copa do Mundo até o fim? Em dezembro, convidei nossos três ou quatro visitantes para fazer isso, e os comentários respondem por si. Existem dezenas de possibilidades, e todas elas fazem sentido.

Porque no fundo, o que não faz sentido é a nossa predisposição em tentar adivinhar um negócio totalmente imprevisível, o que convenhamos, é uma das razões pelas quais o mundo perde tempo com futebol.

Enfim, conversei longamente com meu fiel escudeiro Narazaki no último final de semana, derivando sobre muitas possibilidades. Ele analisou friamente, usando seus conhecimentos e as impressões dos primeiros dias de treinos. Eu simplesmente despiroquei, chutando completamente baseado em algumas premissas básicas: desde 90, ao menos um africano se classifica; pelo menos um campeão mundial fica na primeira fase (em 2002 foram três); e o Brasil é tão favorito, mas tão favorito, que vai ser muito difícil não tropeçar.

Para seguir nosso raciocínio e te ajudar a elaborar o seu, vamos republicar aqui o esqueminha de dezembro. Escolha o primeiro e o segundo colocado de cada grupo e, na parte de baixo, vá decidindo qual time segue até a final. Se quiser, faça isso várias vezes – para começar do zero, é só “zerar” o esquema clicando em “fazer de novo”.

Primeira fase

Grupo A
1º Escolha…AlemanhaCosta RicaPolôniaEquador
2º Escolha…AlemanhaCosta RicaPolôniaEquador
Grupo E
1º Escolha…ItáliaEUAGanaRep. Tcheca
2º Escolha…ItáliaEUAGanaRep. Tcheca
Grupo B
1º Escolha…InglaterraParaguaiT. TobagoSuécia
2º Escolha…InglaterraParaguaiT. TobagoSuécia
Grupo F
1º Escolha…BrasilCroáciaAustráliaJapão
2º Escolha…BrasilCroáciaAustráliaJapão
Grupo C
1º Escolha…ArgentinaC. do MarfimS. e Mont.Holanda
2º Escolha…ArgentinaC. do MarfimS. e Mont.Holanda
Grupo G
1º Escolha…FrançaSuíçaCoréiaTogo
2º Escolha…FrançaSuíçaCoréiaTogo
Grupo D
1º Escolha…MéxicoIrãAngolaPortugal
2º Escolha…MéxicoIrãAngolaPortugal
Grupo H
1º Escolha…EspanhaUcrâniaTunísiaArábia
2º Escolha…EspanhaUcrâniaTunísiaArábia

Oitavas-de-final

x
x
x
x
x
x
x
x

Quartas-de-final

x
x
x
x

Semifinal

x
x

Final

x

Costa Rica? Paraguai? Costa do Marfim? – Pelo menos em algumas coisas eu e Narazaki concordamos: nada de Equador, Trinidad e Tobago, Togo, Arábia, Irã, Austrália, entre outras babas. Achava que seria moleza entrar num acordo com a maioria das seleções, mas o embate de idéias começou logo no Grupo A. Meu amigo nipônico duvida da capacidade da Costa Rica em se classificar, apostando na Polônia como a segunda força da chave, logo atrás da Alemanha.

A discordância prossegue na chave seguinte. Quem rivaliza com a Inglaterra? Para mim, a Suécia, que historicamente se sai bem na primeira fase – em 2002, a dupla sobreviveu ao então Grupo da Morte, com Argentina e Nigéria. Narazaki discorda, e acredita na força sul-americana do Paraguai.

Palpite do Narazaki
Oitavas: Alemanha x Paraguai, Argentina x México, Inglaterra x Polônia, Portugal x Sérvia e Montenegro, República Tchecax Japão, França x Espanha, Brasil x Itália, Ucrânia x Suíça
Quartas: Paraguai x Argentina, República Tcheca x França, Polônia x Portugal, Brasil x Ucrânia
Semifinais: Argentina x França, Portugal x Brasil
Final: Argentina x Brasil
Campeão: Brasil

Meu palpite
Oitavas: Alemanha x Suécia, Sérvia e Montenegro x México, Inglaterra x Costa Rica, Portugal x Costa do Marfim, República Tcheca x Japão, França x Ucrânia, Brasil x Itália, Espanha x Suíça.
Quartas: Alemanha x Sérvia e Montenegro, República Tcheca x França, Inglaterra x Portugal, Itália x Espanha.
Semifinais: Alemanha x República Tcheca, Inglaterra x Itália.
Final: Alemanha x Inglaterra
Campeão: Inglaterra

Agora, o Grupo C. Na prática, qualquer combinação é perfeitamente possível. Por isso, fiz uma aposta alta: Sérvia e Montenegro em primeiro, Costa do Marfim em segundo. Primeiro porque, se existe algum africano que pode ser o Senegal da vez, é Costa do Marfim. Depois, porque a Holanda, pela qual eu vou torcer independente da minha aposta, está longe de ser a surpresa dos anos 70 e 90. Por fim, eu quero mais é que a Argentina exploda de novo.

Obviamente, Narazaki acredita ao menos em uma das duas tradicionais seleções da chave, dando voto de confiança para os argentinos. Sérvia e Montenegro passaria em segundo. “Mas aí nenhum africano teria sucesso na Copa, Narazaki?” Não, graças ao sorteio, que foi terrível para os conterrâneos do Drogba. Mas enfim, tudo pode acontecer aqui – ao contrário da chave D, ou alguém duvida de Portugal e México?

Agora, os grupos E e F. Aqui, sem grandes dúvidas sobre quem pega Brasil e Japão, primeiro e segundo do F, na fase seguinte. E eu tenho convicção de que a Itália será a pedra no nosso sapato, já que a República Tcheca tem a seleção mais forte da chave. Narazaki só concorda com as posições dos grupos, sem essa de “pedra no sapato”.

Aqui chegamos aos grupos “quem se importa?”. Pelo coração de Narazaki, França e Suíça são os favoritos (os meus também). Mas ele desconfia dos bleus, e não descarta uma surpresa coreana – a Coréia, aos olhos do japonês Narazaki, é tão repulsiva quanto os argentinos. Por fim, no Grupo H, Ucrânia leva vantagem sobre a Espanha para o meu amigo. Eu ainda sou bobo e dou um voto de confiança à Fúria.

Itália? Portugal? Inglaterra? – Finalmente, o mata-mata, onde a porca torce o rabo da onça bebendo água. E Narazaki começa polemizando, derrubando os donos da casa diante do Paraguai. Ele também derrubou a Inglaterra diante da Polônia, lembrando da pequena diferença entre as seleções nas eliminatórias européias.

Eu também não fico atrás em matéria de polêmica. Obviamente que o Brasil é o grande favorito, tem tudo para ser hexacampeão, vou torcer muito por isso e, pelo material humano que possui, só conseguiria perder para ele mesmo. Mas se eu tivesse dez fichas, apostaria umas sete delas em uma eliminação precoce diante da Itália. Eu sei, a Azzurra não tem nada de mais, e vive um momento conturbado graças aos escândalos envolvendo dirigentes da Juventus. Mas enfim, se a seleção brasileira rodasse aqui, não me surpreenderia.

De acordo com a minha avaliação catastrófica, restariam oito seleções européias nas quartas-de-final, um verdadeiro desastre para a escola sul-americana. Pelo meu caminho tortuoso, alemães e ingleses, alvos de total desconfiança de seus torcedores, eliminariam seus adversários, entre eles Portugal e França, até chegar a uma reedição de 1966.

Para Narazaki, Brasil e Argentina avançariam até as semifinais. Mas enquanto o japonês garante os hermanos na decisão, ele hesitou profundamente ao encontrar brasileiros e portugueses lutando por uma vaga na finalíssima. Segundo Narazaki, este seria o maior desafio para os brasileiros. Argentina e Portugal até fariam uma decisão muito interessante, mas ele quer mesmo é ver a seleção brasileira ser hexa diante dos nossos maiores rivais!

Surpresas? Confirmações? Decepções? – Para chegar ao meu palpite ousado, levei em conta uma velha máxima, que a cada ano se torna menos verdadeira: a força da camisa ainda ganha jogo. Acho muito difícil que alguma seleção que nunca chegou a uma final de Copa consiga o feito. A única “surpresa” entre as oito melhores seria a República Tcheca, que ao lado da Ucrânia, é candidata a Bulgária de 1994, Croácia de 1998 e Turquia de 2002. O problema dos ucranianos é o estado físico do Shevchenko.

Narazaki, pelo contrário, lembrou da Grécia campeã européia, do Once Caldas campeão sul-americano, e até de Paulista e Santo André, campeões da Copa do Brasil. Não tem essa de “seleções tradicionais”, mesmo em copas do mundo. Até porque, não faz muito tempo uma seleção que jamais conquistou uma Copa chegou à final: a França, que acabou com o título. Apesar disso, ele não acredita em algo como República Tcheca x Portugal na final.

A bem da verdade, é praticamente impossível não acreditar na seleção brasileira. É como tentar adivinhar qual será o destino de cada uma das 32 seleções antes da bola rolar. E eu lanço aqui um desafio: tanto eu quanto o Narazaki erramos nossos palpites – apesar de fazer figa pro japonês acertar ao menos o campeão dele.

Atualizado – Não deixe de ver ainda o palpite do professor Idelber.

Os cinco melhores comerciais sobre Copa

Por Marmota | 22/05/2006, 23h25

Não adianta fugir: o clima de Copa do Mundo já invadiu sua vida. E a medida em que a estréia se aproxima, a coisa fica ainda maior: não vai demorar para a sua rua ser enfeitada por bandeirinhas e pinturas na rua. Como a coisa é inevitável, só nos resta relaxar e aproveitar. Especialmente diante da TV, já que mesmo o produto mais mequetrefe aproveita a onda para associar sua marca ao Mundial de futebol.

Mas entre as propagandas alusivas à Copa do Mundo, algumas realmente são muito bacanas, a ponto de você parar o que está fazendo para assistir. E antes que a mídia espalhe mais filmes verdes e amarelos, segue minha lista de favoritos entre os que já foram ou que estão sendo veiculados.

#5Torcida McDonalds: Esse não é dos mais imperdíveis, mas é extremamente bem feito. E segue uma fórmula que funciona bem: usa crianças. Uma musiquinha imponente ao fundo e moleques jogando futebol no campo e torcendo nas arquibancadas, pregando a paz entre os povos. A bem da verdade, a torcida mirim do McDonalds ocupa o lugar que poderia ser da Coca Cola…

#4Olé Brasil Brahma: … Claro, isso se a marca de refrigerante tivesse feito algo como em 2002, quando Toni Garrido gravou “em todo lugar, pelas ruas do país… é a torcida do Brasil, futebol e paixão…”. Não. Resolveram escalar coisas surreais como ferraduras vestindo cuecas da sorte. Bah. Assim, quem ocupou o imaginário do povão com a “musiquinha da Copa” foi a ex-tartaruga-né Brahma. Não tem quem não cante ao menos o primeiro verso: “uma estrela me chamou…”.

#3Trave Skol: Mais uma de cerveja, explorando a rivalidade Brasil x Argentina, potencial semifinal da Copa. Alias, se o Brasil jogar como na propaganda, deixando nuestros hermanos na cara do gol seis vezes em 20 segundos, estamos roubados. Mas a trave móvel que chuta o adversário no final é uma bela sacada.

#2Maradona Antarctica: Não a toa essa foi uma das mais lembradas e comentadas nas ultimas semanas. Primeiro aparece Ronaldo Fenômeno. Depois Kaká (usando um uniforme sem o logo da Nike) e, de repente, Don Diego e “o sol da liberdade em raios fúlgidos” em portunhol, depois de ter tomado “mucho guaraná”. Não cheguei a ver, mas existe uma versão “tive um pesadelo” usada pela Oi, com Ronaldinho Gaúcho sendo ovacionado em espanhol.

#1Jose +10 Adidas: A melhor delas, sem sombra de dúvidas – no mesmo nível do Joga Bonito da Nike. Dois chicanos, Jose e Pedro, vão bater bola num campinho. Vem o tradicional par ou ímpar pré-escolhas de times. De repente, o improvável: os moleques chamam por Kahn, Riquelme, Cisse, Kaká (dessa vez usando o uniforme do seu patrocinador)… Até Beckenbauer e Platini aparecem para completar os escreetes comandados pelos dois. Espetacular.

Pelo menos o da Adidas e o do Maradona podem ser vistos no You Tube – vale ainda uma especulada por comerciais relacionados à Copa em outros países.

Atualizado: A Claudia Andrade fez uma reportagem especial sobre publicidade e copas do mundo. Aliás, não há reportagem especial que o UOL não tenha feito ainda.

O que tem na panelinha vermelha?

Por Marmota | 21/05/2006, 23h09

Vamos esclarecer algumas coisas: Internet não se faz com tecnologia, mas com relacionamentos. A blogosfera não é um mundo paralelo, onde as coisas acontecem apenas baseadas na facilidade das ferramenta, nos trackbacks, comentários e links: por trás de tudo isso, acima de tudo, existem pessoas. E a relação entre elas é a mesma tanto na rede como fora dela.

Para ser mais claro: não é sensato avaliar os blogs pelo template ou pela quantidade de visitantes ou comentários, mas sim pela forma como o autor se comunica. Leitores blogueiros ou não se identificam com as idéias, com o estilo, com tudo que está diretamente relacionado à formação de quem está por trás do blog.

Então o blogueiro A escreve crônicas, comenta novidades e demonstra o quanto está antenado. O blogueiro B se diverte com alegres episódios do cotidiano e faz piadas com as agruras da vida. E o blogueiro C faz um pouco de cada coisa, com opiniões totalmente opostas. Outros blogueiros que visitam e comentam A diariamente podem entrar de vez em quando em B e simplesmente ignorar C. E não há problema nenhum nisso.

Qual a tendência natural diante disso? Todas as afinidades entre blogs, sejam elas ideológicas ou sentimentais, acabam formando agrupamentos dentro da blogosfera. E dentro desses nichos, temos algumas referências, pessoas relevantes cujas idéias e opiniões repercutem na maioria dos outros.

Eu mesmo tenho os meus favoritos, e acredito que você também tenha os seus. São blogueiros que exercem uma influência positiva: eles inspiram outros a seguir o mesmo caminho. Não para criar concorrência ou inveja, mas para serem melhores pessoas. Estudar mais, ler mais, conversar mais, enfim.

Não te parece um monte de obviedades desnecessárias? Também acho, por isso fico preocupado quando ouço expressões como “blogueiro famoso” e “panelinhas fechadas”. Coisas como “tá todo mundo ao lado daquele idiota só porque é uma estrela pop”. Então as pessoas esquecem que podem crescer por si mesmas e sonham com um blog de sucesso e sua própria panelinha. Ou vai dizer que você nunca ouviu falar nessa bobagem?

Mas voltando. Quer ver como a idéia do “pessoas no mundo real e virtual” funciona na prática? Vejamos a festa do copo vermelho, onde um dos objetivos era “unir em um só ambiente, da maneira mais democrática possível, os mais variados estilos de escritores, ativistas, pensadores, artistas e formadores de opinião”. Alias, a própria lista pode ter feito um ou outro pensar nas panelinhas e em seus líderes.

O que pode acontecer quando você junta muita gente de estilos diferentes em uma festa? Bom, primeiro você cumprimenta aqueles que conhece, conversa com aqueles que se aproximam, dá uma analisada no ambiente e experimenta alguns acepipes. Depois, não tem jeito: todos se dividem em grupos, de acordo com suas preferências. Foi exatamente o que aconteceu comigo.

Com algumas horas de atraso, encontrei Inagaki e Biajoni, além do não-blogueiro Narazaki e da Carol (que, infelizmente, não tive o prazer de conhecer antes). E graças a um pequeno deslize no planejamento de trajeto (quer dizer, me perdi como sempre), chegamos ainda mais tarde ainda na estranha casinha da Vila Madalena. Logo na entrada, esbarramos com a DaniCast.

Lá dentro da casinha, como era possível imaginar, iluminação predominantemente vermelha. Depois da entrada, um corredor estreito dava acesso a garagem que serviu de lounge. Além dos sofás, banquinhos e bandejas de salgadinhos, dava para brincar com as duas máquinas de lavar da areazinha. Uma escadinha perigosa dava acesso a uma pista de dança improvisada, onde era possível ouvir uma salada musical, além de encontrar barmans serviam a estranha mistura de whisky com groselha (isso mesmo: quem bebesse, enfrentava a perigosa escadinha para comer). Nos fundos, um quintal gramado propiciava outras atividades lúdicas.

Pois chegamos e logo tratei de abraçar velhos conhecidos: a Patrícia Köhler, o Doni, a Vivi, a Fla e a Clara, o Alex Castro… Quando a Alê Felix gritou “marmota”, a simpática Sandra se aproximou: “puxa vida, você é o famoso Marmota!”. Respondi que era tão famoso quanto a Miss Guaianazes antes de continuar a conversa. O Helder (com H) também se apresentou – e marcou meu nome em sua caderneta. Num dos sofás da garagem, encontrei a Bibi, o André e a Gabi, e como o papo dali praticamente não saí – em tempo, para concluir um dos temas da noite, Ray Conniff morreu sim, em 12 de outubro de 2002.

Ainda que eu não tivesse a menor predisposição para me aproximar de quem eu não conhecia, nem de quem imaginava encontrar – mesmo o Gravataí Merengue, que eu julgava conhecer do encontro do ano passado, não encontrei (ou vi e passei batido), mesmo sem balançar o esqueleto nem beber nada alcoólico, devo dizer que tive uma noite extremamente divertida – noite que só acabou às sete da manhã.

Garanto que muitos ali também estenderam suas noites felizes, ao lado daqueles que tinham total afinidade. Todos os grupos afins (tudo bem, se quiser pode chamar de “panelinhas”) estavam claramente organizados, e poucos se misturavam – assim como você vê agora, na grande rede. E foi muito legal para todos eles – até para o pobre sujeito que precisou ser carregado após mergulhar fundo no copo vermelho.

“Sua besta, você se isolou porque quis”, pode dizer algum. É verdade, admito que me acomodei tão facilmente no sofá que mal percebi quando alguém disse “são três e meia”. E eu também estava pouco concentrado: se eu lembrasse de onde conhecia aquele cidadão de óculos e cabelo enrolado antes, certamente me aproximaria e diria: “puxa, você é o Cerezo no Batendo Bola? Cara, parabéns, é uma das coisas mais sensacionais que eu já vi”. Mas só lembrei em casa.

A coisa também poderia ser diferente com um recurso simples. Quando a Alê promoveu a festa das mascaras, em 2003, todo mundo colou uma etiqueta com o nome no peito. Isso ajudou muito a aproximar os desconhecidos. Fiz esse comentário com uma das mocinhas da organização. Ela me olhou com ar blasé e, sem se esforçar para ser simpática, disse “talvez você precise se esforçar mais para quebrar o gelo”. Traduzindo: “bem feito pra você”. Obrigado.

Só no final da festa, depois do café e de muitas risadas, usei um artifício discutível, mas que deu certo: figurinhas da Copa! Acabei presenteando a Lilian com alguns cromos repetidos, alem de ter conhecido pessoalmente o Julio César, do muito bacana Imperador. Reconheci o Mr. Manson quando ele me viu, com o bolo de figurinhas na mão, praticamente repugnando minha atitude. “Saiba que essa é uma atividade relaxante, boa para espairecer”, disse, sorridente. “Prefiro sexo”, respondeu. Faz sentido!

Enfim, pode ser que muita gente tenha saído da festa do copo sem a sensação de que foi “um marco na historia da blogosfera”. Devem ter se perguntado porque não tinha luz na escada, porque deram ao sabor da bebida o estranho nome lima da pérsia, porque tinha uma árvore na garagem daquela casinha estranha, porque não havia uma ordem lógica nas musicas… Pois eu fiquei convencido de que um blog pode ser útil pra muita coisa, até pra abrir portas de uma festinha. Mas o blog sozinho não deixa ninguém famoso, não cria relações bacanas e frutíferas, nem transforma ninguém em pessoas melhores. Isso é por nossa conta.

(Acho que ficou grande o suficiente para ninguém pensar que estou fazendo propaganda…).

Atualizado: a DaniCast fala mais da festinha na revista Paradoxo. Inclusive com fotos!

Atualizado de novo: Falando em fotos, tem muito mais aqui.

Como fica O Código na telona para quem não leu

Por Marmota | 20/05/2006, 20h03

Há dois anos, comecei a ler “O Código Da Vinci”, e aqui mesmo escrevi o seguinte: depois de algumas dezenas de páginas, me senti diante de um verdadeiro bloquebuster roliudiano, daqueles que passam no começo do ano na Tela Quente e logo povoam a Temperatura Máxima no domingo. Nem preciso chegar até o final pra concluir: O Código Da Vinci nasceu pra ser um filme. Deixei meu livro vermelho na prateleira, esperei pelo desenrolar da história na tela grande e ganhei meu tempo lendo outra coisa.

O tempo passou e eu resisti ferozmente a toda e qualquer informação relevante sobre o enredo do filme – apesar de todo mundo saber. Sequer vi as orelhas de todos os “desvendando o código”, “massacrando o código”, “viajando com o código”, “cozinhando maravilhosamente com o código”… Não parei para ler críticos especializados, e tentei abstrair as manchetes da semana sobre as piadinhas em Cannes. Minha intenção era encarar o filme com toda a ignorância que pudesse acumular.

Acreditei na minha decisão certeira depois de assistir a versão cinematográfica do Guia do Mochileiro das Galáxias. Tudo porque já tinha lido o livro e estava maravilhado com a forma como Douglas Adams desenvolve seus personagens e suas histórias. Tudo bem, cinema é outra linguagem, recontar a mesma história usando seus elementos também é uma arte… Mas a distorção que fizeram com o mochileiro foi decepcionante.

Mas enfim, finalmente o dia chegou. Como esperado, mesmo a sessão da meia-noite numa das salas mais discretas da cidade estava lotada. E provavelmente era um dos poucos que não passou do capítulo nove – a parte onde a Amelie Poulain avisa o mal-penteado Forrest Gump, pelo celular, que ele corre perigo nas mãos do assistente do Inspetor Clouseau.

Não, não estou só caçoando: é que eu realmente senti uma certa displicência na caracterização dos personagens principais. Robert Langdon e Sofie Neveu, ou Forrest e Amelie, não se parecem sequer com um casal romântico: são meros fios condutores. É como nos filmes de Monty Pyton: esqueça os caras e preste atenção nos diálogos. Para evitar injustiças, a exceção é Sir Ian McKellen (nem Gandalf, nem Magneto).

Uma das coisas que me fizeram esperar pelo filme era o texto conciso e direto (mastigadinho) do escritor Dan Brown. As ações eram encadeadas rapidamente, sem muitas surpresas. Jesus supostamente era um cara como eu e você, supostamente casado com Maria Madalena, supostamente teve filhos, o fato é supostamente criptografado por Da Vinci em suas obras, preservado pelo suposto Priorado de Sião, a Opus Dei supostamente pretende acabar com isso e manter seu poder, etc. Vale pelo efeito no imaginário das pessoas, o mesmo do suposto mensalão e da suposta matrix: será mesmo possível?

Nesse sentido, senti falta da frasezinha-clichê, verdadeiro estopim de tantos sub-produtos: “todos os documentos, rituais, facções, construções e suas descrições correspondem rigorosamente a verdade”. Mas nem foi preciso estampar o bom e velho “baseados em fatos reais”: se tanta gente criticou O Código impresso, não é difícil estender o conceito à sua versão cinematográfica. Isso porque, analisando friamente, o filme não traz nada revolucionário – pelo contrário, repete alguns elementos de Uma Mente Brilhante, do mesmo Ron Howard. O que pode explicar algumas risadas dos críticos.

Não sei como a história se desenrola no livro, mas eu imagino que seja exatamente como no cinema: parece uma cartilha infantil, com direito a belas imagens em flashback – o que também pode causar desconforto aos especialistas. Para quem entrou no cinema como eu, fugindo do hype, acumulando toda a ignorância possível e esperando apenas por diversão, o efeito é muito bom. Eu praticamente não precisei raciocinar durante duas horas e meia de filme, coisa que vez ou outra, é altamente recomendavel.

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